Qual é a banana que você atira? #somostodosmacacos, uma forma equivocada de combater o racismo

macaco

Agora que abaixou a poeira sobre a tal banana atirada no jogador Daniel Alves, eu gostaria de dizer algumas palavras a respeito. Em nenhuma circunstância chamar uma pessoa negra de macaco tem outro objetivo além de tentar ofender, humilhar e diminuir. Portanto, a campanha #somostodosmacacos pode até ter sido bem intencionada, mas reforçar um estereótipo, de forma alguma é a maneira ideal de protestar contra o preconceito.

O neguinho, o preto, o tição, o macaco… Não, isso tudo não são formas corretas de mencionar e se referir a uma pessoa. Todas estas palavras, mesmo que imbuídas em brincadeiras, são maneiras de colocar o negro em uma posição inferior em relação ao branco. Mas se você, entre tantas características que possuem os seres humanos, precisa mesmo falar a respeito de alguém dando ênfase à sua cor da pele, que a chame de negra se ela o for.

Continuo achando ótima a atitude de Daniel Alves ao comer a banana atirada pelo torcedor racista do time rival. Afinal, o que mais ele poderia ter feito ali naquele momento, segundos antes de cobrar um escanteio, a não ser ignorar a ofensa? Já o resto de nós não podemos nos ‘dar ao luxo’ de ignorar o racismo. Nem todos somos Daniel Alves e nem todos os atos racistas que acontecem no mundo são mostrados na televisão.

O racismo é um mal silencioso que poucos admitem. Afinal, até mesmo os racistas sabem o quão feio é o preconceito. E não pensem vocês que aquele torcedor e alguns outros, são os únicos que atiram bananas em negros, pois existem milhares de maneiras de fazer isso no mundo em que vivemos. Quando alguém se espanta ao ver um negro dirigindo um carrão (ladrão ou manobrista?). Quando se deduz que o menino negro que frequenta a escola particular é filho da faxineira da instituição. Quando olha-se de canto de olho a loira de mãos dadas com o negro na rua (Rico? Jogador de futebol?). Quando duvida-se da capacidade do profissional que o atende (cotas?). Quando dizem que aquela mulher é bonita, pois seus traços são delicados e ela nem parece ser negra (Lupita?). Quando acha-se engraçado piadas racistas feitas por pessoas públicas e os apoiam dizendo que não foi falado nada demais (Gentili, Faustão?)… É, o buraco é mais embaixo.

Me desculpem os bem intencionados que imaginaram estar fazendo um grande ato postando fotos segurando bananas, mas vocês não fizeram nada de útil. #somostodosmacacos mirou no combate ao racismo e acertou numa euforia coletiva modinha que apenas tirou o foco tentando apaziguar algo tão sério.

Racismo não se combate satirizando o opressor e sim o punindo, o educando – até mesmo porque sendo racistas criaturas ignorantes e insensíveis, como poderiam se comover com ironias? O preconceito – todo tipo de preconceito – não nasce com a gente, ele nos é ensinado. Infelizmente, todos os racistas que existiam no mundo antes desta campanha ainda continuam por aí. Já passou na hora de erradicar esse absurdo que é o preconceito.

#somostodoshumanos

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