Parte 2 – Mais oito coisas que as redes sociais ferraram em nossas vidas ou: Precisamos disso?

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Por mais que estejamos completamente conscientes de todas as situações as quais nos submetemos por conta das redes sociais, é impossível não se ver envolvido em pelo menos alguma dessas coisas. Não tem como negar: as relações humanas são outras. Hoje as pessoas namoram online, conversam com os amigos à quilômetros de distância, mandam mensagens que substituem as ligações, compartilham momentos de suas vidas que antes eram testemunhados por pouquíssimas pessoas. Evoluímos. Porém nos tornamos dependentes de coisas que potencializaram nossa ansiedade, carência, necessidade de aprovação e de atenção.

E a pergunta que não quer calar é: será que realmente precisamos disso para viver?

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Veja abaixo a segunda parte das coisas que as redes sociais criaram para deixar nossas vidas mais complicadas.

1 – Quem nunca se viu numa ansiedade sem fim após mandar uma mensagem a alguém? A situação é tão complicada que é possível se angustiar de três diferentes maneiras: 1 – Mandar mensagem a alguém online que sequer visualiza o que você escreveu. 2 – A pessoa visualiza a mensagem e te ignora sumariamente. 3 – Manda a mensagem, a pessoa até responde, mas demora séculos pra isso. Antes você telefonava e havia apenas dois status: a pessoa atendia ou não. SMS também causava menos chateação, pois você enviava o “torpedo” (cá entre nós: que nome idiota) e entregava pra Deus, porque como as operadoras já eram uma grande porcaria, você jamais tinha certeza se a pessoa havia recebido ou não. Se você recebia resposta, ótimo, se não recebia nada, se convencia que a mensagem deu pau e não foi entregue.

2 – Discordar da opinião alheia antes era algo feito de maneira mais educada e sensata. Você conversava, olhava no olho do seu interlocutor, podia amenizar sua discordância com um tom de voz delicado e com um semblante suave. Hoje experimente publicar algo que alguém não concorde. O assunto pode ser o mais diverso possível: vacina contra HPV, bolsa família, os filmes do Oscar, uma banda de rock, a novela… Escolha. Escreva o que pensa e se tiver alguém na sua timeline que achou que você escreveu besteira (sempre tem alguém que acha) prepare-se para receber comentários inflamados e raivosos sobre o quanto aquilo não tem cabimento. Até aí tudo bem, não fosse o fato de que muitas vezes as pessoas confundem o direito de opinar com o direito de ofender.

3 – As redes sociais criaram a falsa impressão de que as pessoas podem, sabem e devem opinar sobre tudo. Tem quem ache que possui cacife para escrever a respeito de qualquer coisa, de tecnologia espacial a educação e isso muitas vezes é bem irritante. Nitidamente você percebe que a pessoa, no desespero de opinar, escreve as maiores barbaridades apenas para exercer seu direito de falar livremente sobre o que bem entender. Como ser idiota, burro ou inconveniente ainda não é crime, a gente segue ignorando muitas coisas.

4 – Lá se foram os tempos em que as pessoas se sentiam amadas e valorizadas recebendo ligações dos amigos, ouvindo um elogio do chefe, recebendo flores do namorado e outras coisas do gênero. Atualmente as curtidas, os comentários e os compartilhamentos ganharam status de aprovação e carinho e substituíram o contato real. Tem quem se sinta absolutamente frustrado ao publicar alguma coisa e não receber nenhum ou poucos likes. Conheço gente que apaga o post que “não fez sucesso” e que manda mensagens privadas convocando os amigos para dar uma forcinha e curtir.

5 – Ter algum crivo sobre o que compartilhar nas redes sociais é o novo ‘ser sexy sem ser vulgar’, ou seja: é um talento que poucos possuem. Se você tem preferência em publicar coisas consistentes pode achar extremante irritante quem publica qualquer droga sem o menor bom senso. Cachorrinhos pregados em cruzes, fotos de crianças espancadas, memes chatos que todo mundo já viu, frases de autoajuda em montagens feitas no Paintbrush, modinhas (fotos de perfil em cartoons, videozinhos de melhores momentos, correntes…). Quando essas coisas pipocam nas redes sociais é fato: um anjo perde as asas e mais uma árvore desaparece misteriosamente da Floresta Amazônica.

6 – A facilidade com que as pessoas julgam e crucificam o outro é de espantar qualquer carrasco da idade média. Antes das redes sociais essa característica pobre do ser humano não tinha tanta relevância, mas agora… “Famosa vai à praia e exibe celulites”, “Atriz cai de bêbada em camarote no Carnaval”… Qualquer uma dessas notícias (que nem precisavam existir, diga-se de passagem) ganham proporção avassaladora com ajuda dos haters das redes sociais. A turba se forma munida de moralismo e hipocrisia e ultrapassa a barreira do razoável apontando, xingando e babando recalque. Não se engane achando que fazer isso é permitido só porque você está falando de alguém a quem teoricamente jamais terá acesso. Muito melhor aqueles que se não tem nada de bom pra falar sobre alguém ou alguma coisa, preferem ficar quietos.

7 – Até o ato de assistir televisão não é o mais o mesmo. Todo mundo virou comentarista em tempo real de qualquer coisa que esteja passando na televisão. Novelas, jogos de futebol, lutas de UFC, filmes da Sessão da Tarde, telejornais, programas de auditório, reality shows… Tudo isso e mais um pouco ganham posts minuto a minuto de pessoas que por algum motivo pensam que só elas tem televisão em casa.

8 – Check-in no banco e no hospital, foto do almoço e do carro novo (com placa e tudo), declarações de amor à colega e ao namorado, informações sobre estar se sentindo feliz ou deprimido, mudança do status do relacionamento, indiretas… Todas essas coisas que antes a gente compartilhava com pouquíssimas pessoas na nossa vida, agora estão aí, sendo esfregadas na cara de quem quiser ver. Nas redes sociais a gente tem a falsa impressão de que cada uma daquelas pessoas que veem nossas publicações são nossos grandes amigos. Mas isso não é bem verdade, não é mesmo? Portanto é sábio escolher com cuidado cada uma das coisas que você compartilha ou isso poderá ser usado contra você.

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