Um dos meus mandamentos sempre foi “não te envolveis com ex namorado(a)/marido(esposa) de amiga(o) jamais”. Eu iria detalhar minhas razões uma a uma, mas devido a esse preceito ser algo praticamente auto-compreensível vou apenas dizer o maior dos motivos que sempre me levaram a pensar assim: sua amizade com a pessoa que namora seu ex nunca mais será a mesma. Nunca.
Mas eu achava isso, na verdade, até a última sexta. Quando mais uma vez fui, digamos, obrigada a estar no mesmo lugar que uma ex do meu marido (e não foi um retorno de diaba e demonha, pessoas, pelo menos ainda não). E vocês aí desse lado gritam: “De novoom uma ex em seu caminho, Tukaaam? Se Benze, munitaaam!” – sim, leitores, eu realmente preciso. Para quem acompanhou todos os capítulos da história que contei, vale dizer que a moça é a envolvida em um deles. E óbvio, como vocês meus leitores são seres inteligentes, não precisarei me esforçar muito para que percebam que em um post em que começo a dizer sobre o mandamento de não se envolver com ex de amigo, neste texto existem todos os personagens: a ex e o amigo – ambos de meu marido, e, sim, envolvidos.
Mas voltando ao assunto, até sexta eu achava isso algo inviável e de extrema falta de bom senso. Pra quê afinal, com tanta gente no mundo, se relar com alguém que teve algo com uma pessoa que faz parte de sua vida e a mesma não quer mais contato? Era o que eu pensava, leitores, era sim. Pra quê, me digam, trazer de volta para a vida de alguém que você gosta tanto, quem carrega, ou carregou até esses dias, ódio mortal por ele devido a um pé na bunda? Pra quê, por favor, me elucidem, abdicar de conversas com detalhes tórridos de todos os antigos relacionamentos que vocês tiveram? Pra quê, pra quê mais uma série de coisas, leitores, hein? Eu tinha uma lista interminável desses insuportáveis praquês.
Bem… Era o que eu pensava. Até sexta. Quando justamente percebi o quão romanceada era essa minha, digamos, teoria. Afinal esse negócio de ex capaz de tirar as pessoas dos eixos e do sério pra vida toda, é algo pra lá de mulherzinha, portanto não deve ser levado muito a sério. “Ai Tukaaamm! Você é um raio de mulherzinham mesmooom” – é o que vocês estão pensando, certo? Então enxerguei nitidamente que a maioria dos relacionamentos quando acabam, pelo menos para um dos lados, sobra absolutamente nada. Que a presença do ex ali é tão comum quanto todo o resto de pessoas que você sequer conhece. Que quando a amizade entre duas pessoas é importante vale sempre a máxima de que rolos, namoros e até mesmo casamentos sempre têm fim, mas amigos são companheiros eternos. E que ex são como pragas – estão em todo lugar e principalmente onde você menos deseja que estejam (afinal o inferno é tão pertinho, porque eles todos não se mudam pra lá? Hihihihihihi).
Sabem, o amigo em questão lê esta Casa (na verdade talvez até a ex a leia), e vocês com certeza agora estarão aí se perguntando: “Mas Tukaaaam, ele não vai ficar bravo com vocêeemmmmm?” Hum… Se ele fosse um cara qualquer, talvez ficasse, embora vocês sejam testemunhas aí desse lado, que eu não falei aqui nada demais. Nem ao menos proferi um xingãozinho à moça, tampouco disse que ele merece coisa melhor. Mas coçam meus dedos e vou apenas dizer que ela precisa dar um trato naquelas sobrancelhas, pois o resto até dá pro gasto. Contudo voltando a provável chateação do amigo: não, ele não faz o tipo ofendidinho – é dos meus, dá a cara à tapa e oferece o outro lado. Talvez por isso mesmo é que eu tenha mudado de opinião em relação e esse mandamento. Diferentemente da dor de um pé na bunda, que mesmo passando um tempão sempre se lembra daquele gostinho amargo, certas coisas na vida não podem ser imutáveis, não é mesmo?
Das coisas que me irritam em ser mulher, a maior delas é o fato de obrigatoriamente sermos o sexo de boas samaritanas, de sermos os eternos seres capazes de pensar primeiro nos sentimentos de nossos companheiros do que nos nossos próprios. Estou errada?
Daí que eu estava lá no maior aconselhamento com minha manicure e amiga quando ouço a seguinte frase advinda de algum outro lugar ali naquele salão: “Mini-saia só até os 25 anos, no máximo! Depois disso é assinar atestado de ridículo”.
E as pessoas são tão mais humanas quando falam mal dos outros. Vocês não acham? Falar bem qualquer um pode, ninguém vai te julgar por isso, a não ser que a pessoa digna de seus elogios seja Hitler, o maníaco do parque ou algo do gênero. Mas falar mal estranhamente é algo que humaniza. Faz com que qualquer um perca a denominação de inatingível, de perfeito, de certinho, coisas que, por mais incrível que pareça, assusta a maioria.
O patriotismo está por todo lado. Sair de casa vestida inteira de preto, como estou hoje, foi quase uma afronta aos milhares de coloridos de verde e amarelo que encontrei pelo caminho. Hoje todo mundo ostenta com orgulho as cores da bandeira nacional. Hoje todo mundo é brasileiro com muito orgulho e com muito amor.
Com que máscara você saiu de casa hoje? Não, não me venha dizer que não as usa. Todos nós usamos. Por exemplo, ontem, para disfarçar minha TPM dos infernos, coloquei a “sou-uma-mulher-de-bom-senso-vou-me-conter-para-não-matar-alguém”. E deu certo, todos acreditaram, ou quase. O tio que me ligou um zilhão de vezes perguntando se era da Beneficência Portuguesa deve ter desconfiado de algo quando o mandei catar coquinho na descida – pois era lá embaixo que ficava o tal lugar que ele estava procurando.
Eu combino com palavrões perfeitamente. Quando qualquer pessoa me olha, de cara me acha esquisita – meio fora dos padrões do que pode ser considerado comum: cabelos curtos demais (com fivelinhas demais), olhos grandes demais (com rímel demais), boca grande demais (com gloss demais), pernas compridas e finas, bunda do tamanho de um caminhão pipa, pulsos e dedos mais secos do que os de uma criança de seis anos (malditos criadores de anéis e pulseiras que nunca fazem nada do meu tamanho) e ainda assim, pasmem, consigo ser gorda. Isso fora minhas roupas, que por mais discretas e iguais que sejam, as pessoas insistem em me achar moderninha (moderninha, o cacete). Pois bem, por ser assim todos me consideram descolada (descolada o cacete) o suficiente para poder falar certas coisas que uma pessoa “normal” não falaria (sei, sei).
Lembro bem de um dia e de como ele marcou para sempre toda minha vida no mundo da boca suja. Eu deveria ter uns 12 anos e estávamos eu e minha amiga Renata brincando na rua quando eu viro pra ela que estava em uma distância considerável e grito: “Renataaaaaaaaaaaa! Joga logo essa bola, sua bocetudaaaaaaaaaaa!”. Para meu azar completo, seu Ari estava passando bem naquela hora e imediatamente me segura pelo braço:





