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12 de novembro de 2006

Exquecida


Um dos meus mandamentos sempre foi “não te envolveis com ex namorado(a)/marido(esposa) de amiga(o) jamais”. Eu iria detalhar minhas razões uma a uma, mas devido a esse preceito ser algo praticamente auto-compreensível vou apenas dizer o maior dos motivos que sempre me levaram a pensar assim: sua amizade com a pessoa que namora seu ex nunca mais será a mesma. Nunca.

Mas eu achava isso, na verdade, até a última sexta. Quando mais uma vez fui, digamos, obrigada a estar no mesmo lugar que uma ex do meu marido (e não foi um retorno de diaba e demonha, pessoas, pelo menos ainda não). E vocês aí desse lado gritam: “De novoom uma ex em seu caminho, Tukaaam? Se Benze, munitaaam!” – sim, leitores, eu realmente preciso. Para quem acompanhou todos os capítulos da história que contei, vale dizer que a moça é a envolvida em um deles. E óbvio, como vocês meus leitores são seres inteligentes, não precisarei me esforçar muito para que percebam que em um post em que começo a dizer sobre o mandamento de não se envolver com ex de amigo, neste texto existem todos os personagens: a ex e o amigo – ambos de meu marido, e, sim, envolvidos.

Mas voltando ao assunto, até sexta eu achava isso algo inviável e de extrema falta de bom senso. Pra quê afinal, com tanta gente no mundo, se relar com alguém que teve algo com uma pessoa que faz parte de sua vida e a mesma não quer mais contato? Era o que eu pensava, leitores, era sim. Pra quê, me digam, trazer de volta para a vida de alguém que você gosta tanto, quem carrega, ou carregou até esses dias, ódio mortal por ele devido a um pé na bunda? Pra quê, por favor, me elucidem, abdicar de conversas com detalhes tórridos de todos os antigos relacionamentos que vocês tiveram? Pra quê, pra quê mais uma série de coisas, leitores, hein? Eu tinha uma lista interminável desses insuportáveis praquês.

Bem… Era o que eu pensava. Até sexta. Quando justamente percebi o quão romanceada era essa minha, digamos, teoria. Afinal esse negócio de ex capaz de tirar as pessoas dos eixos e do sério pra vida toda, é algo pra lá de mulherzinha, portanto não deve ser levado muito a sério. “Ai Tukaaamm! Você é um raio de mulherzinham mesmooom” – é o que vocês estão pensando, certo? Então enxerguei nitidamente que a maioria dos relacionamentos quando acabam, pelo menos para um dos lados, sobra absolutamente nada. Que a presença do ex ali é tão comum quanto todo o resto de pessoas que você sequer conhece. Que quando a amizade entre duas pessoas é importante vale sempre a máxima de que rolos, namoros e até mesmo casamentos sempre têm fim, mas amigos são companheiros eternos. E que ex são como pragas – estão em todo lugar e principalmente onde você menos deseja que estejam (afinal o inferno é tão pertinho, porque eles todos não se mudam pra lá? Hihihihihihi).

Sabem, o amigo em questão lê esta Casa (na verdade talvez até a ex a leia), e vocês com certeza agora estarão aí se perguntando: “Mas Tukaaaam, ele não vai ficar bravo com vocêeemmmmm?” Hum… Se ele fosse um cara qualquer, talvez ficasse, embora vocês sejam testemunhas aí desse lado, que eu não falei aqui nada demais. Nem ao menos proferi um xingãozinho à moça, tampouco disse que ele merece coisa melhor. Mas coçam meus dedos e vou apenas dizer que ela precisa dar um trato naquelas sobrancelhas, pois o resto até dá pro gasto. Contudo voltando a provável chateação do amigo: não, ele não faz o tipo ofendidinho – é dos meus, dá a cara à tapa e oferece o outro lado. Talvez por isso mesmo é que eu tenha mudado de opinião em relação e esse mandamento. Diferentemente da dor de um pé na bunda, que mesmo passando um tempão sempre se lembra daquele gostinho amargo, certas coisas na vida não podem ser imutáveis, não é mesmo?



10 de novembro de 2006

Primeiro eles, depois nós?


De Marte e de VênusDas coisas que me irritam em ser mulher, a maior delas é o fato de obrigatoriamente sermos o sexo de boas samaritanas, de sermos os eternos seres capazes de pensar primeiro nos sentimentos de nossos companheiros do que nos nossos próprios. Estou errada?

Puxem pela memória. Lembrem com cuidado e atenção de todas as vezes que protelaram um relacionamento (ou algo do gênero) por medo de magoar. Relembrem de todas as coisas que engoliram a seco para não deixar a pessoa chateada. Pesquem lá na memória todas as vezes que deixaram a própria felicidade em segundo plano por conta de estar ao lado de alguém que não amavam mais tanto assim, apenas porque a tal pessoa sofreria demais com o fim. Escalem tudo o que não queriam fazer e o fizeram apenas para agradar, apenas porque alguém tinha que ceder.

Relembraram de tudo?

Agora façam o contrário. Juntem todos os “nãos” que ouviram quando quiseram estar ao lado de alguém que estava de saco cheio com o relacionamento. Tragam de volta todos os “não te amo mais” que lhes foram proferidos sem a menor cerimônia e somem com os “estou a fim de outra pessoa”. Acrescentem pitadas de “você não me faz mais feliz” com gotas de “não suporto mais toda a sua insegurança” e “nem amarrado vou a esse lugar com você, hoje tem jogo do timão”. Pronto? Misture bem agora.

Nós, as mulheres, por mais que sejamos verdadeiramente práticas e tenhamos um limiar muito singelo de paciência no que se diz respeito a uma infinidade de coisas, quando se trata de amor, tudo muda de figura. Mesmo que o amor já não exista do nosso lado, se existe alguém ali que ainda sente algo e que irá sofrer com um fim, protelamos e nos deixamos em segundo plano.

Juntamos então uma infinidade de desculpas que de algum jeito justificam o maior de todos os atestados de burrice que é o de abrir mão do que queremos em função de outra pessoa: “ele vai se matar”, “antes só do que mal acompanhada”, “ele jamais vai se recuperar desta queda”, “jamais vou encontrar outra pessoa que me ame tanto quanto ele”. TU-DO BO-BA-GEM! E não me classifiquem de insensível e fria, pois lá no fundo vocês sabem do que estou falando.

Os homens têm a brilhante capacidade de se livrar do que não querem mais com um estalar de dedos. Não deixo de admirar isso e de considerar um dom apesar de muitas vezes ficar abismada com tais atitudes. Os homens esquecem facilmente da família por causa de uma mulher e pouco se lembram até mesmo de suas próprias mães. O grande problema disso é que as malditas sogras acham que isso é culpa das mulheres e jamais admitem que seus filhotes estejam cagando e andando para elas. Triste? Mas verdade. Os homens largam um relacionamento de anos a fio por causa de uma alguém que conheceram há cinco minutos. Nada importa: nem filhos, nem patrimônio, nem cumplicidade, nada. O que vale é o que eles decidiram naquele momento e é, portanto, o melhor para eles. E isso não deixa de ser um tipo de determinação. Os homens não se comovem com choros e apelos de “pelamordedeus, minha vida acaba sem você” – eles pensam: “Acaba sem mim? Azar o seu!”. Os homens têm habilidade de deixar bem claro quando estão em um lugar em que não gostariam de estar. A cara feia na festa de aniversário de sua amiga, na casa de sua mãe? Fichinha para eles.

Verdades absolutas: Eles jamais abdicam do que querem por causa de ninguém, muito menos por conta de relacionamentos que não querem mais. Eles jamais se deixam convencer do que não desejam. Seu cansaço sempre é maior do que o nosso por mais que façam o mesmo ou até menos do que nós. E suas dores sempre serão infinitamente mais dolorosas que as nossas, mesmo que seja um corte no dedo contra uma crise renal. Homens são uns desgraçados inteligentes isso sim, nós temos muito que aprender. Quando é que de iremos ligar o foda-se como eles e nos colocar no primeiro plano de nossas vidas?

Que tal agora?

***

PS: Antes que venham me perguntar se meu casamento vai bem e coisa e tal por causa deste post – sim, vai, obrigada, muito bem. Não sou objeto central deste texto, mas já fui, portanto tenho embasamento para os argumentos que uso e sei bem que muitas de vocês assinarão embaixo disso tudo que escrevi.



10 de outubro de 2006

Vivas à Mary Quant


Daí que eu estava lá no maior aconselhamento com minha manicure e amiga quando ouço a seguinte frase advinda de algum outro lugar ali naquele salão: “Mini-saia só até os 25 anos, no máximo! Depois disso é assinar atestado de ridículo”.

Percebi que a Teca (minha manicure) se segurava para não cair na risada: “Ih, Tuka, acho que a mulher está incomodada com as suas pernas de fora”. Pelo jeito estava mesmo, mas não precisava mexer com quem estava quieta. E antes de resolver agraciá-la com meu mais absoluto desprezo, decidi retaliar.

Olhei pra ela na minha melhor cara de “qualé-tia-vatecatá!” e disse: “Ah, querida, até concordo com você, mas apenas se a pessoa em questão não tiver tido a sorte de possuir belas pernas. Eu, por exemplo, vou usar mini-saias até quando eu achar que posso, ou enquanto minhas pernas não virarem poluição visual como as de muitas mulheres por aí”.

Quase pude ouvir o “glup” do momento em que ela engoliu minha resposta de atravessado. Mas venci já que ela sorriu sem saber o que me dizer. Como diz o ditado: quem diz o que quer… Medonhona! Se eu tivesse pernas como as dela com certeza até preferiria calças jeans no lugar do biquíni. Inveja não é uma merda?



1 de setembro de 2006

O Barraco da Tuka A Casa da Tuka informa


(E não, você não vai entender nada se não ler o post de ontem)
Sim, ela se desculpou comigo. De um jeito que confesso, fui surpreendida. Muitos, como ela mesma disse, na mesma situação simplesmente me bloqueariam no Messenger e deletariam o blog em seguida (ela apagou o blog depois).

Nos falamos por telefone, me pediu desculpas e admitiu o erro, isso é raro em um ser humano, ainda mais em uma pessoa tão jovem quanto ela que, como todos os jovens, poderia achar simplesmente que é a dona da verdade sempre. Mas não.

Fui magoada, me senti roubada e traída e fiz aquilo que qualquer pessoa que valoriza e confia no seu trabalho faria: o defendi com unhas e dentes, sim! Afinal de contas, não é só porque eu me vejo em determinada música, livro, poesia ou crônica que isso me dá o direito de fazer de conta que é de minha autoria. Separemos bem o verbo admirar do verbo usurpar.

Se identifica? Gostou tanto de algo que eu escrevi que quer copiar pra você? Fico lisonjeada, de coração. Mas tenha bom senso, humildade e decência e coloque o nome do autor. É Justo. Agora respondendo ao comentário da Dinha no post abaixo que disse entre outras coisas “Ao meu ver, vc deveria saber q tds os textos,versos, poemas e outros do gênero, estão livres p/ serem copiados”. Concordo! Eu vivo copiando aqui textos de escritores e escritoras que admiro, mas não fantasio que são meus. Isso é abominável. Ninguém tem esse direito. Fingir ser o que não é, fazer com que as pessoas o admirem as custas dos méritos de outros… Mas se você acha isso realmente, gostaria de saber quantos textos em seus blog são realmente seus. E quanto ao fato de eu não ter agido com razão – bem, eu não me apropriei indevidamente de nada, cara. E você acertou de novo: este espaço é meu e falo o que bem entender.

Eu e a Bruna já conversamos, e sim, ela sabe que a mancada foi grande. Nem por isso creio que ela não seja digna de recuperar minha confiança, pois o que mais me machucou foi exatamente o fato de uma pessoa que eu gosto tanto ter feito uma coisa dessas, não foi um estranho, não foi um qualquer. Ela me conhece e sabe que esse limite jamais poderia ter sido ultrapassado. E sabe tanto que falou que tinha certeza que cedo ou tarde eu acabaria descobrindo – e sempre se culpava por estar fazendo tal coisa. Mas era tarde demais para desfazer a imagem que tinha construído com seus leitores e namorado. Afinal, eles acreditaram que os textos fossem dela.

Eu não sou intransigente a ponto de não ter feito um grande esforço para tentar entendê-la. O Fiz. Não sou uma pessoa má, não sou uma pessoa que não tolera erros, não sou uma pessoa que não perdoa. E sou assim, por mais absurdo que isso possa parecer, já que através de minhas palavras vivo dizendo o que penso doa a quem doer. Mas também vivo tirando sarro de mim mesma e dando minha própria cara a tapa, sem medo. Publico comentários irados de anônimos e pessoas como a Dinha (que tem minha admiração por dizer o que pensa sem se esconder) e respondo – na maioria das vezes nos tornamos amigos, percebendo e respeitando os nossos diferentes pontos de vista. Pois isso aqui é um blog, levado a sério por esta que o escreve, mas que não tem pretensões de decretar verdades absolutas e incontestáveis, apenas idéias, irônicas ou não, da forma que vê o mundo e as pessoas.

E Bruna, não vou apagar o post abaixo agora – apesar de não me ter pedido isso. Mas o farei um dia sim, quando me sentir a vontade para tal coisa.



31 de agosto de 2006

Plágio, fraude e cara de pau


Eu fico tão “feliz” quando acho por aí textos meus sendo postados por outras pessoas como sendo delas. Que coisa feia né? Mais feia ainda quando se descobre que essa pessoa é leitora assídua desta Casa – me lê pra poder se apropriar do que eu escrevo? O que acontece com esse tipo de pessoa? Querem mostrar aos outros uma inteligência ou capacidade que não possuem? Querem impressionar os outros fingindo ser o que não são? Não se sentem constrangidas de fingirem terem vivido coisas que pertencem a outras? O que acontece??????

Bruna Mendes… A mesma com quem converso há anos, a quem ofereci minha casa para se hospedar em São Paulo, a mesma pessoa de quem eu sempre gostei tanto. Que coisa feia, achava que você era outro tipo de pessoa, sério. Mas você mexeu com a pessoa errada, cara. Eis o blog da “escritora”: http://trocando-olhares.blogspot.com/.

O mais engraçado foi o que li no blog (http://diarioazul.blogspot.com/ ) do namorado dela (pelo que pude perceber tudo isso foi apenas para impressionar este moço) falando sobre o blog da fulana:

“Trocando Olhares – É o blog do meu amor. Bruna escreve muitíssimo bem, tem sensibilidade e – o melhor e mais raro – encontrou uma voz própria. Seus textos, além de graciosos e divertidos, são inconfundíveis”.

Vou aceitar como um elogio, tá?

DEZOITO TEXTOS MEUS ESTÃO LÁ E MAIS VÁRIOS DE OUTRAS PESSOAS, POIS TENHO CERTEZA QUE ELA NÃO ESCREVEU TUDO AQUILO, A NÃO SER OS EVIDENTES.

Vamos aos plágios dos meus escritos que encontrei no blog dessa moça:

- O texto “Antes e Depois” que publiquei em 16 de dezembro de 2004 foi roubado e postado por ela no dia Em 30 de junho de 2006 – com praticamente as mesmas imagens;

- O “Vai indo” que publiquei em 09 de agosto de 2005, foi roubado e postado no dia 23 de junho de 2006;

- Em 16 de janeiro de 2005 publiquei um texto sem título que foi selecionado até para uma antologia, a bonita o roubou e publicou com o nome “Sofia” – outra bizarrice: li um de seus posts em que dizia que tinha uma outra “personalidade” chamada Sofia e que publicaria algumas coisas em breve – estranhamente eu uso o heterônimo Alice para alguns textos;

- O texto sem título que escrevi e publiquei no dia 29 de setembro de 2004, ela roubou e postou como “Sofia II” no dia 10 de junho de 2006;

- O “A Tuka fica feliz quando” do dia 01 de novembro de 2002 (apenas alterado para “A Bruna fica feliz quando” – affe Gezuiz) ela publicou mudando os links em questão no dia 07 de junho de 2006;

O meu “Você” publicado em 12 de novembro de 2004 em homenagem ao meu marido (assim como vários outros textos) – ela postou em 06 de junho de 2006;

- “Verônika” (com citações de trecho do livro de mesmo nome de Paulo Coelho como a imagem do post mostra) que publiquei em 20 de outubro de 2004, ela roubou e postou em 05 de julho de 2006;

- Outro texto sem título que publiquei aqui no dia 04 de novembro de 2004 (que estranhamente essa mesma pessoa certa vez já havia pedido autorização para usá-lo com os devidos créditos em seu fotolog), está no blog dela no dia 25 de julho de 2006;

- O meu “Mudanças” que publiquei em janeiro de 2006 está lá no blog dela no dia 24 de julho de 2006;

- O “Tantas” que publiquei em 25 de setembro de 2005, está postado por ela em 14 de julho de 2006;

O meu “Léo e Bia” (título alusão a música de Oswaldo Montenegro) publicado em 27 de outubro de 2005, ela surrupiou e postou em 12 de junho de 2006;

- O “Tudo que não deveria” que publiquei em 15 de setembro de 2005, ela postou em 07 de julho de 2006;

O Meu “O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído…” (título em alusão a música dos Titãs) de 09 de janeiro de 2005, ela fez mudanças porcas e publicou em 08 de julho de 2004;

- “Pra você, meu amor” publicado em 24 de abril de 2003, ela tranformou em “Um ano de muitos que ainda virão” em 04 de julho de 2006;

O meu “Who are you? Who? Who? Who? Who?” (Título em alusão ao refrão da Música “Who Are You” do The Who que é abertura da série CSI) do dia 30 de agosto de 2005, foi roubado e publicado em 25 de agosto de 2006 por ela;

- O “Se só me restasse um dia de vida” do 16 de novembro de 2002, foi roubado e postado por ela em 18 de agosto de 2006 – ironicamente ela troca algumas coisas e na frase em que falo que brincaria com meus cachorros Nico, Tony e minha Gata Kika, ela diz: “brincaria com a Layla e com a Tuka”;

- O meu “Há canções e há momentos” de 28 de abril de 2003, foi plagiado como “Sofia I” em 14 de agosto de 2006.



29 de agosto de 2006

O que você está falando aí???


ComplicadasE as pessoas são tão mais humanas quando falam mal dos outros. Vocês não acham? Falar bem qualquer um pode, ninguém vai te julgar por isso, a não ser que a pessoa digna de seus elogios seja Hitler, o maníaco do parque ou algo do gênero. Mas falar mal estranhamente é algo que humaniza. Faz com que qualquer um perca a denominação de inatingível, de perfeito, de certinho, coisas que, por mais incrível que pareça, assusta a maioria.

Sério, gente! Nada gera mais aproximação entre as pessoas do que o ato de falar mal de alguém. Pois é fácil mentir e dizer que gosta, quero ver é ter coragem de dizer que não gosta. Mas não vale incluir na lista a Luana Piovani, a Xuxa, o governador de São Paulo ou a Nanda da novela – eles estão muito distantes de nossa realidade e todo mundo os odeia por alguma coisa. Fale e admita sem pudores que não gosta da sogra carente, da cunhada estúpida, do vizinho mala sem alça, da amiga de sua melhor amiga… É terapêutico e dá assunto! Falar bem não dá. “Ah, como fulano é bacana” – blé! Dois segundos depois ninguém mais te ouve.

Agora abra a boca e diga o quão insuportável é a menina que estuda com você. Diga que odeia sua família. Diga que seu namorado te sufoca. Diga que sua prima é uma invejosa. Vai, diga, sem medo, vamos! Diga os seus motivos, não invente nada, e isso nada tem a ver com fofoca – prove que realmente você tem razão! Em meio segundo qualquer um que esteja escutando sua história se sentirá cúmplice da sua revolta, terá casos semelhantes para contar, te ajudará a arquitetar planos para que o orelha quente em questão te azucrine menos. A partir deste momento você e seu interlocutor selaram um pacto para sempre: ambos falaram mal de outras pessoas e se sabem normais, dignos de erros, de pisadas na bola, enfim, de qualquer merda que um ser humano comum é capaz de fazer.

Agora veja a bonitinha que namora o seu irmão, aquela infeliz que chega na sua casa todo domingo com cara de santa do pau oco. Sempre de risadinha, roupinha combinando, sapatinho lustroso. Essa vaca é do tipo que vai te dar presente no Natal, mesmo te odiando. Vai te dar três beijinhos, mesmo que queira dar um soco. E nunca, nunquinha, vai sentar ao seu lado e admitir que odeia alguém na vida dela. Não! Ela ama a todos. Ahhhhhhhhhhhhhh! Quer saber de uma coisa? Ela que vá pro diabo!

***

PS1: E você? De quem já falou mal hoje?

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PS2: Vão dizer por aí que estou fazendo apologia ao ato de futricar da vida alheia né? Mentira hein? Vão falar mal de mim agora?

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PS3: Se este texto contém ironia? Hum???



13 de junho de 2006

Hoje todo mundo é patriota


Com muito orgulho?O patriotismo está por todo lado. Sair de casa vestida inteira de preto, como estou hoje, foi quase uma afronta aos milhares de coloridos de verde e amarelo que encontrei pelo caminho. Hoje todo mundo ostenta com orgulho as cores da bandeira nacional. Hoje todo mundo é brasileiro com muito orgulho e com muito amor.

Durante um bom tempo de minha vida, carreguei comigo a ilusão conformista de que se existia uma época em que todo o povo deste país pode ser feliz sem restrição de idade, raça e posição social é esta, durante a Copa do Mundo. Pensava algo como: “que seja um consolo para este povo tão sofrido, que valha como um acalento para compensar tanto desgosto”. Achei sim, durante muito tempo de minha vida que o povo deste país tinha o direito a esta felicidade incondicional que o futebol proporciona.

No entanto, como ilusão que dura a vida toda muda de nome e vira burrice, me dei conta de que este patriotismo absurdo que existe a cada quatro anos não tem nada de bonito, não tem nada de acalento, não tem nada de nada a não ser euforia barata.

Brasileiro com muito orgulho não veste a camisa da seleção, aprende a votar, elege gente capaz. Um povo patriota luta por seus direitos e não apenas se orgulha de saber a escalação completa dos jogadores de Parreira. Um país de verdadeiros cidadãos não fecha os olhos a impunidade dos que têm dinheiro, a pizza toda semana no congresso, aos privilégios dados pelos deputados e senadores a si mesmos em votações relâmpago.

Duvido muito que se ao invés de encerrar o expediente em dias de jogos da seleção às 14 horas, os brasileiros seguissem o exemplo dos franceses (que pararam o país por causa daquela lei absurda do primeiro emprego) e fossem em massa às ruas protestar o que lhes é devido, este país continuasse a merda que é. Duvido muito que se em dia de eleição, cada eleitor espalhado por este imenso país, se recusasse a sair de casa para votar nesse bando de ladrões, este país não merecesse um mínimo de respeito. Duvido muito que se a cada absurdo que presenciamos de casa, balançando a cabeça indignados, fizéssemos algo para mudar, fôssemos patriotas apenas de quatro em quatro anos.

Patriotismo não é torcer na Copa, nem aqui e nem na China. Mas não serei eu que tentarei convencer alguém disso, não mesmo. E não pensem vocês que torço contra o time de Ronaldinho, óbvio que não. Só não me permito entrar nessa psicopatologia desmedida que incrivelmente faz com que o povo fique ainda mais cego e burro.



2 de maio de 2006

‘Cause god knows it’s not safe with anybody else


O telefone toca na noite de um feriado de segunda-feira. Do outro lado uma voz bem familiar, diz:

- Oi Tu, aqui é *****.

Deste, eu respondo surpresa, e, como todo bichinho feliz ao estar perto de alguém que ama, praticamente abano o rabo.

Do outro, a pessoa que está em outra cidade diz que está ligando para passar seu novo número de telefone.

Deste, eu saio correndo para pegar papel e caneta e anoto.

Do outro lado a pessoa começa a dar sinais do real motivo pelo qual está ligando:

- Estou puta com você, Tu! Eu não sou um ser abduzido, pós lobotomizado e alheio a tudo o que acontece ao meu redor!

Deste lado fico com cara de cu. Sei que ela está se referindo a este post aqui. Tento amenizar a situação dizendo que foi só uma questão de licença poética, que, apesar de estar falando dela (já que não tinha como negar), estou falando de maneira genérica também, pois todas as mulheres que ganham bebês priorizam este momento, que sua vida muda, que as novidades da maternidade ocupam a maior parte de suas horas, portanto é natural que o pensamento seja 99% voltado a cria. Ou disse isso tudo ou pelo menos falei algo parecido.

Não colou.

Do outro lado, ela, minha amiga, formada, licenciada, pós-doutorada, professora universitária, inteligentíssima, sensível e magoada comigo, diz:

- Mas que porra nenhuma de licença poética, Tu! Licença poética é válido só em ficção, aquilo lá é uma crônica! Eu falo com conhecimento de causa, eu entendo disso!

Deste lado, eu, pensando que esses teóricos têm mesmo mania de categorizar tudo, mas como não sou louca de contrariá-la, fico bem quieta e peço desculpas, fui mesmo brusca demais.

Do lado de lá, ela disfarça a brabeza e eu do lado de cá me sinto a pior das espécies viventes da face da Terra. Mania besta de achar que meus amigos me conhecem tanto a ponto de saber que o que eu escrevo é tudo besteira (ela me conhece na vida real há dez anos, não é coisa de blog não). Deus! Eles me levam a sério!

Então, deste lado, tento ficar lisonjeada. Afinal, ela é fodona, ela entende de literatura, entende de coisas da escrita e ainda por cima, apesar da minha falta de tato, do lado de lá, ela, com aquele jeito absurdo de ser ela, me diz:

- Tudo muito bem escrito por sinal, parabéns!

Do lado de cá? Eu, que além de muitas vezes insensata, estou longe de ser burra, corri me retratar. Afinal ela tem que saber que apesar de sua tentativa de convencimento para que eu ingresse na maternidade rapidamente eu a amo de qualquer jeito, que ela pode falar mil e quinhentas vezes das mesmas coisas que eu não me importo nem um pouco. Afinal, ela é ela. E se não fosse eu não estava nem aí.

OBS: Ponto para o marido futriqueiro que além do apoio moral a esposa, fez o serviço de delação completo lendo o post e avisando em seguida. Casal unido, minha gente! De quebra ganhei dois novos leitores assíduos que virão a esta Casa ao menos se certificar de que não falarei mais nenhuma besteira. Hohohohohohoho!



12 de abril de 2006

Todas as máscaras


Qual é a sua máscara de hoje?Com que máscara você saiu de casa hoje? Não, não me venha dizer que não as usa. Todos nós usamos. Por exemplo, ontem, para disfarçar minha TPM dos infernos, coloquei a “sou-uma-mulher-de-bom-senso-vou-me-conter-para-não-matar-alguém”. E deu certo, todos acreditaram, ou quase. O tio que me ligou um zilhão de vezes perguntando se era da Beneficência Portuguesa deve ter desconfiado de algo quando o mandei catar coquinho na descida – pois era lá embaixo que ficava o tal lugar que ele estava procurando.

Somos todos assim, donos de máscaras que nos reinventam em algum momento em que simplesmente não podemos ser o que realmente somos nem expressar o que realmente estamos sentindo. Isso é válido? Sim! Só não vale usar o tempo todo, pois há contra-indicações.

Questionando meus amigos em uma pesquisa rápida no MSN encontrei:

Uma amiga que acaba de mudar de emprego tentando esconder sua insegurança por ainda não saber resolver muita coisa sozinha. Ela desfila um modelo clássico, muito conhecido por muitos de nós: “sou-uma-profissional-de-sucesso”. E pergunto: está funcionando? “Sim, até eu abrir a boca pra perguntar alguma coisa óbvia para alguém”.

Outra pessoa agora. Esta aguarda para conhecer alguém que chegará de outro país e quer passar a impressão de quem não está se importando muito. Ela carrega divinamente a máscara intitulada: “eu-não-sou-ansiosa-sou-centrada-e-controlada”. Quando eu, muito inconveniente, lanço a pergunta: está enganando alguém? “Para a maioria das pessoas e principalmente para ele, acho que está funcionando. Para outras poucas tive mesmo que confessar o quanto estou ansiosa”.

Mais uma. Ela está morrendo de cólica e terá um almoço em que tentará convencer um jornalista a publicar uma matéria sua. Elegantemente e sem cair do salto carrega com ela: “está-tudo-muito-bem”. Pergunto: está dando certo? “Não muito, vou almoçar em um lugar que detesto, tentar empurrar texto e a cólica… Eu estou me contorcendo, o pessoal pensa que comi algo estragado”.

***

PS: Ontem, por alguns segundos depois de ler o comentário do tal braga666 no post abaixo, usei a máscara “estou-tão-ofendida-por-ele-comparar-meus-textos-com-os piores-da-Veja”. Depois tirei e dei risada. Ponto pra você, viu? Me fez perder dois segundos e ainda ganhou uma menção aqui na Veja… Ops, na Casa! Hahahahaha…

***
Hoje estou com a “ai-que-bom-que-já-é-quarta-e-tenho-que-limpar-a-casa”.



5 de abril de 2006

Eu e os palavrões


Por que ele fez isso?Eu combino com palavrões perfeitamente. Quando qualquer pessoa me olha, de cara me acha esquisita – meio fora dos padrões do que pode ser considerado comum: cabelos curtos demais (com fivelinhas demais), olhos grandes demais (com rímel demais), boca grande demais (com gloss demais), pernas compridas e finas, bunda do tamanho de um caminhão pipa, pulsos e dedos mais secos do que os de uma criança de seis anos (malditos criadores de anéis e pulseiras que nunca fazem nada do meu tamanho) e ainda assim, pasmem, consigo ser gorda. Isso fora minhas roupas, que por mais discretas e iguais que sejam, as pessoas insistem em me achar moderninha (moderninha, o cacete). Pois bem, por ser assim todos me consideram descolada (descolada o cacete) o suficiente para poder falar certas coisas que uma pessoa “normal” não falaria (sei, sei).

Por isso é que sou compatível com todo e qualquer palavrão que exista no mundo – as pessoas já me julgam demais, não notariam o que de feio eu poderia vir a pronunciar entre minhas frases.

Mesmo assim, vou confessar: sou uma mulher pudica (hum-rum). Sério. Eu não sei falar tantos palavrões quanto deveria e gostaria, não me sinto à vontade. Vocês aí desse lado que me conhecem aqui deste lado devem estar rindo e pensando que monte de mentira são essas que estou escrevendo. Afinal já me ouviram falar e escrever tantos palavrões que já perderam a conta. Mas eis a verdade: eu falo, mas em alguns casos fico com vergonha. Tudo culpa do meu pai! (Freud, pode se regozijar – essa sim é palavra feia dos infernos!). Sim, tudo culpa dele.

Seu Ari, aquele velho militar aposentado que sempre me censurou ao me ouvir falar o que ele achava que não deveria. Todos os “o que foi que você falou aí, menina?” que ele me disse em todos esses anos. Todos os “caralho, que bosta”, “que filho da puta do caramba”, “mas que putaqueopariu dos infernos”, “ai que porra essa droga”, “vaitománocu antes que eu me esqueça”, enfim, todos os palavrões cabeludos que uma moça jamais deveria deixar sair de sua boca, todos eles que eu nunca disse e aqueles que disse com muita dor na consciência, tudo culpa do meu pai!

Pois só não vê quem não quer que eu e os palavrões somos almas gêmeas. Mas somos amor proibido: feitos um para o outro e eternamente cercados de “não pode, não deve, ninguém está olhando agora”.

Lembro bem de um dia e de como ele marcou para sempre toda minha vida no mundo da boca suja. Eu deveria ter uns 12 anos e estávamos eu e minha amiga Renata brincando na rua quando eu viro pra ela que estava em uma distância considerável e grito: “Renataaaaaaaaaaaa! Joga logo essa bola, sua bocetudaaaaaaaaaaa!”. Para meu azar completo, seu Ari estava passando bem naquela hora e imediatamente me segura pelo braço:

- O que foi que você falou, menina?
- Nada, pai. Só falei pra Renata jogar a bola.
- Não, Tuka, me diga, o que foi que você falou ou vou você vai apanhar aqui mesmo.
- Pai (já quase em prantos), eu só falei pra Renata jogar a bola! É VERDADE!!!
- Tuka! Se eu realmente ouvi você dizer o que eu penso que disse você não vai conseguir sentar por um mês!
- Não, paaaaaaaaaaaaaaaaaai, eu não disse palavrão nenhum! (Agora em prantos mesmo)

Quanto Renata, a bocetuda em questão, ops! Quando a minha amiga em questão, intercede por mim:

- Seu Ari, a Tuka disse “Renata, joga a bola, sua bochechuda!”.
- Hum (meu pai se deixando enganar ao me ver realmente chorando). Tá bom.

Detalhe: nem meu pai jamais me bateu na vida (mas eu tremo só de lembrar em como ele era convincente quando dizia que o faria) e nem eu sabia o que era ser bocetuda. Verdade. Eu não tinha a menor idéia do que poderia ser uma boceta naquela época. Como não sou burra, aprendi que jamais deveria repetir novamente o que ouço por aí sem saber o significado (ah, isso já está parecendo fábulas de Esopo, que cu!).

Desde então eu falo palavrão (mas não muito), e mesmo que não pareça eu sei que não deveria e fico vermelha. Se você nunca notou ao me ouvir pronunciar algo do gênero, é porque eu sei disfarçar bem.

***

OBS I: Eu ainda não falo palavrão na frente do meu pai. Só a palavra merda e suas variações são permitidas. Então qualquer frase que contenha: merda, bosta, cocô e afins eu posso falar que ele não briga.

OBS II: Renata, a minha amiga desde o berço, hoje é chique e fala mais palavrão do que eu, mas em Londres.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
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