Espero o elevador no hall do meu prédio novo. Seguro uma caixa de ventilador de teto. Uma senhora e um rapaz se refestelam no sofá do hall e me olham.
Estou de TPM.
O elevador parece que não chega nunca. Sorrio amarelo. Eles me olham.
- Comprou um ventilador de teto é? Pergunta a senhora.
(Não, moça. Comprei uma Barbie!)
- Comprei.
- Calorão né? Constata a senhora.
(Esquenta menos quando não falamos.)
- É, calorão mesmo.
Geralmente até gosto de um papo furado com desconhecidos. “Será que vai chover?”, “Tá calor”, “Tá tudo tão caro”, “Que trânsito terrível”- todas essas frases são clássicos do papo furado e sei perfeitamente quando usufruir de cada uma delas. No entanto, quando estou com TPM viro uma pessoa incomunicável e evito até mesmo olhar para as pessoas para que não puxem assunto. Eu sei que é feio, mas eu sou assim.
Ela continuou:
- Vou ter que comprar um desses também, sabe?
(Nossa, agora que sei disso minha vida vai mudar!)
- Huuum, que legal.
Enfim, o elevador. Entro, sorrio e aceno.
Com certeza ela ainda me acha uma mocinha fofa. Que bom que a maioria das pessoas não consegue ler pensamentos.
Não interessa onde quer que estejamos, tudo o que ouvimos desde 29 de março é sobre a menina Isabella. A imprensa enlouquecida faz plantão em frente às residências dos pais do casal e do distrito policial onde o caso está sendo conduzido – muitos já nem fazem mais questão do tal compromisso com a imparcialidade. Ambulantes aproveitam o movimento para descolar uma graninha extra: “olha a água! Justiçaa! Olha o salgadinho! Assassiiiinos! Coca-cola!”. A população enfurecida grita frases clamando justiça e se confunde entoando cantigas mórbidas: “pega lá, pega lá, o casal pra nós linchá”. A famosa justiça com as próprias mãos sempre entra em voga quando se trata de um crime desta categoria: “olho por olho”, dizem.
A polícia concluiu que o casal é culpado. O casal nega veementemente e chora em entrevista na televisão. O Promotor estranha a atitude dos dois, bem diferente de quando estiveram 12 horas em depoimento na delegacia. A defesa insiste em afirmar que uma terceira pessoa esteve no apartamento com tempo suficiente para asfixiar a menina, feri-la na testa, cortar a tela do quarto, atirá-la pela janela e ainda limpar as manchas de sangue espalhadas no local.
A mídia se alimenta da curiosidade do povo e o povo se alimenta dos fatos incessantemente noticiados pela mídia. Um círculo vicioso macabro ao qual acabamos todos envolvidos, muitas vezes sem sequer nos darmos conta. Mas Isabella continuará morta. Faixas e cartazes indignados ainda estão sendo colados nos muros das casas que hospedam os supostos assassinos. Mas Isabella continuará morta. Jornalistas continuam se acotovelando na tentativa de noticiar em primeira mão cada novo fato – relevante ou não. Mas Isabella continuará morta. Os pais, amigos e pessoas que amavam a garotinha continuam sofrendo. Mas Isabella continuará morta…
A pequena Isabella, desde a triste noite de 29 de março transformou-se em “caso Isabella” e a culpa é toda nossa. Não a matamos, mas a assistimos cair daquela janela do sexto andar inúmeras vezes. Vezes suficientes para que tenhamos esquecido que antes de virar um terrível caso policial, ela era apenas uma menininha de cinco anos que era a razão de viver de pessoas que realmente estão sentido sua partida prematura. A culpa é toda nossa sim, pois todos os dias em nosso país, crianças são cruelmente assassinadas e não ficamos nem sabendo, pois não receberam destaque algum na mídia. Deixemos que a polícia faça seu trabalho, deixemos a justiça ser feita de maneira correta, e, principalmente, respeitemos a pequena e a deixemos em paz.
Quando crianças, ganhamos fogõezinhos e panelinhas e brincamos de fazer comida. Numa ingenuidade linda, fizemos bolinhos de areia, pudins de espuma de sabão, saladas de mato e sucos de água com tinta guache. Enquanto isso observávamos nossas mães preparando a comida congelada rapidamente antes de voltar ao trabalho.
Ganhamos vassouras e rodos em miniatura e alegremente brincamos de limpar a casa. Enquanto isso, nossas mães não tinham tempo sequer de lavar a louça do café da manhã.
Também ganhamos bonecas imitando bebês e então brincamos de embalar, trocar e alimentar nossos filhos de mentirinha. Enquanto isso nossas mães diziam que quando adultas pensássemos mil vezes antes de termos filhos.
Crescemos um pouco e a Barbie com suas roupas e sapatos modernos, assumiu o lugar do resto dos brinquedos. Com essa evolução passamos a sonhar em sermos tão lindas quanto a boneca. Com ela veio o Ken e então também fantasiamos o dia de encontrarmos um namorado tão gatchinhomm e bem sucedido quanto ele. Ao mesmo tempo, nossas mães falavam que casamento era algo secundário, que jamais deveríamos depender de homem nenhum e em primeiro sempre deveriam estar os estudos e a carreira profissional.
Quando se nasce mulher o mundo pode ser bem contraditório. Se casamos, trabalhamos e não queremos filhos, somos julgadas. Se optamos em trabalhar e jamais casar, somos julgadas. Se casamos e queremos apenas cuidar da casa, somos julgadas. Se temos filhos, mas trabalhamos demais, somos julgadas. Não, não é simples ser mulher.
Facilmente os homens abrem a boca e dizem sem o menor constrangimento: “Tanto queriam igualdade de direitos que conseguiram, agora vão à luta”. Eu sempre considero burros os que têm coragem de dizer isso, pois se existe algo que jamais conseguimos é a igualdade de direitos, apenas a de deveres, e óbvio, aqueles que originalmente eram somente dos homens. As obrigações ditas femininas continuaram sendo apenas nossas. Temos o dever de trabalhar fora, temos o dever de prover uma família e temos o dever de nos sentirmos gratas pelo fato de que todo direito conquistado tenha acarretado em um dever pelo menos dez vezes mais pesado do que para um homem.
Sim, podemos votar, nos formar em faculdades, trabalhar fora, tomar pílula anticoncepcional. Mas creio que isso tudo, pelo menos para os que possuem um mínimo de neurônios pensantes, não foi nenhuma reivindicação absurda. Afinal, temos capacidade para tanto. Acontece que junto a tudo o que nos foi “concedido” vieram as cobranças do que passamos a ter obrigação. Trabalhamos, ganhamos nosso dinheiro, somos, pelo menos a maioria das vezes, mais inteligentes e capacitadas do que os homens e sempre seremos colocadas à prova. Uma cagada é feita no trânsito e logo se ouve: vai lavar louça, dona Maria! E não é raro quando o autor da frase descobre que no volante fazendo as barbeiragens está um homem. Caros, não é a toa que o seguro é mais barato para as mulheres, é porque de fato sabemos dirigir melhor do que vocês.
Ser mulher significa ter que ser pelo menos duas vezes melhor do que um homem, e digo isso com certeza absoluta de que não estou falando nenhuma asneira. É só observarmos tudo pelo ângulo mais simplista possível. Se é difícil acordar todas as manhãs, trabalhar como um burro de carga, fazer malabarismos para pagar as contas todo mês, some isso tudo a cobrança eterna de cuidar da casa, dos filhos e do marido. E caso a mulher em questão, por algum motivo circunstancial, não trabalhe fora, adicione as cobranças mesmo que silenciosas do companheiro e de todo o resto do mundo a apontando e concluindo que tudo o que faça para facilitar a vida de todos a sua volta não é o bastante, você sempre precisa ser mais, precisa ser tudo. Definitivamente o feminismo pode sim ser considerado o ato mais machista de toda história.
Quando criança, eu devia ter lá os meus oito anos de idade, o avô de um amigo se matou. Ele subiu em uma cadeira, amarrou uma corda no teto do banheiro, fez um laço por onde colocou o pescoço e soltou seu corpo em seguida. Lembro que meu amigo me contara aquilo mais envergonhado do que triste, pois àquelas alturas já o tinham incutido todas as explicações de pecado que pudessem existir.
Até aquele momento, eu jamais ouvira falar em suicídio, mas lembro que me sentei na calçada a seu lado, o olhei com a ingenuidade que só uma criança de oito anos pode ter, e lhe perguntei: por quê? Óbvio que ele não soube me responder. A verdade é que eu sequer tinha idéia de quais respostas esperar, mas imaginei que precisasse haver um motivo.
Desde então, várias outras histórias de suicídio permearam minha vida, e talvez tenha sido por isso que desenvolvi um certo fascínio pelo assunto. Um fascínio macabro, não nego. Mas o assunto é indiscutivelmente instigante.
Eu nunca me interessei pela forma como as pessoas decidem se matar, mas sim por seus motivos. Sempre me perguntei: o que pode ser tão grave, tão ruim, tão incorrigível, que faz com que uma pessoa decida que já não quer viver? O menino lindo de 16 anos que se envenenou por ser gay, a médica de 30 anos, mãe de uma garota de três, que se atirou do prédio por que o marido estava tendo um caso. Quais foram seus reais motivos além desses que todos presumem? Por que algo que é totalmente superável para uns pode ser a pior coisa do mundo para outros? Eu sempre procurei tentar entender – sem os olhos de quem julga nem a certeza do veredicto do pecado que a igreja decreta – apenas a tentativa de compreensão.
Mas a única razão para estar falando sobre isso aqui na Casa é porque assisti ao documentário The Bridge que fala exatamente sobre suicídio. De janeiro a dezembro de 2004, Eric Steel e sua equipe filmaram tudo o que aconteceu na famosa ponte suspensa de São Francisco, a Golden Gate, o local recordista em números de suicídios no mundo todo. Só conseguiram autorização para isso com a mentira de que o filme visava mostrar a interação entre os turistas, o movimento e a paisagem fabulosa do local, pois evidentemente dizer que queriam flagrar suicidas não iria agradar às autoridades.
Foram usadas duas câmeras. Uma fixa, com plano geral da extensão da ponte, e uma outra de alta precisão para captar as pessoas em close. E esta segunda era usada associada ao instinto do profissional que a manipulava, pois ele precisava focar naquele que por um motivo ou outro parecesse estar disposto a escalar o parapeito e saltar. Segundo o diretor, sempre que notavam a iminência de um salto, chamavam a guarda costeira, pois salvar uma vida era mais importante do que o filme. Mesmo assim, 24 pessoas finalizaram suas vidas naquela ponte no ano de 2004 – as histórias de seis delas são contadas em The Bridge.
Apesar de extremamente rápidas, as cenas das pessoas se jogando impressionam e causam bastante incômodo. O lugar cheio de turistas felizes, atletas praticando esporte na água, pessoas trabalhando, a vida ao redor seguindo seu curso como em todos os dias. Então alguém fala ao celular por alguns minutos. De repente larga o aparelho no chão, sobe ao parapeito e em poucos segundos um assustador “tchibum” acontece. Pronto: 70 metros de altura numa queda de velocidade aproximada de 200 km por hora e a pessoa não existe mais.
O documentário, além dos suicídios, mostra entrevistas com testemunhas que estavam no local, familiares e amigos das pessoas que se mataram e tenta dar uma resposta a esta pergunta que me permeia a mente desde o avô de meu amigo: por quê? Doenças mentais, sofrimentos diversos, motivos também, no final das contas, ninguém, nem os próprios familiares e amigos e nem o expectador do filme, formulam uma compreensão exata para nada.
Steel foi recusado em festivais do mundo todo, e se por um lado, há pessoas que o acusam de querer repercussão com o polêmico tema, há uma ala que considere que ele tenha feito um alerta para que finalmente construam uma barreira de proteção na ponte. Mas, com um tom até surpreendentemente poético – beneficiando-se da paisagem maravilhosa e trilha sonora de primeira – e espantando a linha Michael Moore pra bem longe, o documentário consegue falar de um assunto extremamente delicado sem ser sensacionalista. Mostra finais, o anseio pelo fim, o arrependimento de quem se dera conta de que não queria morrer quando já havia pulado (esta pessoa sobreviveu milagrosamente ao salto) e até quem, em questão de segundos, conseguira impedir um dos suicídios. E embora não satisfaça a grande dúvida sobre os motivos que encorajam alguém a encerrar a própria vida, vale a pena ser visto.
Eis o trailer:
Ps: Comentem sobre o tema, contem experiências pessoais se quiserem, digam qualquer coisa, mas, por favor, não percam tempo falando sobre dogmas religiosos, pecado, limbo, inferno e afins. Eu tenho sono com discussão religiosa. Tenho certeza de que vocês leitores, têm mais conteúdo do que apenas essa premissa basiquinha. Ah! E quando assistirem, voltem para me contar o que acharam.
Ou: A fantástica história do patético país do cadeado na porta após o arrombamento
Infelizmente, o acidente que aconteceu ontem aqui na cidade de São Paulo era apenas uma questão de tempo. Era impossível transitar pelas ruas e avenidas que cercam o aeroporto de Congonhas e não se perguntar: Quando será que um avião desses vai passar direto na aterrissagem e vir aqui pra cima dos carros? Ou quando um deles irá bater em um desses prédios ou cair em cima das casas? E as pessoas que passavam por lá todos os dias com suas famílias a caminho do trabalho torciam para que o momento em que estivessem passando por ali em seus carros ou nos ônibus, não fosse “o” momento. Mas ontem foi. E centenas morreram. Foram 186 pessoas a bordo do vôo que partiu de Porto Alegre ontem à tarde e explodiu no começo da noite, em frente ao Aeroporto de Congonhas. Não se sabe o número de vítimas que estavam em solo.
Gostaria de ter a oportunidade de olhar para a cara da ministra Marta Suplicy agora e perguntar se ela continua recomendando que as pessoas “relaxem e gozem” diante da crise aérea que essa droga de país enfrenta. Ou de perguntar ao Mantega se ele realmente acha que a crise aérea é sinal de prosperidade. E arrematar perguntando aos dois se eles não tem um pingo de vergonha na cara ao se darem ao trabalho de abrirem suas bocas e proferirem tamanhas asneiras. Garanto que se no avião estivesse uma comitiva de políticos, neste exato momento pouquíssimas pessoas estariam lamentando essa tragédia.
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E em tempo – As Polianas que me perdoem, mas: Pan-americano de cu é rola! Me recuso a aderir ao pão e circo. Ninguém aqui precisa de medalha.
Aiiim Tukam, mas eu sou brasileiro e não desisto nuncaaam! Vá te catar!
Eu conheço muitos blogs de mulheres, modernas, inteligentes e bem resolvidas e também conheço outros de mulheres que só pensam que são modernas, inteligentes e bem resolvidas. Para tanto, as moças acreditam que a única coisa que faz com que tenham tais predicados é a facilidade e desenvoltura com que lidam com os homens e sexo. Com essas, não adianta procurar outro assunto que os únicos vigentes, os únicos que dominam totalmente serão os que lhe permitam explanar sobre isso. Elas até tentam disfarçar muitas vezes escrevendo mediocremente sobre outras coisas, tentando copiar uma idéia aqui e outra ali, repetindo o que ouvem, mas é fato que não conseguem. Tadinhas, não é por mal. Esse tipo de mulher, por algum motivo, cresceu entendendo que o liberalismo sexual foi tudo o que o feminismo fez por nossa geração. Ô dó, né Tukaaam?
E então elas falam com desenvoltura dos homens que conheceram recentemente, dos que conheceram há algum tempo, dos que ainda irão conhecer. Dos homens com pintos pequenos, médios e grandes. Dos que as convidam para lanchonetes e daqueles que as levam para restaurantes caros. Dos amores de suas vidas tão efêmeros quanto bolhas de sabão. Das top mega paixões arrebatadoras. Das listas infinitas dos que se apaixonaram por elas e vice-versa. Das listas daqueles que beijaram. Abordagens diferentes sobre exatamente o mesmo tema.
Pra ser honesta, eu sinto preguiça desse tipo de mulher. Pra ser mais honesta ainda, eu sinto uma preguiça colossal desse tipo de mulher. Eu acho bacana falar sobre homens, sexo, e sobre tudo mais que o tema rende, até mesmo porque eu adoro tais coisas. Mas quando isso é o único assunto de uma mulher, que pelo menos ela seja urologista, psicanalista, ou algo rentável que a dê um atestado de especialista (prostituta talvez? Tá, acho que exagerei). Pois caso contrário, ela será apenas uma mulherzinha bocó querendo desesperadamente ser especial nem que seja da maneira mais fácil. Pois pra escrever sobre todo o resto que acontece no mundo, ter opinião própria a respeito de uma infinidade de assuntos, saber se impor diante de pontos de vista variados, para isso tudo é preciso pensar. Já para falar apenas de homens e sexo, instinto basta e até os bichos têm instinto. Vão ler um livro, ô!
Apesar de paulista, por ter morado em Curitiba muitos anos, tenho uma tendência natural a ser jacú (gíria local comumente utilizada para designar caipira, tímido, bocó, brega, entre outras coisas) diante de várias situações. Por exemplo, quando me deparo com alguém famoso ao qual admiro muito.
Curitibano é um povo desconfiado que considera fino fazer de conta que não percebe a presença de uma celebridade, no máximo eles dão uma cutucada no amigo avisando da presença do fulano famoso no mesmo recinto que eles. Eles chamam isso de respeito à privacidade – eu chamo isso de jacuzice. Há quem pense que é antipatia, há quem considere indiferença, não, não é nada disso é só jacuzice. O medo de levar um fora ao pedir um autógrafo ou pedir para tirar uma foto ao lado da pessoa é quase sempre muito maior do que a coragem para fazer tal coisa.
Não, não pensem que estou criticando e avacalhando com os coitados nascidos na “cidade sorriso” (quem foi o imbecil que deu esse apelido àquela cidade, gezuiz?) – só estou explicando essa característica tão peculiar que os assola.
E eu sou um pouco assim também. Óbvio que quando estou trabalhando ninguém me faz ficar tímida, pois aí eu tenho a capa da jornalista para me proteger. Mas como mera fã me abate uma jacuzice tamanha.
Mas ontem, enquanto eu estava na fila esperando uma mesa em uma das padarias mais legais e badaladas daqui de São Paulo para tomar café da manhã, meu marido me cutuca e diz baixinho: Olha a Fernanda Young! Meu lado tiete fica louco e começo freneticamente a procurar: Cadê? Onde ela está? Adoro essa mulher! Ela é minha cópia bem sucedida!
Ela estava na fila exatamente atrás de mim (acho que não percebeu minha euforia ou teria ficado com medo). Meu alter-ego curitiboca tentou se manifestar me dizendo Tukaam, se liga, olha o micooo! Mas o ignorei totalmente e pedi uma foto com ela. Minha cara de cu entrega o tamanho de minha admiração, não teve como disfarçar. De lambuja ainda tivemos uma conversa engraçadinha de algumas frases e saí de lá gostando dela ainda mais do que antes.
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PS: Têm coisas que só São Paulo proporciona às pessoas. Ou onde mais você pode tomar café no mesmo lugar que uma de suas escritoras favoritas e também com as putas da Rua Augusta em fim de expediente? Viva a diferença! Não é a toa que amo esse cidade!
Insistência– Eu sou cabeça dura, não adianta negar. Se alguma pessoa durante uma conversa não tiver um bom argumento que me faça comprar sua opinião, continuo com a minha sem arredar o pé. Sou assim, não sou manipulável, tenho cabeça feita. Simplesmente tenho urticária quando alguém chega tentando me fazer pensar diferente sem um embasamento coerente e insiste e insiste e insiste. Ai, tiuô, pára que está me dando vontade de peidar!
Insistência II- Me convide para sair e eu digo que não posso por esse e aquele motivo. Daí insista. Eu responderei que não posso por causa disso e aquilo. Daí insista de novo: eu vou amaldiçoar em pensamento todas as suas gerações. Verdade. Caramba, é tão difícil assim entender e respeitar as coisas que fazem com que alguém decline um convite? Pode ser falta de dinheiro, pode ser um momento inoportuno, pode ser porque algo já estava programado para aquele dia, pode ser por falta de tempo, não interessa – se eu não posso, não é porque alguém fica na minha orelha falando e falando que o motivo pela recusa irá sumir automaticamente. Se eu puder, eu vou e te aviso! Beijo, me liga!
Enrolação– Eu sou prática e apressadinha para fazer tudo o que depende apenas de mim. Resolvo o que precisa ser resolvido, decido o necessário, organizo, ajusto. Isso não significa que sou uma louca controladora. Não. Isso quer dizer apenas que eu tomo as rédeas do que precisa quando sei que não terei que esperar a decisão de outra pessoa pra isso. Mas eis que fico realmente irritada quando vem alguém e se enfia naquilo que não compete a ela fazer e ainda me atrapalha. Lerdeza demais, falta de objetividade e indecisão ao extremo me envelhecem a olhos nus. Eu juro que canso.
Minha mania de me achar gorda– Porque muito do que me irrita vem de mim mesma e isso eu acho pra lá de chato. Me olho no espelho e me vejo do tamanho de um boto rosa – e nem percam tempo pensando que tenho algum distúrbio alimentar que provoca esse tipo de coisa. Nada disso. Me acho gorda quando estou magra, me acho gorda quando estou verdadeiramente gorda, me acho gorda o tempo todo. É uma desgraça. E considero a maioria das pessoas a minha volta gordos também, óbvio. Não que eu considere alguém feio por isso – pois quilos a mais só incomodam quando estão em mim. Ai guria, pare de encher e come um Big Mac!
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OBS: E não, não vou fechar a Casa e parar de postar de vez. Não estou doente e também não quero que ninguém publique textos em meu lugar enquanto eu estiver sem saco e/ou sem tempo. Agradeço o interesse e preocupação de quem sentiu minha falta por aqui.
Eu tenho apenas de ser o que eu era quando queria ser o que sou agora
(Republicação – 04 de outubro de 2005)
Já foi muito mais bonita do que é hoje. Também já foi mais magra do que está agora. Os cabelos já foram mais compridos e tinham cachos brilhantes. A miopia era menor. Sabia andar de patins quase tão bem quanto anda descalça. Conseguia ler três livros por semana. Já esteve em dia com todos os lançamentos do cinema. Sabia o nome de todas as músicas legais que tocavam no rádio. Tinha pelo menos uma centena de amigos a mais do que tem hoje.
E queria ser o que é agora…
O que você é agora anula o que você já foi um dia? O fato de que alguém te conheça exatamente assim: com os cabelos pintados de loiro, com uns quilos a mais ou a menos, falando três línguas novas que aprendeu de uns anos pra cá – isso faz com que a morena, magrinha que só falava português (e olhe lá), não exista mais?
…
Já foi mais jovem. Os olhares todos já foram voltados para onde estava. Não tinha sardas de sol espalhadas pelo rosto. Conhecia apenas a cidade onde nasceu. Não entendia os filmes estrangeiros sem legenda. Seu senso crítico era discernente apenas para “gosto ou não gosto”. Seu conceito de beleza era definido em tudo o que não era.
Só queria ser o que é agora.
Por qual razão o presente nos tira o poder de percebermos que o que somos é quase sempre bom, que o que temos é quase sempre suficiente e que o que queremos nem sabemos o que é? Por que será que aos 12 achamos que quando tivermos 18 tudo vai ser melhor? Que quando temos vinte temos certeza de que aos trinta teremos o carro dos sonhos, a família perfeita e o apartamento quitado? Porque será que pensamos que aos quarenta seremos sábios e nunca mais teremos dívidas nem dúvidas em relação a nada? Por que achamos que aos cinqüenta estaremos curtindo a aposentadoria com a maior tranqüilidade do mundo?
Por que sempre queremos ser o que não somos agora? Por que sempre queremos ter algo que nunca está ao alcance de nossas mãos neste momento?
Por que será que por mais que eu me esforce sempre me vêm as frases mágicas do vídeo “Wear Sunscreen” à mente me fazendo ter certeza de que todos somos grandes idiotas passando por este mundo?
“Desfrute do poder e da beleza da sua juventude. Oh, esqueça… Você só vai compreender o poder e a beleza quando ela já tiver desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era”.
…
“Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não têm”.
Liga para aquele amigo com quem não fala há séculos, poucos segundos após abrir a boca para o tal “oi tudo bem?” vem o “será que você pode me fazer um favorzinho?”. Resposta que você provavelmente ouvirá: “Se estiver a meu alcance, claro que faço”. Resposta que você deveria ouvir: “Vá pro diabo! Não liga pra saber se estou vivo, mas lembra de mim pra favorzinho?”.
Tem um feriado chegando e bate aquela vontade de ir à praia, então você se aproxima repentinamente daquele amigo que tem casa em Ubatuba, com quem você só fala eventualmente por MSN. Assim, sem mais nem menos você começa a ligar, mandar e-mail, deixar testemunials no Orkut e coisas que façam com que você pareça uma pessoa legal. Resposta que você irá ouvir quando se convidar para a casa de veraneio do cara: “Claro que pode ir pra Ubatuba com a gente”. Resposta que você deveria ouvir: “Fulano, a casa vai estar lotada de amigos meus, não tem mais espaço”. Daí se você for inteligente, vai sacar que se a casa vai estar lotada de amigos e você não foi convidado é porque ele só te considera amigo da onça.
Uma amiga te pergunta o que você fará no fim de semana, você diz que irá a uma super balada em um lugar novo, mas nem se importa em convidá-la. Daí quando chega o dia e todas as outras pessoas com quem você combinou, dão pra trás, você liga em cima da hora e chama a coitada da amiga porque ela tem carro, e você precisa de carona (mas isso você não fala, óbvio). Resposta que você provavelmente irá ouvir: “Tá, vou me arrumar rapidinho e passo pra te pegar”. Resposta que você deveria ouvir: “Não vai dar, estou de saída com meus amigos para uma festa absurda que vai ter por causa da abertura daquele festival internacional de cinema”.
Você só sente saudades daquela pessoa no domingo e bem na hora do almoço, pois “coincidentemente” você nunca tem grana para almoçar fora e cozinhar não é seu forte. Isso significa que jamais ninguém comeu alguma coisa em sua casa. Daí faltando mais ou menos uma meia hora pra hora da comilança, você liga e pergunta se pode dar uma passadinha para dar um beijo no fulano. Resposta que você provavelmente irá ouvir: “Claro! Venha sim, será muito bem recebido!”. Resposta que você deveria ouvir: “Será que você pode passar lá pelas três da tarde? É que daqui a pouco vamos almoçar”.