Arquivo da Categoria ‘Orkut’



13 de janeiro de 2007

QI = Quanta Idiotice??


Pra vocês verem como as coisas são. Hoje recebi um scrap de uma fulana que nunca vi na vida, me chamando para participar de uma comunidade do Orkut chamada “Garotas Inteligentes”. Na tal comunidade só entram pessoas convidadas.
Agora me digam, como é que a moça chegou à conclusão de que eu sou uma mulher inteligente? Deve ser por causa das outras coisas que participo, claro! Realmente nada é maior sinal de inteligência do que participar de comunidades como “Eu falo com meu cachorro”, “Eu dirijo cantando”, “Tocava campainha e corria”, “Eu amo meu All Star” e “Adoro vinho tinto”.

Para não magoar a pobrezinha, aceitei o convite. Fiquei deveras lisonjeada quando vi que a comunidade só possuía mais duas pessoas. Sinal de que realmente a coisa é bem seleta. Vou já entrar na comunidade “Eu falo uia” para que meu coeficiente aumente ainda mais.

Antes era preciso ter uma média de pelo menos 126 no teste de QI, agora basta que alguém te ache inteligente por causa do seu Orkut! O mundo moderno não é maravilhoso?? Hahahahahaha!

Pois bem, se vocês tinham alguma dúvida de que eu sou inteligente, agora está tudo esclarecido, pois meu Orkut me deu o atestado. Tão pensano o que?????

Uiaaaaaaaaaaaaamm!

***
PS: Segunda-feira esta Casa fará 5 anos!


17 de setembro de 2006

Dá pra fazer a gentileza…


… de clicar aqui e participar? Dá? Não custa nada.
Aproveite e entre aqui também.
Rápido, vamos! Estou envelhecendo enquanto espero!


10 de fevereiro de 2006

Vidas em Reality show


Sem me esforçar muito, logo ali no perfil sei seu nome completo (ou quase), o que gosta e abomina, descubro também onde mora, quantos anos tem, o dia do seu aniversário, seu signo e ascendente.

Nos posts fico sabendo de suas músicas preferidas, filmes, de suas opiniões a respeito de vários assuntos, que carro possui, se tem bichos de estimação e filhos, onde costuma ir e o nome do marido ou namorado, ou, se não possui nenhum dos dois, também.

Sem ir muito longe, percebo que posso notar sua mudança de humor apenas na maneira que escreve determinados textos. Me conta em palavras tristes o dia que brigou com o amado, me diz eufórica que aquele é um dia especial, me fala de um amigo que ama, de um lugar em que esteve, da visita que recebeu, de suas lembranças. Me fala de coisas só suas, e eu leio tudo.

Sei em quem votou na última eleição. Sei que na cidade em que mora choveu nos últimos dias. Sei os nomes das pessoas que importam em sua vida. Sei como comemorou o seu aniversário e o ano novo.

Pelos comentários, noto que existem aqueles que a conhecem muito ou quase nada, os que querem agradá-la com palavras bem escritas, os que são eles mesmos, os que querem ser especiais e os que realmente o são.

Vejo aqueles blogs que são escolhidos por você e que merecem estar ali para que todos vejam que você gosta de lê-los. Vou até eles – concordo em achar que alguns são bons, outros não – devem estar por afeto, por carinho. Vejo que você comenta em vários sempre. Leio. Vejo os links dessas pessoas também – você sempre está lá. Aliás você também está em links de blogs em que nem vai, em que desconhece que existem.

Logo em seguida vejo dezenas de fotos, basta clicar no endereço do fotolog que você deixou. Ali vejo seus amigos, parentes, cachorros, casa, quarto, seus objetos, suas roupas. Vejo quase tudo o que eu nem poderia imaginar antes. E agora sei como é seu rosto. O rosto das palavras que leio.

Tem ali também o caminho certo para chegar até seu Orkut, portanto, se existia algo que eu ainda não sabia, agora será fácil. Vejo seus amigos deixando recados, sei das festas que irá ao fim de semana e das que já foi. Nos testemunials percebo se é uma pessoa querida por muitos. Leio os detalhes de quem escreveu que a conheceu na infância. Leio uma declaração de amor, leio alguém dizer “lembra daquele show no dia tal e tal lugar?”, leio coisas que jamais saberia.

Daí serviço completo: te conheço intimamente e você nem sabe. Sei tudo sobre você – tenho pós, mestrado, PHD em você – e nem imagina isso. Sei de coisas que escreveu há tempos e nem lembra. Lembro dos detalhes do seu rosto em uma foto antiga em um post. Sou capaz de te reconhecer na rua e sorrir quando a vir sem que você saiba quem sou eu – mas eu, eu sei absolutamente TUDO de você.

***

Fica aí um alerta aos blogueiros que não sabem que tipo de gente vai aparecer pela frente achando que é seu amigo íntimo ou o grande amor de sua vida.

Este texto é só porque nesses quatro anos de blog já vivi muita coisa, já escrevi sobre tanto e deixei que quem lesse soubesse exatamente e apenas o que eu queria que soubesse. E não – não significa que alguém me conheça de verdade.

E obrigada aos que escolhi como pessoas além desta Casa. São muitos.



21 de setembro de 2005

Diga-me em quais comunidades participa no Orkut e te direi quem és


A vida de muita gente pode ser dividida entre antes do Orkut e depois do Orkut. Eu sei que vocês aí desse lado devem estar me taxando de louca. Mas não sou e explico.

Se antes vivíamos com a nostalgia gostosa e saudável de nos perguntarmos “por onde andará jãozinho que estudou comigo?”, “será que a betinha casou?”, “aquela cretina da Isis continua putona?” – hoje basta clicar em pesquisar, escrever o nome completo da pessoa e voilà! Surge um universo paralelo cheio de pessoas que jamais veríamos novamente, nem tampouco teríamos notícias caso não fossem as maravilhas orkutianas.

Isso, assim como tudo, tem o lado bom e o ruim. O bom é que eventualmente podemos encontrar pessoas que fariam alguma diferença em nossas vidas se as achássemos novamente. Já o lado ruim é maior, por isso dividirei em tópicos. Ei-los:

- O cretino do seu primeiro namorado, de quem você não queria nunca mais ouvir falar aparece no seu scrap te perguntando se você continua gostosa mesmo ou se as fotos são truques de photoshop.

- A infeliz que estudou com você por quatro anos na faculdade e jamais te deu um mero oi, dia desses te adiciona como amiga. Isso faz com que se pergunte: ela está sendo querida ou quer apenas somar “amiguinhos” pra dar uma de boa?

- Você não se agüenta de tanta curiosidade e vive fuçando o Orkut daquele namorado que não consegue esquecer. Olha foto por foto, checa o status do relacionamento e um belo dia algo está diferente. O simples “namorando” mudou para “CASADO”. Naturalmente irá tentar se matar jogando-se do sofá e tomando um litro inteiro de milk shake do Bobs.

- Você começa a achar que sua vida não é tão completa se passou um dia inteiro sem um único scrap. Ninguém te ama, ninguém te quer, como você é infeliz.

- Você investiga a vida da piranhuda do seu prédio e fala mal dela baseando-se nas comunidade de gosto duvidoso que participa, como “Sou gostosa mermo”, “Gosto de quem me pega com jeito” e “Vem que eu tô facim”.

Pergunto-me: será o Orkut uma versão moderna da caixa de Pandora em que apenas mexemos com o que está quieto? Será que no lugar do presente dado a Epimeteu em que todos os males do mundo foram espalhados, o Orkut é algo que também viveríamos melhor sem? Viveríamos bem sem saber da vida de certas pessoas? Pouparíamos situações desconcertantes? Não perderíamos tempo procurando quem não nos faz falta? Não seríamos achados por pessoas que não queremos nem ver pintados de ouro?

Orkut é algo além de questões sociais, isso ninguém pode falar contra – o site é bem democrático. Tanto o é que do mesmo jeito que você pode encontrar sua empregada encontra também seu médico. Fabuloso.

Quanto às comunidades, reparem que existem pessoas que se esforçam para parecerem cool e estão em “Amantes de Sartre”, “Mario Vargas Llosa”, “Van Gogh”. Mas muito cuidado, além dos truqueiros que querem se passar por inteligentes, existe quem realmente o seja. Mas como algo popular que é, comumente acharemos “Amo o Belo”, “Adoro o Tom Cavalcanti”, “Eu passo trote, e daí?”, “Transo com meu chefe”, “Já gostei da minha cunhada”. Respeitemos? Respeitemos.

O orkut acabou com nossas lembranças deliciosas de como eram lindos os colegas de ginásio, como a loira com quem trabalhou há 10 anos era deslumbrante, como o tio daquela amiga era interessante. Ele nos deu uma tapa na cara confirmando que todos engordam, envelhecem, enfeiam e se tornam comuns.

Sim, existem realmente coisas que ficariam melhores na nostálgica lembrança de tempos atrás. Orkut só pode ser coisa do capeta – ponto final.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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