Todo dia aparecem novas bandas de rock e projetos de música eletrônica. Tem bastante coisa boa, mas, a maioria é receitinha de bolo: comunzinho. Eis que em meio a garotos gritões e instrumentos barulhentos que dominam o mundo da música, surgem três inglesinhas difundindo um estilo que há muito era considerado ultrapassado.
Versão moderninha dos grupos femininos dos anos 60 (quem viu recentemente o filme Dreamgirls sabe do que estou falando), The Pipettes, formado pelas vocalistas Rose, Becki e Julia, é um grupo de mulherzinhas. Seu primeiro álbum “We Are The Pipettes” foi lançado no meio do ano passado, mas parece que agora elas caíram de vez nas graças do grande público e também da crítica especializada (e agradar aos dois é algo nem sempre possível).
Elas vestem vestidos de bolinhas, têm cortes de cabelos tão retrôs quanto suas roupas, fazem coreografias sincronizadas e possuem vozes afinadíssimas. Suas músicas basicamente falam de amores bobos, festas e muita diversão, ou seja, nada de consistente, tudo muito fútil e sem medo de ser feliz, mas posso garantir uma coisa: essa meninas animam até velório! É até bem aceitável que você não vire fã das meninas de Brighton, mas duvido que pelo menos não chacoalhe os pézinhos.
Já vou avisando: o hit abaixo é o grudento “Pull Shapes”, você vai passar o dia cantarolando o refrão sem perceber.
Eu gosto tanto de música que desde que saiu uma pesquisa idiota aí dizendo que a percepção por novidades musicais só se desenvolve até os 30 e poucos anos fiquei meio grilada. Será que é por isso que existe esse bando de babacas cultuando os anos 80 até hoje como se fosse o máximo? Abomino a idéia de me tornar um desses tipos. Tudo bem gostar de coisas antigas, eu tenho uma lista gigantesca de ídolos de várias décadas passadas. Mas daí a ouvir sempre as mesmas coisas, não né? Cansa.
Domingo dei um pulinho na Fnac e enquanto maridon e
Pois bem, Marisa está de volta depois de seis anos sem nenhum trabalho solo e com dois discos de uma vez: “Infinito particular”, com um repertório pop e “Universo ao meu redor”, que traz o samba da Velha Guarda da Portela e também músicas inéditas. Os discos tiveram produção digna de popstar e foram lançados simultaneamente no dia 10 de março em seis países: Brasil, Espanha, México, Colômbia, Chile e Argentina – em abril, ele chega a vários países da Europa e em agosto aos Estados Unidos.
Mas eis que Marisa não me surpreende mais desde Barulhinho Bom (1996). Os novos trabalhos têm músicas extremamente bonitas, o vocal é o afinado e agradável de sempre, mas tudo é absolutamente igual. Não sei se essa é exatamente a intenção de um artista consagrado, fazer com que o público o reconheça sempre, mesmo pagando o preço da mesmice. Ou se o que ouvimos é realmente sua impressão digital e o que ele mostra é o que é.





