Arquivo da Categoria ‘Literatura’



24 de maio de 2006

João amava Maria que amava João…


(Republicação – 11 de junho de 2004)

Não quero entrar em contradição com nomes mais do que consagrados da literatura brasileira. Até mesmo porque seria uma grande burrice eu tentar bater de frente com Drumonnd. Essa não é a minha intenção. Só quero aproveitar o gancho da famosa “Quadrilha” do poeta e, humildemente, escrever algumas linhas que podem ser contundentes a respeito de um pensamento que me ocorreu.

O comum, ou pelo menos o que acontece na maioria dos casos de romances findos, amores platônicos, relacionamentos sem perspectivas, ou algo do gênero, é que sempre alguém gosta de uma pessoa que é apaixonada por outra. Drumonnd melhor do que ninguém descreveu isso com poucas frases em uma de suas mais populares poesias. Só que há um outro caso em tudo isso, ou melhor, em um amor.

Vamos às explicações. Um dia João conhece Maria e se apaixona, ela também por ele. Ficam juntos por anos e anos e fazem planos para o futuro, sonham juntos, sorriem um para o outro e… E tudo o que todo mundo sabe bem… Mas um dia acaba. Mas como, se João e Maria se gostavam simultaneamente? Simples, porque não era o momento certo, só por isso. Se João e Maria tivessem se conhecido depois de cinco anos, já tivessem terminado a faculdade, feito projetos que deveriam ter sido conquistados sozinhos, o romance seria, quem sabe, eterno, mas este não foi o caso – este é o caso do amor que chegou antes. E João e Maria estão destinados a encontrarem outros amores. Amores, claro, que estejam preparados para a história que cada um acumulou até o momento.

Em contrapartida, existem os amores que chegam depois, aqueles atrasados, que ninguém sabe porque demorou tanto. Colocando em palavras. Um dia Maria achou José, se apaixonou e ele por ela. Os projetos que os dois deveriam ter feito antes de se conhecerem já estavam prontos. Eles já estavam preparados para viver com uma pessoa que estivesse disposta a ter sonhos em comum. A vida dos dois vai bem, aliás muito bem. Eles pensam em filhos, em apartamento (dois ou três quartos), em um carro melhor e coisas assim.

Um belo dia aparece Pedro. Exatamente aquele Pedro que nem estava na história, aparece do nada na vida de Maria. De repente, ao mesmo tempo os dois possuem certeza que têm um potencial imenso juntos. O coração bateu mais forte, as idéias combinam, os planos têm harmonia, o zodíaco diz que os signos são almas gêmeas (tá, mas pra isso eles não ligam, não acreditam em zodíaco), enfim, as coisas poderiam ser perfeitas entre os dois. Só que… óbvio, sempre tem um “só que”… enfim, só que Pedro chegou tarde demais e Maria não vai trocar José por ele e nem por ninguém. Ela ama José. Pedro não estava nos planos, nem na história, chegou atrasado e o máximo que podem ter em comum é a certeza que tudo poderia ter sido uma grande história de amor. Só.

Cedo demais e tarde demais. Odeio estas constatações…



20 de abril de 2006

O veneno que não mata ninguém


Daí que li o livro da Rachel Pacheco, vulga Bruna Surfistinha. Sério, li mesmo e até gostei. Admito que não comprei e nem compraria. E claro que isso em nada tem a ver com preconceito, pois quem lê essa bagaça sabe que se existe algo que não sou é preconceituosa. De resto, sou quase tudo. Inclusive meio puta, pois já que com meu marido faço de tudo um pouco, sem pudores – e até Bruna ficaria envergonhada.

Só que apesar da curiosidade que tive de imediato, não o comprei por que ponderei que pelo mesmo preço poderia comprar coisas mais interessantes. Mas já que o livro apareceu aqui de bandeja o li inteiro numa só sentada – sem trocadilhos, por favor.

Sexo, drogas e blábláblá. Historinhas até bobas “romanceadas” da vida de uma bocózona. E não por ser prostituta, absolutamente nada a ver. No livro fica muito claro como ela se define sendo uma pessoa sem caráter, mentirosa, ladra, fútil e ingênua (sim, pasmem, ingênua). Ser puta, na verdade, é sua melhor qualidade. A mulher tem mesmo talento pra coisa – benza Deus.

Mas nada muito original afinal de contas. Pois há 27 anos a alemã Christiane já havia contado sua história no livro e filme “Eu, Christiane F. – 13 Anos, Drogada e Prostituída” – também sobre muita dessa ladainha de submundo (mas em doses muito maiores, claro).

E eu realmente acho um barato ler essas coisas polêmicas que tanto chocam os moralistas. Por isso, ponto pra Bruna, que além de ter feito tudo o que quis, elevou a profissão mais antiga do mundo em critérios altíssimos. Agora não basta ser puta – tem que ser best seller. Convenhamos, vai ter visão de negócios assim lá na puta-que-pariu – sem trocadilhos, sem trocadilhos…



7 de março de 2006

I hate you so much rigth now / ou…


… No dia seguinte ninguém morreu

Quando termino de ler um livro me sinto meio aliviada e muitas vezes com saudades. Parece coisa de louco, mas vez em quando, desejaria que ainda não tivesse lido determinado livro só pra ter aquela sensação de êxtase que só a primeira é capaz. Aquela em que nos sentimos tolos diante de algum gênio que transforma coisas complicadas em simples, ou explica as banalidades que jamais conseguiríamos expressar, em palavras muito menos.

É por isso que ontem me senti meio boba quando terminei de ler As Intermitências da Morte, pois esperava muito. (Nota mental: lembrar de falar sobre o dia que encontrei no elevador uma mulher com este livro nas mãos toda metida por estar autografado – a odeio). Saramago é genial e esse título não serei eu a tirar. Só que Intermitências não deu pra engolir. Sinto Saramago, mas você sabe fazer melhor.

Claro que o livro não foi de todo mal. Me diverti com as possibilidades levantadas pelo autor do que seria um país em que a morte não mais matasse ninguém. Ri muito com o desespero da igreja, do governo e das indústrias da morte (funerárias e companhias de seguro) diante do fuá que tudo poderia se transformar com as pessoas vivendo eternamente. Gargalhei com a inveja que os países vizinhos sentiram pela sorte dos imortais. Sem morte não tem reino dos céus, nem medo de ir para o inferno, nem necessidade de seguir regras e não se enterra mais ninguém. O que seria então se ninguém mais morresse? Uma benção ou uma maldição?

Diante desse tema e com o que foi levantado logo no início do livro, fiquei feliz achando que seria mais um para a lista dos meus Top Ten Puta Livros (sim, tenho várias categorias), mas me dei mal.

A morte pode ser um assunto romântico até mesmo. Assim como pode ser cômico e também pode ser reflexivo. Mas a “morte” de Saramago não me pareceu nada além de uma sucessão de parágrafos desesperados para o final do livro. Para isso eu assistiria mais contente ao filme do Brad Pitt (Meet Joe Black – Encontro Marcado) que é praticamente sobre o mesmo imbróglio. Só que com a diferença de que de Brad só espero um rostinho bonito, já de Saramago… Mas chega, não colocarei “spoillers” aqui.

Claro que sei que vocês não são de se abalar por uma crítica negativa e me decepcionariam muito se o fizessem. Portanto recomendo que leiam e depois me contem o que acharam. Mas antes, se quiserem ler um livro do autor português que realmente valha a pena cada página, sugiro O Ensaio Sobre a Cegueira.

***
E sim, agora odeio um pouco esse português, pois ninguém pode construir uma paixão assim e depois dar uma rasteira em todas as expectativas criadas (Hum… Tá). Mas passa, eu sei.

***
Queria encontrar novamente a mulher do elevador e dizer que nem o autógrafo valeria para que eu abrisse o livro novamente – huahuahuahuahua… (Tuka, por que você é assim?).

***
O livro que estou lendo agora (tá ali no ladinho) já sei que jamais entrará no meu Top Ten Puta Livros. Mas ler umas amenidades de vez em quando é bom, né não?


11 de outubro de 2005

Fernando, a pessoa


Se sou alegre ou sou triste?…
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim…
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim…
Mas a alegria é assim…

(Fernando Pessoa)

Escritos surrupiados do Orkut de uma fofa que faz aniversário hoje – parabéns professorinha querida!

Respondendo aos leitores: correria aqui deste lado, mas tudo muito bem com a dona desta Casa.



23 de junho de 2005

Traité d’Athélogie


Eu fui criada como católica. Bem, não uma católica fervorosa, mas ainda assim católica. Fui batizada aos 12 anos. Fiz primeira comunhão. Morri de medo de confessar ao padre que havia mentido à minha mãe e dado uns sopapos na Renata, minha amiga. Aprendi umas duas ou três rezinhas (aquela do anjo da guarda nunca consegui decorar), Fui a algumas missas aos domingos. Li alguns trechos daquelas bíblias de bolso. Ouvi as explicações a respeito do pecado, da história de Jesus e blábláblá.

Mas a verdade é que sempre questionei que raios era aquilo tudo. Por que eu tinha que acreditar simplesmente? Porque eu havia de temer? Porque eu iria para o inferno e não para o céu? Por que eu tinha que assistir a uma chatisse de cultos cheio de pessoas hipócritas reparando umas nas outras? Por que o catolicismo prega um monte de absurdos e se contradiz? Por que eu tinha que seguir uma instituição moralista e cheia de preconceitos? Por que essa papa tem cara de capeta? Por quê?

E achei a resposta depois de tanto ser chamada de louca. E a resposta era: eu não precisava de nada daquilo. E pronto.

Foi por isso que quando descobri Michel Onfray, descobri com ele a minha “bíblia”. E minhas respostas todas não estão em crenças religiosas, mas na busca da compreensão do homem.

Eis um trecho de uma entrevista que ele deu a Veja com o qual me identifico totalmente:

“Até onde consigo me lembrar, sempre fui ateu, a não ser na infância, quando acreditava na mitologia católica como se acredita em Papai Noel ou nas lendas do folclore. A história contada pelo catolicismo tem tanto valor quanto essas. Está no mesmo nível dos contos da carochinha, em que os animais conversam e os ogros comem criancinhas. Assim que um embrião de razão habitou meu espírito, não me importei mais com esse pensamento mágico – que só serve, justamente, para as crianças. Isso quer dizer que, quando uma pessoa não se contenta apenas em acreditar estupidamente, mas começa a fazer perguntas sobre os textos sagrados, a doutrina, os ensinamentos da religião, não há como não chegar às conclusões que eu proponho. Trata-se de não deixar a razão, com R maiúsculo, em segundo plano, atrás da fé – e sim dar à razão o poder e a nobreza que ela merece. Essa é a missão, a tarefa e o trabalho do filósofo, pelo menos de todo filósofo que se dê ao respeito.”

É por isso que sempre digo, e não se ofendam os que não concordam, pois este blog não tem intenção de doutrinar ninguém e respeita totalmente tudo e qualquer coisa que seja diferente daquilo que a dona desta Casa acredita: religião é o entorpecente dos tolos. Aqueles que precisam de uma razão, aqueles que precisam de um consolo, aqueles que não ousam questionar, aqueles que seguem regras sem saber o motivo, aqueles que decoram trechos do livro sagrado sem sequer saber o que realmente significa… Claro, há exceções, os que acreditam, mas com cautela, sem se deixar cegar. Esses eu respeito. O resto é só número.

Vou viajar. See ya!



7 de junho de 2005

Ooops! Comprei hein seu Ronaldo Caiado! E agora? Vai mandar recolher aqui em casa?


Pois é, para uma pessoa como eu que viu abestalhada aos sete anos de idade, Fafá de Belém se estrebuchando para cantar o hino nacional em prol das diretas já, e depois já adolescente, viu a queda e o estatelar da moral do então presidente da república com milhões de caras pintada clamando por justiça… Pois é, para uma pessoa como eu que cresceu acreditando que as coisas só tendiam a melhorar, que se políticos de bem tomassem as rédeas desse país as coisas seguiriam rumo ao tão esperado respeito por seus cidadãos.

(Mas quem seriam os tais “políticos de bem”? mais fácil acreditar em Papai Noel, não é mesmo meu caro Watson?)

Alguns anos depois a esquerda está lá no poder, a esquerda que ajudei a eleger, a mesma em que confiei e junto com outros milhões de eleitores, coloquei lá no lugar mais alto da política em um país.

Eis que a esperança depositada vai por terra e o governo nos esfrega na cara que é contra CPIs, que é acusado de “mesadas”, que lança cartilha de conduta de como a língua portuguesa deve ser escrita, que deixam censurar obras porque um imbecil se sentiu ofendido.

É, minha gente, eu estou indignada. Fernando Moraes está indignado. Todas as pessoas que têm um mínimo de bom senso e inteligência também devem estar. Mas como muitos ainda sequer sabem de toda essa PALHAÇADA que está acontecendo, eu vou contar aqui.

A “respeitável” justiça de Goiânia determinou há cerca de um mês a busca e apreensão de edições do livro “Na Toca dos Leões”, do escritor Fernando Morais, por ofensa ao deputado Ronaldo Caiado. Como se não bastasse, o escritor está também proibido de falar a respeito, e toda vez que desobedecer a ordem terá que pagar R$ 5 mil de multa.

O livro de quase 500 páginas conta a história da agência de publicidade W Brasil e narram sucessos, polêmicas, acusações de traições, e detalhes do seqüestro de Washington Olivetto.

O tal deputado entrou com a ação por causa da declaração de Gabriel Zellmeister em 1989. Caiado, então candidato à presidência da República pelo PSD, falou de um suposto projeto dele de “esterilização das mulheres como solução da superpopulação dos estratos sociais inferiores, os nordestinos”.

(É mole?)

O tiro saiu pela culatra, claro. De tanto proibir a venda, Na Toca dos Leões bate recordes, pois continua nas vitrines da maioria das livrarias. Dos cerca de 30.000 exemplares distribuídos, só 14.000 foram retomados pela editora Planeta, que alega dificuldades operacionais para a retirada. A Justiça diz que não é de sua competência verificar o recolhimento. “Não sou eu que vou sair como louco fiscalizando isso aí”, afirma o juiz Jeová Sardinha, responsável pela liminar que cerceia a circulação da obra.

(E isso não é ótimo??? Hahahahahaha!!! Me digam: pra que sitcom????)

E faz uma meia hora, eu acabei de clicar em COMPRE AQUI nas Americanas e daqui dois dias vou me esbaldar de ler. Ler o que quero, na hora que quero! É PEDIR MUITO HEIN GOVERNO? E eu que me orgulhava tanto em fazer parte de uma era de liberdade de expressão.

Vamos lá pessoal, iniciemos uma campanha agora com o slogan: Eu Comprei Na Toca dos Leões e ri muito da cara do Caiado! *Cliquem aqui* para ir direto na página do livro (está R$29,90).


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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