Arquivo da Categoria ‘Cultura’



26 de maio de 2011

Game of Thrones: O inverno está chegando!


Game of Thrones: O inverno está chegando!
Esta nova série da HBO é bem diferente de tudo o que está no ar atualmente e com certeza vai conquistar milhares de fãs. Pelo menos esta é a aposta da emissora que só no primeiro episódio investiu cerca de 10 milhões de dólares – serão 10 episódios para a primeira temporada.
Quem bater os olhos sem se interar da série pode pensar que se trata de algo como The Tudors, por causa do figurino pomposo de reis e rainhas ou até imaginar que é uma versão para TV de Senhor dos Anéis devido ao cenário sombrio, mas não é absolutamente nada disso. Game of Thrones é baseada no primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, uma série de fantasia escritos por George R. R. Martin. A história se passa em Sete Reinos de Westeros, um lugar onde as estações duram anos – um inverno rigorosíssimo pode durar décadas (e você aí reclamando de um friozinho em São Paulo).
Não  é uma trama real, não se passa num espaço definido na história, nem sequer num local em que conhecemos (apesar da semelhança com a Europa medieval) tampouco é uma fantasia de magos e fadas. A nova série é regada à violência das grandes (com direito a muito sangue e órgãos internos à mostra), traição, vingança, jogos de poder, muito sexo, corpos nus e é com tudo isso junto que o expectador se surpreende a cada segundo.
Taí o trailer para dar um gostinho

A nova série da HBO é bem diferente de tudo o que está no ar atualmente e com certeza vai conquistar milhares de fãs. Pelo menos esta é a aposta da emissora que só no primeiro episódio investiu cerca de 10 milhões de dólares – serão 10 episódios para a primeira temporada.

Quem bater os olhos sem se inteirar da série pode pensar que se trata de algo como The Tudors, por causa do figurino pomposo de reis e rainhas ou até imaginar que é uma versão para TV de Senhor dos Anéis devido ao cenário sombrio, mas não é absolutamente nada disso. Game of Thrones é baseada no primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, uma série de fantasia escritos por George R. R. Martin. A história se passa em Sete Reinos de Westeros, um lugar onde as estações duram anos – um inverno rigorosíssimo pode durar décadas (e você aí reclamando de um friozinho em São Paulo).

Não  é uma trama real, não se passa num espaço definido na história, nem sequer num local em que conhecemos (apesar da semelhança com a Europa medieval) tampouco é uma fantasia de magos e fadas. A nova série é regada à violência das grandes (com direito a muito sangue e órgãos internos à mostra), traição, vingança, jogos de poder, muito sexo, corpos nus e é com tudo isso junto que o expectador se surpreende a cada segundo.

Taí o trailer para dar um gostinho:

 

 



23 de junho de 2008

A arte imita a vida


Ellen Page e Catherine KeenerSe você conseguiu assistir Juno e não se apaixonar pela atriz Ellen Page terá mais uma oportunidade. Em Um Crime Americano (que é anterior a Juno) a atriz de 21 anos faz o papel de Sylvia e atua tão bem quanto a incrível Catherine Keener que interpreta Gertrude Baniszewski, a Gertie. Mas tirando o elenco e o fato da protagonista do filme possuir meu nome: Silvia Maria, (Sylvia Marie mais precisamente), os primeiros minutos de Um Crime Americano não me empolgaram.

Acontece que num estalar de dedos a trama água com açúcar que eu havia imaginado se transformou totalmente. Pausei o filme assustada. Mas não pensem que me intimidei devido a cenas tenebrosas dos típicos filmes de assombrações ou com as bizarrices ridículas que os americanos tanto adoram (vide Jogos Mortais e afins), não. Um Crime Americano não possui nenhuma dessas coisas e talvez tenha sido isso mesmo o que tenha me causado tanto incômodo. É sempre assim toda vez que nos damos conta de que um ser humano pode ser muito mais cruel e insano do que qualquer vilão de mentirinha.

As verdadeiras Sylvia e GertrudeNo Google descobri que o filme foi baseado em uma história REAL que chocou os Estados Unidos e o mundo em 1965. A trama recria a triste história de Sylvia Likens (Ellen Page), de 16 anos. Filha de funcionários de um circo itinerante, Sylvia e a irmã caçula, Jenny, foram deixadas aos cuidados de Gertrude Baniszewski (Catherine Keener), uma viúva mãe de 7 filhos, enquanto os pais viajavam a trabalho.

O casal Likens foi apresentado a Gertrude pelas filhas (que a conheceram na igreja) e prontamente confiaram na mulher de aparência pacata e gentil. Mal sabiam o inferno em que estavam colocando suas meninas. Após contar a Gertie que Paula, sua filha mais velha, estava grávida de um homem casado, todas as frustrações da mulher começam a ser descontadas em Sylvia. Os castigos ficam cada vez mais rígidos até que resolve trancá-la de vez no porão da casa onde a menina acaba sendo morta.

Terminei de assistir ao filme incrédula de que uma história como aquela pudesse ter acontecido realmente e ainda com a conivência e omissão de tantas pessoas que sabiam o que acontecia no porão daquela casa em Indiana. Cheguei a pensar que o diretor pudesse ter exagerado em algumas cenas com o intuito de deixar a história mais interessante e então li que Tommy O’Haver AMENIZOU e muito tudo o que aconteceu com a garota.

Se vocês estiverem achando que eu contei o filme todo e, portanto, não vale mais a pena assistir, se enganam. O filme é bem mais complexo do que tudo que escrevi neste post. Fora isso, Page e Keener interpretam tão bem seus papéis que qualquer pessoa que goste de cinema se deliciaria com suas atuações. Mas já aviso que é preciso um tanto de estômago e sangue frio.

Abaixo o trailer:




13 de maio de 2008

Qual é a músicaaaaaam, Tukaaaaam?


Uma cantora de nome curtinho e quase insignificante ainda vai dar muito o que falar: Adele Adkins, a Adele. Fiquem atentos a ela – a mais nova sensação da black music made in England.

Gordinha, de aparência comum, a inglesinha de apenas 19 anos tem uma voz impressionante que automaticamente chama atenção por lembrar Amy Winehouse, outra talentosíssima cantora das terras da rainha. Segundo o site do “Telegraph”, ela difere de Winehouse por ser mais fácil de ouvir e por possuir uma música mais suave. Traduzindo: enquanto Amy tem tendências auto-destrutivas e depressivas em suas letras, Adele fala de amor. Eu gosto das duas vertentes.

Com três singles lançados, ela já assinou contrato com a mesma gravadora do Radiohead e White Stripes, a XL Recordings e em janeiro lançou seu primeiro álbum: 19. Um mês depois já estava no topo das paradas britânicas. Uma boa notícia são os rumores de que Adele, em breve, possa se unir a Amy Winehouse, Kate Nash e Katie Melua para a formação de um grupo. Eu acho que não seria nada mal. Nada mal mesmo.

Adele se formou na Brit School for Performing Arts, escola de arte em que estudaram outras sensações britânicas. Suas influências musicais são nomes gabaritados como Etta James, The Police, Marvin Gaye e Billie Holiday.

De todas as músicas que compõem 19, minhas preferidas são: a baladinha, Make You Feel My Love, a dançante Right As Rain e a romântica Chasing Pavements (que é o ringtone do meu celular). Vejam o clipe abaixo e depois dêem uma corrida até o MySpace da cantora para ouvir algumas de suas músicas.




7 de abril de 2008

Em terra de cego…


… quem tem um olho é Fernando Meirelles

José Saramago é um dos escritores mais incríveis da atualidade. Não, esta frase não está boa. José Saramago é um dos escritores mais incríveis de todos os tempos. Melhor assim. Com uma história extremamente inteligente e intrigante, Ensaio Sobre a Cegueira é um livro fenomenal. Quanto adjetivo neste post, Tukaaam! Pois, é, mas Saramago merece, ele é realmente “adjetivável”.

Tornar uma inexplicável epidemia de cegueira em algo absurdamente interessante foi bem fácil para o escriba português, já que não há nada melhor do que a leitura para transcender a visão. Somos sim, praticamente um bando de “cegos” quando construímos personagens e lugares baseados apenas na descrição. E não existe mesmo melhor maneira de explicar a cegueira do que simplesmente imaginar o que nos está sendo narrado. É Também por esta razão que Ensaio Sobre a Cegueira é um livro tão devastadoramente bom.

Mas quando soube que um filme baseado no livro começaria a ser rodado fiquei ressabiada: Seria possível traduzir e transportar a genialidade da obra para o cinema? Imagens não iriam estragar o que foi construído por Saramago? Em seguida soube que o diretor seria Fernando Meirelles. “Menos mau”, pensei. Logo depois descobri que Julianne Moore seria a “mulher do médico” (os que não leram, é importante que saibam que nenhum personagem do livro possui nome). “Uiaaaaa”, falei (me encantei com o talento da ruiva desde Magnólia). Daí em diante, já não me surpreendi com a divulgação dos nomes que comporiam o restante do elenco: Sandra Oh, Don McKellar, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e Alice Braga.

Acompanhei cada passo das gravações através da mídia. Fiquei sem ar todas as vezes que descobria que Fernandão e trupe estavam gravando em ruas próximas a minha casa (não consegui ir xeretar as filmagens uma única vez sequer) aqui em São Paulo. Li cada post do blog do filme escrito pelo diretor (entre outras coisas, foi assim que fiquei sabendo que o filme terá referências de obras de Brueguel, Hieronymus Bosch, Rembrandt, Malevitch, Francis Bacon e Lucien Freud). Tudo isso para tentar conter a ansiedade pela espera.

Finalmente, hoje assisti ao trailer (que foi lançado sexta-feira). E sendo completamente honesta com vocês, leitores, fiquei surpresa e decepcionada ao perceber que a edição (tomara seja apenas a edição do trailer) faz com que o filme pareça uma ficçãozinha científica clichê. Como sou uma pessoa instruída e inteligenteem, não farei pré julgamentos e esperarei até setembro (putzgrilaaaaam quanto tempooom!) para ver o que foi que Fernando Meirelles fez com um dos meus livros preferidos. Ai dele se o tiver estragado! Tukaaam, agora com certeza ele está tremendo de medo do filme ser um fiascooom!

Assistam ao trailer e se ainda não tiverem lido o livro, parem tudo o que estiverem fazendo (lendo essa merda de blog, por exemplo) e o leiam!



12 de fevereiro de 2008

Geléia Geral


Eu pouco me interessei pelas notícias a respeito do Grammy deste ano porque achei que tudo seria, e foi, bastante previsível como sempre. Mas então olhando as fotos da galerinhaam que deu umas bandas pelo tapete vermelho me deparo com esta. Me pergunto: Cacetaaam! Essa gente está divulgando algum novo filme de terror em pleno Grammy? Só que prestando um pouco mais de atenção, noto que o look das mocinhas não é obra de maquiagem, tampouco são máscaras horripilantes para causar furor. Essas duas aí são Aretha Franklin e Cyndi Lauper, genteem! Só faltou Amy Winehouse. Se a cantora inglesa não tivesse o visto de entrada nos EUA negado – e arrasado mesmo à distância, já que a mulhé ganhou em cinco das seis categorias em que foi indicada – provavelmente aproveitariam para tirar uma foto das três juntas e usariam para divulgar os 25 anos de Thriller. Cyndimm, Arethaaam, assim não, meninas!

***

Então gente, há quase cinco anos torço para que a Vai-Vai não ganhe o Carnaval paulista dijeinenhum, pois como vizinha do barracão da escola sei bem o tamanho do fuá que eles já fazem em dia de ensaio. Acontece que neste ano não deu certo, nem minhas mais poderosas preces resolveram. Assim que a apuração dos pontos foi encerrada meu telefone começou a tocar sem parar. Do outro lado da linha as pessoas solidárias em meu provável sofrimento diziam: “Aim, Tukaaam, sifudeu, gataaam! Esses sambistas vão parar de fazer barulho só ano que vem!” – ou algo assim. Pois é gente, eu também achei que seria um verdadeiro inferno, sobretudo quando o presidente da escola apareceu na Rede Grôbo dizendo: Nhaí, cambadaam, hoje ninguém dorme nessa porra!” – ou algo assim. Mas sabem que não? Tenho uma teoria de que o povo do PSIU (Programa de Silêncio Urbano na cidade de São Paulo) ficou muito puto com a declaração do moço e chegou lá no barracão impondo o maior respeito: “Inhaí, seu presidente, se tu é ômi, fala agora quem é não vai dormir aqui nessa jóça!”– ou algo assim. Só sei que foi super tranqüilo e acho que ano que vem até torço pra Vai-Vai ganhar – ou talvez não.

***

Quando Michael Douglas em Um Dia de Fúria interpretou um cara que despiroca por causa do caos da cidade grande e sai por aí fazendo e falando as maiores barbaridades, todo mundo se identificou pelo menos um pouco com ele. Afinal quem é que já não sentiu vontade de dar uma de louco por conta de tanta coisa que acontece e por um monte de gente sem educação com quem temos que lidar todos os dias? Pois é. Quando assisti A Fúria (He Was a Quiet Man) foi impossível não lembrar do clássico de 1993. A diferença é que em A Fúria o personagem principal interpretado por Christian Slater se rebela contra seus colegas de trabalho. Bob Maconel é uma pessoa insignificante a ponto de que quase ninguém saiba seu nome. Ele observa e define as pessoas com quem convive no trabalho: o puxa-sacos, a fofoqueira, o fura-olhos, a vagabunda e odeia a todos que ignoram sua existência. Seu maior sonho é tomar coragem para usar a arma que guarda cuidadosamente em sua gaveta e matar todo mundo. Esse tipo de rompante já faz parte da cultura americana, não é nenhuma novidade – vira e mexe tem um bate-pino matando gente e repetindo Columbine e Virginia Tech (já aqui no Brasil, no máximo a gente tem vontade de dar um belo soco na cara de algum fubango). Slater está tão bizarro quanto excelente no papel de lunático e se o filme não é lá tão bom, também está longe de ser ruim e tudo graças ao ator. Vale a pena assistir.



8 de fevereiro de 2008

Qual é a músicaaaaaam, Tukaaaaam?


Eu e todas as pessoas que adoram tecnologia e não estiveram em Marte nos últimos dias, possuímos um novo sonho de consumo: o MacBook Air, o notebook mais fino do mundo. O treco é tão fino que cabe num simples envelopezinho. Eu queria muito um desses, mas vou continuar querendo, pois o treco é tão caro quanto lindo e se bastasse almejar alguma coisa eu seria Gisele. Ai Tukaaaaam, eu também queria ser Giseleeem!

Mas que se foda o MacBook Air Mas voltando…

Foi justamente por causa do Mac Air que Yael Naim surgiu para o mundo. A moça, nascida na França e criada em Israel é quem canta a música New Soul, trilha da propaganda do notebook. Ela é a mais nova queridinha do circuito musical e a Apple que não é boba nem nada, bastante ciente do talento da mocinha, já colocou o álbum completo para venda no iTunes.

A mulher é direto ao ponto, suas músicas são simples e bastante singelas e Yael tanto canta quanto encanta. Até mesmo as músicas cantadas em hebraico são boas de ouvir. Vale prestar atenção em Toxic. Sim, a mesma cantada pela despirocada Putney Spears. Mas esqueçam completamente os gemidinhos provocantes e os efeitos sonoros moderninhos da versão da loira. Yael dá à música, e não me perguntem como ela conseguiu esse feito, um toque de classe similar a Madeleine Peyroux. Coisa fina, genteem! Vejam o vídeo abaixo. Os desafio a não caírem de amor pela voz da mocinha.



19 de outubro de 2007

Adeus mundo cruel?


Quando criança, eu devia ter lá os meus oito anos de idade, o avô de um amigo se matou. Ele subiu em uma cadeira, amarrou uma corda no teto do banheiro, fez um laço por onde colocou o pescoço e soltou seu corpo em seguida. Lembro que meu amigo me contara aquilo mais envergonhado do que triste, pois àquelas alturas já o tinham incutido todas as explicações de pecado que pudessem existir.
Até aquele momento, eu jamais ouvira falar em suicídio, mas lembro que me sentei na calçada a seu lado, o olhei com a ingenuidade que só uma criança de oito anos pode ter, e lhe perguntei: por quê? Óbvio que ele não soube me responder. A verdade é que eu sequer tinha idéia de quais respostas esperar, mas imaginei que precisasse haver um motivo.

Desde então, várias outras histórias de suicídio permearam minha vida, e talvez tenha sido por isso que desenvolvi um certo fascínio pelo assunto. Um fascínio macabro, não nego. Mas o assunto é indiscutivelmente instigante.

Eu nunca me interessei pela forma como as pessoas decidem se matar, mas sim por seus motivos. Sempre me perguntei: o que pode ser tão grave, tão ruim, tão incorrigível, que faz com que uma pessoa decida que já não quer viver? O menino lindo de 16 anos que se envenenou por ser gay, a médica de 30 anos, mãe de uma garota de três, que se atirou do prédio por que o marido estava tendo um caso. Quais foram seus reais motivos além desses que todos presumem? Por que algo que é totalmente superável para uns pode ser a pior coisa do mundo para outros? Eu sempre procurei tentar entender – sem os olhos de quem julga nem a certeza do veredicto do pecado que a igreja decreta – apenas a tentativa de compreensão.

Mas a única razão para estar falando sobre isso aqui na Casa é porque assisti ao documentário The Bridge que fala exatamente sobre suicídio. De janeiro a dezembro de 2004, Eric Steel e sua equipe filmaram tudo o que aconteceu na famosa ponte suspensa de São Francisco, a Golden Gate, o local recordista em números de suicídios no mundo todo. Só conseguiram autorização para isso com a mentira de que o filme visava mostrar a interação entre os turistas, o movimento e a paisagem fabulosa do local, pois evidentemente dizer que queriam flagrar suicidas não iria agradar às autoridades.

Foram usadas duas câmeras. Uma fixa, com plano geral da extensão da ponte, e uma outra de alta precisão para captar as pessoas em close. E esta segunda era usada associada ao instinto do profissional que a manipulava, pois ele precisava focar naquele que por um motivo ou outro parecesse estar disposto a escalar o parapeito e saltar. Segundo o diretor, sempre que notavam a iminência de um salto, chamavam a guarda costeira, pois salvar uma vida era mais importante do que o filme. Mesmo assim, 24 pessoas finalizaram suas vidas naquela ponte no ano de 2004 – as histórias de seis delas são contadas em The Bridge.

Apesar de extremamente rápidas, as cenas das pessoas se jogando impressionam e causam bastante incômodo. O lugar cheio de turistas felizes, atletas praticando esporte na água, pessoas trabalhando, a vida ao redor seguindo seu curso como em todos os dias. Então alguém fala ao celular por alguns minutos. De repente larga o aparelho no chão, sobe ao parapeito e em poucos segundos um assustador “tchibum” acontece. Pronto: 70 metros de altura numa queda de velocidade aproximada de 200 km por hora e a pessoa não existe mais.

O documentário, além dos suicídios, mostra entrevistas com testemunhas que estavam no local, familiares e amigos das pessoas que se mataram e tenta dar uma resposta a esta pergunta que me permeia a mente desde o avô de meu amigo: por quê? Doenças mentais, sofrimentos diversos, motivos também, no final das contas, ninguém, nem os próprios familiares e amigos e nem o expectador do filme, formulam uma compreensão exata para nada.

Steel foi recusado em festivais do mundo todo, e se por um lado, há pessoas que o acusam de querer repercussão com o polêmico tema, há uma ala que considere que ele tenha feito um alerta para que finalmente construam uma barreira de proteção na ponte. Mas, com um tom até surpreendentemente poético – beneficiando-se da paisagem maravilhosa e trilha sonora de primeira – e espantando a linha Michael Moore pra bem longe, o documentário consegue falar de um assunto extremamente delicado sem ser sensacionalista. Mostra finais, o anseio pelo fim, o arrependimento de quem se dera conta de que não queria morrer quando já havia pulado (esta pessoa sobreviveu milagrosamente ao salto) e até quem, em questão de segundos, conseguira impedir um dos suicídios. E embora não satisfaça a grande dúvida sobre os motivos que encorajam alguém a encerrar a própria vida, vale a pena ser visto.

Eis o trailer:

Ps: Comentem sobre o tema, contem experiências pessoais se quiserem, digam qualquer coisa, mas, por favor, não percam tempo falando sobre dogmas religiosos, pecado, limbo, inferno e afins. Eu tenho sono com discussão religiosa. Tenho certeza de que vocês leitores, têm mais conteúdo do que apenas essa premissa basiquinha. Ah! E quando assistirem, voltem para me contar o que acharam.



1 de agosto de 2007

Enfim o fim de Harry Potter


Muito antes de Harry Potter And The Deatlhy Hallows, o último livro da saga do bruxo chegar às livrarias do mundo (no Brasil ainda não há a versão nacional, apenas a importada), chovem spoillers na internet contando diferentes versões sobre o suposto final da trajetória. Tem tanto doido espalhado por aí que após o boato de que Harry morreria, uma adolescente filipina cometeu suicídio de tristeza. Ai que idiotaaam! Prêmio Darwin pra ela, Tukaaaaam!

Aqui no Brasil, uma equipe liderada por uma maluquete de 14 anos traduziu o livro e disponibilizou em pdf para download. Dizem que a tradução é uma merda, mas pra quem está desesperado pra ler vale à pena. Eu nem li e já sei como tudo termina. Vocês também devem saber. Ainda assim não há como não admirar a criatividade “nérdica” sem limites de muitos. Bom exemplo disso é essa camiseta aí (cliquem na imagem para aumentar).

Parece bem comum, não? Mas se dermos uma voltinha no sol ela nos conta o que acontece no livro.

Traduzindo fica assim:
“Voldemort toma o ministério da Magia. Snape sempre esteve do lado de Dumbledore. Voldemort não pode ser morto enquanto Harry estiver vivo. Harry morre, mas volta. A magia de Voldemort se vira contra ele e o mata. Harry se casa com Gina. Ronnie se casa com Hermione. Tudo fica bem”.
***
E ainda quase sobre o mesmo assunto, o ator Daniel Radcliffe que interpreta o bruxinho, anda mostrando a “varinha” num espetáculo, vocês viram?

Clique nas fotos para visualizá-las sem censura



25 de junho de 2007

Carlos Gomes se revira no túmulo ao som de DJ Mau Mau


Ou: Como destruir uma obra consagrada sem o menor constrangimento

Vocês bem sabem que eu tenho uma super tendência a ser mudérrrninha, néam? Vocês sabem que gosto de novidades e gosto de tudo o que é reinventado de forma a acrescentar o novo a algo que já era bacana. Tanto, que as vezes aprecio mais as novas versões do que das originais, e isso vale desde músicas e filmes a peças de teatro e afins. Foi exatamente por este motivo que quando eu e meu marido ganhamos convites para assistir a versão eletrônica da ópera O Guarani, achei que poderia ser bacana.

Fomos munidos da companhia de dois amigos. Eles, devidamente avisados de que não sabíamos se o negócio prestava. Mas a teoria realmente era bem interessante: a noite no Tom Brasil começaria com DJs animando o público da pista e dos camarotes. À 1h, quatro músicos regidos por um maestro tocariam trechos de O Guarani ao vivo, acompanhados pela base eletrônica criada pelo DJ Mau Mau e por cantores líricos. Depois de cerca de 70 minutos, o DJ norte-americano Derrick Carter assumiria as pick-ups. Uiaam, Tukaaam! Super baladjéeenhaam!

E eu estava realmente curiosa para ver o amor de Ceci e Peri se tornar um batidão dançante. Enquanto nós quatro esperávamos impacientes que o trem começasse, criávamos em nossas cabecinhas viajantes dezenas de propostas surreais para o que talvez pudesse acontecer. Além, óbvio, de repararmos nas centenas de figurinhas desesperadas em serem diferentes que, exatamente por isso, conseguiam ser apenas incrivelmente comuns. Cada tipo divertido néaam, Tukaaam?

Carlos Gomes with Lasers!Mas eis que muito tempo depois do programado a tal ópera começa. Imediatamente começo a ouvir os comentários intelectualóides dos boyzinhos hypes da Mackenzie se fingindo de inteligentes, mas na verdade esperando a hora exata de baixar nas mina. Desistiram de falar depois de um minuto mais ou menos, pois o que se via no palco não era definível. Não era descritível e nem ao menos compreensível e tudo o que eu conseguia pensar era: Que merda! Mataram a obra do Castro Alves! Claro que de tão atordoada troquei o coitado do Carlos Gomes pelo poeta dos escravos, mas se bem que os dois deviam estar unidos na revolta e se reviravam juntos em seus devidos túmulos em protesto ao que foi feito de O Guarani, aposto.

Eu não sei exatamente nem como tentar contar o que vi ali naqueles dez minutos em que resisti firmemente após o início do “espetáculo”. Mas vou tentar: luzes, barulho, um cara parecido com um aborígene pulando no palco com uma handycam e tudo o que ele filmava ia aparecendo num telão gigantesco… … Ai, chega, vocês não merecem… Gente, que coisa terrível, que coisa mal feita, que coisa absurdamente bizarra! O projeto que se chama V.I.A Gol tem (ou tinha) pretensão de ser o primeiro de uma série e reeditar várias obras nacionais transformando-as em uma linguagem contemporânea. Eles chamam isso de espetáculo-festa. Eu chamo isso de espetáculo-éeeeeeeeeeeca! E comecei a fazer preces desde sábado para que eles desistam da idéia. Se for pra estragar algo consagrado que nem mexam, deixem como as coisas estão que está tudo bem. Afinal, mudérrninho de cu é rôooouula!



31 de maio de 2007

Je t’aime beaucoup mon amour…


Amar em Paris é fácil?Assisti a um filme apaixonante chamado Paris, Je T’Aime (que não sei porque motivo ainda não entrou em circuito no Brasil). E como todo filme que entra para a minha lista de filmes apaixonantes, este é também um daqueles que, de uma forma ou de outra, me permitiram sair um pouco da posição de mera espectadora.

Também nem foi tão difícil assim que eu me identificasse com pelo menos uma das histórias dos 18 curtas que o compõem – em várias críticas que andei lendo sobre o filme, uns tchongolinos insistem em dizer que são 21 curtas, mentira pois eu me dei ao trabalho de contar um por um e são mesmo 18. Mas voltando ao assunto: Todas as histórias retratadas possuem 5 minutos, usam os idiomas inglês ou francês, revezam culturas, nacionalidades, gerações, classes sociais e, sobretudo, falam de amor. E falam de amor tendo Paris, a cidade mais romântica de todas, como fundo. Não eu nunca estive em Paris. Mas mesmo que eu tenha certeza de que São Paulo, Itapiobinha, Guaraci-Mirim, ou um outro pedaço qualquer do mundo não possui o mesmo encanto de Paris, amor é igual em todo lugar, portanto vocês também irão se ver retratados no filme.

As histórias falam de tipos de amor e formas de amar bem distintas que incluem perda, encontro, tristeza, erro, felicidade e arrependimento. Cada uma delas tem um diretor diferente (algumas histórias foram dirigidas por uma dupla) e entre eles muita gente fera, incluindo o brasileiro Walter Salles (Central do Brasil, Diários de Motocicleta), Wes Craven (Pânico), Gus Van Sant (Elefante, Gênio Indomável) e Alfonso Cuarón (E Sua Mãe Também, Filhos da Esperança) – são 21 diretores no total (sim aqui são mesmo 21).

Entre as dezenas de atores do filme estão os ótimos Steve Buscemi, Catalina Sandino Moreno, Willem Dafoe, Nick Nolte, Elijah Wood e três das minhas atrizes preferidas: Juliette Binoche, Maggie Gyllenhaal e Natalie Portman.

Gostei realmente de todos os curtas, mas os que mais me encantaram foram três: Bastille, de Isabel Coixet, Faubourg Saint-Denis, de Tom Tykwer (o mesmo de outro de meus filmes preferidos: Corra Lola, Corra) e Quartier Latin, de Frédéric Auburtin e Gerard Depardieu.

Se não bastasse o filme ser hipnotizante do começo ao fim devido às tramas e aos excelentes diretores e atores, bem no finalzinho – não se preocupem, não vou contar como acaba – tem uma música maravilhosa interpretada por Feist (cantora que eu adoro!), cantada metade em inglês e metade em francês que se chama We’re All In The Dance (La Memé Histoire na versão francesa). Ela me fez correr ao Soulseek logo que o filme terminou para baixá-la, mas infelizmente ainda não consegui. E devido a tal música, coloquei aqui para vocês um vídeo com imagens do filme que não se trata do trailer oficial, mas é muito melhor. Pois o trailer na versão americana faz com que Paris Je T’aime apenas pareça uma continuação sem vergonha do clichezildo Simplesmente Amor.



Ps: Eu não faço idéia se este filme entrará em cartaz no Brasil e tampouco quando ele chega às locadoras, mas sei que se vocês procurarem direitinho conseguem assistir a praticamente todos os curtas pelo Youtube.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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