Arquivo da Categoria ‘Amor e desamor’



12 de novembro de 2006

Exquecida


Um dos meus mandamentos sempre foi “não te envolveis com ex namorado(a)/marido(esposa) de amiga(o) jamais”. Eu iria detalhar minhas razões uma a uma, mas devido a esse preceito ser algo praticamente auto-compreensível vou apenas dizer o maior dos motivos que sempre me levaram a pensar assim: sua amizade com a pessoa que namora seu ex nunca mais será a mesma. Nunca.

Mas eu achava isso, na verdade, até a última sexta. Quando mais uma vez fui, digamos, obrigada a estar no mesmo lugar que uma ex do meu marido (e não foi um retorno de diaba e demonha, pessoas, pelo menos ainda não). E vocês aí desse lado gritam: “De novoom uma ex em seu caminho, Tukaaam? Se Benze, munitaaam!” – sim, leitores, eu realmente preciso. Para quem acompanhou todos os capítulos da história que contei, vale dizer que a moça é a envolvida em um deles. E óbvio, como vocês meus leitores são seres inteligentes, não precisarei me esforçar muito para que percebam que em um post em que começo a dizer sobre o mandamento de não se envolver com ex de amigo, neste texto existem todos os personagens: a ex e o amigo – ambos de meu marido, e, sim, envolvidos.

Mas voltando ao assunto, até sexta eu achava isso algo inviável e de extrema falta de bom senso. Pra quê afinal, com tanta gente no mundo, se relar com alguém que teve algo com uma pessoa que faz parte de sua vida e a mesma não quer mais contato? Era o que eu pensava, leitores, era sim. Pra quê, me digam, trazer de volta para a vida de alguém que você gosta tanto, quem carrega, ou carregou até esses dias, ódio mortal por ele devido a um pé na bunda? Pra quê, por favor, me elucidem, abdicar de conversas com detalhes tórridos de todos os antigos relacionamentos que vocês tiveram? Pra quê, pra quê mais uma série de coisas, leitores, hein? Eu tinha uma lista interminável desses insuportáveis praquês.

Bem… Era o que eu pensava. Até sexta. Quando justamente percebi o quão romanceada era essa minha, digamos, teoria. Afinal esse negócio de ex capaz de tirar as pessoas dos eixos e do sério pra vida toda, é algo pra lá de mulherzinha, portanto não deve ser levado muito a sério. “Ai Tukaaamm! Você é um raio de mulherzinham mesmooom” – é o que vocês estão pensando, certo? Então enxerguei nitidamente que a maioria dos relacionamentos quando acabam, pelo menos para um dos lados, sobra absolutamente nada. Que a presença do ex ali é tão comum quanto todo o resto de pessoas que você sequer conhece. Que quando a amizade entre duas pessoas é importante vale sempre a máxima de que rolos, namoros e até mesmo casamentos sempre têm fim, mas amigos são companheiros eternos. E que ex são como pragas – estão em todo lugar e principalmente onde você menos deseja que estejam (afinal o inferno é tão pertinho, porque eles todos não se mudam pra lá? Hihihihihihi).

Sabem, o amigo em questão lê esta Casa (na verdade talvez até a ex a leia), e vocês com certeza agora estarão aí se perguntando: “Mas Tukaaaam, ele não vai ficar bravo com vocêeemmmmm?” Hum… Se ele fosse um cara qualquer, talvez ficasse, embora vocês sejam testemunhas aí desse lado, que eu não falei aqui nada demais. Nem ao menos proferi um xingãozinho à moça, tampouco disse que ele merece coisa melhor. Mas coçam meus dedos e vou apenas dizer que ela precisa dar um trato naquelas sobrancelhas, pois o resto até dá pro gasto. Contudo voltando a provável chateação do amigo: não, ele não faz o tipo ofendidinho – é dos meus, dá a cara à tapa e oferece o outro lado. Talvez por isso mesmo é que eu tenha mudado de opinião em relação e esse mandamento. Diferentemente da dor de um pé na bunda, que mesmo passando um tempão sempre se lembra daquele gostinho amargo, certas coisas na vida não podem ser imutáveis, não é mesmo?



5 de outubro de 2006

Qual o caminho certo a seguir?


(Republicação – 26 de agosto de 2005)

Nessa vida como podemos ter certeza de que caminho seguir? Que garantias temos de que escolhendo A a B seremos felizes? Como saber se o que parece o certo é realmente o certo?
Todos já foram testemunhas ou protagonistas de muitas besteiras cometidas em tentativas desesperadas de acertar. Voltar para um casamento infeliz por ser cômodo. Ficar com alguém que não ama por já conhecer suas qualidades e defeitos. Persistir em querer ficar com quem dá claros sinais de que não corresponde a seus sentimentos. Tudo por achar que é destino? Por ser cômodo? Por preguiça de arriscar?
Dia desses ouvi a história de um amigo que estava realmente apaixonado por uma moça que conheceu na faculdade. Me contou o quão maravilhosa era a menina, o como ela estava cada vez mais se tornando importante em sua vida, a forma simples em que ela solucionava todo e qualquer problema, como ela era centrada, comedida em suas decisões. Passou seis meses e ele decidiu que iria terminar com ela. Por quê? Foi o que perguntei sem entender nada. Porque resolvera voltar para a ex. Por quê? Perguntei novamente. Porque já conhecia bem a ex e sabia em que território estava pisando. E também porque tinha medo de se decepcionar mais adiante com a nova. Mas você não ama a ex! Falei quase batendo nele. E ele disse que o desconhecido assusta, portanto não arriscaria.
Embora tenha ficado extremamente chateada com a decisão torta que meu amigo tomou, não posso condená-lo, afinal cada um sabe onde aperta seu calo. No entanto admito que o chamei de burro, mas que reconheci a situação em que se encontra. Também já tive um medo gigantesco de me livrar de um namoro morno para me entregar de corpo e alma a alguém que me tirou dos eixos. Resultado: nunca vou saber se teria dado certo, pois o namoro morno não deu mesmo – essa foi a conseqüência da minha escolha.
Escolhas… Costumo dizer que toda e qualquer escolha tem uma conseqüência na vida, desde as mais bobas às mais complexas. O simples fato de escolhermos atravessar em uma calçada e não em outra pode significar pisar em um buraco e torcer o pé… A escolha para ir a um determinado lugar pode significar voltar pra casa sem o carro, mas pode ser que você volte com o carro e com o homem dos seus sonhos. Escolher ir comer no Habib’s justo hoje pode ter como conseqüência conhecer sua melhor amiga na fila do caixa.
O acaso unido ao livre arbítrio conspiram por nós o tempo todo. Não somos objetos de destino e sim de tudo o que nós mesmos fazemos de nossas vidas. Escolher o certo ao duvidoso não é garantia de felicidade nem aqui e nem na China, pois não há garantia do que seja realmente certo. Mas a escolha é e sempre será só sua.


29 de setembro de 2006

Não subestime a dor de uma perda


(Um apêndice dos capítulos ou uma nota de rodapé sem rodapé)

Sempre há luz no fim do túnel, afinal...Que a terceira guerra mundial comece. Que assassinem o presidente da república. Que o Tsunami mate 300 mil pessoas. Nenhuma tragédia neste momento é maior do que a nossa.

Que nossa melhor amiga esteja grávida de gêmeos. Que nosso irmão tenha sido promovido a gerente de uma multinacional. Que nossa mãe seja convidada para fazer uma receita na Ana Maria Braga. Nenhum tipo de felicidade será percebida.

Que venham nos dizer que logo vai parar de doer. Que nos garantam que foi melhor assim. Que nos certifiquem que ele não nos merecia. Nada disso será compreendido. E será tão inútil quanto a tentativa de convencer uma criança de que injeção não dói.

Que nos falem sobre inteligência, amor próprio ou orgulho. Tudo será em vão. Tais palavras deixaram de existir em nossos dicionários por ora.

Que o amor que sentimos nunca irá passar – pensamos. Que a dor que nos consome será eterna – temos certeza. Que a culpa de tudo foi nossa – nos punimos. Que apesar de tudo vale a pensa insistir – insistimos. Que ele ainda irá se arrepender – nos iludimos. Que nos arrastaremos pela vida até que ele volte – e esperamos. Que nunca mais amaremos novamente – e nos adiamos…

Quem nunca perdeu um amor não sabe de nada disso. Não entende que a perda de alguém que amamos dói, não é frescura, não é manha. Essa dor nada tem a ver com rimas fáceis ou metáforas para engrandecer sentimentos como nas poesias. A dor é física – quase como se um elefante sentasse sobre nosso peito e nos impedisse de respirar. Sair da cama é sacrifício, dormir tranqüilamente é impossível, olhar no espelho não significa que nos enxergaremos refletidos. Perder alguém que amamos é navalha na carne.

Desde o minuto em que levantamos da cama até a hora em que nos deitamos novamente, o que queremos é uma resposta para nossos porquês. Por que acabou? Por que não tentamos mais? Por que está com outra pessoa? Queremos um fio de esperança, queremos nos apegar a qualquer coisa, a qualquer palavra, a qualquer sinal remoto de que as coisas voltarão a ser como antes.

Não importa mais nada, não importa o que digam que tente nos trazer de volta a realidade. Nada! Não nos damos conta de que as coisas fugiram do controle, que nada depende do que façamos. O amor se foi de um dos lados, nada o trará de volta. Mas pensar nisso gela nossos ossos e uma agonia assustadora persiste em nos acompanhar nos dando a impressão de que será assim para sempre.

Quando se perde um amor perdemos muito: dignidade, esperanças, sorrisos, perspectivas… Mas entre todas essas coisas, a pior delas e justamente a que não nos damos conta é que quando perdemos um amor perdemos também a nós mesmos. Esquecemos por tempos quem somos, quem fomos, o que gostamos, o que queremos, os motivos que nos faziam o riso fácil, o encanto pelas coisas da vida.

Daí eis que chega o momento crucial em que temos que escolher: ou vamos indo aos tropeções com a certeza de que nossas chances de felicidade findaram ali com aquele amor que acabou. Ou nos reencontramos e nos tornamos ainda mais fortes, mais aptos a amar e sermos amados do que jamais fomos.

Com o perdão da frase clichê, mas que como quase todas, também tem seu valor: a vida é assim mesmo. É… Uma hora a gente chega ao fundo do poço, em outra ao clímax. Cair é preciso pra saber levantar. Perder também. Se a vida continua? Óbvio! Resiliência é uma capacidade de todos aqueles que merecem a felicidade. E sempre voltamos à forma original, mesmo que ainda melhores!

***

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

(Chico Buarque – Olhos nos Olhos)


6 de setembro de 2006

O primeiro e o último


(Republicação – 15 de dezembro de 2004)
Assim como Xavier e Martine, nós também tivemos muita coisa entre o primeiro e o último beijo que nos demos. Quando o primeiro aconteceu, eu tinha certeza absoluta de que ali começava a primeira linha de uma longa história que seria escrita, cheia de outras tantas histórias pelo caminho.

Sabia que quando senti sua respiração em meu rosto no momento em que se aproximou, não seria a última vez que isso aconteceria. Sabia que teríamos um ao outro ainda por um bom tempo. E nos tivemos. Fizemos juras de amor, nos beijamos, nos amamos, nos odiamos, desejamos que fosse eterno, pensamos na efemeridade das coisas, sentimos saudades, choramos, sorrimos…

Muita coisa acontece entre o primeiro e o último beijo. O tempo enche de névoa o que antes já teve uma aparência tão nítida, tão clara, tão simples.

E agora, quando relembrei tudo, ficou difícil imaginar que já houve um primeiro dia, outros, e tantos mais. Ficou tão difícil pensar em você como alguém que fez parte do que eu tive de melhor em mim, de alguém que foi a pessoa que mais amei, em quem mais confiei.

Do último beijo lembro das lágrimas, das mágoas, de não querer que fosse o último, de desejar que as coisas seguissem como esperamos um dia. Do primeiro lembro de quase ouvir nossos corações aos pulos, de sentir sua mão segurando a minha como se fosse o conforto de um abrigo quando sentimos frio. Do último lembro do barulho ensurdecedor do silêncio gritando, gritando… Do primeiro lembro de querermos que aquele momento durasse uma eternidade. Do último lembro de que nossas cabeças funcionaram como um clipe editado com os melhores e os piores momentos da nossa história. Com aquela música de fundo que já foi a trilha de tantas lembranças e que agora… É, agora não lembramos nem que música era aquela.

Alguém um dia me disse que a vida era exatamente aquilo que acontecia enquanto estávamos ocupados fazendo planos. Eu concordei.

No alarms and no surprises
Silent



24 de maio de 2006

João amava Maria que amava João…


(Republicação – 11 de junho de 2004)

Não quero entrar em contradição com nomes mais do que consagrados da literatura brasileira. Até mesmo porque seria uma grande burrice eu tentar bater de frente com Drumonnd. Essa não é a minha intenção. Só quero aproveitar o gancho da famosa “Quadrilha” do poeta e, humildemente, escrever algumas linhas que podem ser contundentes a respeito de um pensamento que me ocorreu.

O comum, ou pelo menos o que acontece na maioria dos casos de romances findos, amores platônicos, relacionamentos sem perspectivas, ou algo do gênero, é que sempre alguém gosta de uma pessoa que é apaixonada por outra. Drumonnd melhor do que ninguém descreveu isso com poucas frases em uma de suas mais populares poesias. Só que há um outro caso em tudo isso, ou melhor, em um amor.

Vamos às explicações. Um dia João conhece Maria e se apaixona, ela também por ele. Ficam juntos por anos e anos e fazem planos para o futuro, sonham juntos, sorriem um para o outro e… E tudo o que todo mundo sabe bem… Mas um dia acaba. Mas como, se João e Maria se gostavam simultaneamente? Simples, porque não era o momento certo, só por isso. Se João e Maria tivessem se conhecido depois de cinco anos, já tivessem terminado a faculdade, feito projetos que deveriam ter sido conquistados sozinhos, o romance seria, quem sabe, eterno, mas este não foi o caso – este é o caso do amor que chegou antes. E João e Maria estão destinados a encontrarem outros amores. Amores, claro, que estejam preparados para a história que cada um acumulou até o momento.

Em contrapartida, existem os amores que chegam depois, aqueles atrasados, que ninguém sabe porque demorou tanto. Colocando em palavras. Um dia Maria achou José, se apaixonou e ele por ela. Os projetos que os dois deveriam ter feito antes de se conhecerem já estavam prontos. Eles já estavam preparados para viver com uma pessoa que estivesse disposta a ter sonhos em comum. A vida dos dois vai bem, aliás muito bem. Eles pensam em filhos, em apartamento (dois ou três quartos), em um carro melhor e coisas assim.

Um belo dia aparece Pedro. Exatamente aquele Pedro que nem estava na história, aparece do nada na vida de Maria. De repente, ao mesmo tempo os dois possuem certeza que têm um potencial imenso juntos. O coração bateu mais forte, as idéias combinam, os planos têm harmonia, o zodíaco diz que os signos são almas gêmeas (tá, mas pra isso eles não ligam, não acreditam em zodíaco), enfim, as coisas poderiam ser perfeitas entre os dois. Só que… óbvio, sempre tem um “só que”… enfim, só que Pedro chegou tarde demais e Maria não vai trocar José por ele e nem por ninguém. Ela ama José. Pedro não estava nos planos, nem na história, chegou atrasado e o máximo que podem ter em comum é a certeza que tudo poderia ter sido uma grande história de amor. Só.

Cedo demais e tarde demais. Odeio estas constatações…



24 de abril de 2006

Tinha que ser assim


(Republicação – 11 de abril de 2003)
Nada me deixa mais irritada do que ouvir diante de situações em que as pessoas não obtém o resultado que esperavam, as seguintes palavras: “Não deu certo porque tinha que ser assim”. Estranho, mas ninguém consegue responder quando a frase é rebatida com a pergunta: “Mas por que tinha que ser assim?” Claro que não tem resposta… E não tem resposta porque esta frase nada mais é do que uma maneira conformista e até mesmo covarde de se encarar as coisas, de se enfrentar as dificuldades e aquilo que deu errado em nossas vidas. “Tinha que ser, não era mesmo para eu ter conseguido aquele emprego”. Esta é a maneira mais fácil de não se admitir que você não se esforçou o bastante. Ou ainda, uma maneira simples para disfarçar sua própria decepção por não ter conseguido o que esperava.

“O namoro acabou porque era mesmo pra ser assim”… Aliás, o amor que acaba é sempre um cenário propício para várias outras frases que possuem o mesmo intuito, o de consolar. Frase as quais também repudio todas. “Daqui a pouco você vai rir disso tudo”, “O tempo tudo cura”, “Ela não era mesmo pra você”. O real significado disso: Não, você não vai rir disso tudo um dia, mas vai superar sim. O tempo vai passar, mas você sempre se lembrará daquilo que te fez sofrer, mesmo que não doa mais, você vai lembrar. E se ela não era pra você foi porque um dia ela não quis mais ser (porque você ainda se lembra do quanto a quis), e você pode ter outro amor agora.

Mas realmente, apesar de todas as outras formas de “alívio imediato” que uma simples frase pode tentar proporcionar, a “tinha que ser assim” sempre ganha um espaço especial nos casos de amores que se acabam. Sempre está quase que em néon pronta para entrar em cena quando alguém está sofrendo, quando alguém se desespera.

Um amor não acaba simplesmente “porque tinha que ser assim” – me desculpem aquelas pessoas que acreditam nisso, mas vou ter contrariá-las agora. Um amor acaba porque no meio do caminho alguém desistiu ou não lutou mais um pouquinho que fosse merecido. Acaba porque alguém em algum momento esqueceu que por aquela pessoa valeria à pena nunca mais olhar para mais ninguém nesta vida. Acaba porque uma mágoa foi maior do que tudo o que foi vivido de bom. Acaba porque o orgulho superou o brilho no olhar. Acaba porque o desentendimento foi maior do que o fazer as pazes. Acaba por coisas que parecem ter sido tão tolas que até hoje você não entende.

Mas nunca, em hipótese alguma, acaba simplesmente porque assim é que era para ser. Até mesmo porque nunca ninguém poderá saber, que se tivesse havido apenas mais uma tentativa naquele dia em que se dizia que o amor havia acabado, agora o cenário poderia ser outro. Poderia ser o de duas pessoas juntas, se amando e felizes – mas não porque tinha que ser assim, mas porque tiveram a coragem de tentar mais uma vez apenas…


18 de abril de 2006

E mais um belo conto de (fodas) fadas…


Passeando pelos blogs fui parar neste aqui onde me deparei com um texto chamado “Quando o príncipe bate cartão e a princesa usa crachá” que achei fenomenal. Um título que resume em poucas palavras o conto de fadas moderno e realista dos dias de hoje. E que bom, não? Realmente príncipe que chega em cavalo branco desembainhando espada e princesa esperando ser salva, não dá mais. As contas precisam ser pagas, afinal.

Que nesta Casa, amor, desamor, trapalhadas pela vida afora e tanta coisa mais são temas freqüentes, todos já sabem, Mas que teriam tantas historinhas metafóricas envolvendo seres imaginários e gente de carne e osso, só agora eu me dei conta, mas que seja. Vamos a mais um post sobre príncipes, princesas ou algo que os valha.

Motivado pelo tal texto e pela conversa com esse moço querido aqui fiquei a devanear a respeito das expectativas das pessoas em relação a um grande amor nos dias de hoje. Os homens não querem mais uma Amélia, mas mesmo assim, mulheres, tirem o cavalinho da chuva se acham que jamais lavarão sequer um copo e nem farão comida. As mulheres não esperam mais serem sustentadas, mas mesmo assim, homens, não contem com a possibilidade de não ajudarem com as despesas dentro de casa.

O conceito de amor mudou, mas muita coisa permanece tal e qual sempre foi. Se espera que alguém digno de nosso amor seja fiel, romântico, bom de cama, batalhador, honesto, entre várias outras coisas mais singelas e outras nem tanto. O que vier a mais é lucro, certo? Tá, certo.

Eu disse a ele que no dia em que começarem a bater na porta falando: “Oi, é daqui que pediram um grande amor?” o mundo acaba. Mas que deveras seria muito bacana, isso seria. Certamente, meu amigo e muitas outras pessoas terão que ir a luta, pois além de príncipes e princesas não existirem (ou terem sidos reinventados) todos temos expectativas em relação ao amor. Há de se tornar a vida interessante – ninguém quer um quadro. Há de se ter motivos para viver muitas histórias, ou apenas leríamos bons livros. Há de se fazer por merecer nessa vida.

E realmente o conceito do “e foram felizes para sempre” atualmente, e cada vez mais, recebe a máxima de Vinícius do “que seja eterno enquanto dure”. E a maioria das pessoas pode achar nada romântico, mas eu acho que tem lá sim o seu valor. Afinal, quer coisa melhor do que estar ao lado de alguém exatamente pelo período em que os dois estiverem felizes? É o que eu acho, assim como não acredito que exista algo que seja realmente eterno.

E gritam os leitores aí desse lado: “Mas Tukaaaaaaaaaaa! Você é casada!”. Sim, caros, sou e muito bem casada, aliás. Mas não me disponho em uma prisão, mesmo que imaginária, onde é imprescindível que eu e meu marido estejamos juntos até o fim da vida caso não queiramos mais um dia. No meu conto de “fodas” o amor pelo outro pode até acabar, o que não admito é que não termine com “e ela foi feliz para sempre – mesmo sozinha”.



17 de abril de 2006

Das cartas esquecidas na gaveta


Ou: De Alice para ninguém

… … é por isso e por tantas outras coisas que mesmo com o coração apertado, que mesmo sem eu conseguir pronunciar as palavras direito (por isso as escrevo) que digo que lamento. Lamento ter estado a seu lado por tanto tempo e ter te amado tanto, e ter me entregado por inteiro sem nem pestanejar e em troca ter recebido apenas um “não te amo mais” colocando um ponto final em tudo.

Lembro que tivemos momentos felizes, momentos de dúvidas, de medos – mas quando eu me perguntava se era mesmo a seu lado que eu gostaria de ficar até o último minuto de minha vida, a resposta era sim – sempre foi sim. O nosso beijo era sempre como se fosse o primeiro, o amor que fazíamos era sempre perfeito, as declarações de amor eram feitas olhando nos olhos um do outro… Lembro que tive medo em vários momentos, pensei em desistir, em poupar um sofrimento futuro… E tudo acabou mesmo afinal. Tudo o que tivemos virou lembrança, saudade, anotações em um diário, cartas que nunca serão enviadas.

Eu errei, você errou e hoje me acostumo a seguir apenas comigo. Eu sei que é tarde demais, mas agora tenho certeza de que todos os medos, todas as dúvidas, todos os momentos em que pensamos que o amor não era tanto, poderiam ter sido superados se tivéssemos tentado ao menos mais uma vez. Tarde demais eu sei. Agora sim o amor já não é tanto – eu me pergunto se ainda gostaria que fosse. Tenho mais uma certeza: você nunca mais será tão amado por outra pessoa como foi por mim – e acho que você sabe disso. Sei também que nunca mais vou querer amar alguém como amei você – eu não quero mais amar tanto.

Ontem eu quis te ligar, mas era tarde. Houve um tempo em que nunca era tarde, em que nunca eu precisaria me conter para pegar o telefone e ouvir sua voz. Houve um tempo em que você era tão meu que eu não sabia ao certo em que momento eu e você éramos mais do que um.

Às vezes acho que perdi meu amor por pura preguiça de continuar. Você teve preguiça de tentar enfrentar o que de errado estava acontecendo e o deixando distante de mim, teve preguiça de afastar uma pessoa que começava a se aproximar – a vontade de experimentar o novo foi mais forte do que tudo que tivemos durante tantos anos. Isso me fez sentir pequena, traída, me fez sentir que você nunca me amou de verdade, que só esteve comigo por estar, simplesmente por que não aparecia ninguém mais interessante, ninguém que pudesse oferecer coisas além daquilo tudo que eu já havia te dado. Você não me deu chances de tentar provar que o amor que havia, valia a pena qualquer tentativa, ou pelo menos mais uma.

Ainda, depois de um bom tempo depois daquele telefonema, eu sofro com as lembranças da decisiva conversa que tivemos. Lembro que eu estava triste, procurando uma alternativa para um recomeço profissional quando recebi sua ligação. Eu não estava bem naquela manhã, estava precisando de palavras de consolo, de apoio, um “volta, a gente recomeça mais uma vez aqui”, e o que ouvi foi o comunicado de que o amor acabou através de um aparelho de telefone. Chorei, implorei, fiquei desesperada. Não acreditava no que estava acontecendo, aquela pessoa que esteve a meu lado por anos estava terminando tudo como se cancelasse um pedido num restaurante, como se mudasse de idéia em relação ao sabor do suco que acabara de pedir.

Falar com você pessoalmente foi ainda pior. Você pôs fim a tudo que eu sonhei em questão de segundos – destruiu uma vida de planos e sonhos em questão de segundos. Deixou que eu saísse de sua vida tão facilmente quanto permitiu que outra pessoa entrasse. Estou triste até agora e acho que isso nunca vai sair de dentro de mim, eu quero esquecer e ao mesmo tempo não tenho coragem de apagar a história que tivemos. Apagar os beijos, os olhares, a amizade, os momentos. Não, não sei se quero apagar isso. Acho que eu tenho medo de esquecer coisas que talvez nunca mais em minha vida eu viva novamente.

Eu sei que o que estou sentindo agora vai passar mesmo que pareça que não. Mas me engano achando que talvez, bem no fundo, você ainda sinta minha falta e ainda troque os nomes das pessoas com quem conversa pelo meu. Que talvez, quando sozinho, admita que fez uma cagada enorme ao me deixar sair da sua vida assim. Que carregue com você a ilusão de que um dia ainda nos reencontraremos por esses caminhos que a vida esconde. E eu, aqui do meu lado, quietinha, espero. Espero que pare de doer, e que no dia em que você me ver novamente eu possa simplesmente sorrir e dizer: “obrigada por ter saído da minha vida”.



4 de abril de 2006

Os pés na bunda da vida


Assistindo mais uma vez a um episódio da última temporada de Sex and the City, compartilhei com Carrie a dor do pé na bunda – afinal quem nunca levou um? Não adianta negar que não acreditarei, todo mundo já levou um revés de um namorado(a), caso, flerte ou afins.

Em “The Post-it Always Sticks Twice” a pobre protagonista se indigna (e com muita razão) ao fato do tal Berger ter terminado com ela por um post-it colado em seu notebook: “I’m sorry, i can’t, don’t hate me”. Aí Miranda a olha e diz que certa vez levou um fora através do porteiro do homem com quem estava saindo: “Desculpe, senhorita Hobbes, fulano de tal não descerá, nunca mais”.

Por que ele fez isso?Tive crise de riso com o caso da Miranda, pois me lembrou de um namorado. Liguei em um belo dia e ele disse que não iria me ver porque estava muito sol. Você não vem hoje porque está sol, mas também não viria se estivesse chovendo? Você pretende vir ainda algum dia? E ele, sucinto: Não, Tu, não pretendo ir nunca mais.

Hoje eu rio, mas juro que na época doeu. E doeu muito. Namoramos por 10 meses e ele termina me dizendo isso? Fiquei tão brava que naquela noite saí e dancei (pela primeira e última vez – uma pena) em cima de uma mesa de bilhar (nota mental: para completar minhas cenas novelescas ainda tenho que quebrar um copo na parede, bater na cara de alguém, e dizer: “me esquece, vá plantar batatas” e mais algumas coisinhas).

Teve também um tal de Guto, Gutemberg (quem normal se chama Gutemberg??). No ginásio estudávamos na mesma escola, e me apaixonei. Rolava a maior das paqueras todos os dias no intervalo. Uma vez ele até me pagou uma coxinha na cantina. Nunca chegamos a dar um beijo sequer quando ele me mandou um bilhete: Tuca (burro, tinha cansado de dizer que era com k), cansei de enrolação, vou ficar com a Thaís que sei que deixa até pegar nos peitos”. Mas só para me vingar “perdi” o tal bilhete – e não é que fizeram cópias e colaram em tudo quanto foi parede do colégio??? Bem, não preciso dizer que o Guto nunca conseguiu pegar nos peitos da tal moça, né?

Uma amiga minha, e isso não é ficção, foi chutada, durante o enterro de sua mãe. O que pensar de uma pessoa que termina um namoro de 1 ano assim? Jogamos tanta praga no filho da puta que pelo que soubemos ele nunca mais conseguiu arrumar ninguém.

Teve outra que já estava até fazendo planos de casamento, quando acordou uma manhã e bem ao lado da camisinha que foi usada pelo dito cujo na noite anterior havia um bilhete: “Não te suporto mais, vou buscar a felicidade, tchau”.

Eu já dei o pé algumas vezes, mas se for contabilizar, creio que realmente mais entrei com a bunda do que com o pé. Términos são sempre complicados, mas existem alguns que se tornam lendários e lá na frente viram motivo ou de analista, ou de piada, ou letra de música, ou de um post como esse.

***
E como diriam os infames de plantão: Porque até pé na bunda ajuda a gente a ir em frente (ou para frente ao menos)

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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