Arquivo da Categoria ‘A história’



10 de outubro de 2006

Capítulo 7


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Tchau e olá

Oh OhNo final da noite voltei pra casa do meu então namorado e aquele namoro iria durar até o dia seguinte quando eu voltaria a Curitiba. Na despedida nada foi encerrado, mas no fundo eu sabia que aquela seria a última vez que o veria como meu namorado (chato isso de não citar nomes, tenho que ficar repetindo a palavra namorado). Nos falamos ao telefone nos dias que se passaram, mas eu estava realmente me preparando para ter coragem de dizer o adeus definitivo.

Foi então, nove dias depois de minha estada em São Paulo, que uma amiga começou a me contar pelo msn algo que aconteceu naquela noite. O moço que o seu namorado tirou no amigo secreto ficou encantado por você, mas eu já disse que você é comprometida. Ele é um safado, quer todo mundo que não pode ter, tem até namorada e ela estava lá. Já falei pra ele que sua atual situação é complicada já que você ainda tem esperanças de voltar com o seu ex dos cinco anos de namoro.

Chega a hora de contar o motivo das caixas vazias. O blog do rapaz se chamava Sobre o Nada. Por isso o dito cujo achou que seria engraçado presenteá-lo com vento. O que eu escrevi no bilhetinho: “Já que você gosta tanto de nada, pra você: nada”. Que maldade, não?

Parênteses: Antes disso, eu e o moço havíamos trocado uns comentários nos blogs um do outro. O atrevido veio corrigir a grafia de seu nome. Eu havia escrito errado no post que contava da tal festa blogger do dia 30 de novembro. Mas a correção que ele me fez não foi delicada, foi brusca. (não adianta procurarem nos arquivos os tais comentários, pois como mudei a Casa para domínio próprio eles não existem aqui – agora vamos em uníssono: ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!)



6 de outubro de 2006

Capítulo 6


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Alguns gestos + um beicinho + um flash = uma foto terrível!

muáMas voltando à festa e às minhas constatações de que algo começava a mudar dentro de mim. Pelo menos eu sentia que a imagem intocável do namorado dos cinco anos começava a ofuscar. Ele não era, afinal, tudo o que eu sempre quisera em um homem, aliás, nem de longe, eu sempre soubera disso, só não lembrava.

Bem no meio de meus pensamentos fui interrompida pelo rapaz que recebeu um monte de caixas vazias de presente. A música era ensurdecedora quando ele me pediu com gestos para tirar uma foto minha. Eu sorri e disse que sim balançando a cabeça. Fiz minha melhor cara de “puta-que-pariu-vou-ficar-medonha” e nada mais me veio à cabeça a não ser lhe mandar um beijinho – sim, aquela pose idiota do beicinho. E então o flash me cegou por uns segundos.

Parênteses: Em seguida ele me mostrou a foto no visor de sua câmera e comprovando minha certeza: fiquei medonha mesmo. Ele sorriu, disse obrigado em meu ouvido. Eu sorri também e segui meu caminho.



5 de outubro de 2006

Capítulo 5


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Sobre constatações: passado e presente

only a dancefloorVoltei a dançar e naquelas alturas o meu namorado-que-fingia-estar-terminado-comigo cansara da brincadeira – estranho, mas eu estava bem, já acostumara com ela. E quando ele veio pedir para finalmente agirmos como um casal eu não queria mais. Afinal, por mais que eu soubesse que não poderia cair na esbórnia, (eu tampouco queria), depois de tanto tempo de choramingos e lamentos pelo término do relacionamento anterior (com a pessoa com quem eu ainda queria estar até ali) estava começando a achar a sensação de estar só realmente boa.

Eu não estava acostumada a estar sozinha. Namorei longos cinco anos e lembro com clareza de me ver em alguns momentos pensando se eu realmente queria que aquele relacionamento evoluísse para um casamento – aquilo de ciclo natural das coisas. Essa besteira toda tão necessária para todos. Mas quando tudo acabou fui praticamente pega de surpresa e ficou aquela sensação de uma perda enorme, como se ele fosse insubstituível.

Parênteses: Me vi sem rumo e foi justamente quando apareceu o tal namorado. Ele veio me oferecendo de bandeja tudo o que eu queria: compreensão e amor. Ele sabia dos riscos, eu também. Ele se arriscava a estar com alguém que queria outro e a tentar fazer com que eu conseguisse sentir por ele o mesmo que sentia por mim. Do meu lado eu arriscava a me magoar novamente e, o pior, a magoá-lo também.



4 de outubro de 2006

Capítulo 4


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Cordialidades, tatuagens e nada mais

only a dancefloorEle, o namorado me olhava e vez ou outra percebia que sempre tinha alguém tentando comigo algo mais do que uma simples conversa. E parecia que a partir de então havia começado a repensar a “genial” idéia que tivera. Mesmo assim mantivemos a “farsa”.

Foi em um desses momentos que me chamou para que eu conhecesse o coitado que havia sido presenteado por ele com inúmeras caixas vazias – a não ser por aquele bilhetinho escrito por mim.

Este é ele, Tu. A pessoa que eu tirei no amigo secreto. E olhando para o rapaz: Esta é a Tuka, da Casa da Tuka. Reparem que ele não disse: Esta é minha namorada Tuka, ela escreve o blog Casa da Tuka. Não, não disse.

Parênteses: Eu sorri, o rapaz que não havia ganhado nada também sorriu. Reparei que ele tinha uma tatuagem imensa em um dos braços, achei bonita, disse alguma coisa sobre. Ele notou também uma tatuagem que eu tinha na barriga, fez algum comentário a respeito e essa foi toda a conversa que tivemos.



2 de outubro de 2006

Capítulo 3


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Uma idéia bem idiota e muitos pontos a menos

only a dancefloorLá dentro estavam várias pessoas e tive que fazer a coisa que mais detesto quando estou em um lugar em que eu não quero estar: cumprimentar a todos.

Como se não bastasse, o tal namorado resolveu me dar mais um bom motivo para eu ter certeza absoluta de que não deveria mesmo continuar com ele. Me pediu para fazer parte de uma brincadeirinha que visava apenas causar um impacto nas pessoas que ali estavam: ele queria que continuássemos a nos portar como ex- namorados (duhhhh?). Como assim, cara pálida?

Esqueci de dizer, mas quando cheguei a São Paulo estávamos terminados e o motivo de minha viagem era justamente definir se acabávamos de vez ou não. Como fazíamos parte de uma panelinha blogger, vários souberam do fim do nosso namoro e lamentaram a separação do “casalzinho”. Então o mocinho queria holofotes virados pra ele quando percebessem que reatamos bem ali diante de todos. Realmente algo muito inteligente, não? Quer maneira melhor para convencer alguém a continuar um namoro do que pedir a ela que finja que não namora mais com você?

Parênteses: Ô paciência… Eu achei que a idéia atestava uma imaturidade tremenda, mas como estava sem saco para argumentar, liguei o foda-se e fui para a pista dançar sozinha já que não tinha que ficar ao lado dele. E eu nem estava participando do amigo secreto mesmo.



28 de setembro de 2006

Capítulo 2


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

As tais caixas vazias e um sim contrariado

Pra você que gosta tanto de nada...Antes de sairmos fui escalada para escrever um bilhetinho que seria colocado dentro do presente de quem ele tirara na brincadeira. Era um amigo secreto entre bloggers e o presente deveria ter alguma relação com o nome do blog da pessoa sorteada ou com algum de seus posts. Ele havia tirado uma pessoa de quem eu nunca ouvira falar, de um blog que jamais lera, mas ainda assim achei estranho quando notei que o presente que ele entregaria nada mais era do que um monte de caixas, uma dentro da outra e todas vazias, exceto pelo bilhetinho que eu havia escrito.

No caminho, de carona com uma amiga, nos perdemos. Impossível sair do ABC e chegar a São Paulo sem se perder. Ainda pior parecia ser encontrar o retorno na Nove de Julho para chegar ao lugar. Que merda, eu pensava. Que merda eu estou fazendo aqui? Andamos, viramos, entramos na rua errada, retornamos… Lá pelas tantas, quando finalmente decidimos que voltaríamos para casa, achamos umas almas caridosas que nos ensinaram o caminho. Chegamos lá quase às duas da manhã. Eu, com meu mau humor peculiar ainda mais aflorado, mas naquela altura já conformada, tanto com a festa quanto com o namorado, que durante todo o trajeto me fez uma lavagem cerebral para não deixá-lo. Eu disse ok, vamos ver até onde conseguimos levar.

Parênteses: Ele ficou feliz, eu não. Eu queria estar bem longe dali com outra pessoa. Mas não estava e apenas pensava que seria pelo menos sensato tentar amar aquele que me amava. Ah, essas teorias…



26 de setembro de 2006

Capítulo 1


A partir de agora e em capítulos, vou contar a vocês uma história que há muito tempo tenho vontade de publicar aqui na Casa já que é algo diretamente ligado a este espaço e a mim. É em primeira pessoa, não é ficção (mesmo que possa ou não conter licença poética) e muitos nomes não serão citados apenas para não reabrir feridas.

De Curitiba a São Paulo em seis horas de busão

E então eu estava lá naquele dia 30 de novembro prestes a ter minha vida modificada totalmente, só que ainda não sabia disso. Naquele dia eu havia saído de Curitiba contrariada. Desembarquei em São Paulo para definir o rumo de um namoro com alguém com quem eu não queria estar.

Na verdade, tanto eu quanto ele sabíamos que minha cabeça e meus sentimentos estavam totalmente voltados a uma outra pessoa. Só que, como na Quadrilha de Drummond, essa tal pessoa também não me queria. Portanto quando cheguei a São Paulo para conversar com o namorado, que intencionava me convencer a continuar com ele, minha cabeça estava há quilômetros. Como se não bastasse havia uma tal festa na qual ele se comprometera a comparecer naquela noite – e a última coisa do mundo que eu queria era uma festa.

Parênteses: Na casa dele ainda tentei fazê-lo desistir da idéia de irmos, mas não, ele não pôde. Era só uma droga de um amigo secreto, pensei. Que raios uma pessoa prestes a levar um pé na bunda quer ir fazer em uma festa de amigo secreto? Mas ele queria, portanto fomos.

(Continua)


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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