Tchau e olá
No final da noite voltei pra casa do meu então namorado e aquele namoro iria durar até o dia seguinte quando eu voltaria a Curitiba. Na despedida nada foi encerrado, mas no fundo eu sabia que aquela seria a última vez que o veria como meu namorado (chato isso de não citar nomes, tenho que ficar repetindo a palavra namorado). Nos falamos ao telefone nos dias que se passaram, mas eu estava realmente me preparando para ter coragem de dizer o adeus definitivo.
Foi então, nove dias depois de minha estada em São Paulo, que uma amiga começou a me contar pelo msn algo que aconteceu naquela noite. O moço que o seu namorado tirou no amigo secreto ficou encantado por você, mas eu já disse que você é comprometida. Ele é um safado, quer todo mundo que não pode ter, tem até namorada e ela estava lá. Já falei pra ele que sua atual situação é complicada já que você ainda tem esperanças de voltar com o seu ex dos cinco anos de namoro.
Chega a hora de contar o motivo das caixas vazias. O blog do rapaz se chamava Sobre o Nada. Por isso o dito cujo achou que seria engraçado presenteá-lo com vento. O que eu escrevi no bilhetinho: “Já que você gosta tanto de nada, pra você: nada”. Que maldade, não?
Parênteses: Antes disso, eu e o moço havíamos trocado uns comentários nos blogs um do outro. O atrevido veio corrigir a grafia de seu nome. Eu havia escrito errado no post que contava da tal festa blogger do dia 30 de novembro. Mas a correção que ele me fez não foi delicada, foi brusca. (não adianta procurarem nos arquivos os tais comentários, pois como mudei a Casa para domínio próprio eles não existem aqui – agora vamos em uníssono: ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!)
Mas voltando à festa e às minhas constatações de que algo começava a mudar dentro de mim. Pelo menos eu sentia que a imagem intocável do namorado dos cinco anos começava a ofuscar. Ele não era, afinal, tudo o que eu sempre quisera em um homem, aliás, nem de longe, eu sempre soubera disso, só não lembrava.
Voltei a dançar e naquelas alturas o meu namorado-que-fingia-estar-terminado-comigo cansara da brincadeira – estranho, mas eu estava bem, já acostumara com ela. E quando ele veio pedir para finalmente agirmos como um casal eu não queria mais. Afinal, por mais que eu soubesse que não poderia cair na esbórnia, (eu tampouco queria), depois de tanto tempo de choramingos e lamentos pelo término do relacionamento anterior (com a pessoa com quem eu ainda queria estar até ali) estava começando a achar a sensação de estar só realmente boa.
Ele, o namorado me olhava e vez ou outra percebia que sempre tinha alguém tentando comigo algo mais do que uma simples conversa. E parecia que a partir de então havia começado a repensar a “genial” idéia que tivera. Mesmo assim mantivemos a “farsa”.
Lá dentro estavam várias pessoas e tive que fazer a coisa que mais detesto quando estou em um lugar em que eu não quero estar: cumprimentar a todos.
Antes de sairmos fui escalada para escrever um bilhetinho que seria colocado dentro do presente de quem ele tirara na brincadeira. Era um amigo secreto entre bloggers e o presente deveria ter alguma relação com o nome do blog da pessoa sorteada ou com algum de seus posts. Ele havia tirado uma pessoa de quem eu nunca ouvira falar, de um blog que jamais lera, mas ainda assim achei estranho quando notei que o presente que ele entregaria nada mais era do que um monte de caixas, uma dentro da outra e todas vazias, exceto pelo bilhetinho que eu havia escrito.
E então eu estava lá naquele dia 30 de novembro prestes a ter minha vida modificada totalmente, só que ainda não sabia disso. Naquele dia eu havia saído de Curitiba contrariada. Desembarquei em São Paulo para definir o rumo de um namoro com alguém com quem eu não queria estar.






