Arquivo da Categoria ‘A história’



6 de abril de 2010

Um novo capítulo


Eu, meu marido, Gato Lolô e Nina, nos mudamos no dia 20 de março após sete felizes anos vivendo num apartamento charmoso, porém minúsculo, no delicioso bairro da Bela Vista em São Paulo.

Fomos para perto. A cerca de uns 50 metros para a esquerda, no mesmo lado da calçada, fica nossa nova morada.

Fizemos a mudança com a colaboração de dois homens que carregaram nossas coisas em carrinhos de transporte já que não valia a pena um carreto para tão perto. Impressionante como de um espaço tão diminuto, saíram quase 30 caixas de papelão abarrotadas de coisas. E isso porque nos livramos de roupas que já não usávamos, sapatos surrados, papeladas – inutilidades variadas que as pessoas acumulam com o passar dos anos.

San acompanhava os homens a cada “viagem”, enquanto eu seguia enfiando nossas vidas naquelas caixas de mudança. E lá se foi caixa após caixa, eletrodomésticos, badulaques… No chão muita sujeira e apenas vestígios da vida que ali vivemos.

Quando enfim acabou, pegamos os gatos, os colocamos numa enorme caixa de transporte. Eu bati a porta à nossa frente, San a trancou e andamos de mãos dadas até o elevador. Olhei para trás e veio uma sensação inexplicável, que eu jamais poderia prever até aquele momento. Caí em lágrimas. Ali ficaram sete anos de muita felicidade, compreensão, amizade… San me abraçou, sorriu, limpou minhas lágrimas e disse: “A parte mais importante desta mudança está indo agora”.

Entramos toda família naquele elevador do 13º andar pela última vez e fomos ali, para 50 metros de distância à esquerda. Chegando ao prédio, apertamos o 13º no elevador (mantivemos a rua e também o andar do antigo endereço) e entramos em nosso apartamento novo. Prontos para continuar a história: eu, San, Gato Lolô, Nina e quem mais chegar…



12 de junho de 2007

Bodas de flores


Ontem eu e meu marido comemoramos quatro anos de casados. E é natural que eu sorria quietinha toda vez que me lembro do dia em que cheguei para ficar.

Ele me carregou em seus braços porta adentro naquela noite gelada que iniciava em 11 de junho de 2003. Nossas coisas espalhadas por todos os cantos da casa, acrescentavam à bagunça de tudo o que devia estar se passando em sua cabeça e de tudo o que vagava pela minha. Pra onde é que minha vida iria caminhar dali em diante? Eu não tinha a menor idéia.

E então lá se foram dias e dias em que sem percebermos, fomos nos tornando cúmplices, companheiros, videntes, irmãos mais velhos, amantes latinos, pai e mãe, melhores amigos, confidentes… Fomos nos tornando qualquer coisa que o outro pudesse precisar em algum determinado momento e quando menos nos demos conta, já éramos mais do que marido e mulher, éramos tudo, éramos o suficiente.

Já se passaram quatro anos e eu posso responder sem balbuciar como visualizo os próximos anos de minha vida. Eu realmente quero estar ao lado desse homem maravilhoso e fazer ao lado dele tudo mais o que seja possível para que sejamos mais e mais felizes.

***

Obrigada pelos melhores 1460 dias de todos, amor.



27 de outubro de 2006

Capítulo 15 – Gran Finale


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

E que seja eterno

enquanto durar

Foto de um dos primeiros beijosDaí, como naqueles enredos bobos e previsíveis em que vemos uma série de mal entendidos que acontecem para separar os mocinhos, ele começou suas explicações. Não, ele jamais tivera outra intenção desde o dia em que nos falamos ao telefone a não ser ficar comigo. Não, ele não estava protelando o término do namoro. Não, ele não mentira quando falou sobre o amor à primeira vista. E que naquele dia em que eu havia ligado ele não pôde falar, pois a então namorada estava ali ao lado dele – durante dias esperou que eu ligasse e quando isso aconteceu, ela estava ali.

Por último me informou que era também um homem livre e perguntou se eu toparia ficar ao lado dele pelo resto de nossos dias. Eu ri, e embora tivesse mesmo achado engraçado, foi a coisa mais linda que alguém me dissera. Respondi que não tínhamos nada a perder e poderíamos tentar.

Apêndice: Cinco dias depois demos nosso primeiro beijo. Seis dias depois do primeiro beijo, fizemos amor pela primeira vez. Dois meses depois do nosso primeiro amor, passamos um mês inteiro viajando juntos de férias. Quatro meses depois da viagem, fomos morar juntos. Seis meses depois de juntar as escovas de dentes, dissemos sim na frente de um juiz caduco que usava peruca e casamos oficialmente (esta parte com o juiz maluco rende um post bem engraçado).

Nesses tantos meses que passaram, lá se vão vários anos de vida compartilhada. E juntos superamos dificuldades, aprendemos com erros e acertos e temos certeza cada dia mais de que quando se ama de verdade quase nada é sacrifício. Que nem todo dia seremos tão encantadores, mas o encanto não acaba. Que nem sempre estaremos tão felizes, mas a felicidade é sempre o maior objetivo. E que Pessoa tinha mesmo razão quando disse que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

***
Fim
Novos capítulos sendo vividos a cada segundo…


25 de outubro de 2006

Capítulo 14 – o penúltimo


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Certas coisas só acontecem comigo?

Again?Ah! Quer saber de uma coisa? Que se dane tudo! Era exatamente o que pensava. Eu é que não iria ficar choramingando por um babaca que acabara de conhecer. Era realmente só o que me faltava. Desapaixonaria tão rapidamente quando apaixonei – era o que ficava me repetindo como um mantra.

Foi então que voltei a Curitiba no dia seguinte à conversa pra lá de lacônica que tivemos.

Cheguei carregando minhas malas e pensamentos de que definitivamente a maré não estava pra peixe em meu marzinho conturbado.

Parênteses: Nem bem colocara os pés em casa quando o telefone tocou. Era exatamente o moço-que-disse-ter-me-amado-ao-primeiro-olhar-e-logo-depois-me-jogou-um-balde-de-água-fria, que me ligava de São Paulo. Que belo romance eu tinha encontrado, não?



22 de outubro de 2006

Capítulo 13


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Tudo por água a baixo?

Alô – ele disse. Oi, tudo bem? – eu disse. Sim – ele respondeu.

Mas alguma coisa estava diferente, a voz não era a mesma, definitivamente não.

O que foi? Parece que tudo mudou desde a última vez que nos falamos – desabafei. É – ele rebateu.

Lembro que olhei para meu sobrinho ali a meu lado e balancei negativamente a cabeça. Claro que com que a ingenuidade de seus quatro aninhos, ele não me entendeu.

Do outro lado da linha ele perguntou onde eu estava. Eu respondi. Em seguida o silêncio. Silêncio demais.

Desliguei.

Parênteses: O que foi, tia? Nada, meu amorzinho.



20 de outubro de 2006

Capítulo 12


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Reflexões e muitas perguntas sem resposta

Naquela praia, em companhia do meu sobrinho de então quatro anos, tive as maiores e, no entanto, mais sensatas divagações a respeito de minhas mazelas. Que besteirada esse negócio de amor que acaba e nos consome. Quanta lágrima desperdiçada enquanto pensamos que a última chance de ser feliz se esvaiu por entre nossos dedos…
Sempre havia um começo, um fim, e um recomeço. Naquele instante, eu estava exatamente em um limiar dessas três situações, mesmo que ainda não soubesse disso.

***
Três dias depois fui até um telefone público e liguei. A meu lado meu sobrinho, que segurava minha mão para me dar coragem.

Parênteses: Será que ele havia decidido? Será que tudo aquilo que conversamos fora realmente verdade? Poderia ser apenas desespero de causa? Duas pessoas buscando alucinadamente algum sentido para suas vidas?



19 de outubro de 2006

Capítulo 11


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

A fuga

Continuamos a conversar e posso garantir que esses dias pareceram meses devido a tudo que aconteceu. Entre tantas coisas de natureza bastante distintas estavam incluídos, de um lado, o meu ex inconformado, e de outro, a namorada do moço que parecia perceber que havia algo estranho no ar. O namoro dos dois nunca foi o que ele gostaria, sempre foi claro que o amor pendia apenas de um lado da balança e era apenas no que dizia respeito ao sentimento dela por ele. Ele não a amava.

Entre nós foi tudo realmente muito rápido, acho que vale relembrar para que não percam as contas: do dia em que nos conhecemos até o momento em que conversamos pela primeira vez se passaram nove dias. Neste mesmo me apaixonei e no seguinte terminei o namoro.

Estávamos no dia 13 de dezembro (três após eu ter dito a ele que estava livre) quando resolvi levantar o time de campo e viajar. Tudo estava uma confusão. Eu o entendia: eu terminei um namoro por telefone, ele teria que fazer isso ali olhando pra cara da menina que o amava. Não era algo tão simples assim.

Parênteses: Eu não tinha dito em nenhum momento nada que o influenciasse na decisão que viria a tomar. Se quisesse terminar seria ótimo, eu ficaria realmente feliz, mas se não quisesse, eu entenderia. E foi exatamente por isso que fiz minhas malas e viajei. Não levei celular e nem o avisei da viagem.



16 de outubro de 2006

Capítulo 10


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Ansiedade à flor da pele

Algumas horas mais tarde, depois da longa e assustadora (sim eu estava assustada) conversa por telefone terminei o namoro (também por telefone) com o moço do começo desta história. Se eu fui canalha com o namorado terminando assim? Talvez, mas só quem sabe de toda história sou eu. Portanto, se você aí desse lado está pensando na possibilidade de julgar o que fiz quero que saiba que pouco me interessa e “vatecatá” antes que eu me esqueça.

Enfim, eu não tinha certeza de nada do que aconteceria a seguir, pois nem eu e nem o moço-que-disse-ter-me-amado-ao-primeiro-olhar havíamos feito nenhum tipo de promessa. Eu polianamente pensava que se nada acontecesse entre nós, aquilo tudo já tinha me servido para coisas no mínimo muito importantes. Eu não mais estava namorando alguém a quem não amava e tinha me tocado que o cara-dos-cinco-anos não merecia que eu desmoronasse por ele, eu estava enfim, decidida a superar e seguir minha vida. Fosse com moço-que-disse-ter-me-amado-ao-primeiro-olhar, fosse sozinha.

Parênteses: Dei a notícia de que havia terminado o namoro a ele então. Ele pareceu feliz, mas não o suficiente para que eu tivesse certeza de que ele faria o mesmo e ficaríamos juntos. Não me importei, até mesmo porque só uma louca faria qualquer tipo de pressão naquela situação. Já era uma história inusitada demais.



13 de outubro de 2006

Capítulo 9


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Amor à primeira vista em tempos modernos? Ou a maneira como o feitiço vira contra o feiticeiro. Ou quem ri por último no caso Chapolin…

Desliguei o telefone totalmente apaixonada. Verdade. E parecia mentira o que acabara de acontecer, como até hoje parece, e tanto pensar como falar sobre isso assim desta forma soava naquele momento tão surreal, mas realmente desliguei o telefone totalmente apaixonada. Óbvio que não faz sentido escrever aqui o que foi dito entre nós e não o farei, mas confiem em mim quando eu digo que aquilo que aconteceu é coisa de uma vez apenas na vida – e olhe lá.

E se eu já estava encrencada namorando um moço que eu não queria e com esperanças de voltar para um ex, consegui piorar: agora eu tinha me apaixonado por uma pessoa que tinha namorada. Viva eu!

O bom é que minha paixão era recíproca – aliás, para ele, segundo o próprio, fora um caso de amor à primeira vista: Te amei, desde o momento em que te vi e foi muito antes do tonto do seu namorado me apresentar você como uma amiga qualquer. E quando ele disse isso caí na risada. E não pela frase toda, apenas por causa do “amor à primeira vista” que até aquele instante achava que existia apenas em filmes.

Chapolin de cu é rola, minha filha!Parênteses: Por falar em algo engraçado, ou ao menos curioso, foi a maneira como ele descreveu o instante em que me avistara naquela festa. Estava com a namorada quando ela o cutucou para olhar para uma figura sentada no saguão do hotel. A figura era eu. Segundo ele, as palavras dela foram algo como: olha lá aquela menina esquisita com um a roupa que parece a do Chapolin! E deu risada. Só que ela não notou que ele nunca mais deixou de me olhar. Sem querer ela foi a respoChega de foto minha aqui que já está parecendo o blog da Anucha - rsnsável por tudo. Isso foi ele quem disse também.

Parênteses de novo: Eu estava vestida com uma blusa vermelha até bem bonitinha (essa aí da foto), nada tinha a ver com a roupa daquele ridículo personagem mexicano. Também usava uma mini saia preta e nos cabelos tinha umas fivelas de florzinhas. Estava magra demais, com olheiras demais e minha cara era a de “falta-muito-papai-smurf?”. Tá, admito que não estava lá muito linda (confirmem com a foto ao lado), mas daí a ser motivo de risada, não né? Guria, idiota, ô!



11 de outubro de 2006

Capítulo 8


(Se quiser entender você precisará começar pelo capítulo 1)

Provocou? Agora agüenta! ICQ ou MSN?

Oh OhNão sei bem o porquê, mas achei o fato do rapaz estar interessado em mim engraçado. Incrível como certas coisas acontecem em nossas vidas nos piores momentos. Exatamente em momentos como esse em que muitas vezes deixamos escapar algo ou alguém que nos faria extremamente feliz por conta de uma descrença momentânea.

E minha amiga começou a intermediar: ele me pediu seu número de icq. Eu não tenho icq, só msn. Ele disse que msn é uma bosta. Pois eu só tenho msn, que coisa! Ele falou pra você instalar o icq. Não vou instalar icq nenhum! Ele disse que vai instalar o msn, mas perguntou se enquanto isso você poderia instalar o icq.

Instalei.

Em seguida fui até o blog do rapaz e deixei o número do bendito icq no último post. E, ironias à parte, era exatamente um texto no qual ele dizia que acabara de completar nove meses de namoro e que entre todas as suas resoluções de ano novo estava a meta de não brigar mais com a namorada – blurrp. E não tinha a menor idéia do motivo de ter feito aquilo – de ter instalado a droga do icq e de ainda ter ido comunicar – afinal o que eu falaria com ele?

Parênteses: Alguns segundos depois ouço aquele barulhinho característico do obsoleto icq me avisando que alguém me adicionara. Era ele. Aquela conversa começou às 18h00 e terminou às 6h00 do dia seguinte (depois de mais ou menos umas seis horas ali ele acabou me ligando).


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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