A Idade ‘Mídia’: a mais perigosa era das trevas

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Se você achava que a idade média havia ficado em um passado remoto, pense novamente. Um dos períodos mais tristes da história da humanidade, quando a inquisição torturava e matava pessoas acusadas de bruxaria, parece estar de volta com força total.

Mas a idade média que vivemos agora possui um aliado perigoso que pode matar mais facilmente que as fogueiras de antigamente: a mídia. Com um universo inteiro de informações chegando às pessoas a cada segundo através de um simples clique, são poucos aqueles que possuem capacidade de refletir sobre o que leem ou assistem. Infelizmente, a maioria acha mais fácil absorver a informação que chega mastigada do que analisá-la e criar sua própria opinião.

Por esse motivo, a mídia que teria responsabilidade de informar de maneira imparcial e responsável, tem feito muitas vezes um desserviço à sociedade. Ou você acha natural que uma âncora de telejornal incentive a justiça com as próprias mãos? Aliás, você acha normal fazer justiça com a próprias mãos? Se sua reposta for sim, saiba que você (ou alguém que você ama) também não está livre de cair nas garras de justiceiros incautos, mesmo sem ter feito absolutamente nada.

Veja o exemplo do que acaba de acontecer no Guarujá com Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, mãe de duas filhas, de 12 e 1 ano. Ela estava seguindo sua vida normalmente e não fazia ideia de que denúncias feitas por uma página no Facebook (Guarujá Alerta) encerrariam sua vida de maneira trágica. Um retrato falado de uma mulher acusada de sequestrar crianças para rituais de magia negra foi publicado na página e populares revoltados decidiram que aquela pessoa se tratava da dona de casa. Ela foi espancada até a morte sem nenhum direito a defesa.

Se um simples boato gerado por uma página no Facebook (sem nenhuma relevância e poucos seguidores) conseguiu ser responsável por uma barbaridade deste tamanho, o que podemos esperar de absurdos incentivados por veículos que possuem real abrangência?

Se essas pessoas tivessem capacidade de raciocinar diante das informações que recebem, teriam chamado a polícia e em pouco tempo teriam descoberto que tudo aquilo não passou de um terrível engano. Mas por preferirem fazer justiça com as próprias mãos como selvagens raivosos, hoje duas crianças estão sem a mãe.

Esta não é uma realidade que acontece somente na periferia. Gostaria de compartilhar com vocês um fato que também poderia ter terminado mal. Em plena avenida Paulista, um amigo que acabara de parar com sua moto no sinal vermelho presenciou uma senhora cair enquanto atravessava a rua. Ele não pensou duas vezes e foi ajudá-la a se levantar. No entanto, pessoas que não viram o que aconteceu e apenas presenciaram a cena da senhora caída no chão com meu amigo diante dela, deduziram que ali acabara de acontecer um atropelamento e partiram pra cima dele. Ela começou a gritar e dizer que ele só estava ajudando, mas até que a ouvissem, ele já havia levados socos e pontapés e ficou muito machucado. Poderia ter sido pior, bem pior por conta de adeptos da justiça (oi?) com as próprias mãos.

Você realmente quer viver num mundo assim? Reflita! Mas, por favor: reflita mesmo!

Update: Vejam o que o sensato Ricardo Boechat, âncora do Jornal da Band, falou a respeito da responsabilidade da mídia em atrocidades como esta: