Arquivo de fevereiro de 2009



19 de fevereiro de 2009

Seguindo para casa


Um rato de laboratório acostuma em seu labirinto e, seguindo sempre pelo mesmo caminho, consegue chegar onde deseja. Eu sou exatamente assim. Quando se trata de dirigir em São Paulo e chegar sã e salva aos lugares aos quais preciso – que são basicamente meu trabalho e minha casa – eu sigo segura por ruas e avenidas que conheço. No máximo me arrisco fazendo uma curva aqui e outra acolá, mas a essência do trajeto é a mesma.

Se alguém me ensina um caminho novo, fico feliz, mas até que eu me acostume totalmente a ele, sigo cautelosa. Ontem eu achei que já dominava o caminho que aprendi recentemente com um colega do trabalho. E quando pensei ter avistado minha saída me embrenhei numa subida. Imediatamente me dei conta que fizera cagada, mas já era tarde demais. No trânsito de São Paulo nada é simples e se você errou uma saída, SE FODEU. Quase nunca se pode simplesmente dar uma volta na quadra e chegar onde se estava antes. Nesta cidade existem pontes, vielas, terceiras dimensões e tudo isso faz com que você vá parar em qualquer lugar imaginável, menos onde deseja. Mais fácil chegar na Terra do Nunca, pode acreditar.

Mas voltando: peguei a saída errada e fui parar no meio do nada. Rima, mas não é poesia. Ontem, o caminho que eu deveria ter feito em apenas 40 minutos me rendeu duas horas de ódio, de San gritando comigo pelo celular, de medo de acabar me enfiando em uma biboca e ser estuprada, assaltada, esquartejada viva e ateada fogo.

O pior de tudo isso foi que depois de tentar usar o marido como guia à distância e de ter entrado em milhões de ruas erradas, eu tive uma idéia “brilhante”! Pedi informações para policiais numa viatura e percebi da pior maneira possível que NUNCA se deve pedir informações para policiais. “Moços, como é que eu chego na Paulista, peloamordeDeus?”. O homem do banco do passageiro disse para eu segui-lo que me guiariam até lá. Eu fui. Em um dado momento a viatura pára e dá sinal pra eu encostar. Um deles diz: “Moça entra aqui nesta rua que a gente vai te explicar como é que você chega lá.”. Eu olho pra rua: uma vielinha escura no meio do nada. Olho para os policiais: Cinco brutamontes com cara de malvados. Penso: “Eu não quero chegar ao inferno, quero ir pra Paulistaaaaaaaaa” – mas respondo: “Ah não vou entrar na ruazinha não, me expliquem daí mesmo, poxa” - e faço cara de choro. Eles se olharam e resmungando disseram: “A gente te leva até a Rua do Paraíso e de lá é fácil você chegar”. E assim foi.

Cheguei em casa sã, salva e xexelenta, mas zero policiais me espancaram, zero policiais me estupraram, zero policiais plantaram drólgas em meu carro, zero bandidos me assaltaram e zero assassinos me atearam fogo e me esquartejaram (ou o contrário).

Quando cheguei em casa a primeira coisa que fiz foi comprar um GPS (Gataam Pode Seguir). Chega amanhã e até lá tentarei não me perder, prometo.



5 de fevereiro de 2009

Vaaaaaaaaca gooooooooooorda!


Dirigir em São Paulo é sempre uma grande aventura. Geralmente quem vem de outra cidade ou quem não tem experiência em direção fica apavorado diante da possibilidade de assumir um volante por aqui. Já vi gente ter crise de choro, dor de barriga, suadeira, tremeliques… Eu por exemplo tinha palpitação quando precisava mudar de uma faixa pra outra ou avistava uma ladeira. Hoje em dia tiro toda e qualquer situação de letra, mas demorou para chegar a este ponto.

Só que ontem, quando eu estava vindo para o trabalho no caminho de todo dia, uma mulher me fecha, bate no meu carro e se enfia na minha pista. Ela sequer deu um sinalzinho de desculpas quanto mais menção de parar para ver a merda que tinha feito. Fiquei brava.

Quando o sinal fechou desci e fui lá: “Escuta, moça. Você não viu o que fez não?”. E ela, de dentro do carro com os vidros fechados fazia sinal de que eu estava louca. “Louca? Você me fecha, bate no meu carro e eu que sou louca? Anotei sua placa, ouviu? Você vai pagar esta merda! Sua vaca, gorda!”. Sim leitores, perdi a compostura e a chamei de vaca gorda. Na verdade eu a xinguei com gosto. Eu disse vaaaca gooooooooooooooooorda e não simplesmente vaca-gorda. E espero muitíssimo que ela tenha ficado deprimida, esteja comendo feito louca para compensar a ofensa e que engorde mais uma tonelada em uns 15 dias. Vagabunda dos infernos.

No final das contas o estrago nem foi tanto, mas só por desaforo a farei colocar a mão no bolso. E para compartilhar meu ódziiiuuum com todos vocês, eis a placa da gorda: DKT 7367 São Paulo – é um Fiesta cinza (comprado na Aquitaine). O primeiro que descobrir de quem é o carro ganha uma menção honrosa aqui na Casa.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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