Arquivo de 2008



21 de julho de 2008

Final de semana muito louco da pesada!


Ou: A arte de transformar as desgraças em títulos ridículos dos filmes da sessão da tarde

Meu fim de semana foi divino. Na sexta-feira eu e o marido-lindom matamos o trabalho e fomos para nossa casa no litoral norte de São Paulo. Chegando lá nosso caseiro já nos esperava com flores frescas e sua mulher finalizava um magnífico almoço. De tarde fizemos sexo alucinante por umas duas horas e mais tarde fomos caminhar à beira mar. De noite jantamos com amigos e depois dormimos abraçadinhos. Foi maravilhoso.

Pause – Rewind – Stop – Play:

Sexta feira estava eu no trabalho quando o marido ligou dizendo que avisaram sobre nossa casa de praia ter sido roubada. Saí correndo feito uma desgraçada, já em casa coloquei uma muda de roupa na mala e pegamos a estrada.

Ao chegarmos confirmamos que os filhos-duma-quenga entraram da seguinte forma, reconstituam comigo, leitores: estouraram a porta de um quartinho de tranqueira que não era lá aquela coooooooisa de reforçada. Este quartinho de tranqueira tem uma janela que dá para um quarto. Este quarto tem grade. Os filho-duma-quenga serraram uma barra desta grade e entraram. Fiquei admirada com a magreza dos meliantes. Admirada não é bem a palavra, fiquei com inveja mesmo. Mas voltando: entraram no quarto que estava com a porta trancada, retiraram os parafusos da dobradiça e entraram. Como todos os cômodos da casa estavam trancados, ficaram apenas com a sala e a cozinha para fazerem a subtração de objetos. Nunca levei numa boa este termo policial. Subtração… Transforma roubo em algo tão culto que me irrita. Subtração de cu é rôuuula!

Mas então: roubaram um acordeom do pai do San (sim, acreditem, um acordeom) obrigada, ladrões, fazia tempo que eu queria me livrar daquela coisa, um som velho, talheres coloridinhos (sim, acreditem, talheres), caixa de ferramentas, peças do fogão (sim, acreditem, peças do fogão), uma Smirnoff fechada que estava na geladeira, todas as panelas da casa – mas uma vez, obrigada, uma caixa de ferramentas e enfeitinhos mimosos que eu gostava (sim, acreditem, enfeitinhos mimosos): um móbile de espelhos que estava pendurado no teto da sala parecido com esse (mas de outra cor), um São Jorge vermelho, um quadrinho de cozinha em miniatura que ficava ao lado da pia. E, por último mas não menos importante, adivinhem o que mais os fubangos roubaram???? Um doce para quem disse a fiação elétrica da casa! Sim, acreditem, de novo!

Não levaram a TV, nem o microondas, nem a geladeira, nem o fogão, nem o botijão de gás, pois nada disso passava pelo espaço da barra da grade que eles serraram, e, fora um relógio que eles quebram que ficava pendurado na cozinha, devo admitir que os meliantes foram beeeeeeeeeem cuidadosos. Meu espelho que fica no corredor em cima da caixa de força foi delicadamente retirado e colocado no chão. Um remo que fica pendurado na sala foi delicadamente colocado em cima de uma caixinha de revistas para que não se esquecessem de levar – nhéeeeeeeeee, esqueceram, “seus otário!”, no chão não havia uma sujeirinha e meu sofá permaneceu intacto. Puta de uns ‘ladrão’ camarada, meeeeu!

Leitores, o que gastamos com essa viagem nos proporcionaria um final de semana luxuosíssimo em qualquer super hotel do país. Contabilizem os gastos comigo: encher o tanque com gasolina = 71,00, lâmpadas + fita isolante + cabos duflex 10 = 299,15, cabos duflex 2,5 + cabos duflex 4,5 = 162,80, cadeados + fita veda rosca + plug rosca + torneira = 23,20, cadeado 35mm + trava de segurança = 42,60, pregos + martelo + peças diversas = 21,00, serralheiro = 500,00, eletricista = 430,00, e mais cerca de 100,00 que eu tinha em dinheiro que voaram da minha carteira e eu nem lembro no que gastei. TOTAL = R$1649,75.

Tirando isso, como dizem que desgraça pouca é sempre bobagem, levei DUAS picadas de uns borrachudos do caceteeem e meu calcanhar esquerdo ficou tão zégzy quanto o de um elefante. A prova está aí na foto. O mais engraçado é que tenho uma tatuagem justamente neste pé que significa “sorte”. Sacaram? Mas vejam bem: no final de tudo achei uma moeda de cinqüenta centavos em frente da casa de praia. Isso é sorte ou não é? Os bandidinhos devem ter deixado cair – nhéeeeeeee, seu otário!



20 de julho de 2008

Rapidinhas: Enfim o fim de Dercy


Enfim Dercy Gonçalves foi dessa pra melhor. Eu acho que a mulher já estava fazendo hora extra há muito tempo. 103 anos são muita coisa (oficialmente ela tinha 101, mas foi registrada aos 2 anos).

Como o melhor que a comediante fez durante seus longos anos de vida foi barraco, seu velório não poderia passar ileso. Um fã tentou fazer um discurso, mas foi impedido. Então empurrou a chefe de segurança, Cristina Vilhena, e foi retirado do local. Apesar de ser um senhor de idade e não aparentar resistência, o acusado foi jogado no chão e retirado do local com um golpe de “gravata”.

Dercy deve ter se regozijado no caixão de felicidade.



17 de julho de 2008

Rapidinhas: o ator e o banqueiro


Acho que a única coisa de interessante que essa tal operação Satiagraha fez foi o fuá com o ator da Globo. Devido ao fato do ator possuir o mesmo nome do banqueiro Daniel Dantas, o jornal italiano “La Stampa” publicou fotos suas como sendo o antigo dono do Opportunity. O ator disse que processará a publicação.

Outro desavisado que publicou fotos do ator globento no lugar das do banqueiro foi o jornal baiano Diário do Sul, mas esses coitados ele não vai processar, não.

Mas sei lá, leitores. Eu, se fosse o ator ficaria feliz, garanto que assim como eu, a maioria das pessoas também não fazia idéia do nome dele antes desse bafafá todo.

Dani querido, aproveita pra aumentar o cachê! Quem sabe agora você vira protagonista, ou melhor, é contratado pela Record e faz papel de um mutante.



23 de junho de 2008

A arte imita a vida


Ellen Page e Catherine KeenerSe você conseguiu assistir Juno e não se apaixonar pela atriz Ellen Page terá mais uma oportunidade. Em Um Crime Americano (que é anterior a Juno) a atriz de 21 anos faz o papel de Sylvia e atua tão bem quanto a incrível Catherine Keener que interpreta Gertrude Baniszewski, a Gertie. Mas tirando o elenco e o fato da protagonista do filme possuir meu nome: Silvia Maria, (Sylvia Marie mais precisamente), os primeiros minutos de Um Crime Americano não me empolgaram.

Acontece que num estalar de dedos a trama água com açúcar que eu havia imaginado se transformou totalmente. Pausei o filme assustada. Mas não pensem que me intimidei devido a cenas tenebrosas dos típicos filmes de assombrações ou com as bizarrices ridículas que os americanos tanto adoram (vide Jogos Mortais e afins), não. Um Crime Americano não possui nenhuma dessas coisas e talvez tenha sido isso mesmo o que tenha me causado tanto incômodo. É sempre assim toda vez que nos damos conta de que um ser humano pode ser muito mais cruel e insano do que qualquer vilão de mentirinha.

As verdadeiras Sylvia e GertrudeNo Google descobri que o filme foi baseado em uma história REAL que chocou os Estados Unidos e o mundo em 1965. A trama recria a triste história de Sylvia Likens (Ellen Page), de 16 anos. Filha de funcionários de um circo itinerante, Sylvia e a irmã caçula, Jenny, foram deixadas aos cuidados de Gertrude Baniszewski (Catherine Keener), uma viúva mãe de 7 filhos, enquanto os pais viajavam a trabalho.

O casal Likens foi apresentado a Gertrude pelas filhas (que a conheceram na igreja) e prontamente confiaram na mulher de aparência pacata e gentil. Mal sabiam o inferno em que estavam colocando suas meninas. Após contar a Gertie que Paula, sua filha mais velha, estava grávida de um homem casado, todas as frustrações da mulher começam a ser descontadas em Sylvia. Os castigos ficam cada vez mais rígidos até que resolve trancá-la de vez no porão da casa onde a menina acaba sendo morta.

Terminei de assistir ao filme incrédula de que uma história como aquela pudesse ter acontecido realmente e ainda com a conivência e omissão de tantas pessoas que sabiam o que acontecia no porão daquela casa em Indiana. Cheguei a pensar que o diretor pudesse ter exagerado em algumas cenas com o intuito de deixar a história mais interessante e então li que Tommy O’Haver AMENIZOU e muito tudo o que aconteceu com a garota.

Se vocês estiverem achando que eu contei o filme todo e, portanto, não vale mais a pena assistir, se enganam. O filme é bem mais complexo do que tudo que escrevi neste post. Fora isso, Page e Keener interpretam tão bem seus papéis que qualquer pessoa que goste de cinema se deliciaria com suas atuações. Mas já aviso que é preciso um tanto de estômago e sangue frio.

Abaixo o trailer:




4 de junho de 2008

Uma Ziiiiiiiiiiica danada


Há pouco mais um mês, eu e San estávamos serelepes e esfomeados saindo da garagem do nosso prédio indo em direção ao Mac Rombalds tomar café, quando uma bee bem louca, gatchinham e distraída que vinha atrás (ui!), também saindo da garagem do prédio, acertou nossa traseira. Depois de muita conversa em que ela insistia que a culpa havia sido nossa (ah vá, bee), ela resolveu pagar.

Duas semanas depois estacionamos o carro em pleno meio-dia por 30 minutos numa rua bem movimentada. Quando voltamos, haviam estourado nosso vidro e roubado a porra-do-rádio-com-mp3-e-entrada-auxiliar-com-controle-remote-super-caro-e-bacaninha. Bando de filho da puta, leitores. Foi assim que resolvi nunca mais investir em nenhum rádio para carro, muito menos em uma porra-de-rádio-com-mp3-entrada-auxiliar-com-controle-remote-super-caro-e-bacaninha
-prum-flho-da-puta-qualquer-roubar e me mantive firme e resoluta, no silêncio absoluto, deprimente e assustador – Aiim, Tukaaam, pára de ser loucaaam!

Acontece que dirigir nessa cidade do capeta e ficar parado no trânsito mais tempo do que em casa ao lado da família, é dose. Ficar parado no trânsito num silêncio fúnebre é pior. Mas nada se compara a ter que ficar parado no trânsito sem rádio e ser obrigado a ouvir a merda da música cafona que essa gente tosca que dirige do nosso lado, gosta. Descobri uns forrós, uns funks e umas músicas-gritinho (sacam estilo Wanessa Camargo/Mariah Carey?) que eu jamais saberia que existiam se não fosse esse bando-de-motorista-cafona-cujo-rádio-nenhum-filho-da-puta-rouba que anda por aí.

Então percebi que estava ficando maluca quando comecei a desejar com todas as minhas forças que um tsunami passasse por ali e matasse a todos – TO-DOS! Menos eu, que não tinha rádio algum, poxa. Imaginem um tsunami do Rio Pinheiros, do Rio Tietê… Seria lindo.

Antes que eu arrumasse encrenca na rua por causa do gosto musical duvidoso desse-bando-de-motorista-cafona-cujo-rádio-nenhum-filho-da-puta-rouba, comprei outro rádio. Depois de procurar em dezenas de lojas acabei encontrando:

- Oi moço, estou procurando um rádio furréca bem baratinho pra colocar no meu carro.
- Tem um aqui com entrada auxiliar, USB e…
- Não, moço! Quero um rádio furréca, eu já tive uma porra-de-rádio-com-mp3-entrada-auxiliar-com-controle-remoto-super-caro-e-bacaninha-mas-
um-filho-da-puta-veio-e-roubou.
- Hum. Que pena, moça. Tem um aqui de cem conto, pode ser?
- Tem mais barato, não?
- Tem não.
- Tá. Pode ser então.

Foi assim que comprei um rádio furréca. Até que é bonitinho, acende umas luzinhas e tals. O único problema é que agora quando eu acelero e o rádio está ligado (e sempre está) o carro zune: Zuuuuuuuuuuuuum! Coisa linda, leitores. As pessoas dizem que vou acostumar e acho que têm razão. Pois até um rádio que faz seu carro zunir é melhor do que ser obrigado a ouvir o gosto musical dos infernos dessa gente tosca que dirige por aqui.



13 de maio de 2008

Qual é a músicaaaaaam, Tukaaaaam?


Uma cantora de nome curtinho e quase insignificante ainda vai dar muito o que falar: Adele Adkins, a Adele. Fiquem atentos a ela – a mais nova sensação da black music made in England.

Gordinha, de aparência comum, a inglesinha de apenas 19 anos tem uma voz impressionante que automaticamente chama atenção por lembrar Amy Winehouse, outra talentosíssima cantora das terras da rainha. Segundo o site do “Telegraph”, ela difere de Winehouse por ser mais fácil de ouvir e por possuir uma música mais suave. Traduzindo: enquanto Amy tem tendências auto-destrutivas e depressivas em suas letras, Adele fala de amor. Eu gosto das duas vertentes.

Com três singles lançados, ela já assinou contrato com a mesma gravadora do Radiohead e White Stripes, a XL Recordings e em janeiro lançou seu primeiro álbum: 19. Um mês depois já estava no topo das paradas britânicas. Uma boa notícia são os rumores de que Adele, em breve, possa se unir a Amy Winehouse, Kate Nash e Katie Melua para a formação de um grupo. Eu acho que não seria nada mal. Nada mal mesmo.

Adele se formou na Brit School for Performing Arts, escola de arte em que estudaram outras sensações britânicas. Suas influências musicais são nomes gabaritados como Etta James, The Police, Marvin Gaye e Billie Holiday.

De todas as músicas que compõem 19, minhas preferidas são: a baladinha, Make You Feel My Love, a dançante Right As Rain e a romântica Chasing Pavements (que é o ringtone do meu celular). Vejam o clipe abaixo e depois dêem uma corrida até o MySpace da cantora para ouvir algumas de suas músicas.




8 de maio de 2008

O creme compensa?


A primeira pergunta que uma bee-sha amiga que estudou comigo na faculdade me fez na vida foi: “Coloca meu nome no seu trabalho de rádio?”. Para a qual eu respondi: “Tá bom, mas não acostuma, não”. A segunda pergunta foi: “Você usa algum creme para retardar o envelhecimento?”. E eu respondi: “Ah, váaaaaa, bee! Se vira com essa porra de trabalho!”.

Depois entendi que ela não estava insinuando que eu estava acabadinha com 19 anos, ela é que era uma bee-sha afetada, maluca e neurótica que se preocupava com rugas desde os cinco.

Mas eis a questão: existe no mundo algum creme que realmente retarde, disfarce ou regrida o envelhecimento como diariamente tentam nos fazer acreditar? Será que o efeito é apenas psicológico? E a principal pergunta: que mal há em envelhecer?
***

Pausa para um gole de água, um suspiro e um golpe de coragem para que eu admita que tenho um creme anti sinais Spilol 30 + da Natura que ganhei de uma amiga.

***

Mais uma pausa para que eu consiga transcender pensamentos mundanos e exaltar a mente ao corpo.

***

Continuando: Não há mal nenhum em envelhecer, mas quando uma amiga me perguntou o que eu gostaria de ganhar de aniversário, respondi que queria esse tal creme super fodaaam que todo mundo estava falando. Ela, que trabalhava na fabricante do tal creme, provavelmente achou o pedido normal, já eu, percebi que era o inicio de um período que eu acreditava que jamais viveria. Eu, tão culta, tão cheia de idealismos de mundo melhor, tão cheia de atitude… Eu, que sequer sabia o que era spilol até pouquíssimo tempo atrás e vivia muito bem assim, estava preocupada com rugas. Lamentável, Tukaam, lamentável!
***

Depois de uns dias liguei pra bee-sha da faculdade que permanece minha amiga até hoje:

- Bee-shaam, lembra que há 11 anos atrás você me perguntou se eu usava alguma coisa para retardar as rugas?

- Claro que lembro, lôcaam! Você quase me bateu!

- Pois é, estou te ligando justamente por isso. Comecei a usar há 15 dias.

Do outro lado da linha ela foi arrebatadora:

- Agora, gataam? Com 30 não adianta mais!

- Ah vá, bichaaam!

***

Quando ao creme, se funciona ou não, ainda não descobri, quase nunca lembro de passá-lo. E sim, envelhecer faz parte do pacote desde aquele dia em que seu pai e mãe desistiram de assistir TV e te fizeram. Desde aquele instante você está envelhecendo. Triste? Nem tanto.


22 de abril de 2008

Por uma vida menos ordinária


Não interessa onde quer que estejamos, tudo o que ouvimos desde 29 de março é sobre a menina Isabella. A imprensa enlouquecida faz plantão em frente às residências dos pais do casal e do distrito policial onde o caso está sendo conduzido – muitos já nem fazem mais questão do tal compromisso com a imparcialidade. Ambulantes aproveitam o movimento para descolar uma graninha extra: “olha a água! Justiçaa! Olha o salgadinho! Assassiiiinos! Coca-cola!”. A população enfurecida grita frases clamando justiça e se confunde entoando cantigas mórbidas: “pega lá, pega lá, o casal pra nós linchá”. A famosa justiça com as próprias mãos sempre entra em voga quando se trata de um crime desta categoria: “olho por olho”, dizem.

A polícia concluiu que o casal é culpado. O casal nega veementemente e chora em entrevista na televisão. O Promotor estranha a atitude dos dois, bem diferente de quando estiveram 12 horas em depoimento na delegacia. A defesa insiste em afirmar que uma terceira pessoa esteve no apartamento com tempo suficiente para asfixiar a menina, feri-la na testa, cortar a tela do quarto, atirá-la pela janela e ainda limpar as manchas de sangue espalhadas no local.

A mídia se alimenta da curiosidade do povo e o povo se alimenta dos fatos incessantemente noticiados pela mídia. Um círculo vicioso macabro ao qual acabamos todos envolvidos, muitas vezes sem sequer nos darmos conta. Mas Isabella continuará morta. Faixas e cartazes indignados ainda estão sendo colados nos muros das casas que hospedam os supostos assassinos. Mas Isabella continuará morta. Jornalistas continuam se acotovelando na tentativa de noticiar em primeira mão cada novo fato – relevante ou não. Mas Isabella continuará morta. Os pais, amigos e pessoas que amavam a garotinha continuam sofrendo. Mas Isabella continuará morta…

A pequena Isabella, desde a triste noite de 29 de março transformou-se em “caso Isabella” e a culpa é toda nossa. Não a matamos, mas a assistimos cair daquela janela do sexto andar inúmeras vezes. Vezes suficientes para que tenhamos esquecido que antes de virar um terrível caso policial, ela era apenas uma menininha de cinco anos que era a razão de viver de pessoas que realmente estão sentido sua partida prematura. A culpa é toda nossa sim, pois todos os dias em nosso país, crianças são cruelmente assassinadas e não ficamos nem sabendo, pois não receberam destaque algum na mídia. Deixemos que a polícia faça seu trabalho, deixemos a justiça ser feita de maneira correta, e, principalmente, respeitemos a pequena e a deixemos em paz.



7 de abril de 2008

Em terra de cego…


… quem tem um olho é Fernando Meirelles

José Saramago é um dos escritores mais incríveis da atualidade. Não, esta frase não está boa. José Saramago é um dos escritores mais incríveis de todos os tempos. Melhor assim. Com uma história extremamente inteligente e intrigante, Ensaio Sobre a Cegueira é um livro fenomenal. Quanto adjetivo neste post, Tukaaam! Pois, é, mas Saramago merece, ele é realmente “adjetivável”.

Tornar uma inexplicável epidemia de cegueira em algo absurdamente interessante foi bem fácil para o escriba português, já que não há nada melhor do que a leitura para transcender a visão. Somos sim, praticamente um bando de “cegos” quando construímos personagens e lugares baseados apenas na descrição. E não existe mesmo melhor maneira de explicar a cegueira do que simplesmente imaginar o que nos está sendo narrado. É Também por esta razão que Ensaio Sobre a Cegueira é um livro tão devastadoramente bom.

Mas quando soube que um filme baseado no livro começaria a ser rodado fiquei ressabiada: Seria possível traduzir e transportar a genialidade da obra para o cinema? Imagens não iriam estragar o que foi construído por Saramago? Em seguida soube que o diretor seria Fernando Meirelles. “Menos mau”, pensei. Logo depois descobri que Julianne Moore seria a “mulher do médico” (os que não leram, é importante que saibam que nenhum personagem do livro possui nome). “Uiaaaaa”, falei (me encantei com o talento da ruiva desde Magnólia). Daí em diante, já não me surpreendi com a divulgação dos nomes que comporiam o restante do elenco: Sandra Oh, Don McKellar, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e Alice Braga.

Acompanhei cada passo das gravações através da mídia. Fiquei sem ar todas as vezes que descobria que Fernandão e trupe estavam gravando em ruas próximas a minha casa (não consegui ir xeretar as filmagens uma única vez sequer) aqui em São Paulo. Li cada post do blog do filme escrito pelo diretor (entre outras coisas, foi assim que fiquei sabendo que o filme terá referências de obras de Brueguel, Hieronymus Bosch, Rembrandt, Malevitch, Francis Bacon e Lucien Freud). Tudo isso para tentar conter a ansiedade pela espera.

Finalmente, hoje assisti ao trailer (que foi lançado sexta-feira). E sendo completamente honesta com vocês, leitores, fiquei surpresa e decepcionada ao perceber que a edição (tomara seja apenas a edição do trailer) faz com que o filme pareça uma ficçãozinha científica clichê. Como sou uma pessoa instruída e inteligenteem, não farei pré julgamentos e esperarei até setembro (putzgrilaaaaam quanto tempooom!) para ver o que foi que Fernando Meirelles fez com um dos meus livros preferidos. Ai dele se o tiver estragado! Tukaaam, agora com certeza ele está tremendo de medo do filme ser um fiascooom!

Assistam ao trailer e se ainda não tiverem lido o livro, parem tudo o que estiverem fazendo (lendo essa merda de blog, por exemplo) e o leiam!



1 de abril de 2008

Trânsito do caceeeete, meu!


Existem vários tipos de motoristas aqui em São Paulo: os mal humorados, os mamãe-olha-como-eu-corro, os egoístas, os tirei-carta-por-e-mail, os distraídos, os pau-pequeno-e-carro-munito. Tudo um bando de filho da puta, leitores. Verdade. Dirigir nesta terra em plena hora do rush é pagar adiantado por diversos pecados que uma pessoa pode acumular durante a vida. Eu tenho vários bônus por dirigir todos os dias pelas Avenidas Santo Amaro e Nove de Julho. Daí vocês podem dizer: Aim, Tukaam, vai de metrô ou ônibus, amapô! E então eu terei que responder: Não adianta merda nenhuma, a única diferença é que eu ficarei em pé por mais de uma hora enquanto algum mané de sovaco fedorento fica roçando em meu corpinho com o chacoalhar do buzão.

Ontem, no caminho de volta pra casa, eu estava dirigindo quando um tiozinho pitizou comigo, sabem? Tudo isso porque eu tentei fazer uma conversão (permitida) à esquerda e o bonitão queria ir reto. Ele gesticulou e xingou e xingou e xingou. Quase vi em minha mente aquela parte da história em que o lobo dizia que ia soprar e soprar e soprar até o meu carrinho voar, ops, a casinha voar. Eu, muito linda, abaixei meu vidro e disse:

- Senhor, com licença. Por gentileza o senhor pode me deixar virar aqui rapidinho? Não leva nem dois segundos, prometo. Muito menos tempo do que ficarmos aqui parados enquanto o senhor treina comigo todos os palavrões que aprendeu até hoje. Que tal?

Ele respondeu:

- Passa, sua vaca!

E eu:

- Viu, falando assim com jeitinho é muito melhor. Obrigada, tenha uma ótima noite. E continuei a ouvir David Bowie que me acompanhou durante todo meu trajeto de volta ao lar.

Morar e dirigir em São Paulo é uma eterna aventura. Obras desabam, motoristas se matam, crianças são arremessadas do sexto andar. E depois de tudo isso, se conseguimos chegar em casa vivos, escrevemos um post satirizando essa merda toda.

Abre modo sotaque afetadinho paulistano: Meu, São Paulo é suuuuuper legal!


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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