Arquivo de outubro de 2008



31 de outubro de 2008

Açúcar demais


Dia desses voltando pra casa, ouço uma musiquinha no rádio que parecia uma propaganda de alguma distribuidora de doces. Pensei: até bonitinha para uma propaganda, porém, não acaba nunca”.

Outro dia ouço de novo a tal música: “Jujuba, bananada, pipoca, cocada, queijadinha, sorvete…”. Começo a pensar se tem alguma cantora infantil estourando por aí e tocando em todas as rádios paulistanas.

No mesmo dia ouço a mesma música quando ligo a TV e uma novela qualquer está acabando. Corro até o Google para descobrir quem cantava aquela que, naquelas alturas, já havia se tornado uma música irritante, chata e digna de algum repertório da Xuxa ou de bandas de axé.

Para meu espanto o seguinte nome aparece na tela: Marisa Monte. Me recuso a acreditar assim de primeira e procuro mais um pouco: Marisa Monte. A tal música é realmente dela.

Para eu que acompanho a cantora desde o primeiro disco lançado, saber que seu novo sucesso é a música chamada “Não é Proibido”, foi realmente chocante. Me pergunto onde foi parar a artista genial com letras e músicas maravilhosas que eu costumava admirar. Marisa Monte, gataam, devia ser proibido uma música como essa tocar no rádio! Que “Uhhhhs!”, são aqueles Marisaaam? Tava chapada? G-zus! Espero que esta música seja apenas o resultado de uma larica das bravas. “Joana e Peixoto”, fujam para longe!

Leiam a letra e a imaginem na voz da rainha dos baixinhos ou cantada pelo Tchan.

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh!

Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh!

Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!

(uh)
Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

Traz todo mundo, ‘tá liberado, é só chegar.
Traz toda a gente, ‘tá convidado, é pra dançar,
Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!
(uh)

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh

Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh

Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!

(uh)
Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

Traz todo mundo, ‘tá convidado, é só chegar.
Traz toda a gente, ‘tá liberado, é pra dançar,
Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!
(uh)
Yeah
(uh)



22 de outubro de 2008

Planejando não planejar nada


Eu nunca fui uma pessoa que consegue planejar encontros sociais, dessas que na segunda-feira sabe exatamente tudo o que fará durante o resto da semana e já tem combinado o programa de sábado e domingo com os amigos. Acho super quem é assim, mas eu não sou.

Se segunda eu decido que quero fazer algo no sábado, pode ter certeza que mudarei de idéia até lá. E mudarei de idéia umas 25 vezes mais. O normal é que eu esteja com uma preguiça do cacete e ache mais divertido ficar em casa estirada no sofá vendo séries e mandando ver com o marido.

Quando não estou com preguiça também pode acontecer de que eu tenha algum piriri. Já tive dor de cabeça, peidança, cólica, enjôo, crise alérgica e tudo o que se possa imaginar, e me digam: como é que na segunda sabemos que no sábado teremos uma caganeira das bravas?

Ainda tem outra circunstância que atrapalha minha vida social: mau humor. Em plena terça-feira acordo linda-lisa-loira-rica-magra, a primeira roupa que encontro me deixa mó gostosaam e o trânsito está maravilhoso. Animada, topo um jantar na casa da nova namorada do melhor amigo do meu marido. No fatídico dia de manhã saio de casa para trabalhar e chove, minha chapinha vai pras cucuias. Muito provável que eu contraia leptospirose já que minhas sandálias não me impedem de pisar em inúmeras poças d’água. Começa uma dor de cabeça que com certeza só passará em 2027. Penso com meus botões: inferno, vou comer na casa da menina e tenho que fazer o tipo sou-legal-inteligente-agradável-e-educada, meu cu! Se na terça, quando me baixou o espírito da Mary Poppins eu soubesse que sexta eu viraria o Jason (na minha versão pronuncia-se “já-sôn”) eu não teria marcado nada com aquela fubanga.

Portanto, acho justo que preguiça (diga cansaço), diarréia (diga indisposição) e mau humor (diga aniversário da sogra) sejam motivos suficientes para que sejamos mais espontâneos nesta vida. Que liguem sábado nos convidando para um rega-bofe e se nenhuma situação impedir, será uma grande noite!



16 de outubro de 2008

O maior cego é aquele que não que ver


Em abril eu estava ansiosa para assistir a versão cinematográfica do livro O Ensaio Sobre a Cegueira, mas quando vi o trailer cogitei a possibilidade de que talvez Fernando Meirelles pudesse feito uma grande besteira com Saramago. Como eu disse aqui, as cenas me deram a impressão de que a história fora transformada em uma ficção científica barata.

Na estréia fiz questão de pegar aquela terrível fila de sexta-feira achando que não seria tão terrível assim, afinal Saramago não é nenhum Batman. Para minha surpresa a fila para ver a obra do português através dos olhos do brasileiro era bem maior do que eu esperava. Maior surpresa ainda foi ver a faixa etária de muitos ali presentes – será que pensavam que aquela era a fila do Batman? Ledo engano. Que Batman que nada, eles queriam mesmo era ver José Saramago.

O filme é muito bom e definitivamente não tem nada a ver com a impressão que tive ao assistir ao trailer. Talvez existissem outras maneiras de retratar os acontecimentos, mas Fernando Meirelles escolheu bem. Não mascarou, não amenizou e personificou todos aqueles personagens sem rosto. Retratou a maldade, a sujeira e a podridão humana sem nenhum pudor. Fernandão foi audacioso como poucos diretores o são.

Quanto ao elenco, de todos os atores ali presentes, foi Julianne Moore quem melhor entendeu a densa literatura do autor. Definitivamente ela merece um Oscar pela sublime interpretação da corajosa esposa do médico.

As locações do filme foram outro atrativo. Alice Braga fez compras na mesma drogaria que eu faço e o grupo caminhou por ruas e viadutos pelos quais passo costumeiramente. Foi divertido ver São Paulo desconstruída daquela forma. Foi impressionante ver a cidade que jamais pára ou se cala, obedecer ao comando de “silêncio, luz, câmera e ação” do diretor e se transformar no palco perfeito para as filmagens de um dos melhores livros que já li em minha vida.

E que venha o Oscar 2009.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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