Arquivo de junho de 2008



23 de junho de 2008

A arte imita a vida


Ellen Page e Catherine KeenerSe você conseguiu assistir Juno e não se apaixonar pela atriz Ellen Page terá mais uma oportunidade. Em Um Crime Americano (que é anterior a Juno) a atriz de 21 anos faz o papel de Sylvia e atua tão bem quanto a incrível Catherine Keener que interpreta Gertrude Baniszewski, a Gertie. Mas tirando o elenco e o fato da protagonista do filme possuir meu nome: Silvia Maria, (Sylvia Marie mais precisamente), os primeiros minutos de Um Crime Americano não me empolgaram.

Acontece que num estalar de dedos a trama água com açúcar que eu havia imaginado se transformou totalmente. Pausei o filme assustada. Mas não pensem que me intimidei devido a cenas tenebrosas dos típicos filmes de assombrações ou com as bizarrices ridículas que os americanos tanto adoram (vide Jogos Mortais e afins), não. Um Crime Americano não possui nenhuma dessas coisas e talvez tenha sido isso mesmo o que tenha me causado tanto incômodo. É sempre assim toda vez que nos damos conta de que um ser humano pode ser muito mais cruel e insano do que qualquer vilão de mentirinha.

As verdadeiras Sylvia e GertrudeNo Google descobri que o filme foi baseado em uma história REAL que chocou os Estados Unidos e o mundo em 1965. A trama recria a triste história de Sylvia Likens (Ellen Page), de 16 anos. Filha de funcionários de um circo itinerante, Sylvia e a irmã caçula, Jenny, foram deixadas aos cuidados de Gertrude Baniszewski (Catherine Keener), uma viúva mãe de 7 filhos, enquanto os pais viajavam a trabalho.

O casal Likens foi apresentado a Gertrude pelas filhas (que a conheceram na igreja) e prontamente confiaram na mulher de aparência pacata e gentil. Mal sabiam o inferno em que estavam colocando suas meninas. Após contar a Gertie que Paula, sua filha mais velha, estava grávida de um homem casado, todas as frustrações da mulher começam a ser descontadas em Sylvia. Os castigos ficam cada vez mais rígidos até que resolve trancá-la de vez no porão da casa onde a menina acaba sendo morta.

Terminei de assistir ao filme incrédula de que uma história como aquela pudesse ter acontecido realmente e ainda com a conivência e omissão de tantas pessoas que sabiam o que acontecia no porão daquela casa em Indiana. Cheguei a pensar que o diretor pudesse ter exagerado em algumas cenas com o intuito de deixar a história mais interessante e então li que Tommy O’Haver AMENIZOU e muito tudo o que aconteceu com a garota.

Se vocês estiverem achando que eu contei o filme todo e, portanto, não vale mais a pena assistir, se enganam. O filme é bem mais complexo do que tudo que escrevi neste post. Fora isso, Page e Keener interpretam tão bem seus papéis que qualquer pessoa que goste de cinema se deliciaria com suas atuações. Mas já aviso que é preciso um tanto de estômago e sangue frio.

Abaixo o trailer:




4 de junho de 2008

Uma Ziiiiiiiiiiica danada


Há pouco mais um mês, eu e San estávamos serelepes e esfomeados saindo da garagem do nosso prédio indo em direção ao Mac Rombalds tomar café, quando uma bee bem louca, gatchinham e distraída que vinha atrás (ui!), também saindo da garagem do prédio, acertou nossa traseira. Depois de muita conversa em que ela insistia que a culpa havia sido nossa (ah vá, bee), ela resolveu pagar.

Duas semanas depois estacionamos o carro em pleno meio-dia por 30 minutos numa rua bem movimentada. Quando voltamos, haviam estourado nosso vidro e roubado a porra-do-rádio-com-mp3-e-entrada-auxiliar-com-controle-remote-super-caro-e-bacaninha. Bando de filho da puta, leitores. Foi assim que resolvi nunca mais investir em nenhum rádio para carro, muito menos em uma porra-de-rádio-com-mp3-entrada-auxiliar-com-controle-remote-super-caro-e-bacaninha
-prum-flho-da-puta-qualquer-roubar e me mantive firme e resoluta, no silêncio absoluto, deprimente e assustador – Aiim, Tukaaam, pára de ser loucaaam!

Acontece que dirigir nessa cidade do capeta e ficar parado no trânsito mais tempo do que em casa ao lado da família, é dose. Ficar parado no trânsito num silêncio fúnebre é pior. Mas nada se compara a ter que ficar parado no trânsito sem rádio e ser obrigado a ouvir a merda da música cafona que essa gente tosca que dirige do nosso lado, gosta. Descobri uns forrós, uns funks e umas músicas-gritinho (sacam estilo Wanessa Camargo/Mariah Carey?) que eu jamais saberia que existiam se não fosse esse bando-de-motorista-cafona-cujo-rádio-nenhum-filho-da-puta-rouba que anda por aí.

Então percebi que estava ficando maluca quando comecei a desejar com todas as minhas forças que um tsunami passasse por ali e matasse a todos – TO-DOS! Menos eu, que não tinha rádio algum, poxa. Imaginem um tsunami do Rio Pinheiros, do Rio Tietê… Seria lindo.

Antes que eu arrumasse encrenca na rua por causa do gosto musical duvidoso desse-bando-de-motorista-cafona-cujo-rádio-nenhum-filho-da-puta-rouba, comprei outro rádio. Depois de procurar em dezenas de lojas acabei encontrando:

- Oi moço, estou procurando um rádio furréca bem baratinho pra colocar no meu carro.
- Tem um aqui com entrada auxiliar, USB e…
- Não, moço! Quero um rádio furréca, eu já tive uma porra-de-rádio-com-mp3-entrada-auxiliar-com-controle-remoto-super-caro-e-bacaninha-mas-
um-filho-da-puta-veio-e-roubou.
- Hum. Que pena, moça. Tem um aqui de cem conto, pode ser?
- Tem mais barato, não?
- Tem não.
- Tá. Pode ser então.

Foi assim que comprei um rádio furréca. Até que é bonitinho, acende umas luzinhas e tals. O único problema é que agora quando eu acelero e o rádio está ligado (e sempre está) o carro zune: Zuuuuuuuuuuuuum! Coisa linda, leitores. As pessoas dizem que vou acostumar e acho que têm razão. Pois até um rádio que faz seu carro zunir é melhor do que ser obrigado a ouvir o gosto musical dos infernos dessa gente tosca que dirige por aqui.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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