Arquivo de março de 2008



26 de março de 2008

Tony


TonyTony foi embora hoje de manhã depois de 14 anos de companhia. Acho um desperdício tremendo que os cachorros vivam tão pouco. Só 14 anos, Tony! Isso não é coisa que se faça, ir embora assim e me deixar aqui tendo que me contentar apenas com as lembranças de tudo que passamos juntos.

Você comeu o controle remoto da minha televisão nova. Destruiu inúmeros pares de sapatos e chinelos meus e de meus amigos. Se escondeu embaixo da mesa e só saía de lá se o puxássemos pelas patinhas da frente brincando de “aviãozinho” como você adorava. Pulou e segurou meu braço com a sua bocona me deixando roxa por semanas, tudo isso para que eu entendesse que me queria perto, eu também queria ficar perto de você, bebê! Latiu aquele latido ardido e pulou de alegria dizendo o quanto estava feliz por eu ter chegado. Pulou e pulou como um canguru para espiar pela janela alta da cozinha enquanto estávamos sentados à mesa, jamais entendeu porque não podia sentar ali também e fazer bagunça. Enfiou o nariz pretinho no pote de margarina e, até ontem, antes de você ir embora, isso era motivo de gargalhadas entre eu e minha mãe. Tony e NicoCorreu atrás de tudo quanto era galinha, pato e afins que se aventuraram a passar em seu caminho, era divertido, né? Encantou todo mundo que te via passeando comigo pelas ruas, que olhos azuis mais lindos, Tony! Foram muitas coisas, eu jamais conseguiria escrever tudo.

E hoje você foi embora. Eu, honestamente, não sei como vou preencher o vazio que você deixou. Acho que não vai ter jeito, Tony, vai ser uma falta eterna. Quando vir o Nico, diga que eu estou com saudades demais da conta. Brinquem juntos, não briguem, não morda a orelhinha dele que você sabe que é meio dodói. Voltem pra mim no próximo bichinho que eu tiver, vou cuidar de vocês novamente e amá-los tanto quanto os amei e ainda amo apesar de estarem longe.

Sua ida está me doendo muito. Vou chorar por mais um tempo, não posso estar de outro jeito agora a não ser triste, mas muitíssimo obrigada por tudo, bichinho.



18 de março de 2008

How I Met Putney


Genteem, uma de minhas séries preferidas vai ter participação especial de uma de minhas celebridades bagacentas preferidas: ela mêrrma: Putney Spears! O elenco de How I Met Your Mother vai ter a honra de contracenar com a princezinha – Cóooof, cóoooooooooooof – do pop. Arrasô, Putney!

Vou intercalar este texto inútil com fragmentos de novidades sobre política internacional para não macular minha fama de menina inteligentemm, tá, genteeem? Tukaaam, cabô o Gardenal, foi?

Hillary Clinton e Barack Obama só ainda não saíram no braço na disputa para candidato à presidência pelo partido democrata. Acho que se continuar nesse pé, não demora. Vamo torcê pro circo pegá fogommm, Tukaam. Claro que vamos!

Então, melhor que essa notícia sobre How I Met Yoor Mother foi a capa da TV Guide. O webdesigner arrasou no Photoshop e Putney até que ficou bem gatchinham. Pena que ainda não inventaram Photoshop portátil pra gente poder carregar pra todo lugar por aí.

Os republicanos, que de bobos não tem nada, estão se regozijando de felicidade com a discórdia no partido rival, afinal, eles há tempos se uniram em torno do apoio a John McCain. O danadão garantiu a nomeação meses antes da convenção nacional. Super fódegas esse homem, néaam?

Enquanto isso na sala de justiça, nossa heroína Putney só não está pior que Amy Winehouse. Eu sou da fã da inglesa bagacenta – pensando bem, eu gosto de muita gente bagacenta, isso não deve ser bom.



12 de março de 2008

As contradições de ser mulher


Ou: como é simples ser homem

Quando crianças, ganhamos fogõezinhos e panelinhas e brincamos de fazer comida. Numa ingenuidade linda, fizemos bolinhos de areia, pudins de espuma de sabão, saladas de mato e sucos de água com tinta guache. Enquanto isso observávamos nossas mães preparando a comida congelada rapidamente antes de voltar ao trabalho.

Ganhamos vassouras e rodos em miniatura e alegremente brincamos de limpar a casa. Enquanto isso, nossas mães não tinham tempo sequer de lavar a louça do café da manhã.

Também ganhamos bonecas imitando bebês e então brincamos de embalar, trocar e alimentar nossos filhos de mentirinha. Enquanto isso nossas mães diziam que quando adultas pensássemos mil vezes antes de termos filhos.

Crescemos um pouco e a Barbie com suas roupas e sapatos modernos, assumiu o lugar do resto dos brinquedos. Com essa evolução passamos a sonhar em sermos tão lindas quanto a boneca. Com ela veio o Ken e então também fantasiamos o dia de encontrarmos um namorado tão gatchinhomm e bem sucedido quanto ele. Ao mesmo tempo, nossas mães falavam que casamento era algo secundário, que jamais deveríamos depender de homem nenhum e em primeiro sempre deveriam estar os estudos e a carreira profissional.

Quando se nasce mulher o mundo pode ser bem contraditório. Se casamos, trabalhamos e não queremos filhos, somos julgadas. Se optamos em trabalhar e jamais casar, somos julgadas. Se casamos e queremos apenas cuidar da casa, somos julgadas. Se temos filhos, mas trabalhamos demais, somos julgadas. Não, não é simples ser mulher.

Facilmente os homens abrem a boca e dizem sem o menor constrangimento: “Tanto queriam igualdade de direitos que conseguiram, agora vão à luta”. Eu sempre considero burros os que têm coragem de dizer isso, pois se existe algo que jamais conseguimos é a igualdade de direitos, apenas a de deveres, e óbvio, aqueles que originalmente eram somente dos homens. As obrigações ditas femininas continuaram sendo apenas nossas. Temos o dever de trabalhar fora, temos o dever de prover uma família e temos o dever de nos sentirmos gratas pelo fato de que todo direito conquistado tenha acarretado em um dever pelo menos dez vezes mais pesado do que para um homem.

Sim, podemos votar, nos formar em faculdades, trabalhar fora, tomar pílula anticoncepcional. Mas creio que isso tudo, pelo menos para os que possuem um mínimo de neurônios pensantes, não foi nenhuma reivindicação absurda. Afinal, temos capacidade para tanto. Acontece que junto a tudo o que nos foi “concedido” vieram as cobranças do que passamos a ter obrigação. Trabalhamos, ganhamos nosso dinheiro, somos, pelo menos a maioria das vezes, mais inteligentes e capacitadas do que os homens e sempre seremos colocadas à prova. Uma cagada é feita no trânsito e logo se ouve: vai lavar louça, dona Maria! E não é raro quando o autor da frase descobre que no volante fazendo as barbeiragens está um homem. Caros, não é a toa que o seguro é mais barato para as mulheres, é porque de fato sabemos dirigir melhor do que vocês.

Ser mulher significa ter que ser pelo menos duas vezes melhor do que um homem, e digo isso com certeza absoluta de que não estou falando nenhuma asneira. É só observarmos tudo pelo ângulo mais simplista possível. Se é difícil acordar todas as manhãs, trabalhar como um burro de carga, fazer malabarismos para pagar as contas todo mês, some isso tudo a cobrança eterna de cuidar da casa, dos filhos e do marido. E caso a mulher em questão, por algum motivo circunstancial, não trabalhe fora, adicione as cobranças mesmo que silenciosas do companheiro e de todo o resto do mundo a apontando e concluindo que tudo o que faça para facilitar a vida de todos a sua volta não é o bastante, você sempre precisa ser mais, precisa ser tudo. Definitivamente o feminismo pode sim ser considerado o ato mais machista de toda história.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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