Bem, depois de passado o impacto do “putaqueopa-não-quero-fazer-30-anos-porra!” minha vida começa a retomar ao rumo tranqüilo, sereno e sensato de sempre – ô! Afinal, todos nós passamos pelos três estágios básicos inevitáveis em várias ocasiões da vida, no meu caso, foi completar 30 anos que o desencadeou de maneira nunca antes vista.
No estágio da negação eu me deparei com a reação mais do que batidinha de todas as mulherzinhas bocós que existem por aí: “Parei de fazer aniversário aos 25, portanto completar 30 é algo impossível pra mim”. Mas não existe nada mais idiota no mundo do que esconder a própria idade e isso passou logo.
Quando chegou o estágio da depressão, me vi admitindo que trintar era inevitável, mas que eu bem merecia demorar mais uns aninhos para chegar nesta fase. Afinal de contas, eu era ainda apenas uma menininha abestada que mal acabara de sair das fraldas, oras!
Finalmente, no estágio da aceitação percebi que, um – fazer trinta anos possui muito mais simbolismo do que realmente merece e que no final das contas acaba sendo uma idade como outra qualquer. Dois, se já não somos mais tão jovenzinhas, ao menos temos grana para pagar o salão, as roupas e os sapatos que tanto desejávamos aos 20, mas não tínhamos como bancar. Três… Bem, eu ainda não consegui pensar numa terceira coisa, mas tenho certeza que existe.
Pois bem, com este post encerro de uma vez por todas a seqüência repetitiva e tediosa em que, com uma auto-comiseração dos infernos, falo de minha trintice. É, Tukaaam, já cansou mess, pô! Eu sei, parei, parei! A partir de agora volto a ser Tuka normalmente chata, linda-lisa-loira-alta-magra-rica-japonesa e sem crises de idade, afinal servimos bem para servir sempre, leitores, e é pra isso que vocês freqüentam a Casa há seis anos. Arrasaaaam, Tukaaaam, eu quero o meu pra viagem! Saindooo!
Há trinta anos nascia uma pequena e linda garotinha de cabelinhos já fartos e brevemente cacheados. Ao primeiro olhar, seus pais logo imaginaram que um dia seria uma bela e encantadora mulher: “Que encanto, que graciosidade! Vamos sofrer para afastar os garotos”, murmuraram. Então a menina cresceu, todos os seus sonhos se realizaram, seus planos obtiveram êxito e aos trinta anos já era uma consagrada
Há 30 anos nascia uma garota enorme de quase 5 kg, de olhos esbugalhados, sem um único fio de cabelo na cabeça. Seus pais, imediatamente imaginaram que seria muito provável que se tornasse uma baleia se as coisas seguissem conforme começavam: “Affe, que gorda! Vai ser difícil arrumar namorado”, pensaram. Então a menina cresceu, queria ser ambientalista, voluntária da Cruz Vermelha e escritora. Sua vida dera muitas voltas e na medida do possível, ela sempre acabava se dando bem, mesmo que às vezes demorasse a se dar conta disso. Aos trinta anos não tinha muita certeza nem se preferia sorvete de morango ou chocolate e seguia seus dias sem nenhum roteiro pré-definido. Em certos dias era feliz e em outros nem tanto. Continua…
Hoje a Casa completa seis anos. No tempo em que passei escrevendo tanta
As calçadas da Avenida Paulista estão passando por restauração faz um tempo. Está uma droga andar por lá, uma gentarada doida com pressa se estabacando em todos ao redor – coisa linda de se ver. Domingo iniciaram um novo trecho de obras, então informaram na televisão, jornal impresso, rádio, correio elegante, megafone, repentista, ou seja, em tudo quanto foi meio de comunicação ou quase isso. Acontece que aparentemente os jornais matutinos estão sem muitas opções de links ao vivo e adivinha onde é que eles resolvem ir filmar todo santo dia? Na fucking Avenida Paulista, claro. Para falar sobre o trânsito, sobre as tais obras e flanflanflan. Até aí tudo bem, eu sou jornalista e super a favor da informação, da liberdade de imprensa e de expressão. Mas adivinha onde os fuckings helicópteros ficam sobrevoando todo santo dia a partir das 5h30 da matina? O meu prédio, claro! Daí não me resta mais nada a não ser levantar e começar o dia torcendo para que os helicópteros caiam para ver se assim rende uma matéria de verdade beeem feliz.
Farei 30 anos dia 24 de janeiro, daqui duas semanas. Estou chameguenta e manhosa por que posso ficar chameguenta e manhosa – poxa, todo mundo compreende que fazer 30 anos é algo realmente traumático. Como consolo, as pessoas que gostam de mim afirmam que estou lindonaam e gostosentam, melhor que muita garotinha de 15, dizem – mas meus amigos são os melhores e grandes mentirosos. Já as pessoas que não gostam, dizem que estou bem para trinta anos – eu, honestamente não sei bem o que querem dizer com isso. Será que é pré suposto que uma mulher de trinta anos deva estar horrorosa e pelancuda? Ou será que eu é que não estou tão horrorosa e pelancuda quando elas gostariam que eu estivesse ao completar trinta anos? Nunca saberei. O que sei é que três décadas passam num estalar de dedos.
Eu sei que a Casa anda meio abandonada, mas é culpa é do meu aniversário de 30 anos (legal isso de poder culpar os 30 anos por tudo, genteem!). Sério, devo estar num momento crise existencial e essas ladainhas, pois sequer escrever por aqui tenho conseguido. Isso passa né? Passa sim. Enquanto isso, os leitores que ainda não me abandonaram – Ai, Tukaaaam, vai começar com chantageeem? – podem vir aqui e deixar mensagens fofinhas e de incentivo a uma blogueira meio deprimida? Como prova de minha consideração prometo me esforçar para ser um cêrumano mais amável, bem humorado e menos irônico com todos. Até parece que a gente acredita nisso, Tukaaam!






