Arquivo de outubro de 2007



31 de outubro de 2007

Conversa nonsense da semana via MSN


Fulaninha acabou de entrar
Fulaninha diz: Fui convidada para trabalhar com e-commerce de uma construtora.

Tuka diz: Que tudo! Legal, migam!

Fulaninha diz: Mas daê vem a parte difícil…

Tuka diz: Que parte?

Fulaninha diz: Já ouviu falar em Doha?

Tuka diz: Não.

Fulaninha diz: Catar?

Tuka diz: Devo ter visto algo nos filmes do Indiana Jones – rs…

Fulaninha diz: É pra lá que eu vou.

Tuka diz: Affe, G-zuiz! Catar?

Fulaninha diz: É.

Tuka diz: Você não podia fazer como as pessoas normais e escolher uma cidade normal e com uma distância normal para ir embora de casa pela primeira vez? Algo como São Paulo, Floripa…?

Tuka diz: Você vai mesmo?

Fulaninha diz: Sim, já aceitei.

Tuka diz: Hum… Não morra por lá, ok?

Fulaninha diz: Ok…

Tuka diz: É assustador uma amiga indo pro ‘fucking outro lado do mundo’, mas…

Fulaninha diz: Eu vou aproveitar, o lugar é lindo!

Tuka diz: Aproveitar o quê? A faixa de Gaza que é ali perto? Não vá se apaixonar por nenhum homem bomba, hein? É a sua cara isso!

Fulaninha diz: Hahahahahahahahaha! Não se preocupe.

Tuka diz: Miga, mas agora eu posso enfim te dizer uma coisa…

Fulaninha diz: Ok, fale.

Tuka diz: Posso te dizer sem receio algum:

Fulaninha diz: Sempre pôde.

Tuka diz: Miga…

Fulaninha diz: Fala logo, infernooooooooooo!

Tuka diz: Vá te cataaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar!

Tuka diz: HAHAHAHAHAHAHHAHAHA

Fulaninha diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Fulaninha diz: Filha da puta!!!!

Fulaninha diz: vou sentir sua falta…

Tuka sai do MSN…

:’(

***

(Edição especial do ‘MSN Nonsense da Semana’ que deseja à fulaninha do post muita sorte nessa nova etapa de sua vida)


24 de outubro de 2007

Aaaai, cacetaaaa!


Pintei a porra do cabelo. Não sei porque nós mulheres temos essa mania bocó de toda hora mexer na porra do cabelo. Homem é prático, o máximo que faz é cortar quando começa a ter que pentear. Mas nós não – mudar o cabelo é tão vital quanto comprar sapato novo, digo, respirar.

Mas sabem, também não tive muita escolha, pois no auge de meus 29 anos e nove meses, comecei a ter fios de cabelos brancos. Ai Tukaaaam, você é uma idosaaam! Idosa é a mãe! Eu só tenho alguns fiozinhos louros-esbranquiçados, só isso. Tá, pode ser exagero, afinal são uns fiozinhos de nada que encontro se fico fuçando, mas não gosto deles, eles não combinam comigo nem com meus All Stars. Portanto, apesar de relutar um pouco, resolvi que castanho claro não rolava mais.

Então fui à farmácia e comprei uma cor chamada Chocolate Profundo. Eu já devia imaginar que com uma droga de nome desses, em boa coisa não daria, afinal, chocolate engorda e dá espinhas. Mas nãaaaaaaaaaaao, achei legal e comprei. Resultado: Cabelos preeeeeeeeeeeeeeeeeetos, muito, mas muito pretos. Sabem Maga Patalógica? Só não estamos mais parecidas porque ela não tem franja. E porque o cabelo dela é liso natural. E porque ela é mais bonita e gostosa que eu. E porque ela sabe fazer mágica.

Ô merda!
***
Vou esperar uns dias pra ver se acostumo – mas se começarem a me chamar de emo na rua, definitivamente pintarei de loiro! Hohohohohoho.


19 de outubro de 2007

Adeus mundo cruel?


Quando criança, eu devia ter lá os meus oito anos de idade, o avô de um amigo se matou. Ele subiu em uma cadeira, amarrou uma corda no teto do banheiro, fez um laço por onde colocou o pescoço e soltou seu corpo em seguida. Lembro que meu amigo me contara aquilo mais envergonhado do que triste, pois àquelas alturas já o tinham incutido todas as explicações de pecado que pudessem existir.
Até aquele momento, eu jamais ouvira falar em suicídio, mas lembro que me sentei na calçada a seu lado, o olhei com a ingenuidade que só uma criança de oito anos pode ter, e lhe perguntei: por quê? Óbvio que ele não soube me responder. A verdade é que eu sequer tinha idéia de quais respostas esperar, mas imaginei que precisasse haver um motivo.

Desde então, várias outras histórias de suicídio permearam minha vida, e talvez tenha sido por isso que desenvolvi um certo fascínio pelo assunto. Um fascínio macabro, não nego. Mas o assunto é indiscutivelmente instigante.

Eu nunca me interessei pela forma como as pessoas decidem se matar, mas sim por seus motivos. Sempre me perguntei: o que pode ser tão grave, tão ruim, tão incorrigível, que faz com que uma pessoa decida que já não quer viver? O menino lindo de 16 anos que se envenenou por ser gay, a médica de 30 anos, mãe de uma garota de três, que se atirou do prédio por que o marido estava tendo um caso. Quais foram seus reais motivos além desses que todos presumem? Por que algo que é totalmente superável para uns pode ser a pior coisa do mundo para outros? Eu sempre procurei tentar entender – sem os olhos de quem julga nem a certeza do veredicto do pecado que a igreja decreta – apenas a tentativa de compreensão.

Mas a única razão para estar falando sobre isso aqui na Casa é porque assisti ao documentário The Bridge que fala exatamente sobre suicídio. De janeiro a dezembro de 2004, Eric Steel e sua equipe filmaram tudo o que aconteceu na famosa ponte suspensa de São Francisco, a Golden Gate, o local recordista em números de suicídios no mundo todo. Só conseguiram autorização para isso com a mentira de que o filme visava mostrar a interação entre os turistas, o movimento e a paisagem fabulosa do local, pois evidentemente dizer que queriam flagrar suicidas não iria agradar às autoridades.

Foram usadas duas câmeras. Uma fixa, com plano geral da extensão da ponte, e uma outra de alta precisão para captar as pessoas em close. E esta segunda era usada associada ao instinto do profissional que a manipulava, pois ele precisava focar naquele que por um motivo ou outro parecesse estar disposto a escalar o parapeito e saltar. Segundo o diretor, sempre que notavam a iminência de um salto, chamavam a guarda costeira, pois salvar uma vida era mais importante do que o filme. Mesmo assim, 24 pessoas finalizaram suas vidas naquela ponte no ano de 2004 – as histórias de seis delas são contadas em The Bridge.

Apesar de extremamente rápidas, as cenas das pessoas se jogando impressionam e causam bastante incômodo. O lugar cheio de turistas felizes, atletas praticando esporte na água, pessoas trabalhando, a vida ao redor seguindo seu curso como em todos os dias. Então alguém fala ao celular por alguns minutos. De repente larga o aparelho no chão, sobe ao parapeito e em poucos segundos um assustador “tchibum” acontece. Pronto: 70 metros de altura numa queda de velocidade aproximada de 200 km por hora e a pessoa não existe mais.

O documentário, além dos suicídios, mostra entrevistas com testemunhas que estavam no local, familiares e amigos das pessoas que se mataram e tenta dar uma resposta a esta pergunta que me permeia a mente desde o avô de meu amigo: por quê? Doenças mentais, sofrimentos diversos, motivos também, no final das contas, ninguém, nem os próprios familiares e amigos e nem o expectador do filme, formulam uma compreensão exata para nada.

Steel foi recusado em festivais do mundo todo, e se por um lado, há pessoas que o acusam de querer repercussão com o polêmico tema, há uma ala que considere que ele tenha feito um alerta para que finalmente construam uma barreira de proteção na ponte. Mas, com um tom até surpreendentemente poético – beneficiando-se da paisagem maravilhosa e trilha sonora de primeira – e espantando a linha Michael Moore pra bem longe, o documentário consegue falar de um assunto extremamente delicado sem ser sensacionalista. Mostra finais, o anseio pelo fim, o arrependimento de quem se dera conta de que não queria morrer quando já havia pulado (esta pessoa sobreviveu milagrosamente ao salto) e até quem, em questão de segundos, conseguira impedir um dos suicídios. E embora não satisfaça a grande dúvida sobre os motivos que encorajam alguém a encerrar a própria vida, vale a pena ser visto.

Eis o trailer:

Ps: Comentem sobre o tema, contem experiências pessoais se quiserem, digam qualquer coisa, mas, por favor, não percam tempo falando sobre dogmas religiosos, pecado, limbo, inferno e afins. Eu tenho sono com discussão religiosa. Tenho certeza de que vocês leitores, têm mais conteúdo do que apenas essa premissa basiquinha. Ah! E quando assistirem, voltem para me contar o que acharam.



16 de outubro de 2007

Do fim: Capítulo 2


Dos beijos às explosões

Teve então um dia em que ele me olhou – realmente feliz – depois dos rápidos dois segundos que levamos para escolher o filme que veríamos no cinema. Ele disse “que tal esse?” – e eu respondi sem pestanejar: “sim, pode ser”. Ele sorriu e falou que já havia tempos que eu não insistia para que víssemos aos filmes “chatos, melosos e cansativos” que eu costumava gostar.

Eu já não contestava nenhuma escolha, mas na verdade, não passei a ter o mesmo gosto que ele e a apreciar os tais filmes de ação, eu apenas já não achava mais divertido assistir historinhas românticas a seu lado.

O que ele não sabia é que por muito tempo foi importante tentar trazê-lo para o universo das coisas que eu amava. Mas assim, aos poucos, seu descaso por tudo aquilo que me interessava me fez desistir de dividir meu mundo com ele.

Já não eram apenas os filmes, também já não falava a ele dos livros que eu lia, das pessoas que eu conhecia e das coisas que me aconteciam durante o dia.

E foi assim, um dia após o outro que os tiros e explosões das telas tomaram o lugar dos beijos e da paixão.

Continua…

***
PS: Esta é uma história de ficção criada pela autora deste blog. Entretanto, se você leitora, teve qualquer tipo de identificação com este post, significa que sua fila está prestes a andar – se mexe mulééeeeee!



9 de outubro de 2007

Nem tudo são espinhos…


Quando encontro com meus amigos, não é raro que me peçam para contar algum fato que virou post aqui na Casa. Eles querem saber como determinada coisa realmente aconteceu – se me beneficiei ou não do direito da licença poética que os escritores possuem. Segundo eles, minha vida é praticamente um sitcom. É divertido, fico me achando o próprio Seinfeld – Aiiim Tukaaam, larga de ser esclerosadaaam!

Acontece, que dia desses, me dei conta, que do jeito que relato as coisas por aqui, parece que só me meto em cilada: fico sem luz no feriado, me deparo com skinheads, fico presa em meio de protesto anti-bush, tenho o blog plagiado, quase morro em ataque do PCC, ex namoradas do meu marido ressurgem do nada, me meto em confusão no cinema, e por aí vai…

Realmente, olhando através destes parâmetros, minha vida é um fuá e só me acontece coisa ruim. Mas isso não é verdade. Só para provar, resolvi relatar através de imagens o último final de semana, quando eu e esposo lindo tivemos mais um de nossos inúmeros dias felizes – Qualée Tukaaam, eu quero é saber de desgraçaaam!

Sério, leitores. Muitos passeios, séquiço, comilança – e até uma praia deserta nós achamos. Eu sei o que vocês devem estar pensando aí deste lado. E como um casal normal e saudável que somos, fizemos sim, coisas que só podem ser feitas numa praia deserta – ou isso, ou as pessoas pensariam que somos loucos e saíriam de lá assustados depois de nos filmarem para colocar no Youtube.

Para ver as imagens sem censura basta clicar na foto ao lado. Mas não se choquem, ok? Isso tudo é natural e todo mundo já fez ou ainda fará. Ah Tukaaam, vá te catáaaa! Você só quer mostrar que tá magraam! Não se iludam, 350 ml de photoshop divididos em bustos, glúteos, panturrilhas além de lipo geral.


3 de outubro de 2007

Do fim – Capítulo 1


A hipotética ou patética maneira de se dar conta?

Foi quando sem notar, eu não mais perguntava a ele o que achara daquela roupa. “Veja, gostou dessa?”. “Sim, ficou linda”. Sequer havia olhado. Eu já não perguntava sua opinião, porque na verdade já não importava o que ele acharia sobre quase nada – nem sobre a roupa, nem sobre o aquecimento global. Mas o fato de me vestir apenas para mim foi um grande marco nessa história toda. Talvez tenha sido o começo do fim, mas eu não saberia dizer.

Em contrapartida de meu desapego, estava ele realmente gostando da idéia de que eu começara, de uma outra para outra, a me vestir com uma rapidez espantosa – nossa como eu havia ficado prática e decidida!

O que ele não sabia que aquela demora toda, aquela indecisão diante do espelho, era somente porque tudo que eu queria era ficar bonita – pra ele… Mas no final das contas, se depois de pronta eu tapasse seus olhos e perguntasse se minha blusa era branca ou preta, ele jamais saberia responder corretamente.

E foi assim, um dia após o outro, que dois minutinhos apenas começaram a bastar.

Continua…

***
PS: (Esta é uma história de ficção criada pela autora deste blog. Entretanto, se você leitora, teve qualquer tipo de identificação com este post, significa que sua fila está prestes a andar – se mexe mulééeeeee!)

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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