Arquivo de fevereiro de 2007



28 de fevereiro de 2007

Campeão do BBB7 já está definido


Ou: O Brasil e seus ídolos

E eis que ontem a Rede Globo abocanhou um “ibopão” por conta de Irislene Stelanelli e Diego Alemão. A mineirinha, uma das personagens mais queridas de todas as edições do Big Brother Brasil, foi eliminada com 57% de votos.

Siri deixa o programa

Mas porque afinal esse formato de programa atrai um número tão grandioso de público? Existem mil estudos por aí para embasar todo tipo de teoria, mas como eu sou uma mera espectadora como a maioria das pessoas, explico esse fenômeno de maneira bem simplória. Essa droga de programa fascina tanto porque simplesmente retrata uma micro-sociedade – ilustrando de uma forma ou de outra, pessoas como as que conhecemos no mundo real. Ali se confinam 12 sujeitos e passado o período de euforia pela novidade de estar em rede nacional cercados por 40 câmeras, o que acontece é que todos voltam a ser como realmente são. É então que podemos enxergar com nitidez os maus-caracteres, os sem personalidade, os influenciáveis, os neutros, os invejosos inveterados e aqueles que podem ser considerados dignos, apesar de seus defeitos.

Ok, vocês podem gritar aí que ninguém é espontâneo sabendo que está sendo filmado, ninguém age de maneira natural desta forma. Então posso dizer que se isso for verdade a coisa é ainda pior: se mesmo com a preocupação de estarem sendo observados agem de maneira que muitas vezes faz com que o público fique absorto com suas atitudes, imaginem então se não estivessem?

Quem é que já não conheceu alguém tão desleal como Alberto ou Airton? Quem é que já não teve o desprazer de se ver próximo de alguém tão arrogante como a tal Analy? Quem é que já não se viu diante de um ser tão invejoso quanto Carolinni? Quem é que já não sentiu raiva de uma pessoa tão maria-vai-com-as-outras quando a Fani? Com certeza todos nós. Por isso é que o programa e seus personagens arrebatam a milhões.

vilões?

Existem também os mocinhos que de perfeitos não tem nada e que também podem ser comparados com várias pessoas que conhecemos: Iris – uma mulher que não sabe a hora de calar, que irrita a todos por falar tudo o que lhe vem à cabeça sem medir as conseqüências. Alemão – um moleque mimado, brutamontes, estúpido e pretensioso, que trata as mulheres como lixo, mas sabe administrar como ninguém a arte de bater e assoprar. E Flávia – na minha opinião a mais inteligente de todas, ela observou o jogo todo e só tomou partido quando o bem e o mal tinham definido seus pares. Já Bruna não conta, a coitada não serviu nem para deixar claro suas diretrizes: escolheu o cafajeste mor para namorar e na hora que a coisa ficou feia ela caiu fora e ainda teve a cara de pau de falar em valores (leiam aqui).

Mocinhos?

O campeão deste jogo todos já sabem que será Alemão. E mais uma vez nosso país declara com todas as letras que é sim um país machista e de valores pra lá de duvidosos. Pois não interessa quantas um homem possa aprontar, se ao menos aparentar ser alguém de caráter, está valendo. Já tivemos Kléber Bambam – uma anta em forma de gente que sequer sabia formular uma frase sem erros homéricos. Rodrigo Caubói, o caipira que foi taxado de pegador por ficar com duas mulheres no programa enquanto namorava sério há mais de dois anos. Dhomini, o fala mansa dissimulado que conquistou Sabrina Sato enquanto sua namorada ia a todos os paredões para ser humilhada em rede nacional – imbecil. Depois disso tivemos Cida, Jean Willis e Mara – que fugiram do clichê “machões escrotos comandam”. Cada um usou a tática que achou mais conveniente para conquistar o público que foi desde a do “sou bonzinho demais” a “sou pobre, preciso do prêmio para viver!”.

Campeões das outras edições do BBB

Para para não esquecermos “nossa verdadeira natureza” aí está Diego Alemão que levará o milhão pra casa. Um herói completamente torto que faz com que as coisas sejam ainda mais lamuriosas quando percebemos que entre todos (exceto Flávia e antes Sirí – eu torcia por ela) ele é a melhor das opções. Ele vestiu como ninguém o personagem do guerreiro justiceiro e é com ele que levará o prêmio.

Acho que um país que cria ídolos tão equivocados quanto esses tem grande parte de seus problemas explicados, não acham? Não é realmente certa a frase que declara que cada um tem mesmo somente o que merece?

Update: Hoje dia 03 de abril de 2007, Alemão foi mesmo confirmado como campeão do BBB7. Aqui na Casa da Tuka você ficou sabendo disso com mais de um mês de antecedência. Mãe Diná pra quê? Hahahahahaha!



24 de fevereiro de 2007

A degradação de um ser humano


Ou: Quando até Paris Hilton te acha a maior queima filme é porque você chegou MESMO ao fundo do poço!
Por um período ela clamou aos quatro cantos que era virgem e imaculada e foi despirocando aos poucos: beijou a Madonna, dançou com uma cobra, tirou fotos e fez clipes provocantes, casou com o marginal do Kevin Federline, teve dois filhos, embarangou, divorciou, caiu na esbórnia total, foi fotografada com a pirica de fora inúmeras vezes, se drogou enlouquecidamente, foi parar numa clínica de reabilitação e saiu depois de 24 horas, raspou a cabeça e a última que aprontou: desceu guarda-chuvada no carro de um paparazzi (fotos e vídeo da cena aqui).
E nós ficamos aqui deste lado em uníssono perguntando:
Why, Britney? Why?
***
Tome vergonha nessa cara, mulé!

Britneeeeey! Siga a luz!



22 de fevereiro de 2007

Geléia Geral


O Carnaval acabou e eu fiz exatamente o que todas as pessoas adultas de bom senso deveriam fazer no Carnaval: Trepei, comi e dormi. Foi realmente muito bom. Mas o que seria de Salvador se todos pensassem como eu? O que seria do Carnaval carioca? Ah, o PIB precisa se mover enquanto você tem vida sexual ativa, Tukaaam! Verdade, verdade…

***

Meus vizinhos do andar de baixo ficaram mesmo muito tristes quando a Vai-Vai mais uma vez perdeu o Carnaval paulista. Meu marido, sem coração, gritava na janela (poveza dos infernos) a plenos pulmões só para sacanear os membros da escola que estavam desolados em sua tristeza: Viva a Mocidadeeeeeeeeeeeeeeeeee! Eles de quebra, respondiam muito magoados: Cala a boca, filho da putaaaaaaaaaaaaaa! E o palhação se divertia e regozijava de tanto rir da desgraça alheia. Coisa feia, viu…

***

Tô munitaaaaam?Quanto a tal franja, não se preocupem leitoras, nem está tão ruim. Juro que estou quase tão bonita quanto essa mocinha aqui da foto. Mas mesmo assim obrigada por terem se solidarizado e me recomendado todo tipo de chapinha e secador que existe no mercado. Quem precisa de consultora de beleza quando se tem um blog afinal de contas?

***

Nos últimos dias assisti: Borat, A Rainha, O Último Rei da Escócia, Pecados Íntimos, Dreamgirls, Em Busca da Felicidade e Volver. Todos concorrem ao Oscar em alguma categoria. Todos são legais, mas nenhum em especial merece um post apenas para contar sobre sua história. Nenhum me fascinou a este ponto e para que eu tenha vontade de falar a respeito é preciso pelo menos alguma coisa que tenha me instigado. Acho que Forrest Whitaker leva fácil a estatueta de melhor ator – ele definitivamente não tem concorrente a altura.



16 de fevereiro de 2007

Oh fuck!


Minhas amigas, todas elas, me disseram: “Não, Tuka, não corte uma franja, é uma desgraça colocá-la no lugar depois”. Eu achei que era paranóia, já que a maioria tem mania de perseguição e então não dei ouvidos. Afinal, fica tão lindo em todas as mulheres que vejo nas revistas e na televisão. portanto seria impossível não ficar em mim também, oras! E o que fiz então? Cortei uma franja! Ontem. Pra ser mais exata.

Reese WitherspoonCourtney CoxNicole RichieLindsay LohanJennifer AnistonAnna Nicole Smith – in memoriam

No salão eu estava realmente linda! Olhei no espelho e me achei uma gostosa. Uma mistura de mulher fatal com “Hum? Não sei se posso”, sabem? Ficou insuportavelmente bacana. Mas como alegria de pobre dura pouco, cinco minutos depois que coloco os pés em casa, eis que o treco desanda. Desde então a maldita não parou mais no lugar. Já conversei, prometi hidratação para que se comporte, falei que sou capaz até de fazer umas luzes para dar um certo charme… Nada. Tá aqui, em pé. Maldita.

Me digam! Porque é que minhas amigas não me avisaram???

Ps: Não. Minha resposta para os prováveis pedidos de fotos da tal franja aqui é esse.



15 de fevereiro de 2007

As antíteses e os paradoxos de um amor


Estreando a antítese de Alice: Marília
Das cartas de Marília

Não, eu nem era tão moderna e descolada quanto você e todas as pessoas a nossa volta pensavam que eu fosse. Era um tanto de disfarce para não mostrar que por baixo daquela cara de “tô nem aí” estava justamente uma menina boba à espera de um amor fulminante e eterno. Um amor que fosse qualquer coisa de espetacular com tanto que fosse você ali comigo – e você bem lembra que quando estávamos juntos era mesmo assim: espetacular.

Você e eu éramos uma antítese descarada. Eu sempre de esquerda, revolucionária e você um ingênuo extrema direita. Tudo te chocava, qualquer coisa que não seguisse os padrões te apavorava. Certinho você. Tresloucada eu. Tão fácil nossas idéias discordarem assim como era também normal que ninguém jamais entendesse porque é que uma mulher como eu queria estar ao lado de alguém como você. Tão irritantemente comum. Sim, comum.

Tentei me convencer de que as diferenças eram bobos detalhes e você foi ótimo quando passou a ter meus filmes preferidos como os seus preferidos, a ouvir minhas canções preferidas como sendo também as suas. Do meu lado eu fingia divinamente que você tinha opinião própria e não estava se tornando uma daquelas pessoas que repetem o que sequer compreendem. Do seu, você fingia que aquele mundo novo era compatível à sua vida e a tudo o que você queria.

E no mais, também meus jeans rasgados não combinavam com suas calças com vinco. Minhas botas altíssimas te deixavam menor do que eu. Meus cabelos armados e vermelhos contrastavam com seu castanho-liso-tedioso. Meus olhos castanhos maquiados em um preto assustador apagavam o verde delicado dos seus. Éramos antítese sim, mas agíamos como meros paradoxos tentando entender e justificar as diferenças com o que tínhamos de melhor. Só que sequer sabíamos direito o que tínhamos de melhor.

Eu te mordia e você alucinado, sequer desconfiava que aquilo era o equivalente a um singelo beijo de olhos fechados. Eu arrancava suas roupas em um piscar de olhos e você, encantado, se deixava guiar em um ritmo que em nenhum romance seria visto como um mero “fazer amor” – mas era.

Eu te comia. Eu te enfiava em mim até que seus olhos não focassem mais meus movimentos ali em cima de você. Aquele encaixe perfeito que no final era apenas compreendido como a mágica de uma química perfeita. Mas era mais: era raro. E eu pegava suas mãos e fazia delas as minhas próprias quando fechava meus olhos e as esfregava em mim. Você gostava, ficava em um transe absurdamente delicioso. Eu sei, realmente eu era a fêmea que qualquer homem gostaria de ter, exatamente como você dizia. Mas acontece, que eu não queria pertencer a nenhum outro, só a você. Me come! Vem dentro de mim! E você obedecia sem desconfiar que aquilo tudo era a mais profunda prova de amor que eu poderia oferecer a alguém. E eu te amava.

No final das contas o incomum era você que possuía alguém tão livre e diferente. E eu? Eu havia me tornado justamente o clichê ao qual todos julgavam que eu jamais sucumbiria: aquele de esperar a reciprocidade de um amor, mesmo um tão cheio de lacunas quanto o que você me ofereceu.



9 de fevereiro de 2007

Hey, ho, Ok Go!


Eu gosto tanto de música que desde que saiu uma pesquisa idiota aí dizendo que a percepção por novidades musicais só se desenvolve até os 30 e poucos anos fiquei meio grilada. Será que é por isso que existe esse bando de babacas cultuando os anos 80 até hoje como se fosse o máximo? Abomino a idéia de me tornar um desses tipos. Tudo bem gostar de coisas antigas, eu tenho uma lista gigantesca de ídolos de várias décadas passadas. Mas daí a ouvir sempre as mesmas coisas, não né? Cansa.

E eis que descobri faz um tempo, uma bandinha esquisita chamada Ok Go composta por quatro caras totalmente performáticos. Eles são de Chicago e se quiserem que eu classifique seu estilo, posso falar que eles têm algo de pop-indie. Mas como simplesmente detesto essa mania besta de ficar rotulando tudo o que aparece de novidade no mundo da música, moda ou qualquer coisa – reparem, sempre tem um babaca que vem com um carimbinho dizendo a merda do estilo ou da “tendência” de tudo – vou só dizer que eles são legais e divertidos. E se existe algo fundamental na música é exatamente o que a faz ser legal e divertida. Concordam? Mas depois que soube que um clipe deles já foi parar até no Fantástico, com certeza vocês vão ouvir os mais bizarros e boçais gêneros para a banda. Isso sem contar com os “os novos…”, pois basta aparecer alguém legal para os críticos manés quererem compará-lo com alguém já conhecido.

Mas voltando. Eles possuem algumas músicas rolando por aí (Get Over It e A Million Ways são algumas), mas o que me atraiu de cara foi Here It Goes Again, que, aliás, tem uma história bem peculiar. A MTV norte-americana-pau-no-cu não se interessou em produzir o videoclipe e a banda fez isso por conta própria. De forma bem amadora e nem por isso menos genial, os rapazes juntaram esteiras de academia, fizeram uma coreografia pra lá de sincronizada e jogaram o clipe no Youtube. Resultado: sucesso absoluto!

Confiram o clipe abaixo, reunam mais três amigos e depois repitam em casa ou na academia a dancinha fenomenal do Ok Go, ok? Não vale cair!



8 de fevereiro de 2007

Não agradou, Alejandro…


Estava em super expectativa para assistir Babel apenas por se tratar de mais um filme de Alejandro Gonzáles Iñarritu. Eu adorei Amores Brutos, gostei muito de 21 Gramas e Babel não tinha como não ser bom, certo? Errado. Babel é comum. Não sei se a fórmula de traçar destinos de pessoas desconhecidas concomitantemente é que está batida ou se as lágrimas de Brad Pitt e o enredo ambientado em três continentes e falado em cinco idiomas é que não me comoveram mesmo – deve ter sido isso.

Achei apenas meia boca e não acho que mereça o Oscar, mas já que ganhou o Globo de Ouro, muito provável que leve o prêmio da academia também – Hollywood é quase sempre muito previsível.

Dos cinco filmes que concorrem ao prêmio, além de Babel eu vi Os Infiltrados e o fofíssimo Pequena Miss Sunshine – desses prefiro a saga da garotinha como escrevi aqui, se bem que o filme de Scorsese também é muito bom. O draminha multi-étnico seria mesmo minha última opção. Vou assistir ainda Cartas de Iwo Jima e A Rainha. Depois conto o que achei.

Para aqueles que gostam de acompanhar a tediosa premiação do Oscar, este ano será no dia 25 de fevereiro. A lista completa dos indicados está aqui.



1 de fevereiro de 2007

Mulheres mega poderosas


Que tem muita mulher por aí que só faz é envergonhar a raça e fazer com que não tenhamos nenhuma credibilidade em váaaaaaaaaaarios aspectos da vida, a gente sabe. Mas quando uma delas faz um homem do nível de Silvio Berlusconi, ex-primeiro ministro italiano, dançar miudinho, daí a gente tem mais é que bater palmas.

O fuá se deu porque o mané do Berlusconi, que é casado há 27 anos com Verónica Larios, disse a uma deputada: “Se eu não fosse casado me casaria com você”. Pra quê! Verónica ficou louca da vida! Afinal ela sempre agüentou várias putanices do marido bem quietinha. Mas dessa vez não! Foi linda e lisa a um jornal e publicou uma carta aberta dizendo resumidamente que exigia um pedido público de desculpas do marido.

E o que Berlusconi fez? PEDIU DESCULPAS!

“Querida Verónica, aqui estão minhas desculpas. Era reticente em privado porque sou brincalhão, mas também orgulhoso. Desafiado em público, a tentação de ceder é forte. E não resisto a ela. Estamos juntos há uma vida. Temos três filhos maravilhosos que você preparou para a vida com a atenção e o rigor amoroso próprios da esplêndida pessoa que é e sempre foi, desde o dia em que nos conhecemos e nos apaixonamos. Fizemos juntos mais coisas do que estamos dispostos a reconhecer em um período de problemas e turbulências. Esta fase terminará, e terminará docemente, como todas as histórias autênticas. Meus dias são uma loucura, você sabe. O trabalho, a política, os problemas, os deslocamentos, os exames públicos que não terminam nunca, uma vida sob pressão constante. (…) Tudo isso abre espaço para as pequenas irresponsabilidades de um caráter jocoso, auto-irônico e muitas vezes irreverente. Mas sua dignidade não tem nada a ver, protejo-a como um bem precioso inclusive quando de minha boca saem frases irrefletidas. (…) Não, acredite-me, não fiz propostas de casamento. Desculpe-me, portanto, e lhe suplico que aceite este testemunho público de um orgulho privado que cede diante de sua cólera com um ato de amor. Um dentre tantos. Um grande beijo, Silvio.”

***

Tomou?


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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