Teve medo de não saber mais se portar sem tê-lo a seu lado. Mas em contrapartida pensou que foram tantas as vezes que recomeçou, que bem ou mal faria isso de novo – e da maneira certa, porque todo fim implicava um recomeço, então recomeçaria. Lembrou-se mais uma vez de um filme francês estrelado por Juliette Binoche em que ela dizia: “Cuidado com aqueles que já sofreram porque eles sabem que podem sobreviver apesar de qualquer coisa”. Foram tantos os obstáculos em seu caminho que prometeu a si mesma que se houvesse uma próxima vez não mais sucumbiria, não se entregaria.Arquivo de novembro de 2006
28 de novembro de 2006
Teve medo de não saber mais se portar sem tê-lo a seu lado. Mas em contrapartida pensou que foram tantas as vezes que recomeçou, que bem ou mal faria isso de novo – e da maneira certa, porque todo fim implicava um recomeço, então recomeçaria. Lembrou-se mais uma vez de um filme francês estrelado por Juliette Binoche em que ela dizia: “Cuidado com aqueles que já sofreram porque eles sabem que podem sobreviver apesar de qualquer coisa”. Foram tantos os obstáculos em seu caminho que prometeu a si mesma que se houvesse uma próxima vez não mais sucumbiria, não se entregaria.24 de novembro de 2006
Faz um tempo que terminei de ler o mais novo livro incluído em minha “Top List Puta Livros”: O Diário do Farol de João Ubaldo Ribeiro, lançado em 2002. Falar que o bahiano arretado é um escritor fenomenal pode ser pra lá de batido, mas que se foda: João Ubaldo Ribeiro é FENOMENAL!
O livro é o relato de um padre inescrupuloso, que, isolado em uma ilha com um farol batizado de Lúcifer, narra os mais absurdos atos cometidos por ele durante sua vida motivado primeiramente sob a desculpa de vingar-se dos maus-tratos do pai e depois da mulher que o desprezara. É absolutamente um manual da falta de caráter e dissimulação que conta em detalhes todas as artimanhas da pessoa que acredita que o bem e o mal são exatamente uma coisa só. Ou seja: a mesma pessoa que comete o bem neste mesmo ato pode estar cometendo o mal por diversas razões.
Seu maior argumento é o de que todos nós somos iguais e a partir disso o leitor se vê envolvido em uma série de manipulações, mentiras e crimes, e, assustadoramente, se percebe identificado com todas as maldades milimetricamente calculadas citadas na obra. Somos nós realmente apaixonados pela maldade do mundo como decreta a história? Somos realmente seres em quem jamais se deve confiar como diz a epígrafe do livro? Como é que secretamente carregamos a incrível capacidade de cometer as maiores aberrações em função de nós mesmos sem que sejamos verdadeiramente maus?
A narrativa do padre, acompanhada do início ao fim do mais absoluto cinismo, ofende o leitor chamando-o de burro e incapaz a todo instante e tenta com todas as forças dissuadi-lo a abandonar qualquer noção de moralidade. Ele joga por terra o que chama de “pseudoverdades insustentáveis” e despreza a todos aqueles que acredita dependerem das mesmas.
João Ubaldo colocou em palavras a essência do que somos capazes mesmo que não saibamos? Não sei. Mas senão isso, tenho certeza de que ao menos desmistificou a maldade a ponto de que possamos acreditar que no mundo em que vivemos tudo é realmente possível por mais impressionante que possa parecer.
21 de novembro de 2006
Então suma de uma vez por todas – eu lhe peço – pois já não sou mais capaz de muitas coisas, tantas que nem sei se posso enumerá-las. Tantas, que nem sei se algum dia você saberá de todas. Tantas coisas que já nem cabem em mim: vazam de meu corpo, transbordam de meu peito, escorrem até meus pés. Sei que não sou capaz de tê-lo apenas em uma tarde chuvosa de sábado, dentro de algum lugar lotado – ou mesmo em algum lugar apenas com nós dois, pois você não estaria ali a meu lado. Sei que não sou capaz de controlar meu desejo por você a ponto de me contentar em beijá-lo enquanto sobra um tempo qualquer entre o que precisa fazer e o que quer fazer de verdade. Sei que não sou capaz de ter paciência para esperar que decida ver-me quando não resta absolutamente mais nada. Sei que não sou capaz de fingir não notar que seus pensamentos voam longe. Sei que não sou capaz de não ferir-me ao imaginar que não é meu corpo que anseia em seus braços.
Não quero mais o que já aprendi a amar como se tivesse amado por toda a minha vida. E estou abrindo mão do frio na barriga, de minhas fantasias, de meus desejos de ter você a meu lado, da vontade que sinto de ser sua, das conversas ao pé do ouvido que sequer ouviu, da cumplicidade de um olhar que sempre quis com você, das canções que quis que conhecesse, das poesias rabiscadas ao lembrar de seu rosto.
Abdico, e me despeço, do seu corpo, do seu olhar, da sua boca, da sua voz, da espera por você, da palpitação em meu peito. Abdico e me despeço da minha história a seu lado, dos meus pêlos arrepiados ao tocar-me, do meu corpo tremendo de desejos. Abdico e me despeço do que ainda nem vivemos e nunca viveremos. Abdico e me despeço do suor de meu corpo colado ao seu, da felicidade desmedida a cada encontro – que só existiu em mim. Abdico e me despeço das lágrimas de seus olhos que eu não deixaria cair e do riso sem pudores que ingenuamente mostrei a você.
Abdico de você em função de mim – e de um amor maior que deve haver por aí em algum lugar.
17 de novembro de 2006
Liga para aquele amigo com quem não fala há séculos, poucos segundos após abrir a boca para o tal “oi tudo bem?” vem o “será que você pode me fazer um favorzinho?”. Resposta que você provavelmente ouvirá: “Se estiver a meu alcance, claro que faço”. Resposta que você deveria ouvir: “Vá pro diabo! Não liga pra saber se estou vivo, mas lembra de mim pra favorzinho?”.
Tem um feriado chegando e bate aquela vontade de ir à praia, então você se aproxima repentinamente daquele amigo que tem casa em Ubatuba, com quem você só fala eventualmente por MSN. Assim, sem mais nem menos você começa a ligar, mandar e-mail, deixar testemunials no Orkut e coisas que façam com que você pareça uma pessoa legal. Resposta que você irá ouvir quando se convidar para a casa de veraneio do cara: “Claro que pode ir pra Ubatuba com a gente”. Resposta que você deveria ouvir: “Fulano, a casa vai estar lotada de amigos meus, não tem mais espaço”. Daí se você for inteligente, vai sacar que se a casa vai estar lotada de amigos e você não foi convidado é porque ele só te considera amigo da onça.
Uma amiga te pergunta o que você fará no fim de semana, você diz que irá a uma super balada em um lugar novo, mas nem se importa em convidá-la. Daí quando chega o dia e todas as outras pessoas com quem você combinou, dão pra trás, você liga em cima da hora e chama a coitada da amiga porque ela tem carro, e você precisa de carona (mas isso você não fala, óbvio). Resposta que você provavelmente irá ouvir: “Tá, vou me arrumar rapidinho e passo pra te pegar”. Resposta que você deveria ouvir: “Não vai dar, estou de saída com meus amigos para uma festa absurda que vai ter por causa da abertura daquele festival internacional de cinema”.
Você só sente saudades daquela pessoa no domingo e bem na hora do almoço, pois “coincidentemente” você nunca tem grana para almoçar fora e cozinhar não é seu forte. Isso significa que jamais ninguém comeu alguma coisa em sua casa. Daí faltando mais ou menos uma meia hora pra hora da comilança, você liga e pergunta se pode dar uma passadinha para dar um beijo no fulano. Resposta que você provavelmente irá ouvir: “Claro! Venha sim, será muito bem recebido!”. Resposta que você deveria ouvir: “Será que você pode passar lá pelas três da tarde? É que daqui a pouco vamos almoçar”.
Certas coisas não te cansam a beleza também?
14 de novembro de 2006
Chapeuzinho Vermelho era uma menina bagunceira e mimada que chegava na casa da avó todo ano de férias e tocava o horror. A insuportável chamava os amigos e dançava as músicas da moda no último volume, acabando com o sossego da pobre velha. Ela tirava absolutamente tudo do lugar e insistentemente perguntava se herdaria todas as jóias. Clamava aos quatro cantos que quando aquela casa de campo (que floresta o caralho!) fosse sua, faria altas reformas e a deixaria moderna com todas as normas do feng shui. Dizia que a vó era ultrapassada e que não ter Internet nem TV a cabo era o cúmulo.
Sempre era assim, ano após ano, a menina chegava e lá ia pelo ralo toda a tranqüilidade de sua avó. Mas naquele ano dona, Eustáquia estava decidida que seria diferente. O que? Você pensava que a coitada não tinha nome? Você acreditava que ela se chamava mesmo vovozinha? Se você se chamasse Eustáquia, acredite, você também preferiria ser chamada de vovozinha.
A pobre senhora resolveu dizer à filha que não mandasse a neta neste ano, pois estava doente – poxa uma mentirinha de nada não faria mal a ninguém. Mas quando enfim ligou, foi informada que a munitamm já saíra de casa, ainda por cima com uma cesta de biscoitos que ela mesmo havia feito – aliás, dona Eustáquia preferia comer pedras àqueles biscoitos horríveis. O desespero começou a sufocar a velha. Não queria ter que agüentar Edna Emanuelle (prefere Chapeuzinho também né?) por um mês, não queria aquela capeta correndo e gritando por sua casinha tão arrumadinha e limpa, não queria ter seu armário revirado e suas roupas sendo classificadas de vintage por aquela adolescente chata. Queria paz, só isso.
Foi então que Jurandir, seu namorado apareceu. Ele era másculo, peludo e 20 anos mais jovem – um belo homem. Ela lhe contou todo seu drama e ele prontamente se ofereceu a ajudar. Mas antes, já que havia um certo tempo até que Edna Emanuelle chegasse, fizeram sexo selvagem. Dona Eustáquia o chamava de lobo nesses momentos. Ele preferia que fosse lobo mau. Foi então que surgiu essa história toda, imagina se um lobo de verdade iria falar, oras. Era o Jurandir! Mas sem que tivessem muito tempo para a farra que iniciaram, eis que toca a campainha. Caramba! Nem sexo uma pobre viúva podia fazer em paz!
- Béeeeeeeeeeeeeeeeeeee (campainha toca pela terceira vez).
Eustáquia e Jurandir, imóveis e peladões na cama, não sabem o que fazer.
- Vóoooooooooooooooo! Ô vóooooooooooooooooo! Abre aquiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Eustáquia levanta, sai correndo para o banheiro e pede a Jurandir para que diga a Edna Emanuelle que ela saiu. Acontece que nem mal ele colocou uma roupa (a de Eustáquia mesmo, pois estava mais perto) para abrir a porta, foi surpreendido com a garota o olhando. Levou um susto e voltou para a cama – escondendo o corpo debaixo do edredom.
- Vovó, a senhora está tão diferente: por que esses olhos tão grandes?
Caceta, que raio de menina chata, pensou Jurandir antes de responder:
- Grandes, é? Ficaram assim com o susto que você me deu! Aliás, como foi que você entrou aqui, menina?
- A porta estava aperta, duhhh! E por que esse nariz tão grande?
- Você sabe que nossa família tem mesmo esse nariz de batata, Edna Emanuelle! Não tem espelho em casa não?
- E por que essas mãos tão grandes?
Jurandir já estava sem paciência:
- Olha aqui menina, eu estava dormindo e ainda não acordei direito. Você precisa mesmo fazer tantas perguntas?
- Por que essa boca tão grande, vó?
- Botox! Que saco! Botox! E que saber de uma coisa? Eu não sou sua vó, sou o Jurandir!
A menina, percebendo que o homem que estava ali acabara de “comer” a sua vó, começou a fazer um escândalo clamando aos quatro cantos o quão absurdo era uma velha daquelas tendo um caso com um homem mais jovem. Que ele só queria o seu dinheiro, que era ridículo aquilo de amor na terceira idade, que ela iria contar a toda família para que interditassem os diretos de dona Eustáquia até que aquele romance acabasse!
Em poucas horas advogados e familiares estavam ali, todos concordando com os motivos de Edna Emanuelle e dizendo que Jurandir queria mesmo dar o golpe do baú em dona Eustáquia.
Muito brava e lúcida a velha apareceu e por um instante se sentiu traída por todos, mas logo em seguida percebeu que havia encontrado, de uma vez por todas, uma maneira de nunca mais aquele bando de chacais, incluindo a neta pentelha, aparecer ali novamente: excluiu a todos de seu testamento e viveu feliz ao lado de Jurandir, seu lobo mau.
***
Chapeuzinho Vermelho (Edna Emanuelle) fez terapia durante anos, se casou, teve cinco filhos, leva uns tapas do marido de vez em quando e é dona de casa. Odeia todos os velhos e não fala mais com ninguém de sua família.
A vovozinha (Eustáquia Cristina) fez plásticas, renovou o guarda-roupas, vendeu a casa de campo e comprou um apartamento na praia. Depois de uns anos enjoou de Jurandir e começou um romance com Amilton Washington, 30 anos mais jovem que ela.
12 de novembro de 2006
Um dos meus mandamentos sempre foi “não te envolveis com ex namorado(a)/marido(esposa) de amiga(o) jamais”. Eu iria detalhar minhas razões uma a uma, mas devido a esse preceito ser algo praticamente auto-compreensível vou apenas dizer o maior dos motivos que sempre me levaram a pensar assim: sua amizade com a pessoa que namora seu ex nunca mais será a mesma. Nunca.
Mas eu achava isso, na verdade, até a última sexta. Quando mais uma vez fui, digamos, obrigada a estar no mesmo lugar que uma ex do meu marido (e não foi um retorno de diaba e demonha, pessoas, pelo menos ainda não). E vocês aí desse lado gritam: “De novoom uma ex em seu caminho, Tukaaam? Se Benze, munitaaam!” – sim, leitores, eu realmente preciso. Para quem acompanhou todos os capítulos da história que contei, vale dizer que a moça é a envolvida em um deles. E óbvio, como vocês meus leitores são seres inteligentes, não precisarei me esforçar muito para que percebam que em um post em que começo a dizer sobre o mandamento de não se envolver com ex de amigo, neste texto existem todos os personagens: a ex e o amigo – ambos de meu marido, e, sim, envolvidos.
Mas voltando ao assunto, até sexta eu achava isso algo inviável e de extrema falta de bom senso. Pra quê afinal, com tanta gente no mundo, se relar com alguém que teve algo com uma pessoa que faz parte de sua vida e a mesma não quer mais contato? Era o que eu pensava, leitores, era sim. Pra quê, me digam, trazer de volta para a vida de alguém que você gosta tanto, quem carrega, ou carregou até esses dias, ódio mortal por ele devido a um pé na bunda? Pra quê, por favor, me elucidem, abdicar de conversas com detalhes tórridos de todos os antigos relacionamentos que vocês tiveram? Pra quê, pra quê mais uma série de coisas, leitores, hein? Eu tinha uma lista interminável desses insuportáveis praquês.
Bem… Era o que eu pensava. Até sexta. Quando justamente percebi o quão romanceada era essa minha, digamos, teoria. Afinal esse negócio de ex capaz de tirar as pessoas dos eixos e do sério pra vida toda, é algo pra lá de mulherzinha, portanto não deve ser levado muito a sério. “Ai Tukaaamm! Você é um raio de mulherzinham mesmooom” – é o que vocês estão pensando, certo? Então enxerguei nitidamente que a maioria dos relacionamentos quando acabam, pelo menos para um dos lados, sobra absolutamente nada. Que a presença do ex ali é tão comum quanto todo o resto de pessoas que você sequer conhece. Que quando a amizade entre duas pessoas é importante vale sempre a máxima de que rolos, namoros e até mesmo casamentos sempre têm fim, mas amigos são companheiros eternos. E que ex são como pragas – estão em todo lugar e principalmente onde você menos deseja que estejam (afinal o inferno é tão pertinho, porque eles todos não se mudam pra lá? Hihihihihihi).
Sabem, o amigo em questão lê esta Casa (na verdade talvez até a ex a leia), e vocês com certeza agora estarão aí se perguntando: “Mas Tukaaaam, ele não vai ficar bravo com vocêeemmmmm?” Hum… Se ele fosse um cara qualquer, talvez ficasse, embora vocês sejam testemunhas aí desse lado, que eu não falei aqui nada demais. Nem ao menos proferi um xingãozinho à moça, tampouco disse que ele merece coisa melhor. Mas coçam meus dedos e vou apenas dizer que ela precisa dar um trato naquelas sobrancelhas, pois o resto até dá pro gasto. Contudo voltando a provável chateação do amigo: não, ele não faz o tipo ofendidinho – é dos meus, dá a cara à tapa e oferece o outro lado. Talvez por isso mesmo é que eu tenha mudado de opinião em relação e esse mandamento. Diferentemente da dor de um pé na bunda, que mesmo passando um tempão sempre se lembra daquele gostinho amargo, certas coisas na vida não podem ser imutáveis, não é mesmo?
10 de novembro de 2006
Das coisas que me irritam em ser mulher, a maior delas é o fato de obrigatoriamente sermos o sexo de boas samaritanas, de sermos os eternos seres capazes de pensar primeiro nos sentimentos de nossos companheiros do que nos nossos próprios. Estou errada?
Puxem pela memória. Lembrem com cuidado e atenção de todas as vezes que protelaram um relacionamento (ou algo do gênero) por medo de magoar. Relembrem de todas as coisas que engoliram a seco para não deixar a pessoa chateada. Pesquem lá na memória todas as vezes que deixaram a própria felicidade em segundo plano por conta de estar ao lado de alguém que não amavam mais tanto assim, apenas porque a tal pessoa sofreria demais com o fim. Escalem tudo o que não queriam fazer e o fizeram apenas para agradar, apenas porque alguém tinha que ceder.
Relembraram de tudo?
Agora façam o contrário. Juntem todos os “nãos” que ouviram quando quiseram estar ao lado de alguém que estava de saco cheio com o relacionamento. Tragam de volta todos os “não te amo mais” que lhes foram proferidos sem a menor cerimônia e somem com os “estou a fim de outra pessoa”. Acrescentem pitadas de “você não me faz mais feliz” com gotas de “não suporto mais toda a sua insegurança” e “nem amarrado vou a esse lugar com você, hoje tem jogo do timão”. Pronto? Misture bem agora.
Nós, as mulheres, por mais que sejamos verdadeiramente práticas e tenhamos um limiar muito singelo de paciência no que se diz respeito a uma infinidade de coisas, quando se trata de amor, tudo muda de figura. Mesmo que o amor já não exista do nosso lado, se existe alguém ali que ainda sente algo e que irá sofrer com um fim, protelamos e nos deixamos em segundo plano.
Juntamos então uma infinidade de desculpas que de algum jeito justificam o maior de todos os atestados de burrice que é o de abrir mão do que queremos em função de outra pessoa: “ele vai se matar”, “antes só do que mal acompanhada”, “ele jamais vai se recuperar desta queda”, “jamais vou encontrar outra pessoa que me ame tanto quanto ele”. TU-DO BO-BA-GEM! E não me classifiquem de insensível e fria, pois lá no fundo vocês sabem do que estou falando.
Os homens têm a brilhante capacidade de se livrar do que não querem mais com um estalar de dedos. Não deixo de admirar isso e de considerar um dom apesar de muitas vezes ficar abismada com tais atitudes. Os homens esquecem facilmente da família por causa de uma mulher e pouco se lembram até mesmo de suas próprias mães. O grande problema disso é que as malditas sogras acham que isso é culpa das mulheres e jamais admitem que seus filhotes estejam cagando e andando para elas. Triste? Mas verdade. Os homens largam um relacionamento de anos a fio por causa de uma alguém que conheceram há cinco minutos. Nada importa: nem filhos, nem patrimônio, nem cumplicidade, nada. O que vale é o que eles decidiram naquele momento e é, portanto, o melhor para eles. E isso não deixa de ser um tipo de determinação. Os homens não se comovem com choros e apelos de “pelamordedeus, minha vida acaba sem você” – eles pensam: “Acaba sem mim? Azar o seu!”. Os homens têm habilidade de deixar bem claro quando estão em um lugar em que não gostariam de estar. A cara feia na festa de aniversário de sua amiga, na casa de sua mãe? Fichinha para eles.
Verdades absolutas: Eles jamais abdicam do que querem por causa de ninguém, muito menos por conta de relacionamentos que não querem mais. Eles jamais se deixam convencer do que não desejam. Seu cansaço sempre é maior do que o nosso por mais que façam o mesmo ou até menos do que nós. E suas dores sempre serão infinitamente mais dolorosas que as nossas, mesmo que seja um corte no dedo contra uma crise renal. Homens são uns desgraçados inteligentes isso sim, nós temos muito que aprender. Quando é que de iremos ligar o foda-se como eles e nos colocar no primeiro plano de nossas vidas?
Que tal agora?
***
PS: Antes que venham me perguntar se meu casamento vai bem e coisa e tal por causa deste post – sim, vai, obrigada, muito bem. Não sou objeto central deste texto, mas já fui, portanto tenho embasamento para os argumentos que uso e sei bem que muitas de vocês assinarão embaixo disso tudo que escrevi.
10 de novembro de 2006
Acabou a praia, o sol e os dias em que a maior preocupação era acordar antes das 10h apenas para aproveitar melhor o dia fazendo absolutamente nada ou qualquer coisa que quiséssemos.
Eu bem gosto de uns dias assim, mas sou do tipo que sente falta de um tumulto, de um caos. Devo ser maluca. Ou isso ou ouvir pássaros e barulho do mar por dias seguidos deve mesmo ser prejudicial.
Não é a toa que São Paulo é minha alma gêmea. Fazemos aniversário um dia após a outra (eu em 24 e a cidade em 25 de janeiro) e deve ser algo crônico mesmo. Já desisti de tentar entender.
Vou postar algumas fotos lá depois, passem para ver.
Já volto com um post de verdade, ou quase isso.
2 de novembro de 2006
Estou aqui em São Sebastião. Quem conhece sabe que é o paraíso na Terra esta cidadezinha no litoral norte de São Paulo. Acontece que como sou pobre, minhas férias não poderiam ser outra coisa a não ser férias de pobre. Não, não estou reclamando, apenas constatando.
Chegamos eu e meu marido na terça e a casa estava mais para chiqueiro do que para lar. Então começamos a missão de tentar colocar ordem no barraco antes do fim do dia. Não deu. Como não havia sequer condições de dormirmos ali naquele pardieiro, fomos passar a noite em um motel. Lá vêm as pessoas aí desse lado: Ai Tukaaamm, que romântico isso de manter a chama do casamento, acesammm. Olha gente, manter chama do casamento acesa depois de horas de viagem num calor do cão e de tentar em vão limpar a casa antes de anoitecer não é melhor coisa do mundo, mas se não tem tu, vai tu mesmo. E a noite foi beeeeem legal.
Ontem, baixou a maria-total-versão-master-plus e enquanto a casinha não estava limpa, cheirosa e cheia dos frufruzinhos que trouxe de São Paulo especialmente para deixar aqui, eu não parei. Detalhe: o banheiro estava com um vazamento sei lá direito onde e um encanador precisou ir arrumar. Quem disse que podíamos tomar banho até o treco secar? Lá fomos nós novamente para o motel. O melhor de tudo é que a essas alturas já devemos estar com fama de ninfomaníacos na cidade. Estou achando o máximo.
Hoje, finalmente poderíamos curtir o dia. Acordei animada, coloquei meu biquíni-laranja-putinha que comprei no Carrefour por 9,90 (verdade!), passei Sundown (pois sou nega, mas também queimo, oras), fiz a farofa (tá, essa parte já é mentira) e lá fomos San e eu felizes para a praia de Guaecá. Antes ainda compramos uma esteira e uma toalha de praia no mercado local que se chama Garça (simpático né?). Não é que choveu? Óbvio que não seria tão fácil assim conseguir um dia de sol. Mas seguirei tentando, pois ainda fico aqui mais uns dias. E a chuva não melou assim de vez o meu feriado. Vejam só, a nerd está de volta a esta Casa em plena praia. Eu amo clichês (humrum).
***
Nota alta: vi um tucano todo vaidoso voando em cima do meu carro e em seguida pousando em uma árvore. Quase tive um ataque do coração. Só tinha visto esse bicho antes em zoológico. Mas eu sou assim mesmo boba, fico feliz até com brinde que vem em salgadinho o que dirá ao ver um bicho desses assim de perto.
***
Torçam para que faça sol amanhã ou terei que voltar a esta lan house e postar na Casa novamente (antigamente para botar medo nas pessoas se dizia que a cuca iria pegar, viram como as coisas mudam? Huá!). E se jogarem praga para que chova eu jogo outra e vocês e ficarão sem meter por 7 anos consecutivos (praga de Tuka pega).

Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.
Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.
Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.
Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!





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