Arquivo de outubro de 2006
31 de outubro de 2006
29 de outubro de 2006
Há alguns dias estive na casa dos meus pais e uns cinco minutos depois de minha chegada fui recebida com provas irrefutáveis de felicidade. Tony, meu cachorro de doze anos, não se conteve de emoção e se cagou inteiro enquanto pulava, gania e mordia delicadamente meu braço para me impedir de sair de perto dele – ostento agora lindas marcas roxas última moda. É exatamente por causa do Tony que qualquer outra manifestação de amor é apenas medíocre e mequetrefe. Ninguém chega aos pés dele. Eu te amo, meu cachorro azul.
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E por falar em cachorro e em amor incondicional, em outubro fez um ano que o Nico se foi. Essa perda vai me doer pra vida toda.
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Ontem ganhei do marido o tal objeto de desejo que falei aqui na Casa dia desses. E depois ele vem me dizer que sou muito mimada. Como é que eu não seria mimada com um marido desses?
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27 de outubro de 2006
E que seja eterno
Daí, como naqueles enredos bobos e previsíveis em que vemos uma série de mal entendidos que acontecem para separar os mocinhos, ele começou suas explicações. Não, ele jamais tivera outra intenção desde o dia em que nos falamos ao telefone a não ser ficar comigo. Não, ele não estava protelando o término do namoro. Não, ele não mentira quando falou sobre o amor à primeira vista. E que naquele dia em que eu havia ligado ele não pôde falar, pois a então namorada estava ali ao lado dele – durante dias esperou que eu ligasse e quando isso aconteceu, ela estava ali.
Por último me informou que era também um homem livre e perguntou se eu toparia ficar ao lado dele pelo resto de nossos dias. Eu ri, e embora tivesse mesmo achado engraçado, foi a coisa mais linda que alguém me dissera. Respondi que não tínhamos nada a perder e poderíamos tentar.
Apêndice: Cinco dias depois demos nosso primeiro beijo. Seis dias depois do primeiro beijo, fizemos amor pela primeira vez. Dois meses depois do nosso primeiro amor, passamos um mês inteiro viajando juntos de férias. Quatro meses depois da viagem, fomos morar juntos. Seis meses depois de juntar as escovas de dentes, dissemos sim na frente de um juiz caduco que usava peruca e casamos oficialmente (esta parte com o juiz maluco rende um post bem engraçado).
Nesses tantos meses que passaram, lá se vão vários anos de vida compartilhada. E juntos superamos dificuldades, aprendemos com erros e acertos e temos certeza cada dia mais de que quando se ama de verdade quase nada é sacrifício. Que nem todo dia seremos tão encantadores, mas o encanto não acaba. Que nem sempre estaremos tão felizes, mas a felicidade é sempre o maior objetivo. E que Pessoa tinha mesmo razão quando disse que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Novos capítulos sendo vividos a cada segundo…
25 de outubro de 2006
Certas coisas só acontecem comigo?
Ah! Quer saber de uma coisa? Que se dane tudo! Era exatamente o que pensava. Eu é que não iria ficar choramingando por um babaca que acabara de conhecer. Era realmente só o que me faltava. Desapaixonaria tão rapidamente quando apaixonei – era o que ficava me repetindo como um mantra.
Foi então que voltei a Curitiba no dia seguinte à conversa pra lá de lacônica que tivemos.
Cheguei carregando minhas malas e pensamentos de que definitivamente a maré não estava pra peixe em meu marzinho conturbado.
Parênteses: Nem bem colocara os pés em casa quando o telefone tocou. Era exatamente o moço-que-disse-ter-me-amado-ao-primeiro-olhar-e-logo-depois-me-jogou-um-balde-de-água-fria, que me ligava de São Paulo. Que belo romance eu tinha encontrado, não?
23 de outubro de 2006
Mas eis que vi Pequena Miss Sunshine – a estréia na tela grande de Jonathan Dayton e Valerie Faris saídos do mundo dos videoclipes. O filme não tem atores extremante famosos e não está passando em circuito comercial nos cinemarks e ucis da vida. Exatamente por isso é que a maioria das pessoas não ouviu falar dele e se o vir em algum cartaz por aí poderá deixá-lo passar batido.
Miss sunshine é uma antítese muitíssimo bem-humorada daqueles tão batidos filminhos americanos em que tudo dá certo para os personagens. Sabem a histórinhas de redenção em que os feios se tornam bonitos no final, ou em que os times repletos de pernas de pau ouvem frases de incentivo de seus treinadores e sempre vencem os craques? No filme em questão não há absolutamente nada disso.
Aos sete anos, Olive adora participar de concursos de beleza mesmo que sua aparência definitivamente não se insira nos padrões presentes em eventos do gênero. Com enormes óculos de grau e uma linda pancinha (a atriz Abigal Breslin, de Sinais, usou uma roupa com enchimento), a garotinha sonha em ser miss. E a sorte a ajuda quando ela acaba sendo qualificada para participar do concurso que escolherá a Miss Sunshine.
É então que começa a história da viagem de uma família nada convencional para levar a pequena Olive ao concurso de beleza infantil. Em uma Kombi caindo aos pedaços seguem todos de Albuquerque, no Novo México, até a Califórnia.
Richard, o pai, é um fracassado motivador profissional obcecado pelo sucesso e por frases clichês de auto-ajuda. A mãe, Sheryl, é uma típica dona de casa desesperada cheia de preocupações com a família e, sobretudo, com seu irmão Frank, um gay, estudioso de Proust que acaba de sobreviver a uma tentativa de suicídio. Dwayne, o filho mais velho, é um adolescente rebelde, leitor de Nietzsche, em voto de silêncio e que odeia todos a seu redor. O avô (pai de Richard) usa a velhice para justificar suas crises de mau-humor e seu vício em heroína.
Com nenhuma pitada de família perfeita todos se unem em favor do sonho da caçula e na conturbada viagem vários acontecimentos fazem com que o problema de cada um deles seja confrontado.
O roteiro envolve o espectador de corpo e alma ao alternar momentos hilários aos dramáticos e principalmente quando seus personagens dão suas caras à tapa enfrentando suas dificuldades no meio de uma sociedade que cobra tantos valores ridículos.
Pequena Miss Sunshine demorou cinco anos para ser produzido, pois seus diretores encontraram dificuldades para conseguir apoio financeiro de estúdios. Ironicamente, depois de ter sido exibido no Festival de Sundance – a principal janela do cinema independente norte-americano – teve seus direitos de exibição vendidos por mais de US$ 10 milhões. Somente nos EUA, rendeu US$ 55 milhões.
Ótimo filme: escrachadamente livre de padrões, sem lições de moral no final, nem reviravoltas impossíveis ou muito menos fábulas de bem contra o mal. Entrou em minha lista de filmes preferidos assim como todos os outros que fazem questão de ficar bem longe do comum. Assistam.
22 de outubro de 2006
Tudo por água a baixo?
Alô – ele disse. Oi, tudo bem? – eu disse. Sim – ele respondeu.
Mas alguma coisa estava diferente, a voz não era a mesma, definitivamente não.
O que foi? Parece que tudo mudou desde a última vez que nos falamos – desabafei. É – ele rebateu.
Lembro que olhei para meu sobrinho ali a meu lado e balancei negativamente a cabeça. Claro que com que a ingenuidade de seus quatro aninhos, ele não me entendeu.
Do outro lado da linha ele perguntou onde eu estava. Eu respondi. Em seguida o silêncio. Silêncio demais.
Desliguei.
Parênteses: O que foi, tia? Nada, meu amorzinho.
20 de outubro de 2006
Detesto Daniela Kosán, apresentadora do programa “Lo Mas E!” do canal E! Entertainment Television Latinoamerica. Ela é linda, alta, magra e é uma perfeição em forma de gente, mas meus motivos idiotas para detestá-la não têm nada a ver com isso tudo.
Tenho pavor dessa venezuelana porque a voz dela é insuportavelmente chata, porque ela se acha a tal falando que é amiga de todos em Hollywood e sobretudo (aviso: se não quiser ler algo totalmente sem sentido e que de nada vai acrescentar à sua vida, pare agora e vá arrumar coisa mais útil pra fazer), sobretudo detesto o jeito em que ela sempre coloca uma das pernas de ladinho e faz caras e bocas.
Ai como eu detesto aquela perninha ali parada daquele jeito, e olha que eu nem assisto àquela droga de programa, só vejo as chamadas durante os intervalos das coisas que gosto. A apelidei de “miss perninha” – e para provar achei essa foto aí. A peguei desse blog, que ao que tudo indica, pertence a um grande admirador dessa mulher enfadonha. Desconfio que ele não irá gostar de saber que eu andei escrevendo malvadezas sobre ela aqui. Mas vão até lá e vejam todas as fotos, reparem na tal perninha de ladinho e saibam do que estou falando.
***
Lembram daquele desenho que passava quando éramos crianças? É exatamente o Jonny Quest do desenho animado que eu detesto até hoje. O desenho até era mais ou menos, apesar de ser “de menino”, mas o que eu não suportava mesmo era o protagonista.
Meus motivos eram bem plausíveis até. Me dava raiva ver aquele mauricinho loiro viajando em missões do governo americano com o pai cientista, o cachorrinho afetado Bandit, o tutor Race e o menino Hadji.
E justamente por causa de Hadji é que acumulei em meu coração tanto rancor por Jonny. O coitadinho do moleque era orfão, hindu, negro, e qualquer um podia ver claramente que Jonny não gostava dele coisa nenhuma. Lá no fundo Hadji era uma espécie de mucama. Hoje em dia, como penso como uma adulta sensata (uiaaa!), até vou além: garanto que o molequinho hindu era molestado pelo Dr Benton e por Race, enquanto Jonny brincava com seus brinquedinhos caros.
Odeio você Jonny Quest, seu mimado!
(continua…)
20 de outubro de 2006
Reflexões e muitas perguntas sem resposta
Naquela praia, em companhia do meu sobrinho de então quatro anos, tive as maiores e, no entanto, mais sensatas divagações a respeito de minhas mazelas. Que besteirada esse negócio de amor que acaba e nos consome. Quanta lágrima desperdiçada enquanto pensamos que a última chance de ser feliz se esvaiu por entre nossos dedos…Parênteses: Será que ele havia decidido? Será que tudo aquilo que conversamos fora realmente verdade? Poderia ser apenas desespero de causa? Duas pessoas buscando alucinadamente algum sentido para suas vidas?
19 de outubro de 2006
A fuga
Continuamos a conversar e posso garantir que esses dias pareceram meses devido a tudo que aconteceu. Entre tantas coisas de natureza bastante distintas estavam incluídos, de um lado, o meu ex inconformado, e de outro, a namorada do moço que parecia perceber que havia algo estranho no ar. O namoro dos dois nunca foi o que ele gostaria, sempre foi claro que o amor pendia apenas de um lado da balança e era apenas no que dizia respeito ao sentimento dela por ele. Ele não a amava.
Entre nós foi tudo realmente muito rápido, acho que vale relembrar para que não percam as contas: do dia em que nos conhecemos até o momento em que conversamos pela primeira vez se passaram nove dias. Neste mesmo me apaixonei e no seguinte terminei o namoro.
Estávamos no dia 13 de dezembro (três após eu ter dito a ele que estava livre) quando resolvi levantar o time de campo e viajar. Tudo estava uma confusão. Eu o entendia: eu terminei um namoro por telefone, ele teria que fazer isso ali olhando pra cara da menina que o amava. Não era algo tão simples assim.
Parênteses: Eu não tinha dito em nenhum momento nada que o influenciasse na decisão que viria a tomar. Se quisesse terminar seria ótimo, eu ficaria realmente feliz, mas se não quisesse, eu entenderia. E foi exatamente por isso que fiz minhas malas e viajei. Não levei celular e nem o avisei da viagem.

Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.
Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.
Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.
Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!





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Fernando Boniotti

Estão vendo esta camerazinha? Ela está ali na coluna da direita faz um tempão. Estava ali, coitadinha, de boba – não servia pra nada. Mas agora ela funciona. Podem clicar lá e conferir. Não é um fotolog totally ego descontrol, mas nem por isso vocês estarão livres de ver a minha carranca.
Então que Raquel Pacheco (vulga Bruna Surfistinha) vai lançar mais um livro: “O Que Aprendi Com Bruna Surfistinha – Lições de uma vida nada fácil” (Panda Books/R$ 27,90 /272 págs). Segundo a
Hoje só se falou na tal bomba que a