Que a terceira guerra mundial comece. Que assassinem o presidente da república. Que o Tsunami mate 300 mil pessoas. Nenhuma tragédia neste momento é maior do que a nossa.
Que nossa melhor amiga esteja grávida de gêmeos. Que nosso irmão tenha sido promovido a gerente de uma multinacional. Que nossa mãe seja convidada para fazer uma receita na Ana Maria Braga. Nenhum tipo de felicidade será percebida.
Que venham nos dizer que logo vai parar de doer. Que nos garantam que foi melhor assim. Que nos certifiquem que ele não nos merecia. Nada disso será compreendido. E será tão inútil quanto a tentativa de convencer uma criança de que injeção não dói.
Que nos falem sobre inteligência, amor próprio ou orgulho. Tudo será em vão. Tais palavras deixaram de existir em nossos dicionários por ora.
Que o amor que sentimos nunca irá passar – pensamos. Que a dor que nos consome será eterna – temos certeza. Que a culpa de tudo foi nossa – nos punimos. Que apesar de tudo vale a pensa insistir – insistimos. Que ele ainda irá se arrepender – nos iludimos. Que nos arrastaremos pela vida até que ele volte – e esperamos. Que nunca mais amaremos novamente – e nos adiamos…
Quem nunca perdeu um amor não sabe de nada disso. Não entende que a perda de alguém que amamos dói, não é frescura, não é manha. Essa dor nada tem a ver com rimas fáceis ou metáforas para engrandecer sentimentos como nas poesias. A dor é física – quase como se um elefante sentasse sobre nosso peito e nos impedisse de respirar. Sair da cama é sacrifício, dormir tranqüilamente é impossível, olhar no espelho não significa que nos enxergaremos refletidos. Perder alguém que amamos é navalha na carne.
Desde o minuto em que levantamos da cama até a hora em que nos deitamos novamente, o que queremos é uma resposta para nossos porquês. Por que acabou? Por que não tentamos mais? Por que está com outra pessoa? Queremos um fio de esperança, queremos nos apegar a qualquer coisa, a qualquer palavra, a qualquer sinal remoto de que as coisas voltarão a ser como antes.
Não importa mais nada, não importa o que digam que tente nos trazer de volta a realidade. Nada! Não nos damos conta de que as coisas fugiram do controle, que nada depende do que façamos. O amor se foi de um dos lados, nada o trará de volta. Mas pensar nisso gela nossos ossos e uma agonia assustadora persiste em nos acompanhar nos dando a impressão de que será assim para sempre.
Quando se perde um amor perdemos muito: dignidade, esperanças, sorrisos, perspectivas… Mas entre todas essas coisas, a pior delas e justamente a que não nos damos conta é que quando perdemos um amor perdemos também a nós mesmos. Esquecemos por tempos quem somos, quem fomos, o que gostamos, o que queremos, os motivos que nos faziam o riso fácil, o encanto pelas coisas da vida.
Daí eis que chega o momento crucial em que temos que escolher: ou vamos indo aos tropeções com a certeza de que nossas chances de felicidade findaram ali com aquele amor que acabou. Ou nos reencontramos e nos tornamos ainda mais fortes, mais aptos a amar e sermos amados do que jamais fomos.
Com o perdão da frase clichê, mas que como quase todas, também tem seu valor: a vida é assim mesmo. É… Uma hora a gente chega ao fundo do poço, em outra ao clímax. Cair é preciso pra saber levantar. Perder também. Se a vida continua? Óbvio! Resiliência é uma capacidade de todos aqueles que merecem a felicidade. E sempre voltamos à forma original, mesmo que ainda melhores!
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Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz
Antes de sairmos fui escalada para escrever um bilhetinho que seria colocado dentro do presente de quem ele tirara na brincadeira. Era um amigo secreto entre bloggers e o presente deveria ter alguma relação com o nome do blog da pessoa sorteada ou com algum de seus posts. Ele havia tirado uma pessoa de quem eu nunca ouvira falar, de um blog que jamais lera, mas ainda assim achei estranho quando notei que o presente que ele entregaria nada mais era do que um monte de caixas, uma dentro da outra e todas vazias, exceto pelo bilhetinho que eu havia escrito.
E então eu estava lá naquele dia 30 de novembro prestes a ter minha vida modificada totalmente, só que ainda não sabia disso. Naquele dia eu havia saído de Curitiba contrariada. Desembarquei em São Paulo para definir o rumo de um namoro com alguém com quem eu não queria estar.
Nerds absolutos que fomos, e, ainda somos um tanto, nos conhecemos em uma das festas bloggers que eram organizadas aqui em São Paulo. Nelas é que finalmente colocávamos um rosto a todos os posts lidos e todas as conversas no MSN.
Vou dizer algo aqui hoje que para muitos é inimaginável. Na verdade, é algo que até para mim um dia foi inimaginável: não vejo a hora de fazer 30 anos. Mesmo.
Em Campinas está acontecendo uma exposição de 20 obras de Romero Britto e estou com vontade de dar um pulo até lá para ver. Mas estou falando dele hoje, não devido a sua arte, que, aliás, admiro bastante, mas porque achei interessante a resposta que deu a pergunta de um jornalista da (argh) Época. Quando questionado se acha que é mais valorizado fora do Brasil, o pernambucano foi sucinto e disse: “Não. No Brasil as pessoas têm dificuldades financeiras e não conseguem comprar obras de arte”. Eu bati palmas mentais a ele pela frase.
Está um calor do cão aqui em São Paulo. Calor mesmo, desses de andar com pouca roupa e dormir de janela aberta. 





