Arquivo de julho de 2006



28 de julho de 2006

Me against the city


É láFiquei exilada por vários dias em Curitiba. Um calor fora do comum para a cidade gelada que é nesta época do ano. Nada de dias cinzas e nem de usar minhas roupas de frio que ficaram esquecidas na mala. Nem teve chuva também, algo que me deixou meio perplexa. Curitiba, céu plenamente azul e eu. Fazia tempo que esse encontro não acontecia.
Minha relação com aquela cidade é estranha. Algo que beira a saudosismo barato de uma época boa de minha vida, misturado com o sentimento de que nunca mais quero voltar ali para ficar. Sempre que estou por lá acontece isso. A estranha sensação de andar por aquelas ruas, olhar aqueles mesmo lugares e nunca mais querer trazer de volta tudo aquilo para o meu dia após o outro. Curitiba ficou lá atrás em minha vida. Talvez pensem os românticos que isso se deve ao fato de que grandes decepções aconteceram por lá. Talvez pensem os incrédulos que uma pessoa como eu não combina com um lugar tão tranqüilo quanto aquele. Talvez tudo isso ou nem um pouco de nada, apenas a página virada e só.

De todas as motivações que me levam sempre de volta estão obviamente um mocinho chamado André e a mãe do mesmo, minha irmã. Ele, cada vez maior, mais bonito, mais inteligente, mais curioso. Cada vez mais se distanciando da pessoinha que insisto em chamar de bebê. Mas pra mim definitivamente ele sempre será aquela criatura de pouco mais de 3 quilos que segurei em meus braços no dia 20 de março de 1998 pela primeira vez, tendo certeza de que ficaria em minha vida pra sempre. Já minha irmã… Eu e ela alternamos posições de tempos em tempos. Vez em quando viro eu a irmã mais velha e ela a caçula, em outras garantimos nossos lugares originais na vida uma da outra, mas sempre perto como duas melhores amigas devem estar. Não é todo mundo que tem a sorte de ter a irmã como sua melhor amiga nesta vida, eu tenho.

Das outras pessoas que por lá estão não saem jamais de minha vida – os mesmos. Minha via crucis começa quando o primeiro liga para saber quando nos veremos e nem sempre termina quando vejo a todos. Nunca dá tempo. E sempre volto para mais alguns momentos preciosos ao lado de cada um. Um deles está prestes a dar uma guinada na vida. Outro voltou a namorar a mesma pessoa com quem estava há anos e anos. Uma ficou noiva e está absolutamente feliz com isso. Uma outra está meio deprê se prendendo a motivos tolos para não ficar bem. Uma delas achou alguém especial e está radiante quebrando seus padrões. Sinto falta de cada uma dessas pessoas e também de várias outras. Por isso é que sempre volto.

Fiquei absorta com uma pergunta feita por um dos meus: “E agora você está em seu lugar? Você nunca sentia estar onde queria, seu pensamento sempre seguia adiante de onde seu corpo se encontrava. Agora você está onde quer estar?”. Isso é pergunta que se faça? Respondi imediatamente e depois fiquei matutando por horas. Eu realmente não lembrava dessa minha inquietude. Fiquei tempos pensando quem era aquela que estava ali querendo estar lá e não mais a encontrei dentro de mim. Sim, hoje estou apenas onde quero estar, amigo. Obrigada por me lembrar disso.

Curitiba está lá e eu aqui, mas é impossível nos separarmos por muito mais motivos, até os quais eu mesma não me dou conta.



11 de julho de 2006

Novas idéias facilitam sua vida


Já muito antes de me “vender” ao sistema e de simples jornalista, me tornar uma redatora publicitária, tenho um encantamento pelos comerciais que passam nos intervalos das coisas que assisto. Adoro ver algo bem feito e também, como mera consumidora, ignoro os mocapes. Diante de coisas absurdamente ruins, faço cara feia e me pergunto como o tal publicitário conseguiu convencer o cliente a veicular determinada porcaria. Indo além, me pergunto como alguns profissionais conseguem manter o emprego fazendo tantas merdas como as que passam toda hora na televisão.

super hiper mega master plusE é no quesito “porcarias publicitárias” que reside a Polishop, marca hors concours. E o diferencial da dita cuja é exatamente esse: fazer propagandas descaradamente ruins. Ruins sem a menor pretensão de serem boas. Quem é que não se viu vidrado diante daquelas pérolas que sempre têm um: “E não é só isso! Comprando agora você leva inteiramente grátis um mega master plus reductil come gordura!”. Impagável! Eu não resisto e caio na gargalhada toda vez. Imaginação é o que não falta e produtos também. Eu queria muito aquela mesa e também aquela mangueira de jardim embora nem tenha um jardim. Mas o que me faz brilhar os olhinhos mesmo é a escada. O que é aquilo?? Eu preciso de uma! Fácil de guardar e versátil: 8 escadas em 1 com até 14 posições!! Hahahahahaha!

***
Como é que Polishop ainda não levou um leão no Festival Internacional de Publicidade de Cannes???



4 de julho de 2006

Comida e literatura


Mesmo tendo sido criada em uma cidadezinha com uma grande colônia japonesa. Mesmo sempre tendo nipônicos em minha rede de amigos. Mesmo freqüentando restaurantes japoneses semanalmente. Mesmo assim jamais havia conseguido enfiar na cabeça qual comida era o sushi e qual era o sashimi.

Eu sempre soube a diferença entre eles embora não soubesse qual era qual. Um é aquele bolinho de arroz com peixe ou outros ingredientes, até mesmo frutas – não gosto desse. O Outro é o peixe cru, que eu adoro.

Sushi não!O engraçado da história é que agora aprendi a diferenciá-los como ninguém. Tudo isso graças a Marian Keyes e ao seu livro horroroso chamado Sushi. Hoje, quando em um restaurante japonês, já não fico confusa tentando lembrar qual das duas comidas eu odeio. Basta lembrar da péssima experiência literária que tive e prontamente peço sashimi, pois sushi não dá.

Se vocês adoram sushi e sashimi igualmente, sorte. Mas se querem ler algo que presta, fujam desse livro medonho.

***

PS: Fazia tempo que queria escrever o quão terrível é esse livro, mas sempre acabava deixando pra lá. Hoje, aproveitando a minha ansiedade em esperar pela hora do almoço, que será num restaurante japonês, resolvi alertá-los a não gastarem dinheiro com essa porcaria irlandesa.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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