Arquivo de abril de 2006



28 de abril de 2006

Então


Ando tendo que me acostumar a designar cargos, que até então eram coisas tão distantes do meu mundinho “escrevinhento”, que estou pensando que realmente não devo levar jeito pra essa coisa de TV. Na minha cabecinha ingênua, eu achava em um programa de televisão existia algo como: um diretor, um produtor, um figurinista, contra-regras, cameraman, editores e seus respectivos assistentes (pois se existe um lugar onde existem assistentes: assistente disso, assistente daquilo, assistente da assistente, esse lugar é a televisão).

Daí chega o diretor artístico me perguntando se eu vi o diretor de operações, pois o diretor de cena e o diretor de fotografia precisam urgentemente falar com ele. Digo que vi, mas no lugar da pessoa que ele precisava, chego no diretor de arte: Ó, tão procurando você. Ele: Quem tá me procurando? Eu: O diretor. Ele: Que diretor? Eu: Ahn… Um deles.

E lá foi o homem tentando achar qual dos quinhentos e noventa diretores o estava procurando.

Outra coisa também que torna impossível que alguém de memória de peixe como eu trabalhe em um lugar assim é que jamais, nem em cem anos, vou saber o nome de tanta gente de cabeça. Vem aquele moço de óculos e cabelos mais curtinhos e me olha: Oi, sou o Felipe assistente de flanflanflan. (dois mili segundos é o tempo máximo que sei assistente de quê ele é). Oi Felipe, eu sou a Tuka, a redatora. Prazer.

Dois minutos mais tarde, volta o Felipe assistente de flanflanflan e me apresenta o Cléber, diretor de flucfluc. Meu pobre cérebro, no exato momento em que as pessoas me dizem seus nomes e em seguida o bombardeiam com os apostos, entra em pane. Eu entendi, eu entendi direitinho. Esse fulano é o assistente do felipe que é diretor do cleber. Como ele se chama mesmo? Affe. Assim que ele passar novamente por minha mesa e eu precisar de uma informação que talvez ele possa me arrumar, vou chamá-lo de: Eeeeeeeeeeeeeeeeei, pode me dar uma mão aqui?”.

O bom disso tudo? Por aqui todo mundo tem memória de peixe como eu. Já fui apresentada até como Geruza, que pelo que soube, é a responsável pela cozinha. Huahuahuahua!

***
Sei que vocês notaram meu sumiço desta Casa, mas a culpa é do diretor de assistência produtiva de arte e criação que não sai do meu pé. Ta… É mentira, ele pensa que sou a Geruza… Rs…

Mesmo assim, e falando sério agora, ando escrevendo muito para um site de um programa de TV que vai ao ar neste sábado e a vida anda uma bagunça.

Daqui a pouco tudo ao normal, paciência comigo tá?



24 de abril de 2006

Tinha que ser assim


(Republicação – 11 de abril de 2003)
Nada me deixa mais irritada do que ouvir diante de situações em que as pessoas não obtém o resultado que esperavam, as seguintes palavras: “Não deu certo porque tinha que ser assim”. Estranho, mas ninguém consegue responder quando a frase é rebatida com a pergunta: “Mas por que tinha que ser assim?” Claro que não tem resposta… E não tem resposta porque esta frase nada mais é do que uma maneira conformista e até mesmo covarde de se encarar as coisas, de se enfrentar as dificuldades e aquilo que deu errado em nossas vidas. “Tinha que ser, não era mesmo para eu ter conseguido aquele emprego”. Esta é a maneira mais fácil de não se admitir que você não se esforçou o bastante. Ou ainda, uma maneira simples para disfarçar sua própria decepção por não ter conseguido o que esperava.

“O namoro acabou porque era mesmo pra ser assim”… Aliás, o amor que acaba é sempre um cenário propício para várias outras frases que possuem o mesmo intuito, o de consolar. Frase as quais também repudio todas. “Daqui a pouco você vai rir disso tudo”, “O tempo tudo cura”, “Ela não era mesmo pra você”. O real significado disso: Não, você não vai rir disso tudo um dia, mas vai superar sim. O tempo vai passar, mas você sempre se lembrará daquilo que te fez sofrer, mesmo que não doa mais, você vai lembrar. E se ela não era pra você foi porque um dia ela não quis mais ser (porque você ainda se lembra do quanto a quis), e você pode ter outro amor agora.

Mas realmente, apesar de todas as outras formas de “alívio imediato” que uma simples frase pode tentar proporcionar, a “tinha que ser assim” sempre ganha um espaço especial nos casos de amores que se acabam. Sempre está quase que em néon pronta para entrar em cena quando alguém está sofrendo, quando alguém se desespera.

Um amor não acaba simplesmente “porque tinha que ser assim” – me desculpem aquelas pessoas que acreditam nisso, mas vou ter contrariá-las agora. Um amor acaba porque no meio do caminho alguém desistiu ou não lutou mais um pouquinho que fosse merecido. Acaba porque alguém em algum momento esqueceu que por aquela pessoa valeria à pena nunca mais olhar para mais ninguém nesta vida. Acaba porque uma mágoa foi maior do que tudo o que foi vivido de bom. Acaba porque o orgulho superou o brilho no olhar. Acaba porque o desentendimento foi maior do que o fazer as pazes. Acaba por coisas que parecem ter sido tão tolas que até hoje você não entende.

Mas nunca, em hipótese alguma, acaba simplesmente porque assim é que era para ser. Até mesmo porque nunca ninguém poderá saber, que se tivesse havido apenas mais uma tentativa naquele dia em que se dizia que o amor havia acabado, agora o cenário poderia ser outro. Poderia ser o de duas pessoas juntas, se amando e felizes – mas não porque tinha que ser assim, mas porque tiveram a coragem de tentar mais uma vez apenas…


20 de abril de 2006

O veneno que não mata ninguém


Daí que li o livro da Rachel Pacheco, vulga Bruna Surfistinha. Sério, li mesmo e até gostei. Admito que não comprei e nem compraria. E claro que isso em nada tem a ver com preconceito, pois quem lê essa bagaça sabe que se existe algo que não sou é preconceituosa. De resto, sou quase tudo. Inclusive meio puta, pois já que com meu marido faço de tudo um pouco, sem pudores – e até Bruna ficaria envergonhada.

Só que apesar da curiosidade que tive de imediato, não o comprei por que ponderei que pelo mesmo preço poderia comprar coisas mais interessantes. Mas já que o livro apareceu aqui de bandeja o li inteiro numa só sentada – sem trocadilhos, por favor.

Sexo, drogas e blábláblá. Historinhas até bobas “romanceadas” da vida de uma bocózona. E não por ser prostituta, absolutamente nada a ver. No livro fica muito claro como ela se define sendo uma pessoa sem caráter, mentirosa, ladra, fútil e ingênua (sim, pasmem, ingênua). Ser puta, na verdade, é sua melhor qualidade. A mulher tem mesmo talento pra coisa – benza Deus.

Mas nada muito original afinal de contas. Pois há 27 anos a alemã Christiane já havia contado sua história no livro e filme “Eu, Christiane F. – 13 Anos, Drogada e Prostituída” – também sobre muita dessa ladainha de submundo (mas em doses muito maiores, claro).

E eu realmente acho um barato ler essas coisas polêmicas que tanto chocam os moralistas. Por isso, ponto pra Bruna, que além de ter feito tudo o que quis, elevou a profissão mais antiga do mundo em critérios altíssimos. Agora não basta ser puta – tem que ser best seller. Convenhamos, vai ter visão de negócios assim lá na puta-que-pariu – sem trocadilhos, sem trocadilhos…



18 de abril de 2006

E mais um belo conto de (fodas) fadas…


Passeando pelos blogs fui parar neste aqui onde me deparei com um texto chamado “Quando o príncipe bate cartão e a princesa usa crachá” que achei fenomenal. Um título que resume em poucas palavras o conto de fadas moderno e realista dos dias de hoje. E que bom, não? Realmente príncipe que chega em cavalo branco desembainhando espada e princesa esperando ser salva, não dá mais. As contas precisam ser pagas, afinal.

Que nesta Casa, amor, desamor, trapalhadas pela vida afora e tanta coisa mais são temas freqüentes, todos já sabem, Mas que teriam tantas historinhas metafóricas envolvendo seres imaginários e gente de carne e osso, só agora eu me dei conta, mas que seja. Vamos a mais um post sobre príncipes, princesas ou algo que os valha.

Motivado pelo tal texto e pela conversa com esse moço querido aqui fiquei a devanear a respeito das expectativas das pessoas em relação a um grande amor nos dias de hoje. Os homens não querem mais uma Amélia, mas mesmo assim, mulheres, tirem o cavalinho da chuva se acham que jamais lavarão sequer um copo e nem farão comida. As mulheres não esperam mais serem sustentadas, mas mesmo assim, homens, não contem com a possibilidade de não ajudarem com as despesas dentro de casa.

O conceito de amor mudou, mas muita coisa permanece tal e qual sempre foi. Se espera que alguém digno de nosso amor seja fiel, romântico, bom de cama, batalhador, honesto, entre várias outras coisas mais singelas e outras nem tanto. O que vier a mais é lucro, certo? Tá, certo.

Eu disse a ele que no dia em que começarem a bater na porta falando: “Oi, é daqui que pediram um grande amor?” o mundo acaba. Mas que deveras seria muito bacana, isso seria. Certamente, meu amigo e muitas outras pessoas terão que ir a luta, pois além de príncipes e princesas não existirem (ou terem sidos reinventados) todos temos expectativas em relação ao amor. Há de se tornar a vida interessante – ninguém quer um quadro. Há de se ter motivos para viver muitas histórias, ou apenas leríamos bons livros. Há de se fazer por merecer nessa vida.

E realmente o conceito do “e foram felizes para sempre” atualmente, e cada vez mais, recebe a máxima de Vinícius do “que seja eterno enquanto dure”. E a maioria das pessoas pode achar nada romântico, mas eu acho que tem lá sim o seu valor. Afinal, quer coisa melhor do que estar ao lado de alguém exatamente pelo período em que os dois estiverem felizes? É o que eu acho, assim como não acredito que exista algo que seja realmente eterno.

E gritam os leitores aí desse lado: “Mas Tukaaaaaaaaaaa! Você é casada!”. Sim, caros, sou e muito bem casada, aliás. Mas não me disponho em uma prisão, mesmo que imaginária, onde é imprescindível que eu e meu marido estejamos juntos até o fim da vida caso não queiramos mais um dia. No meu conto de “fodas” o amor pelo outro pode até acabar, o que não admito é que não termine com “e ela foi feliz para sempre – mesmo sozinha”.



17 de abril de 2006

Das cartas esquecidas na gaveta


Ou: De Alice para ninguém

… … é por isso e por tantas outras coisas que mesmo com o coração apertado, que mesmo sem eu conseguir pronunciar as palavras direito (por isso as escrevo) que digo que lamento. Lamento ter estado a seu lado por tanto tempo e ter te amado tanto, e ter me entregado por inteiro sem nem pestanejar e em troca ter recebido apenas um “não te amo mais” colocando um ponto final em tudo.

Lembro que tivemos momentos felizes, momentos de dúvidas, de medos – mas quando eu me perguntava se era mesmo a seu lado que eu gostaria de ficar até o último minuto de minha vida, a resposta era sim – sempre foi sim. O nosso beijo era sempre como se fosse o primeiro, o amor que fazíamos era sempre perfeito, as declarações de amor eram feitas olhando nos olhos um do outro… Lembro que tive medo em vários momentos, pensei em desistir, em poupar um sofrimento futuro… E tudo acabou mesmo afinal. Tudo o que tivemos virou lembrança, saudade, anotações em um diário, cartas que nunca serão enviadas.

Eu errei, você errou e hoje me acostumo a seguir apenas comigo. Eu sei que é tarde demais, mas agora tenho certeza de que todos os medos, todas as dúvidas, todos os momentos em que pensamos que o amor não era tanto, poderiam ter sido superados se tivéssemos tentado ao menos mais uma vez. Tarde demais eu sei. Agora sim o amor já não é tanto – eu me pergunto se ainda gostaria que fosse. Tenho mais uma certeza: você nunca mais será tão amado por outra pessoa como foi por mim – e acho que você sabe disso. Sei também que nunca mais vou querer amar alguém como amei você – eu não quero mais amar tanto.

Ontem eu quis te ligar, mas era tarde. Houve um tempo em que nunca era tarde, em que nunca eu precisaria me conter para pegar o telefone e ouvir sua voz. Houve um tempo em que você era tão meu que eu não sabia ao certo em que momento eu e você éramos mais do que um.

Às vezes acho que perdi meu amor por pura preguiça de continuar. Você teve preguiça de tentar enfrentar o que de errado estava acontecendo e o deixando distante de mim, teve preguiça de afastar uma pessoa que começava a se aproximar – a vontade de experimentar o novo foi mais forte do que tudo que tivemos durante tantos anos. Isso me fez sentir pequena, traída, me fez sentir que você nunca me amou de verdade, que só esteve comigo por estar, simplesmente por que não aparecia ninguém mais interessante, ninguém que pudesse oferecer coisas além daquilo tudo que eu já havia te dado. Você não me deu chances de tentar provar que o amor que havia, valia a pena qualquer tentativa, ou pelo menos mais uma.

Ainda, depois de um bom tempo depois daquele telefonema, eu sofro com as lembranças da decisiva conversa que tivemos. Lembro que eu estava triste, procurando uma alternativa para um recomeço profissional quando recebi sua ligação. Eu não estava bem naquela manhã, estava precisando de palavras de consolo, de apoio, um “volta, a gente recomeça mais uma vez aqui”, e o que ouvi foi o comunicado de que o amor acabou através de um aparelho de telefone. Chorei, implorei, fiquei desesperada. Não acreditava no que estava acontecendo, aquela pessoa que esteve a meu lado por anos estava terminando tudo como se cancelasse um pedido num restaurante, como se mudasse de idéia em relação ao sabor do suco que acabara de pedir.

Falar com você pessoalmente foi ainda pior. Você pôs fim a tudo que eu sonhei em questão de segundos – destruiu uma vida de planos e sonhos em questão de segundos. Deixou que eu saísse de sua vida tão facilmente quanto permitiu que outra pessoa entrasse. Estou triste até agora e acho que isso nunca vai sair de dentro de mim, eu quero esquecer e ao mesmo tempo não tenho coragem de apagar a história que tivemos. Apagar os beijos, os olhares, a amizade, os momentos. Não, não sei se quero apagar isso. Acho que eu tenho medo de esquecer coisas que talvez nunca mais em minha vida eu viva novamente.

Eu sei que o que estou sentindo agora vai passar mesmo que pareça que não. Mas me engano achando que talvez, bem no fundo, você ainda sinta minha falta e ainda troque os nomes das pessoas com quem conversa pelo meu. Que talvez, quando sozinho, admita que fez uma cagada enorme ao me deixar sair da sua vida assim. Que carregue com você a ilusão de que um dia ainda nos reencontraremos por esses caminhos que a vida esconde. E eu, aqui do meu lado, quietinha, espero. Espero que pare de doer, e que no dia em que você me ver novamente eu possa simplesmente sorrir e dizer: “obrigada por ter saído da minha vida”.



12 de abril de 2006

Todas as máscaras


Qual é a sua máscara de hoje?Com que máscara você saiu de casa hoje? Não, não me venha dizer que não as usa. Todos nós usamos. Por exemplo, ontem, para disfarçar minha TPM dos infernos, coloquei a “sou-uma-mulher-de-bom-senso-vou-me-conter-para-não-matar-alguém”. E deu certo, todos acreditaram, ou quase. O tio que me ligou um zilhão de vezes perguntando se era da Beneficência Portuguesa deve ter desconfiado de algo quando o mandei catar coquinho na descida – pois era lá embaixo que ficava o tal lugar que ele estava procurando.

Somos todos assim, donos de máscaras que nos reinventam em algum momento em que simplesmente não podemos ser o que realmente somos nem expressar o que realmente estamos sentindo. Isso é válido? Sim! Só não vale usar o tempo todo, pois há contra-indicações.

Questionando meus amigos em uma pesquisa rápida no MSN encontrei:

Uma amiga que acaba de mudar de emprego tentando esconder sua insegurança por ainda não saber resolver muita coisa sozinha. Ela desfila um modelo clássico, muito conhecido por muitos de nós: “sou-uma-profissional-de-sucesso”. E pergunto: está funcionando? “Sim, até eu abrir a boca pra perguntar alguma coisa óbvia para alguém”.

Outra pessoa agora. Esta aguarda para conhecer alguém que chegará de outro país e quer passar a impressão de quem não está se importando muito. Ela carrega divinamente a máscara intitulada: “eu-não-sou-ansiosa-sou-centrada-e-controlada”. Quando eu, muito inconveniente, lanço a pergunta: está enganando alguém? “Para a maioria das pessoas e principalmente para ele, acho que está funcionando. Para outras poucas tive mesmo que confessar o quanto estou ansiosa”.

Mais uma. Ela está morrendo de cólica e terá um almoço em que tentará convencer um jornalista a publicar uma matéria sua. Elegantemente e sem cair do salto carrega com ela: “está-tudo-muito-bem”. Pergunto: está dando certo? “Não muito, vou almoçar em um lugar que detesto, tentar empurrar texto e a cólica… Eu estou me contorcendo, o pessoal pensa que comi algo estragado”.

***

PS: Ontem, por alguns segundos depois de ler o comentário do tal braga666 no post abaixo, usei a máscara “estou-tão-ofendida-por-ele-comparar-meus-textos-com-os piores-da-Veja”. Depois tirei e dei risada. Ponto pra você, viu? Me fez perder dois segundos e ainda ganhou uma menção aqui na Veja… Ops, na Casa! Hahahahaha…

***
Hoje estou com a “ai-que-bom-que-já-é-quarta-e-tenho-que-limpar-a-casa”.



5 de abril de 2006

Eu e os palavrões


Por que ele fez isso?Eu combino com palavrões perfeitamente. Quando qualquer pessoa me olha, de cara me acha esquisita – meio fora dos padrões do que pode ser considerado comum: cabelos curtos demais (com fivelinhas demais), olhos grandes demais (com rímel demais), boca grande demais (com gloss demais), pernas compridas e finas, bunda do tamanho de um caminhão pipa, pulsos e dedos mais secos do que os de uma criança de seis anos (malditos criadores de anéis e pulseiras que nunca fazem nada do meu tamanho) e ainda assim, pasmem, consigo ser gorda. Isso fora minhas roupas, que por mais discretas e iguais que sejam, as pessoas insistem em me achar moderninha (moderninha, o cacete). Pois bem, por ser assim todos me consideram descolada (descolada o cacete) o suficiente para poder falar certas coisas que uma pessoa “normal” não falaria (sei, sei).

Por isso é que sou compatível com todo e qualquer palavrão que exista no mundo – as pessoas já me julgam demais, não notariam o que de feio eu poderia vir a pronunciar entre minhas frases.

Mesmo assim, vou confessar: sou uma mulher pudica (hum-rum). Sério. Eu não sei falar tantos palavrões quanto deveria e gostaria, não me sinto à vontade. Vocês aí desse lado que me conhecem aqui deste lado devem estar rindo e pensando que monte de mentira são essas que estou escrevendo. Afinal já me ouviram falar e escrever tantos palavrões que já perderam a conta. Mas eis a verdade: eu falo, mas em alguns casos fico com vergonha. Tudo culpa do meu pai! (Freud, pode se regozijar – essa sim é palavra feia dos infernos!). Sim, tudo culpa dele.

Seu Ari, aquele velho militar aposentado que sempre me censurou ao me ouvir falar o que ele achava que não deveria. Todos os “o que foi que você falou aí, menina?” que ele me disse em todos esses anos. Todos os “caralho, que bosta”, “que filho da puta do caramba”, “mas que putaqueopariu dos infernos”, “ai que porra essa droga”, “vaitománocu antes que eu me esqueça”, enfim, todos os palavrões cabeludos que uma moça jamais deveria deixar sair de sua boca, todos eles que eu nunca disse e aqueles que disse com muita dor na consciência, tudo culpa do meu pai!

Pois só não vê quem não quer que eu e os palavrões somos almas gêmeas. Mas somos amor proibido: feitos um para o outro e eternamente cercados de “não pode, não deve, ninguém está olhando agora”.

Lembro bem de um dia e de como ele marcou para sempre toda minha vida no mundo da boca suja. Eu deveria ter uns 12 anos e estávamos eu e minha amiga Renata brincando na rua quando eu viro pra ela que estava em uma distância considerável e grito: “Renataaaaaaaaaaaa! Joga logo essa bola, sua bocetudaaaaaaaaaaa!”. Para meu azar completo, seu Ari estava passando bem naquela hora e imediatamente me segura pelo braço:

- O que foi que você falou, menina?
- Nada, pai. Só falei pra Renata jogar a bola.
- Não, Tuka, me diga, o que foi que você falou ou vou você vai apanhar aqui mesmo.
- Pai (já quase em prantos), eu só falei pra Renata jogar a bola! É VERDADE!!!
- Tuka! Se eu realmente ouvi você dizer o que eu penso que disse você não vai conseguir sentar por um mês!
- Não, paaaaaaaaaaaaaaaaaai, eu não disse palavrão nenhum! (Agora em prantos mesmo)

Quanto Renata, a bocetuda em questão, ops! Quando a minha amiga em questão, intercede por mim:

- Seu Ari, a Tuka disse “Renata, joga a bola, sua bochechuda!”.
- Hum (meu pai se deixando enganar ao me ver realmente chorando). Tá bom.

Detalhe: nem meu pai jamais me bateu na vida (mas eu tremo só de lembrar em como ele era convincente quando dizia que o faria) e nem eu sabia o que era ser bocetuda. Verdade. Eu não tinha a menor idéia do que poderia ser uma boceta naquela época. Como não sou burra, aprendi que jamais deveria repetir novamente o que ouço por aí sem saber o significado (ah, isso já está parecendo fábulas de Esopo, que cu!).

Desde então eu falo palavrão (mas não muito), e mesmo que não pareça eu sei que não deveria e fico vermelha. Se você nunca notou ao me ouvir pronunciar algo do gênero, é porque eu sei disfarçar bem.

***

OBS I: Eu ainda não falo palavrão na frente do meu pai. Só a palavra merda e suas variações são permitidas. Então qualquer frase que contenha: merda, bosta, cocô e afins eu posso falar que ele não briga.

OBS II: Renata, a minha amiga desde o berço, hoje é chique e fala mais palavrão do que eu, mas em Londres.



4 de abril de 2006

Os pés na bunda da vida


Assistindo mais uma vez a um episódio da última temporada de Sex and the City, compartilhei com Carrie a dor do pé na bunda – afinal quem nunca levou um? Não adianta negar que não acreditarei, todo mundo já levou um revés de um namorado(a), caso, flerte ou afins.

Em “The Post-it Always Sticks Twice” a pobre protagonista se indigna (e com muita razão) ao fato do tal Berger ter terminado com ela por um post-it colado em seu notebook: “I’m sorry, i can’t, don’t hate me”. Aí Miranda a olha e diz que certa vez levou um fora através do porteiro do homem com quem estava saindo: “Desculpe, senhorita Hobbes, fulano de tal não descerá, nunca mais”.

Por que ele fez isso?Tive crise de riso com o caso da Miranda, pois me lembrou de um namorado. Liguei em um belo dia e ele disse que não iria me ver porque estava muito sol. Você não vem hoje porque está sol, mas também não viria se estivesse chovendo? Você pretende vir ainda algum dia? E ele, sucinto: Não, Tu, não pretendo ir nunca mais.

Hoje eu rio, mas juro que na época doeu. E doeu muito. Namoramos por 10 meses e ele termina me dizendo isso? Fiquei tão brava que naquela noite saí e dancei (pela primeira e última vez – uma pena) em cima de uma mesa de bilhar (nota mental: para completar minhas cenas novelescas ainda tenho que quebrar um copo na parede, bater na cara de alguém, e dizer: “me esquece, vá plantar batatas” e mais algumas coisinhas).

Teve também um tal de Guto, Gutemberg (quem normal se chama Gutemberg??). No ginásio estudávamos na mesma escola, e me apaixonei. Rolava a maior das paqueras todos os dias no intervalo. Uma vez ele até me pagou uma coxinha na cantina. Nunca chegamos a dar um beijo sequer quando ele me mandou um bilhete: Tuca (burro, tinha cansado de dizer que era com k), cansei de enrolação, vou ficar com a Thaís que sei que deixa até pegar nos peitos”. Mas só para me vingar “perdi” o tal bilhete – e não é que fizeram cópias e colaram em tudo quanto foi parede do colégio??? Bem, não preciso dizer que o Guto nunca conseguiu pegar nos peitos da tal moça, né?

Uma amiga minha, e isso não é ficção, foi chutada, durante o enterro de sua mãe. O que pensar de uma pessoa que termina um namoro de 1 ano assim? Jogamos tanta praga no filho da puta que pelo que soubemos ele nunca mais conseguiu arrumar ninguém.

Teve outra que já estava até fazendo planos de casamento, quando acordou uma manhã e bem ao lado da camisinha que foi usada pelo dito cujo na noite anterior havia um bilhete: “Não te suporto mais, vou buscar a felicidade, tchau”.

Eu já dei o pé algumas vezes, mas se for contabilizar, creio que realmente mais entrei com a bunda do que com o pé. Términos são sempre complicados, mas existem alguns que se tornam lendários e lá na frente viram motivo ou de analista, ou de piada, ou letra de música, ou de um post como esse.

***
E como diriam os infames de plantão: Porque até pé na bunda ajuda a gente a ir em frente (ou para frente ao menos)


3 de abril de 2006

Miss…ericórdia!


Eu não ia postar nada aqui na Casa hoje. Mas eis que vi algo no fórum que meu marido administra que não poderia deixar de compartilhar. Afinal é assunto de suma importância e sem o qual não poderemos viver. Preparados?

Dia 8, sábado agora, acontece o Miss Brasil, a mais bonita (hum????) representará o país no Miss Universo (ai!). Escolham sua favorita agora, basta passar o mouse nas fotos para saber de qual estado pertence a “beldade”.

(OBS: Porque ser feia é permitido – eu que o diga – mas bom senso é preciso nessa vida – em consurso de miss não né?)

Miss Acre
Miss Alagoas
Miss Amapá
Miss Amazonas - definitivamente a mais bonita
Miss Bahia
Miss Ceará
Miss Distrito Federal
Miss Espírito Santo
Miss Goiás
Miss Maranhão
Miss Mato Grosso
Miss Mato Grosso do Sul
Miss Minas Gerais
Miss Pará (Essa tem meu voto de Miss Monstra!)
Miss Paraíba
Miss Paraná
Miss Pernambuco
Piauí
Miss Rio Grande do Norte
Miss Rio Grande do Sul
Miss Rio de Janeiro
Miss Rondônia (Miss Fofão)
Miss Roraima
Miss São Paulo
Miss Santa Catarina
Miss Sergipe
Miss Tocantins


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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