Arquivo de fevereiro de 2006



24 de fevereiro de 2006

As crônicas de nada: o celular, o filme e a escola de samba


Ontem perdi a droga do meu celular. Coloquei o aparelho no bolso da frente da calça jeans e, poucos metros depois que saí de casa, dei pela falta do dito cujo. Voltei todo o caminho e perguntei a todos que via se haviam encontrado o tal aparelho. A resposta era sempre a mesma, claro: “não”. Fui a um orelhão e liguei: o espertinho que achou não perdeu tempo e já o havia desligado. Fiz todos os procedimentos na operadora para bloquear aparelho e chip e mesmo que a pessoa tente usá-lo com outro cartão de memória não irá funcionar. E o bom é que pelo menos o número consegui manter, óbvio que os contatos já eram.

O que mais me deixou puta nessa história toda é que em encontrei celulares em duas ocasiões diferentes: uma vez no banheiro de uma balada e depois em um caixa automático. Nas duas vezes os telefones eram infinitamente mais modernos e mais caros do que o que eu tinha na época e sem pestanejar liguei para os números da agenda e devolvi. Isso sem contar carteiras e blusas que já vi cair enquanto andava e sempre corri atrás dos respectivos donos para devolver. Mas, como disse um rapaz da operadora: “honestidade é questão de berço – quem tem, tem”.

No meu caso, é fato de que quem encontrou estava logo atrás de mim. A pessoa muito provavelmente viu que caiu, pegou o aparelho e seguiu caminho. Isso pra mim é o cúmulo da desonestidade – e não me venham com “achado não é roubado”. Pois se tivesse um mínimo de decência nessa pessoa ela não teria desligado o aparelho em seguida pois sabia que o dono procuraria por ele. Mas ok. Tudo o que vem fácil vai fácil. E praga de Tuka pega.

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Finalmente, depois de uma longa espera, estréia hoje “Uma Mulher Contra Hitler” (Sophie Scholl – Die Letzten Tage). Já falei de Sophie Scholl na Casa neste post aqui e desde que soube que fariam um filme a respeito dessa história fiquei ansiosa. Fala sobre um grupo de jovens universitários que em 1943 apela para a resistência pacífica como forma de conter o nazismo – assim, nasce o Rosa Branca. A única mulher que participa do grupo é Sophie Scholl (Julia Jentsch) e enquanto distribuíam panfletos Sophie e seu irmão, Hans (Fabian Hinrichs), são presos e condenados a morte.

Mais do que isso só irei saber depois de assistir. Mas já li em tudo quanto é site especializado em cinema que se trata de um puta filme. Veremos. Só o fato de ter Julia Jentsh – que fez Edukators – como a protagonista já conta muitos pontos.

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Do Carnaval de São Paulo só espero por tudo quanto é mais sagrado que a Vai-Vai não ganhe. E esse meu interesse em nada tem a ver com nenhum critério carnavalesco e nem ao fato de eu torcer por alguma rival. Na verdade quero que todas vão pra PQP. Mas minha desafeição principalmente pela Vai-Vai (…pro diabo que te carregue) é devido à proximidade do meu prédio com a quadra desta escola. Imaginem portanto, que se ela ganhar, vai ser difícil ficar incólume a todo fuá que vai haver.

***
Feriado prolongado – check

Casa limpinha e cheirando a essência de rechaud da Imaginarium – check
Estoque de comida renovado – check
Filmes bons para assistir – check
Dias de luxúria e amor pela frente – check


21 de fevereiro de 2006

As pessoas e sua indignação diante das coisas


(Die Leute und ihre Entrüstung mit die sachen)
Sabem essas pessoas indignadas? Sim! Dessas que vêem notícias na televisão, fazem cara de espanto e ficam bradando aos quatro cantos o quão absurdo é isso, o quão blábáblá é aquilo? Esse tipo de gente acha que o simples fato de balançarem a cabeça negativamente diante de uma notícia do jornal do Willian “Homer” é iniciativa social. Esse tipo de gente se acha no direito de criticar a quem, elas e seu fraco discernimento, consideram alheios à realidade. Esse tipo de gente mantém sua consciência tranqüila assistindo ao jornal da “grobo” e tendo assunto para o dia seguinte na roda de amigos e na mesa do café com a família. Esse tipo de gente não faz nada – apenas se indigna.

E querem saber do que mais? Eu não estou nem aí para os “indignadinhos de plantão”. Sim, os indignadinhos, os pasmos, os estupefatos, os boquiabertos. Esses são, na maioria das vezes, os que apenas se chocam. Pois é tão fácil chocar-se diante das coisas que acontecem no mundo em que vivemos. É tão fácil ficar zangado diante de tudo o que de errado se faz por aí.

E é exatamente por isso que ao invés de apenas engolir goela abaixo tudo o que nos é mostrado todos os dias, o ideal seria arregaçar as mangas e ir além das notícias que chegam na sala de nossas casas – já mastigadas e/ou de forma sensacionalista. Que façamos alguma coisa já que há tanto com que se indignar. Pois estar no meio da multidão dos que apedrejam e lincham – pois estão indignados – estar APENAS entre os espectadores ultrajados diante de tanta coisa – infelizmente não serve de nada.

Não desmereço nada do que acontece à minha volta, não banalizo a crueldade ou fraqueza humana, não fecho os olhos diante de atrocidades para que minha vida siga tranqüila. Mas me reservo ao direito de não ser simplesmente alguém que se assusta exclusivamente com o que acontece em horário nobre ou com o que é mostrado à exaustão no Domingo Legal.

É fundamental que a vida siga diante de tudo e qualquer coisa. É fundamental saber que não é somente devido à estupefação humana que alguma coisa de bom vai acontecer.

Há de se dar a cara à tapa. Há de se assumir o que pensa. Há de se fazer qualquer coisa para que algo melhore no mundo. E há de se impedir que nenhum tipo de indignação nos tape os olhos diante do resto, do que não teve a sorte de ser filmado, fotografado e de estar na tela da televisão de nossa casa. Há muito mais…

***
(Texto dedicado ao “senhor anônimo”, o indignado do post do dia 09 de fevereiro. Obrigada, estava mesmo precisando de um assunto pra postar aqui).

A nossa indignação
É uma mosca sem asas
Não ultrapassa as janelas
De nossas casas…
(Skank – Indignação)


20 de fevereiro de 2006

Série-maníaca, eu?


Esse ano abri mão de assistir televisão aberta. Nem novelas, nem Big Brother, nem nada. Tá, nada também é mentira, assisto ao Bom Dia Brasil sempre, mesmo achando Renato Machado um entojo.

Não tem como negar aqui e falar que nunca assisti a nenhuma dessas porcarias pois já assumi em outros posts (como esse). Assumi até que realmente gostava de Big Brother e que era assídua diante da tevê nos horários do reality show, isso na edição passada. Só que nesse ano não tive saco. Nem pra novela, embora a tal “Chatíssima” pareça ser bem legal.

E não pensem vocês que faço parte da “elite” que a vida toda assistiu apenas canal a cabo e se orgulha disso. Não! Até mesmo porque só assino há uns dois anos e acho caro pra caramba. Mas convenhamos que poder escolher o que assistir e ter mais opções do que apenas as atrações “globíferas” é deveras muito bom. Aliás, eu acho ótimo.

Mas voltemos ao fato de que eu estou cada vez menos motivada a ver a grade de programação da televisão aberta – pra isso tenho que confessar outros vícios que adquiri: séries.

De segunda a sexta-feira ou sempre que não tenho algo que me impeça, assisto a “Law and Order – Especial Victim Unit” – pontualmente às 20h. A-DO-RO. A série mostra a cada episódio o passo a passo dos policiais que desvendam crimes sexuais: quem matou quem, quem estuprou quem, quando, onde, porquê e o julgamento. Entretanto estou chateada porque minha personagem favorita vivida por Mariska Hargitay vai sair da série por um período – a atriz está em licença maternidade.

Tem também American Idol toda quarta. Sim, é um reality show. Não, não tem nada a ver com o Big Brother. É algo como o nosso fracassado Fama só que infinitamente melhor. É o segundo ano em que assisto e me mato de rir com os bizarros candidatos a cantores que acreditam ter talento incontestável. É divertido, não tem como negar. Os juízes são Paula Abdul (sim aquela que cantava “Rush, Rush”), Simon Cowell e Randy Jackson — responsáveis em selecionar os melhores competidores para as fases finais. A graça do programa está em acompanhar as fases classificatórias e se deliciar com as pérolas que aparecem e têm certeza de que são estrelas da música ainda não descobertas.

E Lost. Lost é um absurdo. Na segunda temporada a série é uma das mais assistidas em todos os países em que é passa. A Globo começou a transmitir também e parece que tem feito sucesso mesmo apesar do horário em que vai ao ar. Lost conta a história de 48 sobreviventes de uma queda de avião em uma ilha que não se sabe exatamente onde fica mas que não se trata de um lugar qualquer: habitantes estranhos, acontecimentos bizarros.

E por último mas não menos importante: Desperate Housewives. Um misto de tragédia e comédia é a pitada especial dessa série que mostra de maneira atual o “felizes para sempre”, com muito humor negro, ao retratar as vidas secretas das mulheres casadas de um subúrbio, que não são exatamente o que aparentam ser. Aliás, não são quase nada do que aparentam ser. A segunda temporada acaba de começar.



15 de fevereiro de 2006

A ditadura de ser feliz a qualquer custo


Se existe algo que consideramos obrigatório nessa vida, mais do que votar aos 18 anos, mais do que seguir aos dez mandamentos, enfim, mais do que qualquer coisa, é ser feliz.

Desde a mais remota idade escutamos versos de músicas que nos dão a lição de que ser feliz é importante e que sem isso não somos nada. Desde sempre ouvimos aos quatro ventos as pessoas clamando a importância extrema de ser feliz.

Eu concordo. Com algumas ressalvas, óbvio.

Acho que certas coisas diante dessa correria, dessa obrigação, saem distorcidas na compreensão da maioria das pessoas. Os ideais criados são cada vez maiores, as expectativas chegam às raias do impossível, os sonhos a se tornarem realidade parecem coisas de outro mundo.

As pessoas se impõem normas para o que consideram felicidade plena. Se se casarem antes dos 30 anos. Se morarem na Austrália. Se ganharem sozinhos na mega-sena. Se arrumarem marido rico. Se forem donos de empresa. Se comprarem carro zero todo ano. Se namorarem top internacional. Se quitarem o apartamento antes do dia da piroca azul. Se entrarem em Harvard. Se pisarem na lua…

Será que ninguém se imagina feliz no dia após dia? Se está sol depois de um mês de chuva ou se chove depois de meses a fio de sol escaldante – não é motivo? Ou com a grana suficiente – nem faltando e nem sobrando? Ninguém é feliz porque as coisas seguem bem: ninguém está doente, ama e é amado, o fim de semana foi legal – nada está ruim e por que não se está feliz? Ninguém quer só isso, as pessoas querem o máximo – por mais que saibam que nunca farão nada para conseguir, ou ainda, aquilo que desejam é inatingível.

Existe um condicionamento de tentar ser “feliz” sempre a qualquer custo e ninguém se dá conta que, assim como li a querida Anucha citar Oswaldo Montenegro, que o “sempre” não é todo dia. Não é sempre que vamos dar risada de graça ou querer transar até o dia amanhecer. Não é sempre que uma música traz lembrança boa – muitas vezes vêm as ruins. Não é sempre que se pode ser feliz nem mesmo com tudo que está ao alcance de todos. Mas isso não significa que não seja possível estar feliz pelo menos a maior parte do tempo.

Essa obrigação de ser feliz deveras é o que impede que muitos o sejam. Essa necessidade eterna do copo meio cheio ao meio vazio… Raios! Às vezes está mesmo meio vazio e o que isso tem demais? Só por isso não precisa apelar e recorrer à sessão dos (aaaaaargh) auto-ajuda.

Ninguém precisa idealizar que apenas uma Ferrari é a condição de sua felicidade. Tá, que também não seja um Fusca – mas deu pra entender né?

Tenho, portanto quase certeza que as únicas condições para a felicidade extrema é a consciência de que não é necessário traçar objetivos absurdos para tal e admitir que vez em quando é vital estar triste e se permitir a isso.

***
E como cantava Elis: “Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo – aprendendo a jogar”.



10 de fevereiro de 2006

Vidas em Reality show


Sem me esforçar muito, logo ali no perfil sei seu nome completo (ou quase), o que gosta e abomina, descubro também onde mora, quantos anos tem, o dia do seu aniversário, seu signo e ascendente.

Nos posts fico sabendo de suas músicas preferidas, filmes, de suas opiniões a respeito de vários assuntos, que carro possui, se tem bichos de estimação e filhos, onde costuma ir e o nome do marido ou namorado, ou, se não possui nenhum dos dois, também.

Sem ir muito longe, percebo que posso notar sua mudança de humor apenas na maneira que escreve determinados textos. Me conta em palavras tristes o dia que brigou com o amado, me diz eufórica que aquele é um dia especial, me fala de um amigo que ama, de um lugar em que esteve, da visita que recebeu, de suas lembranças. Me fala de coisas só suas, e eu leio tudo.

Sei em quem votou na última eleição. Sei que na cidade em que mora choveu nos últimos dias. Sei os nomes das pessoas que importam em sua vida. Sei como comemorou o seu aniversário e o ano novo.

Pelos comentários, noto que existem aqueles que a conhecem muito ou quase nada, os que querem agradá-la com palavras bem escritas, os que são eles mesmos, os que querem ser especiais e os que realmente o são.

Vejo aqueles blogs que são escolhidos por você e que merecem estar ali para que todos vejam que você gosta de lê-los. Vou até eles – concordo em achar que alguns são bons, outros não – devem estar por afeto, por carinho. Vejo que você comenta em vários sempre. Leio. Vejo os links dessas pessoas também – você sempre está lá. Aliás você também está em links de blogs em que nem vai, em que desconhece que existem.

Logo em seguida vejo dezenas de fotos, basta clicar no endereço do fotolog que você deixou. Ali vejo seus amigos, parentes, cachorros, casa, quarto, seus objetos, suas roupas. Vejo quase tudo o que eu nem poderia imaginar antes. E agora sei como é seu rosto. O rosto das palavras que leio.

Tem ali também o caminho certo para chegar até seu Orkut, portanto, se existia algo que eu ainda não sabia, agora será fácil. Vejo seus amigos deixando recados, sei das festas que irá ao fim de semana e das que já foi. Nos testemunials percebo se é uma pessoa querida por muitos. Leio os detalhes de quem escreveu que a conheceu na infância. Leio uma declaração de amor, leio alguém dizer “lembra daquele show no dia tal e tal lugar?”, leio coisas que jamais saberia.

Daí serviço completo: te conheço intimamente e você nem sabe. Sei tudo sobre você – tenho pós, mestrado, PHD em você – e nem imagina isso. Sei de coisas que escreveu há tempos e nem lembra. Lembro dos detalhes do seu rosto em uma foto antiga em um post. Sou capaz de te reconhecer na rua e sorrir quando a vir sem que você saiba quem sou eu – mas eu, eu sei absolutamente TUDO de você.

***

Fica aí um alerta aos blogueiros que não sabem que tipo de gente vai aparecer pela frente achando que é seu amigo íntimo ou o grande amor de sua vida.

Este texto é só porque nesses quatro anos de blog já vivi muita coisa, já escrevi sobre tanto e deixei que quem lesse soubesse exatamente e apenas o que eu queria que soubesse. E não – não significa que alguém me conheça de verdade.

E obrigada aos que escolhi como pessoas além desta Casa. São muitos.



9 de fevereiro de 2006

A criança da Pampulha – mode: repeat forever and ever


Desde Medéia que não é novidade alguma que mães façam atrocidades com os próprios filhos. Isso tudo que ocorreu com o bebê na Lagoa da Pampulha foi terrível, mas será que a imprensa brasileira não tem mais o que fazer agora a não ser noticiar todo santo dia a mesma coisa?

Acho isso tanta hipocrisia que me dá nojo. É realmente possível que todos os abusos contra crianças apenas começaram no momento em que filmaram aquela coitadinha sendo retirada na lagoa? Por favor! Não subestimem a inteligência das pessoas.

Abusos como esse e, até mesmo muito mais chocantes, acontecem a toda hora, mas como uma imagem vale muito mais do que mil palavras, agora não param de mostrar e destacar o quão as crianças deste país são mal tratadas. Como se isso fosse uma grande novidade.

O que não faz o sensacionalismo em prol da audiência garantida, não? Duvido muito que se apenas tivessem dado a notícia sem aquelas imagens alguém estaria falando nisso até agora.

Portanto: a criança já foi salva, a puta da mãe presa, que isso sirva de lição e pronto, vamos tocar a vida!

***
Agora, mudando totalmente de assunto: que raios aquele dinamarquês imbecil tinha que mexer em vespeiro com aquelas charges satirizando Maomé?



7 de fevereiro de 2006

E o tal segredo da montanha…


Tenho assistido muitos filmes, algo que eu realmente adoro fazer. Domingo vi o tão comentado “O Segredo de Brokeback Mountain”. A obra de Ang Lee ganhou o Globo de Ouro de melhor filme na categoria drama e também outros três, incluindo o de melhor diretor, roteiro e música.

Ao que tudo indica o longa vai arrebatar o Oscar também já que lidera as indicações – foram oito no total: melhor filme, diretor, ator (Heath Ledger), ator coadjuvante (Jake Gyllenhaal), atriz coadjuvante (Michelle Williams), roteiro adaptado (Larry McMurtry e Diana Ossana), fotografia (Rodrigo Prieto) e trilha sonora (Gustavo Santaolalla).

O filme é bom. Só. Nada demais fora a fotografia fantástica. Uma simples história de amor que se fosse entre héteros passaria batido. Então me pergunto: por que tem que ser especial, extraordinário e considerado o melhor filme do ano só porque mostra uma história de amor? Por que mostra dois homens beijando na boca? Ah… Me recuso a acreditar que isso ainda choque alguém a ponto de achar que é preciso militar em prol da causa e que é por isso (e apenas por isso) que está se fazendo tanto fuá por causa desse filme (pois daí sim seria uma causa nobre).

Se for por causa nobre que se fale do filme, que falem até não agüentar mais que não há nada mais legal do que dois homens machos pra caramba que se amam e que se deitam juntos – assim como é o máximo duas mulheres que se amam e como também é maravilhoso um homem e uma mulher que se amam. Agora se for para se falar apenas em questão de qualidade, Brokeback é um filme apenas mediano: com uma história legalzinha e personagens até intrigantes, mas nada que possa ser considerado extraordinário.
Ok, o triste é exatamente o que me recuso a admitir: sim, duas pessoas do mesmo sexo juntas ainda chocam muita gente. Então tá: Brokeback deve até merecer o Oscar por estar dando a cara à tapa assim em tapete vermelho. Palmas.
Mas todo ano é a mesma coisa. Hollywood escolhe um tema e premia aqueles filmes que correspondem a esse mesmo tema. Teve o ano dos judeus, o ano dos negros, o ano dos arrasa-quarteirão, do cinema catástrofe, do épico, e por aí – já em 78 edições. Esse é o ano gay e Brokeback Montain, Capote e Transamerica estão aí para todos, inclusive para aqueles hipócritas que preferirem ir ver outra coisa no cinema – menos ver homem com homem.


3 de fevereiro de 2006

Porque eu e o Carnaval não somos compatíveis


Não gosto de Carnaval. Não adianta tentar me convencer, muitos já tentaram em vão. Não gosto do clima de abdução que os brasileiros ficam quando chega essa época. Parece que nada mais importa a não ser decidir pra onde ir nesses dias.

A pergunta freqüente: “E aí, pra onde vai no Carnaval?”. Gente, eu não vou pra lugar algum. Não vou pra praia nenhuma – todas estarão insuportavelmente lotadas com os carros estacionados com os capôs abertos tocando o funk da moda. Ou com muita sorte também uns axés. Também não vou pra nenhum retiro espiritual em montanhas ou desertos pra morrer de tédio tentando sem sucesso descobrir minha missão no mundo.

Vejam, eu bem que tentei fazer parte dessa histeria coletiva. Tentei usar a tática otimista: “Tuka, essa é a época em que o nosso país mais ganha dinheiro com turismo, nosso PIB cresce”… Mas desandou em : “Nossas crianças são prostituídas pelos gringos, a fama de país de peito e bunda se difunde”…

Sabem uma vez passei o Carnaval na Bahia! Ninguém pode dizer que não tentei! Fui lá no meio do trio elétrico e praticamente tive uma experiência de quase morte em que me vi como se estivesse fora de meu corpo. Foi o aconteceu, juro! Eu lá no meio das pessoas frenéticas dançando a Dança da Manivela e me vi do alto me perguntando: “menina o que raios você está fazendo aí? Você não tem mais o que fazer?”. Fora que já estava tremendamente irritada com toda aquela gente suada se esfregando em mim – e se existe algo que me deixa irritada e ainda mais chata do que já sou é estar perto de pessoas suando como porcos. Argh.

Teve também uma vez em que fui parar em uma prainha da moda. Todos empolgadíssimos aguardavam ansiosos o início do show do… tenho até vergonha… do… É o Tchan. Pronto, falei. Eis que depois de uma eternidade assistindo a apresentação de um grupo de lamba-aeróbica que ensinava ao público todos os passinhos das danças: da bundinha, da periquita, da perninha, do bracinho, do dedo mindinho e do pezinho esquerdo, surgem no palco Sheila Carvalho, Carla Perez, Jacaré e Cumpadi Uóxinton (que com certeza deve se escrever assim).

As pessoas entraram êxtase! Eu? Eu, caros, que estava ali para acompanhar uma amiga que acabava de levar um pé na bunda homérico, sentei em um canto e vomitei. Verdade. Como pouca desgraça sempre é bobagem, comi um espetinho de camarão que foi o responsável por um incrível revertério. Eu ouvia Cumpadi cantar de longe com toda aquela voz fenomenal e vomitava. Sheila e Carlinha dançavam e se rebolavam e eu vomitava. Jacaré requebrava até o chão e eu vomitava…

Sabem, teve um lado bom: depois de apenas meia hora e quando eu já via biles saindo de meu estômago, me levaram embora. Soube depois que o show durou mais umas 3 horas. Até hoje tenho fama de estraga festa, mas fazer o quê?

Portanto, que ninguém me venha com a máxima de que o Carnaval é legal. Carnaval é coisa do capeta. Eu vou ficar em casa, aproveitar São Paulo vazia, ver todos os filmes em cartaz, treinar e aprimorar novas posições sexuais com meu marido e assistir feliz pela televisão o congestionamento de volta pra casa que todo ano parece aumentar.



2 de fevereiro de 2006

Na locadora…


…surrupio o seguinte diálogo:

- Odeio esse, não quero ver.
- Odeia como?
- Tudo. Desde o ator até a história. Tudo horrível.
- Mas você nem viu!
- Mas odeio assim mesmo. Tem coisas que a gente odeia sem precisar ver.
- Hum, mas vou levar.
- Tá, leve então. Vou alugar uns pornôs em represália.

(Tenho cá para mim que essa pessoa só precisava de uma bela desculpa para alugar os tais filmes de adultos).


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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