Vamos “Aureliar” isso aqui:
Sandy
menina bonita, lisa, rica, magra virgem, bem-comportada, bem-educada, recatada e retardada (sim, pois que vida mais chata é essa, Gesuiz?). Ela atormenta as pessoas desde que tinha apenas seis anos cantando ao lado de seu irmão gay e lindo. Sintetizando: Ela não bebe, não fuma, não trepa, não vai ao banheiro, não fala palavrão, não tem ponta dupla, não come Big Mac, não odeia ninguém, não tem unha encravada. É a própria bailarina da música de Edu Lobo (procurem no gôgou correndo a letra de “Ciranda da Bailarina”!). Sandy é assim: meiga e fofa!
Wanessa
menina bonita, lisa e rica – por aqui acabam as semelhanças com sua arqui-rival. Dadeira, baladeira, faladeira – ela assume aos quatro ventos que não é mais virgem. Ela sai em capa de revista no meio do maior perrengue brigando com o ex. Ela come e engorda e faz dieta e emagrece de novo – e sai em capa de revista mostrando a barriguinha reta. Ela usa saia curta, decote e provavelmente até calcinha. Sintetizando: Ela fica bêbada, trepa, fala besteira, come de tudo e arremata dizendo que agora está madura. Wanessa é assim: Mezza calabresa – mezza muzzarela ou nem oito nem oitenta – ela é quarenta e alguma coisa.
Estabeleci, junto com uma bicha amiga desocupada, uma categoria bem simples em que podemos classificar as pessoas a nossa volta sem dar bandeira alguma (hum-rum).
Puxe na memória aquela fulana que estudava com você na faculdade. Sim, aquela Patricinha do inferno que ia de carro enquanto você pegava busão. Que andava com roupas lindas e de grife enquanto você vestia C&A. Aquela que também pagava mico vez em quando, que se dava mal nas provas e ainda conseguia passar. A tal é uma Wanessa.
Já sua vizinha, aquela coisa. Que tem a sua idade e nunca teve uma celulite na vida. Que tem o cabelo maravilhoso e sedoso. Que namora o mesmo cara há uma década e vai casar virgem. Que veste roupinhas lindas e combinando com a bolsa, cinto, sapato e fivela. A pobre é uma Sandy.
Então:
Micro saias ou jeans furado: Wanessa.
Namorado estilo família Lima: Sandy.
Namorado mal-caráter como Dado Dolabela: Wanessa.
Na balada chega cedo e vai embora depois de dez minutos: Sandy.
Chega bêbada e sai carregada: Wanessa.
Fácil né?
Agora me conte, quem é você?
Definitivamente, coisas muito clean não combinam comigo. Aquela coisa verdinha e branca estava um luxo só, mas não era a minha cara.
Confesso, um dia gostei dela. Nos áureos tempos do Clube da Criança na Rede Manchete eu a achava o máximo. Eu tinha uns cinco anos e não me intimidava pela fama de que a moça maltratava as crianças de seu programa. Muito pelo contrário: adorava vê-la “descer o sarrafo” naquela molecada horrorosa. Como podem perceber, eu nem sempre fui esse ser angelical que hoje vos escreve (um-rum) – mas angelical é coisa de outra loira e estou falando de Xuxa.
Então é hoje. Meu aniversário. Me dêem parabéns e me desejem tudo de bom, pois nunca é demais.
Dizem que todas as mudanças externas que acumulamos durante a vida nem de perto são tão grandes quanto as invisíveis, as internas. Mas será que realmente mudamos? Será que somos algo além daquilo que sempre fomos? As mudanças acentuam o que somos ou o que somos é que acentuam as mudanças?
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