Arquivo de janeiro de 2006



31 de janeiro de 2006

Sandys e Wanessas


Olha, antes de mais nada quero deixar bem claro aqui que não gosto nem de Sandy nem de “Uanessa” (dizem que é assim que se pronuncia corretamente o nome dela). Não gosto e não tenho nada contra, só acho que as duas cantam mal, as duas são bregas, as duas são milionárias e ambas estão se lixando pra mim. É por isso que posso falar mal sem peso na consciência.

Vamos “Aureliar” isso aqui:

Sandy

menina bonita, lisa, rica, magra virgem, bem-comportada, bem-educada, recatada e retardada (sim, pois que vida mais chata é essa, Gesuiz?). Ela atormenta as pessoas desde que tinha apenas seis anos cantando ao lado de seu irmão gay e lindo. Sintetizando: Ela não bebe, não fuma, não trepa, não vai ao banheiro, não fala palavrão, não tem ponta dupla, não come Big Mac, não odeia ninguém, não tem unha encravada. É a própria bailarina da música de Edu Lobo (procurem no gôgou correndo a letra de “Ciranda da Bailarina”!). Sandy é assim: meiga e fofa!

Wanessa

menina bonita, lisa e rica – por aqui acabam as semelhanças com sua arqui-rival. Dadeira, baladeira, faladeira – ela assume aos quatro ventos que não é mais virgem. Ela sai em capa de revista no meio do maior perrengue brigando com o ex. Ela come e engorda e faz dieta e emagrece de novo – e sai em capa de revista mostrando a barriguinha reta. Ela usa saia curta, decote e provavelmente até calcinha. Sintetizando: Ela fica bêbada, trepa, fala besteira, come de tudo e arremata dizendo que agora está madura. Wanessa é assim: Mezza calabresa – mezza muzzarela ou nem oito nem oitenta – ela é quarenta e alguma coisa.

Estabeleci, junto com uma bicha amiga desocupada, uma categoria bem simples em que podemos classificar as pessoas a nossa volta sem dar bandeira alguma (hum-rum).

Puxe na memória aquela fulana que estudava com você na faculdade. Sim, aquela Patricinha do inferno que ia de carro enquanto você pegava busão. Que andava com roupas lindas e de grife enquanto você vestia C&A. Aquela que também pagava mico vez em quando, que se dava mal nas provas e ainda conseguia passar. A tal é uma Wanessa.

Já sua vizinha, aquela coisa. Que tem a sua idade e nunca teve uma celulite na vida. Que tem o cabelo maravilhoso e sedoso. Que namora o mesmo cara há uma década e vai casar virgem. Que veste roupinhas lindas e combinando com a bolsa, cinto, sapato e fivela. A pobre é uma Sandy.

Então:

Blusas cor-de-rosa abotoadas até o gogó: Sandy.
Micro saias ou jeans furado: Wanessa.
Namorado estilo família Lima: Sandy.
Namorado mal-caráter como Dado Dolabela: Wanessa.
Na balada chega cedo e vai embora depois de dez minutos: Sandy.
Chega bêbada e sai carregada: Wanessa.

Fácil né?

Agora me conte, quem é você?



29 de janeiro de 2006

Vermelho


Como eu sempre quis uma parede vermelha em meu apartamento e nunca me encorajaram a levar a idéia adiante, resolvi pintar pelo menos a parede daqui da Casa.
Definitivamente, coisas muito clean não combinam comigo. Aquela coisa verdinha e branca estava um luxo só, mas não era a minha cara.
Eu e a Casa temos uma relação passional. E não há nada mais anti-clímax do que algo que não tenha a ver com isso. Por isso aqui estão bolinhas, cores, saltões, penduricalhos…
Não chego a ser brega por pura sorte, eis a verdade. Ou sou e ninguém me disse nada. Mas só sei de uma coisa: gostei muito da nova carinha da Casa.
E vocês?


26 de janeiro de 2006

Da série: coisas que me cansam a beleza


Existem certas coisas que no auge de minha quase “trintice” (mais um neologismo tukoniano, caros) ainda não consegui compreender. Ei-las:

- Por que o céu é azul?
- Por que não nasci rica?
- Por que o Mar Vermelho não é vermelho?
- Por que alguém lê este blog?
- Por que Xuxa não se aposenta?

De todas essas coisas fundamentais e importantíssimas para o meu crescimento como pessoa, a última questão é a que mais me intriga: Por que raios Xuxa não nos deixa em paz e se aposenta?

Confesso, um dia gostei dela. Nos áureos tempos do Clube da Criança na Rede Manchete eu a achava o máximo. Eu tinha uns cinco anos e não me intimidava pela fama de que a moça maltratava as crianças de seu programa. Muito pelo contrário: adorava vê-la “descer o sarrafo” naquela molecada horrorosa. Como podem perceber, eu nem sempre fui esse ser angelical que hoje vos escreve (um-rum) – mas angelical é coisa de outra loira e estou falando de Xuxa.

Já com meus seis aninhos nunca mais ousei me aproximar da televisão nos horários em que ela aparecesse – seria uma afronta à minha inteligência pois já era notável que a mentalidade da apresentadora era inferior a uma criança com a minha idade. Então torci muito para que ela fosse de uma vez por todas embora para a Argentina. Daí seria o ápice de minha felicidade: argentinos e Xuxa juntos – mais fácil odiá-los estando em um mesmo lugar.

É obrigação de todas as pessoas que com o passar dos anos melhorem, vocês não acham? Sejam mais sábias do que já foram aos 15 ou aos 20 ou aos 30 – enfim, que evoluam. Vejam: Madonna não faz mais sexo oral em garrafas, ela casou, têm filhos, mora em castelo, canta Abba (uia). Minha amiga Jurema não lê mais Julia nem usa calça roxa. Meu Gato Lolô não faz mais xixi no sofá. Entenderam? As pessoas (e até mesmo os gatos) mudam e melhoram! Menos, é claro, Xuxa…

Tá, ela já não faz filme semi pornô, já não tem nariz de batata e não namora jogadores de futebol – ela mudou em algo. Mas até hoje, já com rugas na cara usa rabinhos e sainhas e roupinhas de criancinhas retardadinhas. Canta musiquinhas imbecilóidinhas e faz coreografiazinhas que dá ansiazinha de vomitinho em todo mundo. Faz “xouzinhos” e caras e bocas para a câmera.

Isso fora os filmes: Xuxa e os Golfinhos, Xuxa e os Gnomos, Xuxa e os Monstros do Espaço, Xuxa e o Diabo que a Carregue.

Sim, ela me cansa a beleza.

***

Aguardem, no próximo “coisas que me cansam a beleza” falarei de música. :)



25 de janeiro de 2006

Êêêê São Paulo!


Hoje é aniversário dela. Da aquariana mais importante desse país, daquela que carrega esse Brasil nas costas. Ela mesma, a cidade de São Paulo.

Como todo aquariano que se preze (e realmente não existe signo mais coerente para traduzir essa cidade), São Paulo é cheia de defeitos e de qualidades, cheia de controvérsias, caos e encanto simultâneos. Como é possível?

É de longe o lugar em que mais vemos as diferenças escancaradas – onde estão praticamente lado a lado, a chiquérrima Daslu, o imundo Rio Pinheiros e a favela da Rua Coliseu. Pois aqui nada de mascarar: pobre é pobre, rico é rico e “os classe média” não incomodam tanto.

Aqui vivem e convivem harmoniosamente os chineses com seus contrabandos, os judeus em Higienópolis, os japoneses na Liberdade, os Italianos no Bexiga, os portugueses na Penha, e todos os migrantes da nossa terra espalhados por todos os cantos.

Em São Paulo, quase ninguém é de São Paulo e ninguém é de fora quando vindo de outras bandas. Quando em São Paulo se é de São Paulo, pois a cidade recebe e acolhe. Isso é que deve ser realmente o mágico desse lugar.

***

Então: Parabéns pra você, mesmo com suas inundações e engarrafamentos quilométricos em dias de chuva. Parabéns pra você, mesmo com os bandos do PCC matando policias em represália por uma fuga frustrada. Parabéns pra você, mesmo com mendigos inofensivos sendo assassinados. Parabéns pra você, mesmo com as centenas de obras públicas inacabadas e o dinheiro das mesmas nos cofres dos políticos.

Parabéns pra você, São Paulo: o palco de tantas coisas, mesmo que habitada muitas vezes pelos “atores” mais absurdos que possam existir.

***

PS:

E onde mais é que em plena terça-feira em um shopping qualquer encontra-se Walter Salles dando bandeira? A tonta aqui ficou tremendo e obviamente não teve coragem de chegar perto. Mas para compensar minha frustração, eis como seria a nossa foto – linda não?



24 de janeiro de 2006

Aniversariando


Então é hoje. Meu aniversário. Me dêem parabéns e me desejem tudo de bom, pois nunca é demais.
Já recebi e-mails de felicitações da Brastemp, dos Correios, do Submarino, da Livraria Cultura, do Mercado Livre e um dizendo que alguém que me ama me mandou um cartão (com um vírus, claro). Pra vocês verem como sou querida. Então leitores, façam sua parte!
De quebra prometo ficar por aqui mais alguns anos e atormentá-los mais um pouco com todas as minhas crises existênciais.
Pois quem tem blog não precisa de analista, não é mesmo? Eu tenho vocês afinal.


19 de janeiro de 2006

Mudanças


Dizem que todas as mudanças externas que acumulamos durante a vida nem de perto são tão grandes quanto as invisíveis, as internas. Mas será que realmente mudamos? Será que somos algo além daquilo que sempre fomos? As mudanças acentuam o que somos ou o que somos é que acentuam as mudanças?

O cabelo comprido, que virou curto, que virou vermelho que virou azul – mesmo assim os mesmos cabelos: os mesmos cachos ainda que alisados ou os mesmos fios lisos ainda que com permanente… O corpo que era magro, engordou, emagreceu novamente e possui vários pneuzinhos, que acumula oito tatuagens de uns anos pra cá, que ostenta uma enorme cicatriz perto do joelho direito – o mesmo corpo, a mesma pele, a mesma carcaça… O rosto limpo que já foi e hoje coleciona sardas e marcas de espinhas – ainda o mesmo rosto, com os mesmos olhos, a mesma boca…

As mudanças, sejam externas ou internas, apenas alteram aquilo que já somos, aquilo que já temos. Nada faz com que nos transformemos em novas pessoas, em seres com outra cultura, com outras lembranças, com outro passado. Nada tira de nós a vivência que tivemos até agora – nem uma perda, nem uma decepção, nem o aprendizado, nem nada.

A mudança acentua o que somos. E não há nada que mude a essência do que somos.

Somos uma continuação de nós mesmos, dia após dia. Ano após ano. Somos nosso próprio próximo capítulo, que tanto pode vir com aparência nova e outros aprendizados, como bater o pé e em vão insistir em permanecer ipsis litteris o de sempre.

Afinal o que somos se não uma mudança constante mesmo que não façamos idéia, mesmo que não queiramos?

***

OBS: Domingo a Casa completou 4 anos de existência e eu, essa desnaturada, nem pra dizer nada. Mas digo agora. Parabéns Casinha, meu divã, meu best seller, minha extensão daquilo que sou e do que não sou.



10 de janeiro de 2006

Esse tal inferno astral


ou algo que o valha…
Janeiro começou e eu assim, sem mais nem menos, virei uma chata. Dirão as más línguas: “mas como assim, Tuka? Você sempre foi chata, janeiro em nada tem a ver com isso”. Ok… Pensando bem, até que concordo. Só que a chegada de janeiro acentuou a chatice – melhorou?
Pois bem. Estou com uma sensação de ter bebido água de fonte de praça. Estou me sentindo gorda e feia. Estou em crise existencial pré-aniversário! Raios! Justo eu! A que não entende nada desse treco de zodíaco e que se orgulha de ser alienada no assunto. Eu, que vivo reclamando por me sentir injustiçada quando abro a boca para dizer que sou aquariana – de cara me taxam de moderninha, irresponsávelzinha, criativazinha e sem couteúdozinho. Oras! Uma meia dúzia nascidos neste signo pode ser tudo isso, mas eu não. Óbvio que não vou discorrer minha teoria que faz com que eu seja além de uma infeliz marcada pela sina de ser de aquário. Afinal, se vocês vêm aqui (alguns há quase quatro anos) devem ter um bom motivo e acredito que não viriam por um clichêzinho ambulante. Ou viriam? Hum…
Tá. Não me levem à sério em demasia. Pelo menos não por estes dias. E outra. não sou apenas eu em crise pré velinhas – a Casa também. Dia 15 de janeiro este blog véio de guerra fará 4 anos.
E só pra continuar no pique eis meu horóscopo do dia (site Terra):

Muitos são os apelos da vida lá fora, sempre. Atividades, pessoas novas, propostas, opções, alternativas… Ufa! Mas, no momento, sua intimidade está bem mais sedutora, não é? Você pode sair de cena um pouco, dedicação exclusiva para si mesmo e seus queridos, e tudo continuará lá. Seu telefone não vai parar de tocar, não se preocupe.
Hum-rum…


2 de janeiro de 2006

As dimensões do tempo


Já não foi há seis meses que os pais perderam a filha em um acidente, foi no ano passado. Não foi em 20 de maio que a filha perdeu o pai, foi em 2005. Não faz apenas três meses que se perdeu um amigo, foi em outubro de um ano que terminou. Não foi antes de ontem que o namoro acabou, foi em dezembro de um ano que já se foi.

As pessoas são dependentes das dimensões que o tempo possui. É preciso deixar pra trás, é preciso esquecer, é preciso superar muita coisa e, sobretudo: é preciso recomeçar. É por isso que o tempo que passa é tão importante para prosseguir. É por isso que a contagem regressiva que se faz todo dia 31 de dezembro simboliza muito além do que segundos passando no relógio. Simboliza o sepultamento de tudo o que queremos deixar no passado.

Nós seres humanos somos assim: infinitamente sepultando sentimentos, infinitamente cantando parabéns para o que vem de novo – mesmo, claro, que ainda sequer saibamos se um dia esse novo também será sepultado por nós mesmos.

Se o ano foi bom ficará para sempre marcado como o grande ano de nossas vidas. Se o ano foi ruim ficará assim também para sempre como o pior ano de todos – só que já se foi, ficou lá atrás.

O último dia do ano é um prato cheio para muita coisa. Promete-se ser uma pessoa melhor, parar de beber, não mais usar apenas preto. Promete-se o regime de tanto adiado, economizar, encontrar a pessoa certa. Promete-se viver melhor, se divertir mais, arrumar outro emprego. Promete-se o tudo em um espaço de dez segundos que, como se fosse os 45 minutos do segundo tempo de um jogo importante, quer-se desesperadamente marcar o gol da vitória. O gol que fará com que se consagre campeão do mundo, do universo, de qualquer coisa.

Sim, o último dia do ano é como o gol aos 45 do segundo tempo. Quase é possível em meio ao engarrafamento de milhares de carros a caminho da praia, ouvir os pensamentos de cada uma daquelas pessoas ansiosas por pular as sete ondas. “Vou arrumar alguém hoje e começar o ano beijando”, “hoje fumo meu último cigarro, depois nunca mais”, “faço as pazes com meu pai, prometo”. A última chance de sepultar o que aconteceu de ruim e zerar o cronômetro para se trilhar novos rumos. Sim, são esses os 45 minutos do segundo tempo antes do novo campeonato.

Se feliz ano novo? Se feliz novo campeonato? Sim, feliz!


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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