Arquivo de 2005



12 de agosto de 2005

Republicando


Este texto aí abaixo foi originalmente publicado aqui na casa no dia 03 de abril de 2003 e foi dedicado ao Rodrigo, um querido que se foi muito antes do que deveria. Embora seja um texto extremamente triste, gosto muito dele, por isso o compartilho mais uma vez com vocês que já o conhecem e o apresento aos novos freqüentadores desta casa.

Morte…

Uma vez perdi uma pessoa a quem amava muito. Ela morreu… Me lembro que depois que passou aquela terrível dor da perda, a dor de ter que aceitar nunca mais ver a esta pessoa, comecei a descobrir que existia algo que poderia ser ainda pior. Na época eu achava que poderia ser pior… Percebi que a dor maior estava em coisas simples que faziam parte do meu dia a dia…

Quando eu ouvia uma música que a pessoa que se foi gostava muito, eu lembrava que dali para frente, eu não saberia mais qual seria sua opinião em relação às novas músicas que tocariam no rádio. Nem qual seria sua constatação sobre um texto que eu escrevi. Nem muito menos saberia sua reação diante de uma notícia na TV. As lembranças do que a pessoa representou ficaram congeladas em minha memória. Parou no tempo a imagem que ficou guardada em mim.

Agora eu iria ter que apenas imaginar o que ele teria me dito, o que ele teria feito, o que ele teria pensado… Mas ainda lembro da sua música preferida. E que ele gostava de ler o que eu escrevia. E lembro que ele votou no Lula em outra eleição. E ainda lembro que ele achava bonita uma blusa azul que eu tinha. Ainda lembro de tanta coisa que nunca vou esquecer… Lembro até que um dia preferi morrer também, só para não sentir a dor de perdê-lo.

A dor de agora já não machuca como antes. Não passou, só que agora já não machuca como antes… Então compreendi que o tempo não faz com que as coisas passem… O tempo apenas faz com que possamos compreender as coisas que ficam em nossas vidas – as coisas que nunca passam, por que fazem parte do que somos e do que seremos…

Me acostumei a sentir saudades, assim como me acostumei a não estranhar quando vejo algo e penso: “Nossa! Ele iria adorar saber disso”. Me acostumei a pensar que sua presença será eterna a meu lado. Me acostumei a ouvir uma música e o imaginar sorrindo, acompanhando o ritmo dedilhando na mesa. Me acostumei a lembrar de seu rosto sem ter medo de esquecer seus traços. Já não temo esquecer sua voz, seu cheiro, seu olhar… Sei que isso não é possível, nem que eu quisesse seria possível – e eu não quero…

Agora sei que as lembranças que guardo comigo, são os maiores tesouros daquilo que um dia tive ao lado desta pessoa. Não machuca mais lembrar do seu sorriso pq sei que eu terei aquele sorriso toda vez que eu quiser. Basta que eu feche meus olhos e basta que eu seja eu – apenas isso…



11 de agosto de 2005

Da série muié é bixo burro: Por que sempre o queremos de volta apesar de tudo?


Cena 1 - O safado pintava e bordava. Chegava tarde toda noite. Dizia que ligava e não ligava. Olhava pra bunda de toda mulher que passava. E um belo dia a trocou por outra. Justo por aquela colega de trabalho que ele falava que era uma baranga. Você sempre desconfiou que havia algo estranho com ele e a tal, mas deixava sempre pra lá.

Seis meses se passaram e você continua com os olhos fundos, cheios de olheiras imensas. Chorou todo o estoque de lágrimas. Suas amigas não sabem mais o que dizer para te consolar. “Mulher do céu, o cara não presta, esquece”, “Bola pra frente, você arranja coisa melhor”. E você? Decidida que o quer de volta. Tem certeza que ele vai se arrepender e correr para os seus braços pedindo perdão.

Cena 2 – Namoraram 10 anos. Dez anos! Você esteve ao lado dele durante o colegial, cursinho, a faculdade e o primeiro emprego. Resolveram morar juntos. Você batalhou para ajudar com as contas. Esteve a seu lado nos mais diversos momentos: difíceis e bons. Fizeram planos, tiveram briguinhas bobas, superaram. Ele dizia que te amava, você também. Tudo seguindo bem.

Na terça-feira de manhã ele disse que te amava e foi trabalhar. De noite, quando chegaram em casa, você o beijou e perguntou como foi o dia. Ele abaixou os olhos e te contou que está ficando com uma outra mulher e que vai embora. Os dez anos de dedicação? Descarga abaixo.

Mesmo assim todos os seus sonhos se resumiram agora em fazer com que o ingrato filho da puta volte. Não adianta o que mais aconteça a seu redor. Tudo o que você quer é que os amigos em comum lhe digam como ele, o seu amado, anda com o olhar perdido, dando claros sinais de que sabe que fez uma péssima troca. E também claro, como a tal fulana é. Se for bonita – é burra como uma porta e vagabunda. Se for feia – bem feito, você é linda! Se for baixinha – anã desgraçada e ladra de homem. Se for alta – girafa dos infernos.

Parece que não se lembra que quem fez a escolha foi ele.

Cena 3 – Amor lindo. Sexo divino. Cumplicidade total. Tampa e panela. Nem parecia que tinha passado um ano desde que se conheceram naquela manifestação pela preservação dos cavalos marinho-alado de Tupaikalotuuik. Leram Nietzsche e Harry Potter juntos, foram macrobióticos, protestaram pela libertação de Michael Jackson.

Na dia da lua azul no calendário sino-lunar, ele chegou em casa diferente. Você percebeu logo de cara, pois ele não estava usando a figa lilás que você deu de presente. Apenas alguns segundos depois ele começou a dizer que não poderiam mais ficar juntos, pois recebera um sinal de que deveria abdicar aos prazeres da carne e do amor.

Depois você descobre que o sinal que ele recebeu foi de uma loira aguada que você sempre odiou. Você chorou por longas passagens de marte por júpiter. Fez mantras. Chamou os amigos Hare Krishna para dançarem a seu redor. Tudo para que ele voltasse pra você.

Prólogo – Essas três cenas aí são ficção. Mas como todos sabemos, a arte é que imita a vida, então sabemos que coisas do gênero acontecem. Mas por que? Porque será que as mulheres se submetem a isso? Ok, você podem dizer que existe muito homem que faz o mesmo. Mas garanto: eles são mais dignos. E vocês podem me dizer também que existe muita mulher que não faz isso, mas a maioria sofre e pena quieta, o que também é uma droga.

Nós mulheres, parecemos crianças desprotegidas quando nos vemos diante de um fim que não queremos. Nos desesperamos, pedimos por favor, imploramos, damos escândalos, insistimos. Por fim, quando temos certeza de que nada voltará a ser como antes, que o fulano sim está decidido a seguir sem nós, prometemos que nunca nos entregaremos de cabeça novamente.

Burrice? Não, definitivamente não, apenas falta de consciência de que pode continuar sozinha e ser mais feliz ainda. Falta de forças para sair do buraco o quanto antes. Falta de foco de que a vida continua. Falta de vergonha na cara um tanto também, já que depois que tudo passar você não se conformará de tamanha humilhação a qual se permitiu.

Epílogo – A fila anda, meninas. Chamem o próximo e sejam felizes que a vida passa rápido demais para tanto lamento.



9 de agosto de 2005

Vai indo


Em dias de correria extrema como esses que estamos vivendo, pode ser que pensemos que tudo o que deve ser dito já foi. Todos os “euteamos”, todos os “não vivo sem você”, todos os “estou com saudade”… Palavras são deixadas para segundo plano, pois temos que entregar trabalhos no prazo. Atitudes de carinho são largadas em um canto qualquer, pois achamos que já fizemos declarações de amor suficientes. E o amor vai indo…

Sabe a resposta mais dispensável do mundo quando nos perguntam como estamos? A “vai indo”. Quando a dizemos significa que nem tudo vai muito bem e nem muito ruim. Pode ser uma conta que vai vencer que está incomodando. Pode ser uma gripe filha da puta que está tirando a paz. Pode ser muita coisa e pode não ser nada. Mas continuamos indo apesar de todas elas.

No caso do amor, para que ele “ir indo” tem que estar mais ou menos – nem bom, nem ruim, nem muito, nem pouco, nem espetacular, nem entediante – ele vai indo. Apenas isso.

Ir indo é uma merda. O bom é ir ou não ir. Esse negócio de gerundiar é pra tele-marketing não para quem ama. Quem ama quer que as coisas estejam tinindo, brilhando – de vontade, de felicidade, de tesão. Quem ama quer planejar o futuro e se sentir amparado. Quem ama quer a segurança de que momentos atribulados sejam somados em concretizações, não em distanciamento.

Só porque amar é preciso, mas fazer sentir também.

Aproveitando a oportunidade: Ei, San: Eu te amo, não sei viver sem você e sinto saudades a cada minuto. Você é meu porto seguro, meu amparo, meu aconchego. Obrigada por seguir a meu lado e compartilhar sua vida comigo.

OBS nada a ver com nada: Falta pouco para 100 mil visitas nessa birosca! Uia!



8 de agosto de 2005

Amores plenos, perto, longe, sempre


Pelo menos uma única vez na vida, todos nós já vivemos um amor à distância. Eu já vivi alguns, e digo: mais distante é o perto que não se sente perto. Por isso sempre concordo com aquela música que diz: “qualquer maneira de amor vale a pena”. Vocês não concordam?

Acredito que nos tempos de Ulisses e de Penélope, amor à distância não devia ser brincadeira não. Guerras, pretendentes enfurecidos, mares revoltos, deuses dando chiliques, sereias encantadoras e outras coisas. Mas hoje em dia, embora ainda difícil, as coisas são bem mais simples. Penélope, coitada, tinha motivos de sobra para bordar colchas intermináveis, mas nós, na era digital, não temos muito do que reclamar.

O amor à distância pode dar certo sim. Claro que com a perspectiva de um dia se tornar próximo. Caso contrário não há motivo para prosseguir. Veja quantas coisas são aliadas ao amor distante:

Telefone – Se Graham Bell fosse vivo teríamos que lambê-lo em agradecimento à sua brilhante invenção. Se não fosse ele, milhões de amores distantes ficariam na era dos Correios e Telégrafos e chega uma hora que escrever e esperar dias para que a carta chegue, enche o saco.

SMS – Receber e mandar recadinhos românticos é algo que todo mundo gosta. Abusar desse artifício não vai fazer mal algum.

MSN – Ô trequinho legal isso né? Você fala com o amado vendo a foto ou sua imagem na webcam. Pode optar em digitar ou falar pelo microfone ao mesmo tempo em que pode ouvi-lo. Eu amo “messengiar”.

E-mail – Você não precisa esperar dias até que a cartinha chegue ao endereço de origem. Bastam alguns segundos e as notícias já estão lá com quem você quer que estejam.

Câmera digital – Nas vezes em que os apaixonados se encontram, estar de posse de uma dessas maquininhas faz toda a diferença. Além de tirar milhares de fotos para ver e rever depois, pode-se filmar imagens do ser amado para assistir até enjoar, ou não.

Avião – Pouco tempo de viagem e pronto. Eis que qualquer um pode estar onde quer ao lado de quem desejar.

Ônibus – Na falta de muita grana, o busão é o suficiente para encurtar distâncias.

E por último, mas não menos importante, para que tudo prossiga na mais santa paz ninguém pode deixar de levar em conta duas coisas:

Paciência – O principal. Não adianta arrumar um amor que more em outra cidade, estado ou até país e depois ficar batendo com a cabeça na parede. Se o que os dois querem é realmente ficar juntos, essa distância toda é apenas questão de tempo. E digo mais: tudo compensa quando o que os dois querem a mesma coisa, falo com conhecimento de causa.

Confiança – Não existe nada mais chato do que ficar em casa em uma sexta-feira à noite tendo ataques de nervos imaginando onde ele (ela) estará à uma hora dessas que não em casa. Se você escolheu um namoro em que você estará mais sozinha do que acompanhada, um belo motivo você deve ter, então confie no seu taco, o moço deve estar em algum lugar fazendo nada demais.

No mais: sejam felizes, aproveitem cada minuto juntos e batalhem para o dia em que estarão juntos definitivamente sem mais precisar dar tchau em aeroportos e rodoviárias.

PS: agradecimento a *Lia* que foi a pauteira deste texto. A moça, pelo visto está apaixonada e babando por um *rapazinho*de Ribeirão Preto. Eu? Torcendo de camarote! Vai lá garota!

Quanto às outras sugestões, logo logo estarão aqui na casa. E quem quiser fazer a gentileza de ajudar-me com pautas, agradeço e dou o crédito.



6 de agosto de 2005

Um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano…


Lembra da época em que só pensávamos no passar do tempo quando anoitecia e a brincadeira acabava por que a mãe chamava para ir pra casa? Faz tempo né?

Faz…

***

O tempo anda escasso. Mas esta casa e todos os que vêm aqui tomar café e ler meus textos são importantes demais para que eu simplesmente esqueça. Não dá.

Logo a faxina fica em dia e a geladeira volta a estar cheia.

Enquanto isso vocês poderiam me sugerir algum tema de post, seria legal. Prometo que coloco o crédito de co-autoria no texto quando o escrever.



2 de agosto de 2005

A porta


(12h45) – Depois do almoço saiu correndo para ir ao banco. No caminho pensava no caos que deveria estar a agência bancária naquele horário e em quanto tempo perderia na fila.

(12h50) – Respirou fundo, se encheu de coragem e entrou.

(12h51) – Rapidamente seguiu seu rumo até os guichês onde os mal humorados atendentes a olharam de longe com cara de cu.

Para chegar até a fila teria que passar por uma porta com detector de metais e já franziu a testa. Não havia uma única vez em que passou por uma geringonça daquelas tranqüilamente. Ela mal sabia que esta vez também não seria uma exceção.

(12h55) – Entrou em uma pequena fila de pessoas que já estavam sendo judiadas pela tal porta e até se animou. Parece que a maquininha do tal banco nem era tão exigente, pois observou que as pessoas a sua frente tiravam apenas o celular de suas bolsas e logo eram liberadas para entrar.

(13h03) – Chegou sua vez. Rodopiou a porta para entrar quando com um solavanco a maldita trava. Uma voz do além começou a falar:

- Por favor, verifique seus pertences e retire objetos metálicos.

- Poxa, agora essas coisas falam – pensou admirada.

(13h05) – Voltou. O guardinha ao lado a olhou com cara de cu e perguntou:

- Moça, você está com excesso de moedas ou algo do gênero?

(13h08) – Pensou por uns segundos antes de responder. Afinal o que ele queria dizer com aquele “algo do gênero”?

- Ai moço, acho que estou com algo do gênero, mas não com excesso de moedas.

- Moça, vai colocando aí ao lado tudo que você ache que esteja te impedindo de entrar.

(13h12) – Foi o que começou a fazer. Tirou o celular e o carregador do mesmo e ponderou que deveria se sentir feliz, afinal se para entrar só era necessário aquilo ainda era mais fácil do que entrar no reino dos céus, pois de seus pecados não conseguiria se livrar da mesma forma.

(13h16) – Novamente se arriscou a entrar:

- Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! – por favor, verifique seus pertences e retire os objetos metálicos.

(13h16m15s) – Voltou. As pessoas ao redor a olhavam com cara de poucos amigos. Ela começou a se irritar.

- Moço, eu tirei o celular e o carregador, não tenho moedas em excesso nem algo do gênero!!

- Olha moça, alguma coisa você deve ter aí que está fazendo a porta apitar!

(13h18) – Bufou e começou a fuçar a bolsa quando encontrou uma calculadora. Mais que depressa e toda feliz mostrou ao guardinha.

- Olha o que eu achei! Pode ser isso né?

- Pode. Deixa ali na gavetinha e entra.

(13h20) – Foi o que fez. Deixou a calculadora ali na gavetinha e ent… E não conseguiu entrar, pois a maldita porta estava mais uma vez falando com ela. Daí em diante começou a achar que até para entrar no reino dos céus seria mais simples do que entrar naquele maldito banco.

- Moço!! Não é mais fácil você olhar aqui e ver se é essa minha arma AR-15 que está travando a porta???

(13h22) – Se encaminhou para o guarda com a bolsa.

- Pode parar aí mesmo porque nós não temos autorização para revistar os clientes.

(13h23) Muito brava, voltou para a porta rotatória e tentou colocar a bolsa toda na portinhola. Foi impedida.

- Ô moça! Não pode colocar a bolsa toda aí não! Só pequenos objetos que sejam metálicos.

- Mas não tem mais nada metálico aqui, moço!

- Deve ter sim, dona. Olha com cuidado.

(13h25) – Nesse momento ela ficou mais fula da vida ainda. Tinha no mundo algo pior do que ser chamada de dona? Não, não tinha.

- Olha aqui moço, você pode parar hein? Tá de sacanagem comigo é? Olha bem pra mim! Vê se eu tenho cara de quem vai assaltar o banco!

(13h26) – O homem ficou assustado.

- Não é isso, senhorita! É apenas uma questão de segurança! A regra é para todos os clientes.

(13h27) – Continuou a olhá-lo com a cara feia, mas estava menos irritada porque agora ele a havia chamado de senhorita. Melhor que dona, anos luz melhor, aliás. Só que ela não era senhorita também, era casada, mas ficou quieta, pois não faria sentido entrar neste mérito no momento.

- Moço, olha só, eu não sou bandida. Veja bem, eu estou de salto alto, meus melhores sapatos por sinal. Coloquei essa calça justinha e cor-de-rosa para combinar com esta bolsa “apitante” aqui e você acha mesmo que se eu fosse assaltar um banco eu sairia de casa assim? Eu colocaria minha máscara basiquinha, mais apropriado!

(13h32) – O homem a olhou com cara de paisagem.

- Moço, sua esposa deve odiá-lo!
- Eu não sou casado, dona!
- Tá vendo! Como é que você vai se casar tratando uma mulher assim? Ninguém nunca vai casar com você, moço!!!!
- Mas eu sou noivo!
- Duvido, duvido!!!
- Sou sim! Casamos ano que vem!
- Mentira!
- Eu já comprei o terreno da casa e tudo!
- Pois bem, espero que ela te abandone no altar! Não, melhor! Espero que no exato momento em que ela esteja entrando na igreja a porta apite, trave e comece a falar com ela!

(13h40) – Saiu do banco amaldiçoando tudo e todos e se lembrou que havia deixado o cheque que teria ido depositar em cima de sua mesa no escritório. Quis se jogar embaixo de um ônibus que passava naquele instante, mas mudou de idéia quando olhou para seus pés e viu que com aqueles sapatos ela não poderia simplesmente morrer. Eram lindos demais.



1 de agosto de 2005

Cinema pornô ou sexo poético?


Assisti ao filme 9 Canções neste final de semana e devo admitir aqui que ainda não sei bem se gostei ou não do que vi.

A história é uma narração do inglês Matt sobre seu romance com a americana Lisa que está em Londres para estudar por um ano. Eles se conhecem em um show da banda Black Rebel Motorcycle, se apaixonam e o filme retrata o relacionamento dos dois, permeado pelas músicas de cada um dos shows a que vão juntos. Mas não vão pensando que é mais um filminho de amor, pois não é. A polêmica em torno desse filme é motivada pelo fato de que os protagonistas trepam do começo ao fim.

Nos 65 minutos que a trama possui, não aparecem cenas de um “sexozinho” que deixa para que a imaginação faça o resto. É real, eles fazem de verdade e isso, sei lá por qual motivo, chocou o mundinho do cinema. Acho que essa gente é pudica demais com o que não precisa, é só sexo, gente! Também não pensem que é um filme pornográfico como um mané do Estadão escreveu. É um filme de sexo real como os pornográficos, mostra penetração como os pornográficos, mostra sexo oral, como os pornográficos, mas não é um filme pornô, oras.

Tenho que justificar isso né? OK. O filme é sexo e música do começo ao fim. Tem drogas também. Então para ser bem original, posso dizer que se trata de uma obra de sexo, drogas e rock’n roll. Satisfeitos? Não? Hum… Tá, é um filme de sexo, mas mesmo apesar de ter motivos suficientes para que seja algo como o que passa de madrugada nos cines privê da vida, não é, e apresenta cenas maravilhosas. E são filmadas inteiramente com luz natural, o que as torna íntimas sem serem obscenas. Não sei como, mas de alguma forma Michael Winterbottom conseguiu fazer um filme inteirinho baseado em sexo explícito ser poético e de bom gosto. Além de ser bem inspirador, mas esta parte deixa pra lá.

Uma ressalva apenas: quem está interessado em assistir a uma história com diálogos marcantes, roteiro inesquecível, fotografia fenomenal: esqueça.

Outra ressalva: assistam a este filme com o marido/esposa ou namorado/namorada. De jeito algum vão ao cinema com a mãe ou a vó enganados pelo título meiguinho de 9 Canções que será meio chato.

Abaixo a lista das musiquinhas do filme:

Black Rebel Motorcycle Club – “Whatever Happened to Rock ‘n’ Roll?”
Von Bondies – “C’mon, C’mon”
Elbow – “Fallen Angels”
Primal Scream – “Moving On Up”
The Dandy Warhols – “You Were The Last High”
Super Furry Animals – “Slow Life”
Franz Ferdinand – “Jacqueline”
Michael Nyman – “Nadia”
Black Rebel Motorcycle Club – “Love Burns”



29 de julho de 2005

Se tu não quer, tem que queira


Em uma conversa dia desses, uma amiga me disse algo que me fez ficar muito pensativa. Ela me contava sobre o término de seu namoro. Me disse que não se importava de ter que esperar o tempo necessário para que o dito cujo que lhe deu o pé na bunda, voltasse atrás e a quisesse de volta. Eu perguntei quanto tempo ela esperaria, respondeu que qualquer tempo. Perguntei então o que ela faria se ele jamais voltasse, me disse que tinha certeza de que ele voltaria. Então tá.

A partir desse diálogo improdutivo, lembrei de outras situações. Lembrei de já ter confiado em retornos que jamais aconteceram, e de também ter me submetido a esperas eternas.

Existem coisas que acabam, simplesmente acabam. Não há espera que recupere algo que já chegou ao final. Não é porque você resolveu parar com sua vida até o momento em que idealiza que as coisas voltem a ser como antes, que isso realmente vai acontecer. A vida segue – ainda bem.

As pessoas, por determinado tempo após o fim de algo que queriam e confiavam que seria eterno, parecem que precisam de um consolo. Precisam crer que o fim foi motivado por algo além do simples “não quero mais você”. Não. O relacionamento sempre acaba por culpa de outrem, ou de alguma coisa imprevista. Ele conheceu outra? A culpa é da vagabunda que se ofereceu. Ela conheceu outro? A culpa é do canalha que pegava no pé na moça. Ele deixou de te amar porque moravam longe. Ela se afastou porque com a faculdade tinham pouco tempo um pro outro. E assim vai. Nunca o amor simplesmente cessa. Mas cessa sim, acontece.

O fato de ficar esperando por alguém que decidiu seguir a vida sem você é muito mais do que qualquer um merece. Ninguém no mundo é digno de que você adie sua vida. A espera não é como nas poesias de J. G. de Araújo Jorge. As esperas são duras e cansativas. Já basta o tempo que perdemos aguardando a chegada do ônibus e da nossa vez de ser atendido em uma fila. Na vida real a felicidade tem que ser já.



26 de julho de 2005



Minhas unhas estão curtas e tortas. Definitivamente não estou parecendo mulherzinha com essas coisas feias. Meus cabelos não me obedecem. Ordeno que eles fiquem lindos e nada acontece. Emagrecer uns 8 quilos não seria nada mal. Ou dez ou doze. Nunca tenho roupa para vestir. Guarda roupa deveria ser como página da Internet, você apertava F5 e tudo seria atualizado, seria um sinal de mundo perfeito. Meus pés doem. Não conseguem decidir se calçam 35 ou 36, e hoje que vim trabalhar com um bonequinha 35 eles querem ser tamanho 36. Hoje é terça-feira e eu queria que fosse quarta. Amanhã quererei que seja quinta. Acho que definitivamente estou com TPM.

Volto.



25 de julho de 2005

Assassinato no metrô londrino


Desde a última sexta-feira, se procurarmos no dicionário o significado do termo “estar na hora errada no lugar errado” acharemos uma foto do brasileiro Jean Charles Menezes, confundido com um terrorista e morto pela polícia londrina.

A imprensa nacional e mundial está em polvorosa especulando sobre a desastrosa atitude anti-terrorista de atirar antes e perguntar depois.

O brasileiro de 27 anos, natural de Gonzaga em Minas Gerais, vivia legalmente naquele país havia 4 anos e trabalhava como eletricista.

Na Folha li que o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, pediu desculpas à família do jovem. “Isso é uma tragédia. A polícia metropolitana aceita a completa responsabilidade pelo sucedido. À família só posso expressar minhas profundas desculpas”, declarou Blair. E cadê a merda do primeiro ministro?

Ele, no entanto, afirmou que a polícia de Londres tem tido que tomar decisões “em circunstâncias aterradoras” neste momento e continuará a atirar em terroristas “para matar”.

Fico aqui me perguntando: e se o assassinato tivesse sido de um americano? Gostaria de ver se o mané continuaria com esta mesma empáfia. Também me pergunto como seria se um inglês tivesse sido morto aqui no Brasil confundido com um traficante.

Ok, acidentes acontecem, nós brasileiros estamos aqui aterrados até o pescoço e nem nos espantamos mais com as barbaridades que a nossa polícia comete. Mas temos memória curta não é? Quem se lembra ônibus 174 em que a polícia queria matar o seqüestrador e acertou Geísa ao vivo em rede nacional no dia 12 de junho de 2000? Logo em seguida mataram o bandido asfixiado. Quem se lembra de Adriana Caringi, morta em São Paulo em 1990 pelo cabo Marco Antônio Furlan, atirador de elite da Polícia Militar, quando queria matar o assaltante Gilberto Palhares?

E esses casos são apenas de assassinatos em que a polícia não teve culpa, foram acidentes. Mas e os outros em que quem deveria proteger faz o papel de bandido? Eu tenho medo da polícia brasileira tanto quanto tenho de bandidos à paisana.

Mas o caso de Jean é triste. Mais ainda por se tratar de um assassinato em um país tão civilizado, tão de primeiro mundo, tão diplomático, tão tudo. Realmente a escola Bush uma hora iria chegar nas terras da rainha, até que demorou.

Se Jean tivesse sido morto pela polícia no Brasil, hoje, 3 dias após sua morte, ninguém mais estaria falando a respeito, de tão comuns e banais que assassinatos covardes se tornaram no nosso país. Mas lá é Inglaterra. Não tem CPIs de corrupção política, não tem polícia bandida e não tem imigrantes que saem do país em busca de uma vida melhor. Então, por favor, nos dêem uma resposta mais digna quanto ao que fizeram com o rapaz.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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