Arquivo de novembro de 2005
18 de novembro de 2005
15 de novembro de 2005
Duas horas da manhã – 14 horas. Ambulâncias, viaturas, carros de bombeiro. Daqui de cima aprendi a diferenciar as onomatopéias que gritam enquanto minha vida passa. Da mesma forma que diferencio a voz de minha cantora favorita: Essa é Aimee, essa não”. “Essa é outra, essa é ela”.
Cinco da manhã – 17 horas. Pessoas sempre falam por mais tarde da noite que seja. Riem, choram, chamam. Pode ser a bebida tomando voz? Pode ser a coragem tomada pela cumplicidade de sua própria sombra?
Daqui de cima eu apenas ouço os barulhos da cidade que nunca pára. Pára para nada. Pra nada. Nada. Nunca. E onde será que você está agora?
Talvez em um desses carros que buzinam esperando que o sinal vermelho fique verde automaticamente. Talvez seja sua uma dessas tantas vozes que daqui de cima consigo ouvir. Talvez esteja entre todos os barulhos e luzes que enxergo de longe. Sim, talvez em um desses apartamentos que também insones mantém suas luzes acesas. Assistem a um filme chato. Falam com algum desconhecido pela Internet. Olham fotos antigas. Onde você está agora, afinal?
A cidade que nunca pára seus barulhos. Nunca pára suas vozes. Nunca pára de rir nem de chorar. Meia-noite, meio dia, 15 horas, 3 da manhã, 19 horas, sete da noite… Onde é que você está que não aqui também na cidade que não pára nunca?
11 de novembro de 2005
Um apartamentinho, duas latas de tinta e apetrechos para pintar a parede, móveis velhos desmontados, caixas espalhadas pelo chão, troca de piso com duas toneladas de serragem em todos os cantos e em todos os meus poros, dois gatos assustados loqueando pelo recinto, móveis novos chegando e uma mulher à beira de um ataque de nervos.
Modo de preparo:
Vista uma roupa velha, ligue o som e espere os homens do piso irem embora. Limpe o chão milhares de vezes e perceba depois de tudo que ainda tem pó em todos os cantos. Pinte as paredes e note que assim que estiver tudo lindo terá um pedaço que precisa de uma demão de massa corrida. Grite com os gatos loqueados que estarão correndo espalhando marcas de tinta com as patinhas pelo chão novo. Implore para o zelador do prédio subir e pegar uns móveis que você quer despachar. Ligue para a loja que comprou os novos móveis e dê chilique porque estão atrasados com a entrega e você está dormindo no chão há uma semana. Fique com o pulso deslocado e use aquela faixa horrorosa de farmácia. Desloque a coluna de tanto carregar peso. Delete sua vida sexual por uma semana por não se agüentar de cansaço e de tanta dor no corpo. Não durma direito por dias e fique olhando o teto para ver se num piscar de olhos a casa fica linda sem que você mexa mais nenhum músculo.
Espere duas semanas ao todo…
E depois terá um apartamento lindo.
PS: Agora tudo está voltando ao normal.

Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.
Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.
Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.
Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!





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