Arquivo de julho de 2005



29 de julho de 2005

Se tu não quer, tem que queira


Em uma conversa dia desses, uma amiga me disse algo que me fez ficar muito pensativa. Ela me contava sobre o término de seu namoro. Me disse que não se importava de ter que esperar o tempo necessário para que o dito cujo que lhe deu o pé na bunda, voltasse atrás e a quisesse de volta. Eu perguntei quanto tempo ela esperaria, respondeu que qualquer tempo. Perguntei então o que ela faria se ele jamais voltasse, me disse que tinha certeza de que ele voltaria. Então tá.

A partir desse diálogo improdutivo, lembrei de outras situações. Lembrei de já ter confiado em retornos que jamais aconteceram, e de também ter me submetido a esperas eternas.

Existem coisas que acabam, simplesmente acabam. Não há espera que recupere algo que já chegou ao final. Não é porque você resolveu parar com sua vida até o momento em que idealiza que as coisas voltem a ser como antes, que isso realmente vai acontecer. A vida segue – ainda bem.

As pessoas, por determinado tempo após o fim de algo que queriam e confiavam que seria eterno, parecem que precisam de um consolo. Precisam crer que o fim foi motivado por algo além do simples “não quero mais você”. Não. O relacionamento sempre acaba por culpa de outrem, ou de alguma coisa imprevista. Ele conheceu outra? A culpa é da vagabunda que se ofereceu. Ela conheceu outro? A culpa é do canalha que pegava no pé na moça. Ele deixou de te amar porque moravam longe. Ela se afastou porque com a faculdade tinham pouco tempo um pro outro. E assim vai. Nunca o amor simplesmente cessa. Mas cessa sim, acontece.

O fato de ficar esperando por alguém que decidiu seguir a vida sem você é muito mais do que qualquer um merece. Ninguém no mundo é digno de que você adie sua vida. A espera não é como nas poesias de J. G. de Araújo Jorge. As esperas são duras e cansativas. Já basta o tempo que perdemos aguardando a chegada do ônibus e da nossa vez de ser atendido em uma fila. Na vida real a felicidade tem que ser já.



26 de julho de 2005



Minhas unhas estão curtas e tortas. Definitivamente não estou parecendo mulherzinha com essas coisas feias. Meus cabelos não me obedecem. Ordeno que eles fiquem lindos e nada acontece. Emagrecer uns 8 quilos não seria nada mal. Ou dez ou doze. Nunca tenho roupa para vestir. Guarda roupa deveria ser como página da Internet, você apertava F5 e tudo seria atualizado, seria um sinal de mundo perfeito. Meus pés doem. Não conseguem decidir se calçam 35 ou 36, e hoje que vim trabalhar com um bonequinha 35 eles querem ser tamanho 36. Hoje é terça-feira e eu queria que fosse quarta. Amanhã quererei que seja quinta. Acho que definitivamente estou com TPM.

Volto.



25 de julho de 2005

Assassinato no metrô londrino


Desde a última sexta-feira, se procurarmos no dicionário o significado do termo “estar na hora errada no lugar errado” acharemos uma foto do brasileiro Jean Charles Menezes, confundido com um terrorista e morto pela polícia londrina.

A imprensa nacional e mundial está em polvorosa especulando sobre a desastrosa atitude anti-terrorista de atirar antes e perguntar depois.

O brasileiro de 27 anos, natural de Gonzaga em Minas Gerais, vivia legalmente naquele país havia 4 anos e trabalhava como eletricista.

Na Folha li que o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, pediu desculpas à família do jovem. “Isso é uma tragédia. A polícia metropolitana aceita a completa responsabilidade pelo sucedido. À família só posso expressar minhas profundas desculpas”, declarou Blair. E cadê a merda do primeiro ministro?

Ele, no entanto, afirmou que a polícia de Londres tem tido que tomar decisões “em circunstâncias aterradoras” neste momento e continuará a atirar em terroristas “para matar”.

Fico aqui me perguntando: e se o assassinato tivesse sido de um americano? Gostaria de ver se o mané continuaria com esta mesma empáfia. Também me pergunto como seria se um inglês tivesse sido morto aqui no Brasil confundido com um traficante.

Ok, acidentes acontecem, nós brasileiros estamos aqui aterrados até o pescoço e nem nos espantamos mais com as barbaridades que a nossa polícia comete. Mas temos memória curta não é? Quem se lembra ônibus 174 em que a polícia queria matar o seqüestrador e acertou Geísa ao vivo em rede nacional no dia 12 de junho de 2000? Logo em seguida mataram o bandido asfixiado. Quem se lembra de Adriana Caringi, morta em São Paulo em 1990 pelo cabo Marco Antônio Furlan, atirador de elite da Polícia Militar, quando queria matar o assaltante Gilberto Palhares?

E esses casos são apenas de assassinatos em que a polícia não teve culpa, foram acidentes. Mas e os outros em que quem deveria proteger faz o papel de bandido? Eu tenho medo da polícia brasileira tanto quanto tenho de bandidos à paisana.

Mas o caso de Jean é triste. Mais ainda por se tratar de um assassinato em um país tão civilizado, tão de primeiro mundo, tão diplomático, tão tudo. Realmente a escola Bush uma hora iria chegar nas terras da rainha, até que demorou.

Se Jean tivesse sido morto pela polícia no Brasil, hoje, 3 dias após sua morte, ninguém mais estaria falando a respeito, de tão comuns e banais que assassinatos covardes se tornaram no nosso país. Mas lá é Inglaterra. Não tem CPIs de corrupção política, não tem polícia bandida e não tem imigrantes que saem do país em busca de uma vida melhor. Então, por favor, nos dêem uma resposta mais digna quanto ao que fizeram com o rapaz.



22 de julho de 2005

Right to be Wrong?


Estávamos eu e minha irmã papeando a respeito de convenções das mais diversas. Concluímos em nossa falta do que fazer, de que seguir a maré é cômodo e dá muito menos trabalho.

Vejam bem, existem dezenas de polêmicas por aí – aborto, Fernanda Karina, eutanásia, casamento gay, Delúbio Soares, casamento inter-racial, Marcos Valério, casamento inter-social, PT, liberação de drogas, Roberto Jefferson e blábláblá…

Botem reparo, pois presto atenção nisso há anos, diante de uma discussão o fulano que é sempre o politicamente correto é geralmente o mais burro. Perdoem-me vocês pessoas, que condenam coisas apenas porque alguém algum dia disse que eram erradas, me perdoem, mas eu as acho burrinhas sim. É minha opinião.

Eu não sei se isso de ir contra verdades absolutas vem da minha criação, Meus pais sempre me ensinaram a contestar o que mesmo parecendo estar correto, não está. Agradeço a eles por isso, aliás. Eu sou de refletir a respeito de coisas impostas, ordenadas, decididas. Isso, claro, não significa que eu seja uma pessoa anarquista, que não se insere em grupos, não aceita ordens ou afins. Não. Apenas não sou daquelas que vão contra tudo porque foi dito para que fossem, e nem sou a favor de coisas que não me parecem corretas porque alguém algum dia decidiu assim.

Eu não sou católica e mesmo que fosse, não condenaria o aborto, o uso de camisinha e de pílulas anticoncepcionais. Não sou gay e quero mais é que todos os que se amam se casem e sejam felizes. Não conheço ninguém que tenha ficado em coma, mas jamais desejaria ver um ente querido vegetando em uma cama. Não curto drogas, mas não acho que a sua liberação vá transformar o mundo em um caos maior do que já está. E só para constar não sou fã de Roberto Jefferson como o atorzinho global (que perdeu uma bela oportunidade de ficar quieto)

Não gosto de verdades absolutas assim como Nelson Rodrigues não gostava das unanimidades (”Toda unanimidade é burra”). É estupidez todos obedecerem prontamente a algo que vem não se sabe porque nem de onde. É burrice, irmos com a maré comprando coisas porque todos compram, lendo livros porque todos lêem, assistindo àquilo que todos assistem e abraçando as convenções como regras em um manual.
Assim como o mundo e as peculiaridades mundanas são muito maiores do que quando vistas por um buraco de canudinho, é fundamental termos a liberdade de questionar e saber que às vezes o que parece certo nem é tão certo assim.



20 de julho de 2005

Mais do mesmo


Este texto aí abaixo é uma republicação do dia 15 de novembro de 2002. Eu estava meio brava quando o escrevi, mas gosto do resultado até hoje.

Amor perfeito nada!

Por que temos mania de achar que para que o amor exista, ele precisa ser arrebatador? Daquele amor que “sem o qual se quer morrer”? Por que pensamos que um amor só é amor se ficamos sem dormir pensando na pessoa? Se ficamos sem comer até que a pessoa ligue? Por que achamos que o amor só é válido se ouvirmos fogos de artifícios quando acontecer o beijo? Que iremos “fazer amor” e não transar? Por que o amor não pode ser amor mesmo sendo “capenga”? Por que o amor não pode ser amor mesmo quando às vezes olhamos para a cara da pessoa e pensamos: “Ai, eu quero dormir até amanhã”?

O amor também fica de saco cheio, amor também quer mandar a pessoa para a putaqueopariu de vez em quando. Quem nunca sentiu vontade de sumir e sentir saudades de quem se ama? Amor sabe esperar, sabia? Sabe sim, mesmo parecendo que não… Amor sabe morrer e nascer de novo… Amor de verdade recomeça do nada, recomeça do “não”… Amor não são só beijos, abraços e noites de sexo alucinante. Amor é aquele que não acaba mesmo quando a grana falta, quando você não está a fim de fazer caras e bocas somente para agradar – o amor supera a cara feia, o “hoje estou de chico”, supera o “lava que eu enxugo”, supera o “vou jogar futebol com os amigos”, supera o “ser você mesmo”, supera acordar com a cara amassada – o amor supera…

Amor não acaba por dúvidas bobas, mas o amor está sujeito a se confundir no meio do caminho… Quem é que não se confunde nesta vida? O amor às vezes parece não ser o suficiente para continuar, e aí é que pode provar que vale a pena, é aí que ele pode tomar embalo e recomeçar de novo – mais forte e maior ainda do que jamais foi…

O amor não são apenas passeios ao sol – não! Amar é correr na tempestade, sentir medo e ainda assim querer proteger… Amar é poder ficar em silêncio – o silêncio é a maior das intimidades – o silêncio fala! O amor entende o silêncio…

O amor, mesmo não sendo como lemos nas belas poesias de Neruda ou Drummond, pode ser simples e ser puro. Pode ser amigo e pode ser pra sempre. O amor não precisa ser perfeito, e nem existe o amor perfeito. Já disseram que “amar não é que ter sempre certeza” – disso sim eu tenho certeza! O amor titubeia, sofre, chega “quase” no fim e revigora…

O que quero do amor? Amar sem sonhar com o impossível, com o inatingível. Quero poder ter o direito de sentir medo e quero poder saber amar de novo quando o amor quiser fugir. Quero poder amar a mesma pessoa quantas vezes for necessário para que dure pra sempre: ou que seja eterno enquanto dure (citando aqui o poeta que tanto gostava de amar, Vinícius). O amor que quero pra mim não é perfeito: tem mal hálito de manhã, mal humor, tem dúvidas (às vezes vai achar que não é tanto), quer atenção, chora, sofre, faz dramas…

Nada é perfeito! Meu amor não quer ser “quase” amor… Não quer “quase” dar certo, não quer virar lamento nem dor… O amor que quero pra mim é apenas o amor de amar e ser amada sem que na primeira dificuldade se pense que nada mais vale à pena… O amor que quero quer ser pleno em todas as horas…

O amor que quero quer ser mais que rimas de palavras bonitas, quer se sentir à vontade até mesmo para gritar e dizer “Hoje não quero estar perto de você” – por que sabe que nem isso vai fazer com que ele acabe. O amor que quero quer saber respeitar a distância e ser forte mesmo não estando perto de quem se ama.

O amor não é perfeito, não quero um amor que tente ser perfeito. Quero um amor que não só escute mas que fale, que não só fale mas que também pense, que não só diga que ama, mas que prove seu amor… Quero um amor que saiba acabar e recomeçar todos os dias… Hoje ainda maior do que foi ontem… Acho que superei os poetas com seus devaneios…



19 de julho de 2005

Da série muié é bixo burro mesmo: Por que temos que querer filhos ou se não os tê-los como sabê-los?


Existem sonhos que lendariamente são incluídos no pacote quando se nasce com cromossomos sexuais XX e não XY. Veja bem, como já falamos aqui da obsessão feminina por compromisso e depois por casamento, é claro que não poderíamos deixar de lado o mais antigo dos “sonhos” femininos: o de ser mãe. Mais antigo, porque nem bem sabemos limpar a bunda sozinhas, e já brincamos de embalar bonecas.

A sociedade prega que ser mãe é fundamental na vida de uma mulher e aquelas que se questionam em gerar ou não gerar eis a questão, são vistas como párias e traidoras da natureza humana.

Veja se não tenho razão. Olhe a sua volta e liste as mulheres que você conhece que teoricamente poderiam ter pencas de filhos, mas não os têm.

1 – Tem a tia solteirona (implicam com solteirona também, mas é melhor do que ser mãe solteira, segundo as regras de quem mesmo? Ah… da sociedade).
2 – Tem a mulher casada há dois anos, ela diz que quer três, todos acham que está demorando demais.
3 – E tem a mulher do trabalho, ela diz que não quer filhos, mas todos duvidam. Ela não deve poder ter. Como alguém iria abdicar desse sonho? Dessa realização feminina?

É simples perceber o preconceito. A principio sempre se especula sobre a boa funcionalidade de seu útero, ovários e trompas. Mesmo que a mulher diga que não quer ter filhos, a primeira coisa que pensam é que a infeliz, tadinha, é seca. Não tem como parir, a natureza lhe foi cruel.

Se em segundo momento, a mulher explica que tem todos os órgãos reprodutivos em perfeitas condições e ainda assim diz a “blasfêmia” de que não pretende gerar descendentes, rapidamente todas as cotinhas dirão que ela não é uma mulher completa. Afinal, não há como ser uma mulher plena se não souber o que é ser mãe – é o que dizem as más e desocupadas línguas.

Em terceiro momento dizem que não demora para o marido a trocar, coitado, quer tanto ter filhos, vai arrumar quem realize seu desejo.

Você que é homem, experimente em uma próxima encarnação, nasça do “sexo frágil” e verá todos o perguntando quando você tiver sete anos: “Fulaninha, quantos filhos você quer ter quando crescer?”. Sim, é verdade. Perguntarão também o que você quer ser quando crescer, mas isso é só pra disfarçar. Afinal, se você é mulher, pode perfeitamente ser dona de casa, ninguém irá te condenar por isso. Mas pense em fugir à regra e dizer que não quer ter filho algum. A casa cai.

Isso é tão sério que até mesmo as que refletem se têm ou não o dom da maternidade nas veias, acabam tendo dois, três filhos, apenas para “cumprir tabela”, sabem disso? E lá crescem os rebentos em um lar em que a mãe gostaria de estar na balada a ter que trocar fraldas, preferia estar concorrendo a cuspe à distância, preferia estar em Tóquio, em Hogwards, sei lá.

Você é mulher! Tem obrigação de sonhar em casar e ter filhos! Não ouse! Nada de conhecer o mundo! Nada de se realizar profissionalmente! Nem pense em escrever o seu livro! Não sonhe com Santiago de Compostela! Não deseje um casamento duradouro! Não diga que sabe cozinhar! Não conte que tem cinco orgasmos! Não sorria! Não! Tenha filhos!

E as pobres XX’s acabam achando realmente que devem parir para conseguirem ser completamente felizes em suas vidas. Isso é burrice, não acham?

Às que sonham e se realizam com filhos – parabéns! Às que não sabem onde arrumar instinto maternal – vivam felizes sem filhos! O livre arbítrio não é maravilhoso?

PS da autora: Antes que me perguntem pela 23456.9876543 vez: ainda estou refletindo se nasci para ser mãe, mas posso garantir que sou uma ótima tia. Perguntem ao André.



14 de julho de 2005

Da série muié é bixo burro


(Por que queremos tanto (tanto tanto tanto tanto) casar?)

Quando somos crianças ganhamos bonecas, panelinhas, fogõezinhos e somos induzidas a brincar de casinha. Crescemos mais um pouquinho e ganhamos a Barbie – que namora o Ken – e somos induzidas a brincar de casinha. Quando temos lá, nossos 14 aninhos, já temos praticamente um doutorado no assunto e pensamos que as coisas não vão muito além disso e sonhamos desde então com o dia D.

Achamos nosso primeiro namoradinho, o segundo, o décimo oitavo e seguimos a busca do ideal… Fazemos planos de nos formarmos, nos formamos, queremos conhecer o mundo, conhecemos, queremos comprar roupas, sapatos, perfumes, compramos, queremos ser independentes, bem resolvidas, bem informadas, somos, queremos falar três ou quatro línguas diferentes, falamos, queremos tirar carta para dirigir caminhão, brevê, tiramos, queremos virar chefes e mandar em todos da empresa, mandamos.

Mas desde que o mundo é mundo: vivemos a espera de podermos, enfim, brincarmos de casinha novamente. Mas desta vez com um “Ken” mais real do que o de borracha. Com um fogãozinho seis bocas daquele cook top que é mais moderno. Com comida congelada para facilitar depois do trabalho.

Há quem diga que a explicação é biológica, que a mulher, por instinto, procura um ser que a proteja, pois precisa gerar e amamentar. Pode ser, embora existam mulheres que trabalham felizes até o momento de parir. Há quem diga que é uma questão de sobrevivência, pois a mulher precisa crescer e multiplicar. Pode ser, embora existam mulheres que optam por não serem mães. Há quem diga que é pela necessidade de ter vida sexual. Pode ser, embora a vida sexual de uma solteira seja imensamente mais agitada do que a de uma casada. Há quem diga que é por cobrança da sociedade. Pode ser, embora tudo ande uma bagunça tamanha que apontar o dedo a uma solteirona nem faz mais sentido.

Se eu soubesse a resposta para esse desespero feminino, provavelmente não estaria aqui escrevendo um blog, estaria vendendo milhões de livros de auto-ajuda e ficando milionária. Vejam, as prateleiras estão cheias de livros do gênero: Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus, Por que os Homens Fazem Sexo e As Mulheres Fazem Amor?, Guia do Casamento, Casamento dos Sonhos, Por que os Homens se Casam com Algumas Mulheres e Não com Outras?. Pois é, tem material de sobra.

Li um texto esses dias que defende a teoria de que certas mulheres possuem complexo de Cinderela: a espera de um príncipe para salvá-la. E esse complexo (ou seria uma síndrome?) é acobertado por fábulas modernas protagonizadas por ícones como Bridget Jones e Carrie Bradshaw. Uma é inglesa, modernosa, mora sozinha, bebe, tem amigos festeiros e a história só tem fim quando um advogado, o amor de sua vida, vai resgatá-la na Tailândia quando é presa por tráfico de drogas. A outra mora em Manhatan, é consumista, faz sexo casual, é jornalista bem sucedida, tem amigas maravilhosas, vai embora para Paris apaixonada por um russo e percebe logo depois que fez uma grande burrada. A história novamente só acaba, quando Mr. Big vai salvá-la das mãos do insensível. Ou seja: somos todas Pollyanas disfarçadas – será?

Fato: Passe dos 25 anos e todos querem saber o motivo de você não ter namorado e todos querem te arrumar bons partidos. Se você tem namorado, todos querem saber quando o casamento sai. O casamento saiu e todos te metralham de perguntas sobre a chegada do primeiro filho (filhos é mais um tema da série Muié é Bixo Burro). Não, definitivamente não é fácil ser mulher. Deve ser este um dos motivos de tanto querermos casar: arrumar alguém para ajudar a segurar a barra.

Bem, se sabemos que príncipes encantados não existem (vocês que lêem a Casa sabem), só pode ser por esta razão: mulheres querem casar para se dividir, somos demais para não ter com quem compartilhar!



13 de julho de 2005

A praga funcionou


Cerca de 250 agentes da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público realizam na manhã de hoje uma megaoperação na loja de produtos de luxo Daslu, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. Eles cumprem mandados de busca e apreensão no prédio, recentemente inaugurado, baseados em denúncias de sonegação fiscal e subfaturamento.

A blitz está recolhendo documentos como notas fiscais, além de verificar o sistema contábil da loja. Até o momento, não estão sendo apreendidas mercadorias. (Fonte: Terra)
***
Tá vendo?
***
Ando sem tempo, notaram né? Mas continuo por aqui vez ou outra. Obrigada a todos os que continuam visitando a casa para o cafezinho diário.



8 de julho de 2005

Ai, como certas coisas cansam minha beleza brejeira


Agora tem gente implicando com as bichinhas da novela do Miguel Falabella. Um tal GGB (Grupo Gay da Bahia) está dando faniquito porque acha que a novela A Lua me Disse está retratando os gays de forma caricata. De novo: Jesus me chicoteia, por favorrrrrrrrrr!!!

Não devo levar a sério né? Acho que essa gente está apenas fazendo graça querendo seus cinco minutinhos de fama. É muito pra minha cabeça. Eu sou totalmente contra a homofobia, meus melhores amigos são gays e nenhum de nós nos sentimos ofendidos. Bem, mas somos pessoas inteligentes, e isso faz toda a diferença, né GGB?

Tudo isso é uma grande ignorância. Se fosse assim eu deveria processar o Falabella por retratar as mulheres de forma caricata também! Pois são maquiadas demais, escandalosas demais, interesseiras demais, surreais demais…

De quebra também o processaria por estar retratando os negros de maneira ridícula demais, auto-racista demais, tudo demais.

Na boa, acho que o tal GGB tem que procurar o que fazer. Coisa feia, viu!

Eu mesma conheço pelo menos umas dez bichas póc-póc que são ipsis literis como as da novela, e adoram se ver representadas na “grobo”. Também conheço mais uma dezena de “mulheres – árvore – de – natal” que estão adorando ver maquiagens carregadíssimas na telinha. Por fim conheço alguns negros que não se assumem negros nem diante do espelho. E a vida segue GGB, vão arrumar o que fazer.

Novela, gente! Não levem para o pessoal!



7 de julho de 2005

Da série muié é bixo burro – Por que será que fazemos questão de alianças?


Alianças de compromisso, alianças de noivado, alianças de casamento… Não importa, o que a mulher quer é o tal circulozinho ao redor do dedo. Mas por que será? Provar aos outros que alguém finalmente a quis? Mostrar a todos que não está jogada às traças? Afastar caras chatos que adoram te xavecar? Ter certeza de que a vida só é legal se for para viver em dupla de namorados, noivos e esposos? Se convencer de que tudo vale a pena se a alma não é pequena? Todas as alternativas anteriores? Bem, se existe uma resposta eu deveria saber já que usei todas as alianças listadas aí (atualmente uso bem feliz a dourada na mão esquerda).

É uma questão de fase, claro. Dos 13 aos 18 uma mulher acha o máximo usar aliancinhas prateadas, as tais de compromisso, as mesmas que eu costumo chamar de alianças de “tô comendo”. Para tanto os respectivos amados se esforçam e vão cheios de vergonha até uma joalheria e encomendam o objeto de desejo de suas conquistas. E digo, para eles vale o esforço, a mocinha usa o anel e de quebra espanta outros pretendentes, fica muito mais disposta de que meros beijinhos se transformem em algo mais e fica segura (e para os homens, uma mulher segura no relacionamento é quase que garantia de que ela não vai dar umas escapulidas por aí).

Casa da Tuka adverte: Depois dos 18 usar aliancinhas prateadas é meio ridículo. Uma mulher feita com um atestado de bocó ao redor do dedinho não é a coisa mais atraente que existe no mundo. Mas como muita coisa ridícula nessa vida é feita sem que ninguém se preocupe, que todos sigam felizes. E eu falo isso com conhecimento de causa já que usei tais aliancinhas por um bom tempo. Que vergonha.

Depois de algum tempo, geralmente depois dos vinte, a aliança que significa que o cara realmente está te levando a sério, é a de noivado – dedo anelar da mão direita, não confundam. Claro que nem sempre isso significa que ele realmente esteja te levando a sério, mas se você acredita, ok. Tem até quem acredite que Roberto Jefferson é honesto! Pois bem, existe quem use o tal anel por anos a fio e não sinta vergonha de contar aos outros. “Eu sou noiva há cinco anos, mas acho que daqui a dois a gente casa”. “Somos noivos desde que nos conhecemos, não sabemos quando casamos”. “Moramos juntos há dois anos e somos noivos”.

Ah! Para tudo! No tempo da minha mãe, noivado significava o tempo suficiente para arranjar tudo e casar em seguida, virgem é claro!! Hoje em dia tanta coisa mudou, e assim como ninguém mais se guarda para o marido, quem quer casar casa, não fica esperando a banda passar, construir a casa, comprar o terreninho, acabar a faculdade, ganhar na mega-sena. Se for assim, caros, fiquem solteiros, façam tudo o que têm a fazer e depois arranjem suas caras metade. Pois é total perda de tempo ficar noivo por anos e anos e no final (acontece muito) a aliancinha vai parar no fundo de uma caixa empoeirada de lembranças do tal noivado que não deu em nada.

Casa da Tuka adverte: Usar alianças de noivado por mais de um ano é sinal de bocózisse. Usar aliança de noivado sem saber se e quando vai se casar é sinal de bocózisse ao quadrado. Usar aliança de noivado quando você já mora junto há milênios (portanto já se casou), é sinal de bocózisse ao cubo. Passar dos trinta e continuar usando aliança de noivado é sinal de que você precisa de outra pessoa, pois já passou da idade de ser bocó.

Por fim a aliança de casamento. Essa é a mais sonhada por milhares de mulheres e a mais temida por outros milhares de homens. Tão complexa é a ânsia e o temor de ostentar tal objeto circular no dedo anelar da mão esquerda, que vale um próximo post. Esse será mais um capítulo da série muié é bixo burro – Por que casamento é tão importante? Aguardeeeeeeeeeeem!

Casa da Tuka adverte: Ser uma dupla é legal, mas pensar que a felicidade só existe quando se tem alguém é sinal de bocózisse.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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