Arquivo de junho de 2005



8 de junho de 2005

Coisas de casa


Minha geladeira anda. É verdade.

A cada dia que passa estou ficando com mais medo dela. Lembro daquele filme bizarro chamado A Geladeira Diabólica que aterrorizava a vida de um jovem casal e me identifico. Fico imaginando a hora em que aquela coisa vai tentar me comer e terei que me defender com uma machadada. Affe…

Por conta disso terei que ficar uns bons reais mais pobre e comprar uma nova. Alguém sabe de alguma promoção?

***

Eu não sei cozinhar, sabem? Não sei, mas às vezes me esqueço, coisa que meu marido e minha sogra “gentilmente” e imediatamente me ajudam a lembrar de novo. “Ei, Tu! Não pode bater o fermento junto com a massa!”. “Sílvia, congelei feijão pra você levar, tá?”. “Como você conseguiu queimar a panqueca?”.

É, minha vida de pseudo dona de casa não é das mais fáceis. Morro de inveja da minha amiga Carla que sabe usar uma panela de pressão! Dia desses fizeram uma roda de “encheção de saco” ao meu redor tentando me convencer de que era um absurdo eu ter medo de usar uma dessas. Não! Não quero uma panela de pressão! Essas coisas são malévolas e explodem! Estou apenas defendendo a integridade física da minha família.



7 de junho de 2005

Ooops! Comprei hein seu Ronaldo Caiado! E agora? Vai mandar recolher aqui em casa?


Pois é, para uma pessoa como eu que viu abestalhada aos sete anos de idade, Fafá de Belém se estrebuchando para cantar o hino nacional em prol das diretas já, e depois já adolescente, viu a queda e o estatelar da moral do então presidente da república com milhões de caras pintada clamando por justiça… Pois é, para uma pessoa como eu que cresceu acreditando que as coisas só tendiam a melhorar, que se políticos de bem tomassem as rédeas desse país as coisas seguiriam rumo ao tão esperado respeito por seus cidadãos.

(Mas quem seriam os tais “políticos de bem”? mais fácil acreditar em Papai Noel, não é mesmo meu caro Watson?)

Alguns anos depois a esquerda está lá no poder, a esquerda que ajudei a eleger, a mesma em que confiei e junto com outros milhões de eleitores, coloquei lá no lugar mais alto da política em um país.

Eis que a esperança depositada vai por terra e o governo nos esfrega na cara que é contra CPIs, que é acusado de “mesadas”, que lança cartilha de conduta de como a língua portuguesa deve ser escrita, que deixam censurar obras porque um imbecil se sentiu ofendido.

É, minha gente, eu estou indignada. Fernando Moraes está indignado. Todas as pessoas que têm um mínimo de bom senso e inteligência também devem estar. Mas como muitos ainda sequer sabem de toda essa PALHAÇADA que está acontecendo, eu vou contar aqui.

A “respeitável” justiça de Goiânia determinou há cerca de um mês a busca e apreensão de edições do livro “Na Toca dos Leões”, do escritor Fernando Morais, por ofensa ao deputado Ronaldo Caiado. Como se não bastasse, o escritor está também proibido de falar a respeito, e toda vez que desobedecer a ordem terá que pagar R$ 5 mil de multa.

O livro de quase 500 páginas conta a história da agência de publicidade W Brasil e narram sucessos, polêmicas, acusações de traições, e detalhes do seqüestro de Washington Olivetto.

O tal deputado entrou com a ação por causa da declaração de Gabriel Zellmeister em 1989. Caiado, então candidato à presidência da República pelo PSD, falou de um suposto projeto dele de “esterilização das mulheres como solução da superpopulação dos estratos sociais inferiores, os nordestinos”.

(É mole?)

O tiro saiu pela culatra, claro. De tanto proibir a venda, Na Toca dos Leões bate recordes, pois continua nas vitrines da maioria das livrarias. Dos cerca de 30.000 exemplares distribuídos, só 14.000 foram retomados pela editora Planeta, que alega dificuldades operacionais para a retirada. A Justiça diz que não é de sua competência verificar o recolhimento. “Não sou eu que vou sair como louco fiscalizando isso aí”, afirma o juiz Jeová Sardinha, responsável pela liminar que cerceia a circulação da obra.

(E isso não é ótimo??? Hahahahahaha!!! Me digam: pra que sitcom????)

E faz uma meia hora, eu acabei de clicar em COMPRE AQUI nas Americanas e daqui dois dias vou me esbaldar de ler. Ler o que quero, na hora que quero! É PEDIR MUITO HEIN GOVERNO? E eu que me orgulhava tanto em fazer parte de uma era de liberdade de expressão.

Vamos lá pessoal, iniciemos uma campanha agora com o slogan: Eu Comprei Na Toca dos Leões e ri muito da cara do Caiado! *Cliquem aqui* para ir direto na página do livro (está R$29,90).



6 de junho de 2005



Simplesmente me deliciei com mais uma do James. Para quem não sabe James é meu amigo real muito anos luz antes de se tornar colega de blog. James não é mordomo apesar do nome. É jornalista, é ácido, é malcriado, possui um humor com requintes de crueldade (por isso também o amo), é insuportável para a maioria dos seres vivos (pois a maioria dos seres humanos detesta pessoas inteligentes como ele) e escolhe a dedos (do meio) os seus amigos. Ele é ótimo. E eu o amo. O texto abaixo é apenas um pedacinho do que ele postou, mas já vale um bocado. Depois, se você quiser ler tudo, olha ali nos meus links e clica em James.

Agora vou na Daslu tá? Ai biiiiiiiiiiiii, tô louca por uma diorzinha básica que eu vi lá! (affe)

Osamaaaaa, é aqui ó!”

1- Que Osama Bin Laden veja a Daslu como mais um centro de disseminação do mal capitalista e jogue um Boeing naquele lugar bem num dia de queima de estoque. Os punks anarquistas poderiam mostrar seu valor e pintarem um imenso alvo no teto da Daslu com a seguinte frase: “Osamaaaaa! É aqui óóóóóóó!”

2- Que os “Edukators” invadam a Daslu durante a noite e troquem todos os produtos por artigos da 25 de março e pichem a frase “seus dias de ostentação terminaram”.

3- As constantes chuvas da capital paulista poderiam durar uma semana, sem parar. Isso faria com que o rio Pinheiros transbordasse até atingir o quarto andar da Daslu. Seria fantástico ver as peruas boiando no meio da merda, enquanto outras seriam devoradas pelas ratazanas. Eu até acreditaria que deus existe.

PS da dona da casa: E eu aqui esperando uma promoção da C&A…



4 de junho de 2005

E pra dizer que não falei de flores


Ontem foi aniversário de minha mãe. Sobre ela, eu teria milhares de coisas a escrever, tantas que sequer caberiam em um livro dos mais recheados. Só que nem eu jamais conseguiria traduzir em palavras o tanto dela que apenas meus pensamentos conseguem compreender.

Minha mãe é única, assim como todas as outras mães. Só ela sabe e também não sabe muitas coisas. Como sabe que é birrenta e teimosa, mas não sabe que tem uma força no olhar que daria medo ao que se considera o mais poderoso dos homens (caso esse homem existisse mesmo).

Minha mãe não sabe cozinhar, mas se esforça. Compra uma comida gostosa e pronta como ninguém! Mas sem querer cometer injustiças aqui: faz pães deliciosos. Ela, nos tempos em que muitas de suas amigas aprendiam a fazer quitutes, pulava da cama de madrugada e seguia seu rumo a pé por quilômetros até chegar ao trabalho. Ela lecionou por trinta anos. Professora de português admirada, temida e alérgica a giz, vê se pode – ironia do destino, como tantas com que ela se deparou durante sua vida.

Dona Sílvia, além de seu próprio nome me deu a paixão pelos livros. Lembro ainda bem claramente do vendedor batia lá em casa todo mês querendo empurrar mais uma daquelas luxuosas e raras coleções completas. Ela comprou várias escondida de meu pai. Machado de Assis? Ta lá. José de Alencar? Também. Jorge Amado? Presente. Até Paulo Coelho está por lá em lugar soberano na modesta estante da sala de minha mãe. O ápice de sua felicidade como professora foi pouco tempo antes de se aposentar. Tornou-se responsável pela biblioteca de uma escola e por lá passava horas recomendando livros aos alunos mais espertos. Eu estudava na mesma escola nessa época e também me lembro de ter sido um dos meus períodos mais felizes. Podia correr pra lá e ficar a seu lado e ler o livro que quisesse. Qualquer livro que eu desejasse ler, qualquer livro concorrido para um trabalho que a professora pedia, ela sempre guardava num cantinho e a preferência e o primeiro lugar na fila dos empréstimos, adivinhem, sempre era eu.

Minha mãe chama o nome das pessoas que ama cantando. Não conheço outra mãe assim. Ela não me chama de Sílvia. Jamais! Nem, aliás, ninguém que me conheça um pouquinho ao menos. As pessoas me chamam de “Tu”, me chamam de “Tuka”. Minha mãe não. Minha mãe canta meu nome, ela me chama de “TUuU”. Meu pai é Ari, mas não pra ela. AriÔôô!! Grita quando a comida está pronta. Ariôôô!!! Chama quando quer lhe falar. Minha irmã? Josiany. Para minha mãe? JôÔ!!!

Dizem que filho de peixe, peixinho é. Pode ser que sim, mas também pode ser que não. Clamo aos céus pela primeira opção em milhares de fatores que vejo nela. Foi dela que herdei também o amor verdadeiro que sinto em escrever. Mas perto dela… Perto dela sou exatamente peixe pequeno. Minha mãe escreve para ler rezando. Não, melhor, ela escreve para ler e nem precisar rezar. Convence com seus textos. Sabe focar, sabe persuadir. Seria de causar inveja a muitos que jamais leram uma única linha de um texto seu. Mas eu li, e como a admiro! A exatidão da palavra certa na frase certa no momento certo. A hora exata em que se permite ser prolixa e o momento em que sabe que tem que ser imediata e objetiva. Minha mãe é uma grande escritora que sequer publicou um único livro. Desse sonho frustrado me incumbiu de realizar por ela, se depender de mim o farei, mãe.

Ela é decidida. Ela resolve. Ela esquematiza. Ela tem na ponta do lápis quase tudo. Ela organiza o orçamento. Ela é matriarca. Meu pai, um militar aposentado com fama de turrão, dentro de casa se dobra à dona Sílvia. E não pensem que ele se envergonha disso. Não! Ele diz: “sua mãe é que sabe, sua mãe é que decide, veja antes com sua mãe”. E também não pensem que meu pai é daqueles homens frouxos. Muito pelo contrário! Mas por minha mãe e apenas por ela, se permite a tudo. Pois só ela é a Sílvia dele.

Minha mãe fala sozinha. Reclama, resmunga e delibera com seus botões. Incontáveis vezes sem que me notasse, fiquei quietinha ouvindo o que tanto dizia ali sozinha e saia de meu esconderijo gritando lhe pregando um belo susto: “Ê mãe!!! Falando de novo com o Gasparzinho”. Ela se assustava e ria umas vezes, em outras me olhava feio. Eu também falo sozinha, mãe. Minha mãe fala com os bichos. “Tony, a vovó já vai dar comida”. “Nico, tá dodói? Vou chamar a doutora Inês pra você”. “Kika, gatinha, venha ficar aqui com a vó”. Detalhe: ela é a vó porque a mãe sou eu. E eu também falo com os bichos, né mãe?

Minha mãe gosta de caminhar. Gosta de tênis. Anda quase todas as manhãs quando não está com preguiça.

Ela tem iniciativa para tantas coisas, ela é engajada politicamente, ela tem ideais de um mundo melhor, ela luta e briga e xinga pelo o que ela quer. E não está nem aí para o que os outros vão falar e pensar! Hum… Acho que conheço muito bem mais alguém exatamente assim.

Minha mãe é previsível e surpreendente. Sim, contraditória ela é. Sei exatamente o que dirá em determinadas situações e ainda assim, muitas vezes ela consegue me surpreender.

Minha mãe é ela. A mesma com quem travei tantas batalhas, a mesma que me ensinou tantas coisas, a mesma com quem divido tantos momentos, a mesma que não sabe nada de mim e ao mesmo tempo a que melhor me conhece. A quem amo e a quem quero que seja eterna. A que não é nada perfeita e ainda assim é suficiente. À minha mãe, que caminha a meu lado mesmo estando longe. Que torce por mim mesmo que ninguém mais o faça. Que me tenta entender mesmo quando não consegue. À minha mãe, que não foi a pior, não foi a melhor, mas foi e é a minha. A que basta.

Parabéns, mãe.



3 de junho de 2005

Da série: Não confunda (Piiiiiiiiiii) com bunda ou: Mas que coisa feia, hein, Tuka?


Sabe quando você encontra alguém na rua e pergunta se a pessoa está bem? Lembro do dia em que eu era criança e me disseram que a resposta sempre deveria ser sim. Fiquei meio sem entender, afinal porque raios alguém diz que sim ao que às vezes deveria ser não? Se não estou bem vou dizer que não, ué, pensei.

Algum tempo depois constatei decepcionada, claro, que a tal pergunta de “ei, vc está bem?” era apenas uma questão de educação (na maioria das vezes), que também na maioria das vezes as pessoas envolvidas em tal diálogo não gostariam de ouvir as reclamações por estar sem trabalho, pelo namorado ou marido que lhe deu um pé na bunda, da irmã chata – coisas assim. Coisas do gênero ficariam reservadas a poucos, aqueles com paciência suficiente.

Mas vamos ao assunto principal. Pessoas ficaram iradas com o último parágrafo do post abaixo. Mandaram e-mail com antraz, fizeram macumba na esquina da minha casa. Admito, fui rude. Mas eu sou assim, tão delicada e sutil como um elefante vestido de rosa em uma loja de cristais. No entanto quando escrevi a tal frase não quis que ninguém se sentisse ofendido, afinal pensei, quem é que levaria a sério essa besteirada toda que escrevo aqui? Mas BUM!!! As pessoas levam!

A novidade é que dessa vez não vou ignorar e dar de ombros. Até mesmo porque consegui ser convincente o suficiente a ponto de causar ódio quase que mortal (quase?). E meu nome deve estar na boca do sapo há pelo menos o tempo em que escrevi aquela frase tão mal-educada. Tuka é má! Tuka é terrível! Tuka vai ficar de castigo! Desculpem, esse é para ser um post sério, mas às vezes não consigo me controlar.

Mas voltando, quando se escreve um blog ou qualquer coisa do gênero que está aberto a quem quiser ler, corre-se esse risco. Afinal, estou aqui, dizendo o que quero, falando de mim, escrevendo coisas com que muitos se identificam, fazendo com que as pessoas sintam-se próximas já que conto coisas de minha vida ou do meu ponto de vista. É natural que sintam que tenham liberdade e permissão para serem minhas amigas a ponto de acharem que eu gostaria de dizer algo além do que foi escrito em um post. Algo que escrevi e terminei de maneira reticente. Por isso se oferecem para uma conversa. Uma conversa que enfim eu não precise dizer meias palavras.

Só que este ser aqui deste lado do computador fala no blog apenas o que há para ser dito, não vai além. Até aí OK. Mas se dou margem a questionamentos em meus textos, coisas que fazem com que as pessoas fiquem preocupadas, que torçam por mim ou queiram saber mais a respeito, por curiosidade ou por querer ajudar… Aí é outra história. Pois a responsabilidade é totalmente minha. Já diziam que nos tornamos responsáveis pelo que cativamos – BINGO! É exatamente isso. E agora vou abrir meu coração (começa a musiquinha água com açúcar):

A vocês, que simplesmente quiseram ser gentis em todos esses anos de blog, peço desculpas por ter sido tão grosseira. Desculpe-me por às vezes não responder e-mails e comentários, por parecer indiferente, por às vezes fazer de conta que não me importo. Eu sou boba.

E sabem por que sou boba? Além disso tudo citado aí acima, sou boba porque às vezes não sei deixar claro que certas coisas que faço são prova de total carinho que sinto por determinadas pessoas, são declarações explícitas de que admiro a maneira que a pessoa escreve, ou o jeito que se manifesta. Não sei dizer simplesmente: “ei fulano! GOSTO de você, viu? Gosto simplesmente porque gosto, pois não te conheço, mas gosto. Você é do bem”. Pois é, eu não sei fazer isso tão simplesmente. Já disse: SOU ALMODOVAR!! NÃO SOU LINCH! (não reparem…).

Acho que é por isso que muitas vezes faço o contrário e digo apenas à uma minoria que não quero ouvir “se precisar conversar”, pois quero que saibam que embora eu abra esta casa aqui a quem quiser, nem todos são meus amigos. Mesmo que nada impeça de que sejam como já aconteceu tantas e tantas vezes. Só que muitos não precisavam ler esse tipo de coisa. Mas TUKA, como é que a gente vai saber quem deve vestir a carapuça ou não? Pois é, como, hein, Tuka?

É, gente, não tem como saber que o que escrevi não foi para a MARI, nem para BRUNA, nem para a INGRID, nem para a CRIS SANDES, nem para a GABI, nem para a MANDY, nem para a KARIN, nem para a BELA ADORMECIDA, nem para a PIKENINHA, nem para KATH, nem para a LIA, nem para o FELIPE, nem para a GLÊ, nem para PALOMA, nem para a THATY, nem para a LINDINHA, nem para a MILA, nem para a JÉSSICA, nem para a BIANCA, nem para o STAR, nem para a LAURA, nem para o EDDU, nem para a RAKS, nem para ELIANE, nem para a CRISTINA, nem para o GUSTAVO, nem para o CRIS, nem para a CINTHIA, nem para a CAROL, nem para a PANDORA, nem para a ELLEN, nem para a SAKANA, nem para o JAMES, nem para a MAÍRA, nem para o VALDIR, nem para a SHEILA, nem para a IEDA e nem para a TERRÁQUEA. Eu não escrevi isso pensando em qualquer um de vocês que listei e nem em ninguém que vem aqui e que carinhosamente me deixa comentários que eu adoro ler. Não falei isso a pessoas que ultrapassaram os limites do blog e com quem desejo saber mais do que apenas o nick. Não falei isso a vocês. Até mesmo porque nem precisaria ter falado nada.

Mas eu sou muito boba, achei que todas essas pessoas tinham em casa uma bola de cristal como a minha e que saberiam disso (falar nisso, o 1,99 aqui perto de casa vende).

Através dessa casa conheci pessoas com quem almoço durante a semana, com quem vou ao shopping, com quem converso no MSN por horas, que freqüentam a minha casa real além da virtual, com quem vou ao cinema, que me ligam para bater papo, conheci um namorado e depois o marido que amo tanto. Resumindo: esta casa só me deu presentes.

Mas o reflexo de responder sim ao “você está bem?” falou mais alto ali. Agora agüentem se perguntarem vou dizer NÃO!

Então pessoas, foi mal viu, não quis fazer “malcriação”. E você Terráquea, que de todas foi a que ficou mais brava, você é uma das que admiro mais. Desde aquele blog em um passado remoto com todas aquelas histórias. Mas se eu for ter que fazer um template a todos que gosto para dar certeza a elas de que gosto estou ferrada (né Ingrid, Raks, Camila, Rita, Babi, Pandora?) – rs… Comentário também vale né? Pois só comento em blogs de pessoas que gosto.



1 de junho de 2005

Let’s talk about myself


Vamos falar de mim. Isso, eu. Euzinha aqui que vos escreve. Esta que vocês não conhecem e pensam que conhecem, esta que algum de vocês até conhecem, mas apenas superficialmente. Exatamente esta, que dois ou três que lêem esta birosca realmente conhecem de verdade. Esta mesma: eu.

Fui na Parada Gay domingo. A parada foi a mesma coisa de sempre, muita gente, muita coisa horrorosa e bizarra, mas muito divertido. E antes que me pichem de homofóbica, vão catar coquinho na descida porque se existe algo que não sou é homofóbica. Mas o quero falar mesmo a respeito da parada é que acho totalmente preconceituosa essa tal sigla GLBT que inventaram. Como assim gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros? Jesus me chicoteia, hein! O que é transgênero? Não é aquele fuá da soja em que o governo anda enrolado até o pescoço? Tá gente, vocês devem entender ironia. Mas falando sério agora: acho totalmente medíocre esta mania que as pessoas tem de segmentar tipos, gostos, e agora até gays!! Desde quando ser gay não possui uma definição completa? Pra que ficar classificando? Juro que não vou me surpreender se daqui uns anos para participar da parada seja obrigatório carimbar um código de barras nas pessoas. Imaginem: “Fila das lésbicas é por aqui! Dá sua mão, minha filha, deixa eu carimbar! Ei! Você aí é na outra fila!” Que coisa. E heteros não poderão participar a não ser que mudem a sigla para GLBTH. Mas juro que não duvido de nada. E eu que tinha orgulho em ser o S do GLS, agora não sou nada.

Aproveitando a deixa e falando de mim, quero compartilhar que eu assisti Melinda e Melinda ontem. Gostei. Tenho sido tão tolerante com Woody Allen nos últimos tempos que até mesmo me surpreendo. O filme tem todos os clichês que o judeu tanto gosta. Complexo de inferioridade, paixão, amor platônico, traição, Nova York (mesmo que não se fale dela), frases prontas. Mas Woody Allen é assim: simples. Mas é bom ser simples às vezes. Só que não o perdoei pelo que fez com Mia. Nunca o perdoarei. E nem a Soon-Yi, claro.

Ah! Por falar em mim, lembrei que preciso dizer que tirarei meu aparelho ortodôntico daqui a poucos dias e que estou feliz. Mas minha sádica dentista fez o favor de comemorar me judiando bastante na última consulta antes do grande dia. Às vezes quero que ela morra. Mas só às vezes, pois ela é um amor.

Ainda falando de mim, lembrei que preciso me depilar, pois estou parecendo uma ursa. Também preciso fazer as unhas, mas ando sem saco, e alguns de vocês sabem, se é que leram, o quanto minhas unhas são importantes pra mim. Quadradinhas e pintadas de pink. Se sou fútil? Ô se sou!

Mas por falar em mim mesma, quero dizer que sexta é aniversário da minha mãe, mas que não poderei ir vê-la. Uma pena, mas acho que mesmo sem a minha presença ela vai ficar mais velha.

Mas Não mudando de assunto, hoje meu dia foi ruim. Dor de cabeça interminável. Preocupação com milhares de coisas. Noite passada em claro por uma insônia fulminante que me tomou conta. E se eu não contasse isso aqui ninguém jamais saberia. Pffff quem é que quer saber?? Mas tudo bem. Estou bem.

Ah, e aproveitando o azedume, que ninguém me venha com “se, você quiser conversar pode contar comigo”. Tenho náuseas. Pois se eu quiser conversar com alguém não será com alguém que me fala que eu posso fazer isso. Será com alguém com quem eu simplesmente converso e pronto, sem delongas, alguém que me conhece além das palavras tolas que escrevo aqui nessa casa. Ai, como sou azeda! Mas no fundo sou querida. Vocês é que não sabem…


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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