Arquivo de março de 2005



28 de março de 2005

Jogando conversa fora


De todos os sonhos surreais que tive, o da noite passada superou vários. Sonhei que a Britney Spears casou-se com um cobrador de um ônibus de Curitiba.

***

Eu gosto de Naomi Watts. Ela está na lida cinematográfica desde meados dos anos 80, mas ficou conhecida apenas com aquele filme chatíssimo de Lynch de 2001. Cidade dos Sonhos é queridinho dos intelectualóides de plantão apenas por ser tratar de mais uma obra do cult diretor. Por isso Watts se deu bem ao co-protagonizar a trama.

Falei da atriz porque acaba de estrear O Chamado 2 nos cinemas brasileiros e a atriz continua na história nesta seqüência. Se a primeira refilmagem do thriller japonês (Ringu) me assustou a ponto de eu sequer cogitar em ver a seqüência, a presença da loira fez com que eu me rendesse ao cinema-pipoca mais uma vez.

E lá fomos eu e meu marido em pleno feriado de Páscoa assistir ao “filmão”. Conselho de amiga? Não percam tempo.

Naomi Watts é ótima, mas O Chamado não. Portanto se querem ver algo bom que ela tenha feito, assistam 21 Gramas.

***

Meu marido aprendeu a duras penas que existe sim uma coisa que me faz ficar com um mau humor terrível: sentir fome. Ele “carinhosamente” me chama de Gremlin quando começo a bufar por causa da minha hipoglicemia e ainda diz: “Ih, é melhor você comer alguma coisa logo”. E meus ataques “gremlinianos” têm exigido apenas panquecas americanas feitas por ele. Quem disse que casamento é fácil?



24 de março de 2005



Ontem descobri uma coisa tão absurda que estão fazendo com um conhecido meu, que realmente continuo a pensar que cada dia é mais difícil encontrar pessoas de caráter nesse mundo.

Eu não sou uma pessoa fácil, admito. Sou crítica, seletiva ao extremo, não gosto de me misturar demais e se encontro alguém que sei que não tem absolutamente nada a ver comigo, nem me envolvo. No entanto, jamais trato ninguém mal, nem faço com que se sintam meus melhores amigos de infância caso não o sejam, não suporto falsidade. Trato com respeito, mas deixo claro que somos meros conhecidos ou colegas. Nunca vou ligar para papear, nem escrever um e-mail de “olá”, nem mencionar seu nome em nenhum texto, nem convidar para ir a minha casa, nem nada além do necessário, nunca. Terei com essa pessoa uma relação cordial, apenas.

Por esses motivos aí acima, sou considerada por alguns, uma pessoa fria e por incrível que pareça, também uma pessoa que não é digna de confiança e falsa.

Não puxo saco, não tenho necessidade de me sentir parte de grupos, não me interessa o que pessoas que eu mal sei o nome pensam de mim, não finjo ser o que não sou, não mudo de personalidade de acordo com quem está perto, não me preocupo com coisas nem pessoas que ficarão em minha vida o mesmo tempo em que dura um piscar de olhos, dou muito valor a amizades de verdade e não as motivadas por um interesse qualquer e acredito que se alguém por algum motivo deixou de ser meu amigo e porque jamais o foi. Então nada perdi.

Existem alguns gatos pingados que me consideram uma ameaça. Sabem, me divirto ao saber disso. Alegra-me ver o quão inseguras e desprovidas de inteligência são algumas pessoas. Que sequer sabem avaliar o caráter daqueles que o cercam. Que sequer conseguem perceber que existem por aí milhares de pessoas como eu que gostam e têm prazer apenas em viver a própria vida. Sem que se envolvam em invencionices e baixarias para tentar achar uma razão para existir.

Pessoas como essas que precisam tentar desmoralizar quem está seguindo seu caminho, que acham que se tornam interessantes apenas porque têm uma nova fofoca mentirosa para espalhar. Que não têm nada a acrescentar de bom na vida de ninguém a não ser fingir amizade para camuflar falta de capacidade de realizar um bom trabalho, ou para não estarem completamente sozinhas em sua insignificância…

Pessoas assim são as que me fazem pensar em como sou uma mulher feliz. Como sou grata aos poucos e verdadeiros amigos que encontrei nessa vida. Como estou satisfeita em não me deixar corromper com efemeridades. Como estou contente comigo em saber que minhas únicas futilidades são a mania de gostar de sapatos e de passear no shopping. Como sou feliz em não prejudicar ninguém. Como sei apreciar o que realmente vale a pena. Como uma pessoa bonita e inteligente não me causa pavor. Como sei o que quero e o que não quero. Como é maravilhoso amar e ser correspondida. E em como meus pais me educaram direito ensinando que o certo não é aquilo que quero que seja.

Este texto é pra vocês. Se vou citar seus nomes? Não me façam rir (mais)! Bem que vocês gostariam disso não é mesmo? Esse texto, sim, é para vocês. Uma nova fofoca, sintam-se felizes! Aliás agora vocês têm um bom motivo para puxar o saco daquelas pessoas que vocês consideram “super”. A Tuka, a “traidora”, lhes deu um motivo para se sentirem interessantes, para ocupar seu tempo ocioso e nulo de felicidade e amor próprio. Para não terem tempo de pensarem em quão medíocre é essa vidinha que levam se preocupando apenas em falar mal da vida alheia.

A beleza de um ser humano vai muito além de um corpo bonito, rosto harmonioso… A feiúra também. Dentes faltando, espinhas, toneladas a mais? Isso não é nada! A feiúra é maior pela falta de caráter, falta de respeito, falta de dignidade, falta de fidelidade, falta de personalidade e burrice em níveis assustadores, claro. Vocês são tão feios que nem o melhor “Extreme Makeover” daria resultado, pois feiúra de espírito e coração não tem cura.



22 de março de 2005



Esta casa não desabou. No entanto a dona anda ocupada e o texto abaixo é uma republicação do dia 10 de março de 2003.

Beijos aos que vêm conferir as novidades.

Lembranças desta vida

Eu sempre acreditei que somos as lembranças de coisas que fomos e das coisas que vivemos um dia… Até Oswaldo Montenegro já disse isso em Metade: “Porque metade de mim é a lembrança do que eu fui, e a outra metade eu não sei…” As lembranças são as únicas coisas realmente nossas na vida, são as únicas coisas que ninguém pode nos tirar jamais…

Eu tenho várias… Confesso que boa parte delas gostaria que fosse exterminada de mim… Ainda me machuca pensar em coisas que aconteceram há tempos… Me dói lembrar de pessoas que passaram por mim um dia e que agora não tenho mais notícias… Me fere demais ter apenas a lembrança de coisas e de pessoas que ainda queria que fizessem parte do meu presente e do meu futuro, mas que não farão…

A maioria das pessoas, (e me incluo aqui como a primeira da lista nesta categoria) tem a mania tola de pensar em como teria sido a vida se algo que aconteceu de um jeito tivesse acontecido de outro. Eu estaria mais feliz se o namorado que eu tanto amei estivesse comigo até hoje? Como teria sido se eu tivesse tido coragem de ter ido embora para ser voluntária no Senegal? E se naquele dia eu tivesse beijado o meu melhor amigo em frente a faculdade? Perguntas para coisas que jamais terão respostas… Acho que é por isso que dizem ser melhor o arrependimento por algo que fizemos do que por algo que deixamos de fazer. Mas a questão aqui não são arrependimentos – até pq eu não os tenho em grande número – a questão são memórias. Memórias até mesmo de coisas que nunca aconteceram.

É fato: quando algo de ruim acontece e ficamos tristes, achamos que nunca mais ficaremos bem… Quando o tempo passa a lembrança que temos do que houve chega até a ser um alívio. Nos sentimos bem por termos sobrevivido a algo que achávamos que nunca iríamos superar.

Quando criança você achou que não havia dor maior do que ver que seu brinquedo preferido se quebrou. Depois você se lembra de um tombo terrível que teve, agora você sabe que nem foi tão grave assim – você não sente mais nada. Quando você cresceu mais um pouquinho perdeu sua avó que já estava doente há tempos – você ainda lembra que ela fazia doces deliciosos e que achou que nunca fosse superar sua morte – passou a dor, a saudade permanece mas já não maltrata. Teve aquele dia em que você perdeu a pessoa que mais amou na vida, ele te trocou por outra… Doeu, você emagreceu, ficou triste como jamais achou que pudesse, e agora, para sua surpresa, está amando de novo e lembra do ex como uma história que te deu estruturas para o que está vivendo hoje… Tudo passa, as lembranças ficam… E estranhamente as lembranças do que foi ruim são o que nos mantém firmes para continuarmos, viram alívio… Alívio porque já passou, por que foi superado e porque agora vc já sabe que pode sobreviver apesar de tanta coisa que acontece todo dia…

Eu lembro do gosto de uma fruta que comia quando criança e sinto saudade do sorriso que eu dava quando meu pai trazia pra mim… Eu ainda lembro do dia em que caí no lago da praça com a minha bicicleta nova e de como riram de mim… Eu não esqueço o dia do meu primeiro beijo e do medo que eu senti… Eu lembro do dia em que faleceu uma pessoa muito amada e de como chorei sozinha sentada na escadaria do cursinho… Eu lembro de como machucou me decepcionar com a pessoa em quem mais confiei no mundo e de como achei que nunca mais poderia amar de novo… Eu recordo a dor de ouvir “eu não te amo mais” e continuar amando quem disse isso… Eu lembro do dia em que recebi flores pela primeira vez e de como fiquei feliz… Eu não esqueço o dia em que fiquei dançando na sala do meu apartamento com o meu amigo Du, e lembro também que aquele dia foi o mais feliz depois de muita coisa triste… Por isso somos o que lembramos… Somos resultado do que nos aconteceu… Eu às vezes me surpreendo rindo sozinha quando recordo de algo bom que vivi. Da mesma forma, existem momentos em que sinto meu coração apertar quando lembro de fatos tristes.

E assim passam os dias – o que acontecer hoje vai virar lembrança amanhã, e mais um dia fará parte do que seremos depois…



17 de março de 2005



Cansaço, dias quentes e interpéries à parte, estou muito bem, obrigada. Sumida né? Verdade. Mas durante todos estes anos em que escrevo esta casa eu tive meus outros vários momentos de sumiço. E garanto, o adágio é certo: o bom filho à casa sempre torna! E eu sempre volto.

Infelizmente hoje, eu deveria brindar o “retorno” com um post de verdade, e no entanto meus dedos não estão com vontade de captar os pensamentos. Por isso simplificarei e falarei de dois motivos que me fizeram vir até aqui e “dedilhar” algumas palavras neste blog.

O primeiro foi ler como eu pareço “doce” à primera vista ou à primeira conversa pelo msn. Hahahaha… Me diverti lendo a maneira como a Ieda pôde interpretar a acidez da dona desta casa… O melhor de tudo é que ganhei mais uma leitora inteligente e uma companheira de seletos assuntos, daqueles que não é com qualquer pessoa que podemos falar. Com ela eu posso.

O outro motivo foi ter “esbarrado” com uma amiga de longa data pelo MSN: Angélica. A moça loira, meiga, delicada e frágil… Me enganei por um bom tempo a respeito dela. Ela é sim loira (naturalíssima!), meiga, delicada, mas é forte pra caramba e agora eu sei disso. Até disse a ela que estava orgulhosa em saber o que me contou. E foi bom demais falar com você, dona moça.

Agora eu vou ali e volto sim, você sabem disso. Sempre volto!



11 de março de 2005



Esse calor do inferno me deixa preguiçosa. Ontem fez o dia mais quente do ano aqui e eu nem preciso dizer o quanto “adorei”, né?

Bem já é sexta-feira. Vou tentar colocar em dia as visitas a quem passou por aqui. Mas bem devaaagaarinhooooooo, pois com esse solão lá fora eu quero mais é deitar em qualquer canto e ficar quieta.



7 de março de 2005

Hotel esperança


Havia muito tempo que um filme não me deixava sem fôlego. E eu sou cinéfila. Assisto de tudo. Ok, quase tudo.

Mas este filme não necessita de grandes propagandas já que a história é digna de ser o “filme de cabeceira” de qualquer pessoa de bom gosto.

Hotel Rwanda de Terry George (roteirista de “O Lutador” e “Em Nome do Pai”) praticamente espanca a cara do ocidente quando conta a história real de Paul Rusesabagina, um gerente de Hotel que se vê no meio a uma guerra entre compatriotas separados em dois grupos: a maioria hutu e a minoria tutsi.

Um verdadeiro massacre começa em 1994, sem a menor interferência de forças internacionais. Ou seja, Tio Sam que tanto gosta de meter o bedelho nem tomou conhecimento (Ruanda não tem petróleo!) e todos os soldados das nações unidas, como ratos abandonando o navio, saíram correndo do país quando eles acharam que a coisa ficaria feia. E ficou com o assassinato do presidente pelos rebeldes hutus que colocaram a culpa nos tutsis para ter uma desculpa para começar a matança.

Para se ter noção de quanto foi desesperador para uma parcela da população encurralada em seu próprio país, a ONU se deu ao trabalho de apenas retirar os estrangeiros que ali estavam e dizer: “Olha, sinto muito tá? Mas você ficam aí a mercê da sorte e de Deus”. Foi exatamente isso. Se fizeram de surdos e cegos e foram embora com a consciência tranqüila.

No entanto, como nem todo ser humano é cocô de barata, Paul Rusesabagina colocou para dentro das portas do hotel cerca de 1200 refugiados tutsis e os protegeu da maneira que pôde: subornou alguns, mentiu para outros, pediu ajuda para outros mais. E ele era hutu! E segundo este grupo, pior ainda do que ser um tutsie é ser um hutu que protege tutsie.

Paul, casado com Tatiana uma tutsie, escolheu proteger aquelas pessoas por algo que vai muito além de uma causa ou um ideal. Ele simplesmente não entendia o que motivava um ser humano a assassinar outro a sangue frio – e um outro ser que ainda por cima é seu compatriota, mesmo que separado por uma ridícula divisão de grupos.

Diferente de Oskar Schindler com quem é comumente comparado, Paul Rusesabagina não teve motivações financeiras para salvar os tutsies. Não pertencia a alta classe de seu país, não tinha influência nem poder político. E também não possuía uma empresa na qual poderia empregar aquelas pessoas a salários baixíssimos para aumentar seus lucros, como fez o empresário alemão.

Protagonizado por Don Cheadle (”Traffic”, “Onze Homens e um Segredo”), o filme concorreu aos Oscar de melhor ator, atriz coadjuvante com Sophie Okonedo (divina interpretação!) e roteiro original. Não ganhou nenhum, claro. Pois não pertence ao hall de produções que caem nas graças da panelinha da academia. Bom para o público, ruim para Hollywood, que desde que criou a premiação se consagrou por agraciar clichês e por eleger como estrelas muitos atores de talento até mesmo duvidoso. E o dia em que um filme como esse receber a premiação máxima, a festa do Oscar acontecerá na selva amazônica, ou seja, nunca.

Infelizmente, Hotel Rwanda não tem sequer previsão de estréia no Brasil. Parece que “O Massacre da Serra Elétrica” tem mais saída. E depois, quem quiser assistir ao filme sem ficar imerso a tantas dúvidas sobre o motivo da rivalidade entre os dois grupos é fácil encontrar informações na Internet.



6 de março de 2005



Poxa, eu não fazia idéia de que ver o Milton Nascimento cantar poderia ser ainda muito melhor do que apenas ouví-lo. E eu que sempre amei “Paula e Bebeto” caí no choro em pleno Ibirapuera nesta manhã quando ele começou a cantar. No palco, ele, “Bituca”, e mais duas convidadas, Vanessa da Mata e Marina Machado. Que por mais que sejam “AS” convidadas, perto dele sempre serão coadjuvantes…

Paula e Bebeto

Ê vida vida que amor brincadeira, a vera
Eles amaram de qualquer maneira, a vera

Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito

Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, a vera
Eles se amam e é pra vida inteira, a vera

Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá



2 de março de 2005

Aquilo que foi e que não é mais


Existem mágoas que nunca esquecemos? Existem coisas que não perdoamos nunca? Existem palavras que nos foram ditas que para sempre ecoam em nossas lembranças? Até algum tempo eu achava que sim. Tinha tanta certeza disso que sequer me dei conta de quando um determinado fato do meu passado começou a virar névoa. Sem meias palavras com vocês, pois quem acompanha a casa sabe da grande decepção que tive com uma pessoa que amei muito. Pois então, eu sequer me dei conta de quando tudo o que vivi ao lado daquela pessoa, passou e existir em mim como algo tão distante como um filme bom que assisti há tempos e que já não lembro mais os detalhes, apenas a história principal.

Então todas as mágoas junto a promessa de nunca esquecer e muito menos perdoar a quem dividi tantos momentos da minha vida (bons e ruins), sumiram. Foram embora de maneira tão natural que dia desses, me peguei pensando que esperava que ele fosse tão feliz quanto eu sou agora. E desejar que ele fosse feliz ao lado de uma mulher que não eu, teve um tempo em que achei que seria impossível, mas não foi.

Afinal de contas, se for para guardar algo que seja então o que tivemos de bom, o que valeu a pena e eu sei que não foi pouca coisa. Nós humanos e a mania terrível de relembrar apenas o que consome, o que faz mal e machuca.

Há umas semanas quando eu estava em Curitiba o vi passar por mim dentro do carro. Eu estava distraída parada em uma calçada da Avenida Sete de Setembro, ouvindo as infinitas discussões de dois amigos, e eis que ele passa. Era uma questão de tempo para que isso acontecesse, pois naquela cidade é inevitável encontrar pessoas conhecidas, principalmente as que não queremos. E sempre pensei que quando esse momento chegasse seria estranho. E foi mesmo. Eu disse aos dois: “Ei, cinco anos da minha vida acabam de passar dentro daquele carro falando ao celular”.

Por dois segundos eu vi passar por mim alguém que foi a pessoa mais importante da minha vida e que se tornou há nem sei quanto tempo, apenas um rosto conhecido. Por isso foi estranho. Cadê todo o sentimento que existiu? Cadê aquela sensação de raiva e mágoa por como tudo terminou? Cadê o desejo de que ele se ferrasse? Não existem mais há tanto tempo que eu nem sabia.

No caminho, os dois me perguntaram o que eu senti. “Como se olhasse para uma foto antiga”, respondi. Uma foto em que ficou eternizado um momento que sei que existiu, pois está ali retratado, mas que não lembro mais quando, nem o que fazíamos ali.

Só sei que me dei conta, e já faz tempo, de que existem coisas que devem ser guardadas sim. Mesmo que por apenas poucos motivos, mesmo que por um único aprendizado, mesmo porque em um passado remoto significou algo que nos ajudou a sermos quem somos hoje.

E outra, eu já não sou mais tão ingênua a ponto de pensar que fui a única que não errou em tudo. Apenas esse motivo já é até mais do que suficiente para querer que a vida do ex seja tão boa quanto a minha e que encontre alguém que o faça tão feliz quanto o San me faz. Que ele também sinta o coração disparar só de pensar na pessoa que ama, como eu sinto com o San.

Enfim, que seja tão feliz como eu a ponto de também lembrar de nós como uma fotografia antiga. Como esta, por exemplo, que justamente hoje me foi enviada por e-mail, como se para ajudar a oficializar o que já foi superado a tanto tempo que até faz bem para a alma colocar em palavras…

OBS: O ano deve ser 1999 ou 2000, a cidade é Curitiba, encostado em meu ombro está o ex namorado, os amigos são os sempre Eduardo e Rafael, o querido Washington, a fofa Midori que mandou o e-mail com a foto e o sumido Marcus. O que estávamos fazendo ali? Não faço a menor idéia…


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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