Arquivo de janeiro de 2005



5 de janeiro de 2005



Vamos lá, aproveitando a onda repentina de visitas nesta casa, resolvi antecipar mais uma parte do texto. “Não saberei explicar porque aquilo que pertence a você e que ainda tenho comigo, de certa forma me incomoda tanto… Mas não me fere este incômodo, não mais. E também não me angustia como antes. Apenas há um leve aperto no peito quando constato que tudo não foi um sonho.

Estranho como a felicidade que acaba é pior do que a felicidade que nunca existiu… Não deveria ser assim, mas é. A felicidade esvai por entre os dedos quando já a sentimos confortavelmente dentro de nós.

Mas pergunte de novo se ainda o amo e te direi que amo. Amo o que você foi quando éramos um do outro antes que fugisse da minha companhia – ou apenas amo o que quero pra mim de novo um dia… Me pergunte o que sou agora, e te responderei que sou algo além daquela pessoa com simplesmente todos aqueles sonhos… Mas ainda penso em tudo às vezes…

Seja uma música que ouço e não sei de que apartamento está vindo. Seja um lugar que rapidamente vejo passar pela janela do carro. Seja um filme que já vi, e que agora está passando na televisão.

Agora sei que há uma junção daquilo que eu fui quando era sua com o que eu sou sendo apenas minha. E também sei, que tanto o que sinto quanto o que escrevo, não faz sentido – lamento se pensou que faria, não faz.

Se eu olhar pela janela neste exato momento, eu verei um pássaro. E sei disso, porque estou ouvindo o seu canto daqui de onde estou sentada para escrever. Minhas memórias e meus sentimentos agora são como este pássaro: não é preciso muito esforço para saber que estão lá, e daqui de onde estou posso ter certeza disso.”



4 de janeiro de 2005



“E confesso que me assustei, por que não sabia que ainda tinha aqui dentro tantas coisas que julgava que não existiam mais… Eu realmente achava que não me importaria quando eu pensasse em tudo isso. Achei que seriam apenas recordações de algo que acabou e que foi deixado para trás.

A frase… O que “me fortalece” – eu lembro que há muito tempo, o que me fortalecia era a sua presença, o seu olhar. Claro que o sentido que Nietzsche quis dar à frase, não era a fortaleza a partir de algo que se sente e que nos faça bem… O amor faz bem… O seu me fazia e era pra mim uma grande fortaleza… É triste, mas a frase só me fez realmente sentido a partir do momento em que as coisas que eu perdi fizeram com que eu me tornasse a minha própria fortaleza.

A tristeza por te perder, por ter que te ver partir de mim, me fez perceber depois de um bom tempo que eu ainda poderia aprender a me levantar apesar de todas as desilusões da vida.

E têm dias em que as minhas recordações afloram à minha mente e ora me sinto frágil, ora me sinto inatingível de qualquer mal. Contradigo-me até em pensamentos por que às vezes quero não querer amar o que já se findou. Não, não pense que ainda o amo, não é isso… Mas eu amo o que vivi um dia, amo o que pude ter ao alcance de minhas mãos, amo a alegria que foi tão intensa, amo saber que já fui tão amada… Se me perguntar o que sinto e o que quero com todas estas palavras, não saberei te dizer…”


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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