Arquivo de janeiro de 2005



16 de janeiro de 2005



Ela acordou divagando que se simplesmente pudesse pensar apenas quando quisesse seria mais fácil. Ela não pensaria em muitas coisas. Seria como se tivesse um botãozinho de on e off e que os pensamentos só viessem à tona se ela assim quisesse. Ela sabia que existiam alguns que seriam para sempre esquecidos, ignorados. A vida seria mais fácil desse jeito.

Como não poderia escolher em que pensar, as coisas martelavam em sua cabeça. O que havia acontecido no dia anterior não lhe dava folga. Revivia aquilo tudo a todo momento e o aperto que sentia no peito a sufocava.

Ela dizia que tinha a mania boba de desejar voltar no tempo. Mas a pior de todas era a mania besta de desejar coisas impossíveis.

Não gostava de ser previsível também. Por conta disso nem ela mesma sabia o que realmente a deixava feliz e satisfeita. Outro dia experimentou um suco de mangaba com cupuaçu e passou dois dias com enjôo de estômago. Seria melhor ter pedido um de laranja mesmo.

Passava em frente à uma loja depois do almoço e gostou de uma saia pink. Ela não tinha nenhuma roupa pink. Só se vestia de preto ou cinza. Entrou na loja e a comprou. Perguntou à vendedora se poderia ir vestindo a saia e pediu que embrulhasse a que estava usando. Voltou para o escritório e ninguém conseguia não olhá-la. Sentiu-se radiante.

Já em casa, pintou suas unhas de azul turquesa. Jamais tinha ousado tanto antes. Pintá-las de azul para ela era como se tivesse enfim tomando coragem para fazer uma série de coisas que estavam estacionadas em sua vida. Por isso começaria ousando. O azul era um belo começo. Ela sorriu e saiu de casa com o pé esquerdo. Sim o esquerdo! As unhas do pé direito não haviam ficado tão boas…



15 de janeiro de 2005

Hoje é aniversário da Casa da Tuka!!!


Três anos em que aqui contei histórias, fiz amigos, abri os horizontes e agora leio no que eu mesma escrevi o quanto minha vida e eu mudamos nesse tempo.

Parabéns casinha, você é meu xodó!



14 de janeiro de 2005

O amor, esse idiota


Drumonnd dizia que cada vez que se ama é a primeira vez. Há quem pense que toda vez que se ama é a última. Já fiz parte deste grupo. Um amor que se perde parece que nos torna para sempre incapazes de sentir tudo novamente. Aquele friozinho na barriga? Nunca mais. Aquela necessidade até tola de ficar linda quando o horário de encontrar a pessoa está chegando. Credo, pra quê? Agora só jeans, camiseta e tênis. Brilho no olhar? Só se pingar colírio… E por aí vai.

Amor que acaba, quando acaba, faz com que nos limitemos a achar que foi a última vez. Que nunca mais teremos a oportunidade de confiar de novo, de nos entregarmos de novo, de planejarmos tudo novamente.

Até que de uma certa forma não estamos assim tão equivocados quanto ao final de um amor. O que se foi nunca mais retorna. Não existem chances de que haja algo parecido, a mesma reação que resulta em um sorriso imenso em você, o apelido bobo com que se tratavam, as concessões mudam, você muda. Mas mesmo que não saibamos, estamos nos preparando para o que vai chegar. Quando? Quando menos esperarmos, claro.

Para ser mais exata, o amor que tanto queremos nunca chega no dia em que estamos perfeitamente arrumados, com roupa nova, com o humor nas alturas, na sexta-feira à noite quando você não terá compromissos até segunda de manhã.

O amor, assim como cada pessoa, é improvável, imprevisível. Pode vir justamente no dia em que você só queira sair de casa de pantufas e boné para ir a locadora pegar um filme água com açúcar e se empanturrar de chocolate. Ou justamente naquele dia em que tem uma espinha gigante nascendo em seu queixo, é, o amor é cruel.

Logo hoje que você está com uma camiseta velha e uma calça larga com um moletom amarrado na cintura. Esperando o ônibus para ir pegar um livro emprestado na casa da sua amiga. O amor chega, justamente quando você saiu só para fazer companhia a uma pessoa que queria muito ir a uma tal festa e você fica largado em um canto com um mau humor dos infernos, fugindo da música alta e torcendo para que tudo acabe logo e volte pra casa.

É assim, sempre assim. Não tem como nos prepararmos para o amor, ele é quem decide se está a fim de você naquele dia, não o contrário. Injusto isso não? O que podemos fazer é acreditar que o que acaba não impede que o melhor ainda esteja por vir. Quando, ninguém sabe. Mas que um dia chega, isso é fato. Duvida? Então espere… Bem naquele dia com uma espinhona imensa brotando em seu nariz… Ah! Você já entendeu…



13 de janeiro de 2005

Ascensão e queda


Caí. Sim caí. De quatro, despenquei em plena Avenida Paulista. Mas caí muito chique, assim como merecia a nobre avenida da capital de São Paulo. Caí de salto alto, óculos escuros e calça risca de giz. O máximo, não?

Um senhor que estava por ali passando me ajudou a levantar. Sem graça, coitado, parecia que era ele que havia caído. Segurou minha mão, me perguntou se eu estava bem. Respondi que sim. Ele me acompanhou por mais alguns metros dizendo que essas coisas acontecem. Como se estivesse me consolando pelo tombo e pelos olhares curiosos de todos ao redor.

Eu, muito comovida com a gentileza com a qual não estou acostumada, agradeci veementemente o gesto do desconhecido e me despedi. Caminhei as outras quadras que me separavam ainda do lugar ao qual me dirigia, amaldiçoando o sapato maravilhoso que fica tão lindo em meu armário, mas que se rebela toda vez que o calço para minhas caminhadas. Já me fez calos do tamanho de cogumelos, já me fez torcer o tornozelo e agora foi o responsável pela inesquecível queda, detonando os meus joelhos. Enquanto caminhava, quase caí mais pelo menos uma três vezes.

Qualquer pessoa normal agora deve estar pensando: “Por que ela continua usando esta arma letal nos pés?”. A minha resposta? Amor inexplicável assim como aquela pessoa que você conhece que só é maltratada pelo namorado e continua lá. Firme e forte a seu lado. Quem é que explica?

OBS: Eis a foto dos sapatos…



11 de janeiro de 2005

Tudo ao mesmo tempo…


Acordei. Tenho que limpar o xixi dos gatos, pq aquele idiota não para de falar besteiras e cuida da própria vida, ainda não paguei a conta do telefone, onde é que eu pego o ônibus para vila Madalena, pq certas pessoa simplesmente não esquecem que a gente existe, que vontade de comer um BiG Mac, tem uma liquidação de sapatos na próxima esquina, será que essa mulher não poderia gastar seus tempo em algo mais útil do que me escrever e-mails imbecis, estou precisando de uma lapiseira, que alívio por não ter mais que conviver com essas pessoas, vou fazer brócolis para o almoço, não quero atender ao telefone, será que ele vem almoçar comigo, eu deveria fazer academia, nunca vou perdoá-lo, graças a Deus o final de semana vai chegar, quero assistir o filme de hoje à noite, vou pintar meu cabelo, tenho que publicar meu livro, o que falo pra ela, tenho que parecer convincente, tenho que falar com minha irmã, ele gostaria de ver este documentário, o sexo foi maravilhoso, não pergunte se não quiser ouvir a verdade, vou comprar pão, a margarina acabou, tenho que lembrar de falar logo, ela simplesmente não quer entender, vou usar a lingerie nova, adorei aquele CD, vou fazer uma cópia, que saudade dos meus pais, estou cada vez mais míope, vão publicar minha nota, quero escrever sobre isso, tanta coisa não faz mais sentido, já o esqueci faz tanto tempo, quem canta esta música, onde eu compro esse negócio, ai que sutiã apertado, meu esmalte já descascou, odeio esse jeitinho de superioridade, que mania de pensar demais, se eu pudesse desligava meu cérebro, parece que vai chover, o sol apareceu, tenho que levar guarda-chuva, que bom que ele chegou, meu perfume está forte demais, adoro esse beijo, onde tirei esta foto, já é de noite, estou cansada…


9 de janeiro de 2005

"O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído…"


Acredito em acaso. Acredito em lugar certo na hora certa. Acredito em coincidências que mudam de uma vez por todas a nossa vida…

O acaso foi responsável por um dia eu estar sentada no hall de um hotel decadente no centrão velho de São Paulo. Ele me fez estar naquela festa esquisita que eu nem queria ter ido e me fez chegar perto de uma pessoa que eu nunca tinha visto antes.

Por acaso ele tinha uma tatuagem que achei bonita e somente por acaso ele também pode notar que eu tinha um símbolo desenhado na minha barriga e isso fez com que nos conhecêssemos.

Assim ao acaso ele percebeu que eu poderia ser a pessoa de sua vida e eu por acaso nem notei e segui meu rumo.

Mas, por acaso nós tínhamos uma amiga em comum que passou o endereço deste blog a ele. E por acaso as coisas começaram a mudar.

Chegou um momento em que o acaso cansou de fazer parte desta história e decidiu sair de campo, deixando tudo por nossa conta. E já faz tempo que é de propósito que estamos juntos, tudo claro, graças ao acaso…

(republicando o texto de 20 de janeiro de 2003)



8 de janeiro de 2005

Porque sim…


Te amo porque sim. Porque um belo dia o destino resolveu que você tinha que me roubar de uma outra pessoa e é claro, que eu tinha que me deixar ser roubada. Porque seus olhos enxergam minha alma e eu não tenho receios de mostra-la a você. Porque seu beijo me faz esquecer quase tudo e eu te beijo como se nunca tivesse beijado outra pessoa antes. Porque você não esquece do dia em que me conheceu e me conta ainda cada detalhe, e eu adoro escutar. Porque identifico o que somos nas músicas de amor que ouço e quero que você também perceba isso. Porque você me protege e segura a minha mão com firmeza e eu me sinto a pessoa mais segura do mundo. Porque eu adoro o seu sorriso que faz com seus olhos fiquem menores ainda e isso me encanta todas as vezes. Porque eu sei que você não se arrepende de nada do que fez para estarmos juntos agora e isso me faz sentir feliz. Porque eu sinto que você realmente está fazendo o que pode e o que não pode para ficarmos perto e ficar perto de você é a coisa que mais desejo no mundo. Porque eu te admiro como marido e como amigo e sei que ser amigo de quem se ama é fundamental. Porque quando estamos juntos qualquer coisa é o suficiente para que estejamos felizes, até partidas infindas de Master ou musiquinhas que cantamos juntos. Porque adoro te olhar nos olhos e ver que seu olhar não é de mais ninguém além de meu. Porque adoro ficar te enchendo dizendo que não entendi aquela parte do filme e te ver explicando tudo pacientemente… Porque amo te ouvir dizer que está com saudade e que me quer perto para nunca mais ficarmos longe. Porque sai do trabalho correndo para ficar comigo e fica feliz quando me vê sorrindo te esperando ansiosa. Porque você se adaptou ao meu jeito de amar como se me conhecesse a vida inteira e eu te amo cada vez mais por isso. Porque você adora meus mimos e os apelidinhos que te dou. Porque você escuta as músicas que canto em seu ouvido sempre com um sorriso lindo nos lábios. Porque sei que se entregou pra mim de corpo e alma e que nunca fingiu sentir o que não sentiu realmente. Porque o amor que fazemos é safado, sem pudores, com muito desejo e que é assim somente porque o amor é real. Porque os sonhos que temos serão sim realizados e seremos felizes pela vida toda. Porque sei que você estará comigo independentemente das minhas lágrimas ou do meu riso. Porque você é a melhor pessoa que já tive em minha vida e porque agradeço a Deus todos os dias por ter me dado este presente…

OBS: Aviso aos navegantes: a imensa maioria dos textos desta casa pertencem a autora deste blog. Os que forem de autoria de outra pessoa, possuem os devidos créditos no final ou início do texto.



7 de janeiro de 2005

Sem respostas


Ela me disse que tem medo de começar de novo. Ela não sabe que recomeça todos os dias.

Ela me disse que mais uma vez foi magoada. Ela não sabe que não precisaria passar por isso.

Ela me disse que os planos eram para que fosse feliz. Ela não sabe que ainda vai conseguir a tal felicidade.

Ela me disse que tem receio de nada dar certo. Ela não sabe que para ter certeza vai ter que tentar.

Ela me disse que a solidão machuca. Ela não sabe que somos sozinhos a maior parte do tempo.

Ela me disse que teme a angustia. Ela não sabe que angustia vem mas vai embora.

Ela me disse que quer batalhar sua vida. Ela não sabe que mata um leão todos os dias.

Ela me disse que pensa demais. Ela esqueceu que é impossível desligar o cérebro.

Ela me disse que pretende calar por um tempo. Ela esqueceu que o silêncio também fala…

***

MSN: tkdoll2@hotmail.com



6 de janeiro de 2005

Então fica assim


Fica? Você aí e eu e aqui e cada um em seu lugar. Distantes, claro. Mas a distância as vezes é até tamanha entre nós e nós mesmos, que então já não estranho.

Fique aí, mas fique bem, pois caso não fique estarei triste aqui no meu canto, e isso não quero. Vinícius é que sabia escrever sobre tristeza, eu não sei nem lidar com ela. Então quando ela chega, sento a seu lado e espero que se vá. Vinícius era sábio pois a fazia co-autora de suas letras. Eu não sou.

Então tá. fique aí onde está agora. Sei que pensa que é melhor estar longe, e acho que concordo com você. Lembra que te disse que já havia cansado de tanta coisa? De insistir também cansei, por isso fique aí mesmo.

É isso né? Tá bom… Só uma coisa ainda me pergunto aqui comigo mesma. Quando é que vai começar a confundir a nossa história com algo que viu em algum lugar e já nem sabe onde e quando?

(…) Quando menos eu entendia tudo isso, mais eu queria não entender mesmo. Porque a essa altura você já tinha se tornado o meu cristal mais fino.

Alice, Alice… Só você mesma é Alice, não é mesmo?



6 de janeiro de 2005

E pra terminar


“Me pergunte se esta é uma carta de amor e talvez eu diga que sim. Que as palavras que desprendi para escrever todas estas linhas, sejam palavras de amor… Talvez sejam… Só que não sei te dizer ao certo, assim como não sei dizer nem para mim mesma o que sinto ainda a respeito de tudo.

Há uma hora atrás eu estava em companhia de uma outra pessoa. A pessoa que agora preenche o mesmo espaço que já foi seu. Que ocupa o vazio que você deixou quando foi embora. Almoçamos juntos. Falamos sobre coisas do amor, mas não o amor entre nós dois. Talvez estejamos evitando os absurdos que este sentimento provoca. Por isso, mesmo que inconscientemente, tentamos nos convencer que entre duas pessoas pode haver algo muito maior do que apenas o amor romântico. E somos amigos e não só amantes.

Às vezes acho que isso é o melhor que eu poderia estar fazendo agora. E tento acreditar que realmente um relacionamento sem tantos sonhos e ansiedades é mais durável e pode ser pra sempre. Mas na verdade sei que não… E sei também que isso faz com que eu fuja da minha essência, faz com que eu fuja daquilo que sempre fui.

Daí de novo vem à tona o “eu e você” que fomos um dia. E parece não ter fim: voltam as viagens, voltam os filmes, voltam as pessoas, voltam as músicas…

Me pergunte se ainda o quero de volta… Vou dizer que não. E a resposta continua sendo não, apesar de tantas e tantas vezes ter dormido e acordado sonhando com a possibilidade de estarmos juntos de novo. Mesmo que por apenas mais um dia, mesmo que por apenas mais uma hora ou um minuto.

Eu quis sim… Não quero mais. Agora o que quero – e acho que você sabe, é me libertar… Deixar passar a menina e assumir a mulher que sou, e que você ajudou a transformar… Eu já disse tantas vezes, que acredito que amor pode ser eterno, mesmo que se modifique e não seja o amor intenso de antes… Se pode mesmo, eu te amo e vou te amar pra sempre do jeito carinhoso que te guardo aqui comigo. Para sempre dentro de mim fazendo parte do que fui e do que serei um dia.”

Alice

OBS: Quem é a Alice? Uma das várias personagens criadas (ou não) pela autora deste blog. Este texto faz parte de um livro que escrevi e nunca publiquei. Mas a mesma mente que trabalhou para escrevê-lo tem dezenas de outros projetos. Duvidam? Então aguardem.

E obrigada pelas visitas que não vêm apenas “marketearem” aqui.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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