Arquivo de outubro de 2004



6 de outubro de 2004



A solidão é como uma ventania dentro do peito. Haja frio por causa de tanto vento – e ao mesmo tempo que me assusta, faz com que meus pensamentos voem e se percam para longe. E tem vezes que nem que eu consiga amarrá-los eles ficam em meu domínio: somem, fogem.

Quantas vezes se perguntou se eu estaria pensando em você? Quantas vezes quis saber se eu sentia a mesma coisa? Quantas vezes cantarolou uma música que te lembrava esse amor?

Hoje eu estou cinza para combinar com o céu de São Paulo e mesmo assim me peguei sorrindo algumas vezes.



3 de outubro de 2004



Domingo… Só Deus sabe o quanto eu odeio domingo. Em São Paulo o céu está cinza e carregado, mas não vai chover. Isso é típico da cidade, acontece para desanimar as pessoas a saírem de casa e complicarem o trânsito ainda mais. Defesa natural.

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Acordei cedo. Para ser mais precisa acordei às 6h00. Não gosto de dormir muito e hoje perdi o sono e levantei. O marido continua dormindo e eu vim brincar no computador. Uma solidão lascada. No meu msn as duas únicas pessoas on line estão bloqueadas por mim. Antes só do que mal acompanhada, já diria o adágio.

***
Escrevi um e-mail gigante em que fiz perguntas e eu mesma as respondi – um diálogo com meus pensamentos. Quem o receber lá do outro lado não deverá entender muita coisa, mas não me importo e acho que a pessoa também não. Palavras as vezes precisam ser só palavras. Sem muito significado, sem muitas delongas – apenas palavras…

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Estou ouvindo Coldplay no computador…

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Saudade enorme de quem não pode estar perto de mim. Eu queria estar perto. Em dias como o de hoje mais ainda…

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In my place, in my place,
Were lines that I couldn’t change, I was lost, oh yeah.
I was lost, I was lost, crossed lines I shouldn’t have crossed,
I was lost, oh yeah.



1 de outubro de 2004



Esse negócio de ferramentas de busca na Internet tem tantas vantagens que já perdi as contas. Me lembro que no meu tempo de estudante eu tinha que me enfurnar em uma biblioteca cheia de livros empoeirados e pegar aquelas enciclopédias Barsa para saber sobre a droga da Revolução Francesa. Escrevia o trabalho em uma folha de “papel almaço” (uau! Vocês também lembram do papel almaço?) e fazia uma capa em papel sulfite usando caneta piloto preta ou vermelha. Isso era o maior dos luxos!

Hoje em dia qualquer um que quiser a mesma coisa vai no “gôgou” e em dois segundos acha milhares de referências sobre o assunto. Alguns ctrl+c’s e ctrl+v’s depois o trabalho está pronto e basta imprimir e fazer uma puta de uma capa cheia de imagens também surrupiadas da Internet. Agora, se reamente a criatura aprendeu aquela lenga-lenga de “”Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, são outros quinhentos!

Uma outra facilidade do tal “gôgou” descobri esses dias: encontrar amigos sumidos. Há tempos queria saber o paradeiro de uma pessoa que estudou comigo no cursinho em Curitiba e que desapareceu faz uns quatro anos. Os telefones do moço mudaram, ele foi embora para outra cidade, nossos amigos em comum também sumiram e então só me restou apelar para a Internet. Fui lá, digitei o nome do rapaz e eis que descubro que ele agora é professor universitário em uma cidade do interior do Paraná. Como não tinha o e-mail dele no site, mandei algumas linhas para um professor seu colega, explicando a situação. Apenas poucas horas depois eu recebo a resposta com tudo que eu queria saber e uma ligação no meu celular com uma voz muito familiar, a dele, meu amigo de tanto tempo. Fiquei muito feliz em reencontrá-lo pois foi e provavelmente sempre será muito importante em minha vida. Some mais não, tá?

***

Minha amiga “Patão” está em São Paulo. Faz uns dois anos pra mais que não nos vemos e pelo menos um ano que não nos falamos nem por telefone. Ontem ela me ligou e disse: “Oi vaconilda!” – claro, era a Paty! Amizades de verdade não há tempo que destrua, incrível! Conversamos como se tívessemos nos falado no dia anterior e ela mais uma vez se divertiu com as minhas aventuras. Ah! E o provilégio de me chamar de “vaconilda” é só dela, que ninguém mais ouse!

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Eu tenho bom gosto, sabem? Sei combinar cores para me vestir, gosto de cinema europeu, leio livros bons, tenho senso crítico bem apurado e… e gosto de Jennifer Lopez e Beyonce! Alguém explica isso por favor? Tô me matando de ouvir aqui “Ain’t it Funny” enquanto escrevo esse post e estou super feliz! Credo, Tuka!

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Vou ao dermatologista daqui a pouco mas antes vou ver a Drª Roberta, a responsável por meus dias não serem mais tão lindos como eram antes, ela é minha dentista. A mesma que inventou de colocar um aparelho horrendo na minha boca. Tem cabimento? Uma “pós adolescente” de aparelho odontológico…

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Antes de ir ver a Roberta vou comer um Big Mac que eu também sou filha de Deus.

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Fim de semana chegou. Eu e meu amado marido vamos nos esbaldar. Faremos muito sexo, comeremos muita besteira, andaremos de mãos dadas, iremos a tudo quanto é canto e no domingo à noite estaremos reclamando da vida pq o dia seguinte é segunda-feira.

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Vou lá comer o Big Mac.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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