Arquivo de setembro de 2004



29 de setembro de 2004



Ela sempre deu mais importância às coisas e às pessoas do que elas realmente tinham ou mereciam. Só que hoje algo mudou profundamente dentro dela. Cansou de coisas sem sentido que não a levariam a lugar algum a não ser para trás. E de coisas que a arrastam para trás ela definitivamente não precisa, ela sabe disso.

Levantou dali e foi tomar um banho. Enquanto a água caía em sua cabeça pensava no que deveria fazer. Seu primeiro pensamento era que deveria esquecer muita coisa, enterrar, deixar ir embora. E ela sabia que não seria fácil, pior se não tentasse – ela tentaria.

Mania idiota aquela de inventar crises para absolutamente tudo! Porque ela fazia isso? Não era mais simples apenas ser feliz? Pra que então teorizar e querer que tudo se encaixe perfeitamente como se fossem peças de um quebra-cabeças? A vida não foi feita para “encaixes perfeitos”, ora essa! A vida é desencontro e lágrimas sim! Ela não foi a única pessoa no mundo que chorou, que sofreu, que teve dúvidas! Que egoísta ela era em pensar que seus sentimentos são maiores e mais profundos do que os das outras pessoas.

Por conta de tudo ela deixou que todos os seus pensamentos saíssem enquanto lavava os cabelos curtos. Deixou que afundassem no ralo junto com a água que caía. Na verdade estava cansada e não queria mais uma vez ouvir sempre as mesmas coisas. Era inteligente demais para se permitir tamanha ladainha, tamanha infelicidade desnecessária.

Depois do banho colocou um vestido florido e foi tomar sorvete. O céu estava cinza e mesmo assim ela caminhou lentamente, sem temer a chuva. Gostava de dias de chuva assim como dos dias de sol.

E o silêncio que por tantas vezes a incomodou já não tinha mais importância. Ela não vai mais ouvi-lo.



28 de setembro de 2004



Alergia de mim mesma. Muito provavelmente seja isso. Alergia que faz com que minha pele, sempre tão boazinha comigo, sem nunca ter tido espinhas, cravos e nem nada do tipo, entre em rebelião. Atualmente dezenas de bolinhas resolveram brotar em mim e coçar sem parar. Dermatologista só sexta feira. Até lá fico cada vez mais feia e cheia de manchas.

***

Esses dias reapareceram algumas pessoas que há tempos estavam distantes em minha vida. Sabe do que mais? Gostei disso.

***

Ontem descobri que ainda me contento com coisas simples. Uma bola e uma companhia para brincar de “vôlei de rua” ainda é divertido. E eu não lembrava mais.

***

Uma sogra que sabe cozinhar faz mal à saúde: engorda horrores.

***

Meu estômago está roncando.

***

Tem tanta coisa que não quero mais em minha vida. Preciso apertar o “start” novamente.

***

Rimas fáceis, calafrios
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz

***

Que saudades…



23 de setembro de 2004

Amar verbo indefinível


Amar é simples, vejam só. A gente ama porque ama, ponto. Como assim? Amor existe, ponto. Não há o que explicar, teorizar, retificar, porque quando o fazemos não conseguimos, então o amor simplesmente “é”.

Mario de Andrade divinamente intitulou um de seus mais brilhantes livros de “Amar Verbo Intransitivo”. E se perguntarmos a Carlos Faracco, um dos caras que mais entendem de língua portuguesa neste país, ele vai explicar que todo e qualquer verbo classificado como sendo desta categoria não necessita de complemento.

O amor é um deles, e Mario de Andrade e qualquer pessoa que tenha um pouquinho que seja de sensibilidade, sabe que a definição de que amar seja intransitivo por ser muito além da classificação de apenas sujeitos, verbos e predicados.

O amor não requer complemento para existir. Existe apesar da moça ser pobre e do cara rico e a família contra, um bom dramalhão mexicano. O amor existe mesmo que ela more longe e só consigam se ver uma vez por mês. Existe mesmo que ele tenha idade para ser pai dela. Mesmo se ela gosta de outra ela, e o preconceito é tamanho nesse mundo hipócrita. Existe mesmo que ele a tenha tirado da vida para casar na igreja e ser mãe de seus filhos. Mesmo que ninguém mais entenda como é que pode ser amor, ele é para quem o sente, simplesmente é.



20 de setembro de 2004

Tudo que não é efêmero


O jeito que me toca, que me lambe, que me beija, que entra em meu corpo. Que me faz sentir só sua e não querer mais ninguém… A maneira que me olha, que sussurra coisas em meu ouvido, que me embala no mesmo ritmo de seu corpo, que me deseja como se eu fosse água no deserto. A forma que suas mãos deslizam por mim, que me sentem, que me enxerga de olhos fechados, que me fala calado.

Você sabe transformar qualquer momento em algo muito além do que mero instante. E já faz tempo, não foi ontem. Já faz um tempo também que aprendi a comemorar tantos dias no calendário. O dia em que te conheci naquele sofá na festa em um hotel. O dia em que trocamos as primeiras palavras, equivocadas, ansiosas. O dia em que nos beijamos pela primeira vez logo que saiu daquele ônibus. O dia em que fizemos nosso primeiro amor. O dia em que fomos morar juntos e que me carregou no colo porta adentro. O dia em que nos casamos. São tantos e você me diz ainda todo dia que está feliz por estar comigo, que me ama como jamais amou e que não imagina a sua vida sem mim.

Se me pergunta o que quero te respondo como em todas as vezes. Quero você, tem alguma dúvida disso? Quero sentir sua respiração enquanto me abraça à noite na cama. Quero que toque meus seios enquanto me aconchega em você. Quero que beije a testa quando nos preparamos para dormir e diga como em todos os dias que sua vida está completa. Pois minha vida está completa, você está nela e não preciso de mais absolutamente nada.



16 de setembro de 2004



Não adianta… Tudo faz parte do processo e ninguém é o que é apenas por que o tempo a ensinou. Até mesmo porque ninguém aprende nada sozinho.

Mas, o tempo ajuda? Claro. Pois o que aconteceu até que ele passasse e você chegasse a ser o que é agora, foi fundamental. Por isso ele conta. Eu aprendi com o tempo. Aprendi com as pessoas que passaram neste tempo. Amigos que nunca mais vou ver, mas que um dia me disseram coisas que nunca mais vou me esquecer. Como por exemplo: “Deus nunca nos dá uma carga maior do que aquela que agüentamos carregar”. Isso aprendi na prática, a teoria parece besta, mas espere e tire suas próprias conclusões – claro, só depois que passar você conseguirá chegar a este consenso. Quando a dificuldade está acontecendo, parece que nada no mundo, nem o Holocausto, foi maior do que aquilo que estamos passando. Tolos, seres humanos são tolos.

Aprendi uma coisa fundamental também. Isso foi com uma pessoa em quem confiei mais que em mim mesma por anos a fio. Ele me ensinou uma coisa que eu mesma vivia repetindo mas que até então eram apenas palavras: “Nunca, construa castelos de areia”. Metaforicamente, óbvio.

Na verdade eu nem sabia o real significado disso. Não, eu não estava dizendo palavras ao vento. Queria que ele entendesse que tudo o que eu não queria era uma coisa linda, planejada, mas com tempo certo para acabar. Queria alicerces que nem o vento nem a mais forte das ondas pudessem interferir no que estávamos construindo.

Dizia a ele também que não faria sonhos baseados em nuvens que são dissipadas com um sopro e mudam de forma em segundos. Não era o que eu queria. Até sabia que minhas perspectivas de alicerces firmes, de ferros com fundação a metros e metros de profundidade não eram com ele que seriam construídos. Mas ainda assim queria acreditar que poderia ser possível.

Tentei acreditar em algo que nem ele nem eu conseguíamos. Ele não estava pronto e nem sei se um dia estará, mas já não faz diferença. Eu tentava fazer com que minhas crenças nele mesmo, fossem além de tudo o que ele sabia ser incapaz. E ele sabia que não seria possível ter a seu lado uma pessoa que luta pelo que quer até as últimas conseqüências. Eu queria achar que sim.

Foi aí que aprendi uma das maiores lições que alguém precisa na vida: se for pra acreditar, acredite naquilo que apenas você sabe que é capaz de fazer. Acredite em suas perspectivas e em sua capacidade de transformá-las em algo além de um mero sonho. Nunca acredite que alguém pode ser a pessoa ideal apenas porque você acha que pode torná-la a pessoa ideal.

Depois disso aprendi mais. Aprendi que as aparências enganam mais do que imaginamos. E quando você menos espera aparece um cordeiro em pele de lobo e transforma suas convicções, mesmo aquelas formuladas em uma fuga maluca e desesperada, e te faz acontecer a melhor de todas as surpresas.

Claro, este texto não foi escrito para que seja totalmente compreendido por quem lê-lo, caso o leia. Foi feito para criar mais dúvidas do que respostas, assim como as que todos temos a maior parte do tempo em nossas vidas.

Palavras… Um cordeiro em pele de lobo, um castelo de areia transformado em alicerces de metros de profundidade, uma perspectiva de planos sendo feitos além de tudo o que eu mesma achasse que fosse capaz. Sim eu também aprendi a me surpreender. Não é fácil. Transformar castelos de areia em alicerces profundos também não. Mas é possível. É o que eu sempre quis afinal.



15 de setembro de 2004

Todos os finais


Pensem comigo, se até uma caixa de chocolates prestes a chegar ao fim, nos causa certa tristeza, como é que nos defendemos dos outros finais espalhados pela vida afora?

Li outro dia de que a consciência do fim é quase pior do que o fim propriamente dito. Faz sentido, não que um seja realmente mais dolorido que outro, mas o “morrer de véspera” do ditado popular é tão sábio que foi inspirado na vida.

Quando eu estava no último ano da faculdade tinha pesadelos com o dia da formatura. Óbvio que o meu pânico nada tinha a ver com a solenidade da entrega do diploma ou com o vestido que eu teria que mandar fazer para o baile. Tanto estas não eram minhas preocupações, que achei que a festa fosse no sábado e era na sexta. Sim, esqueci o dia da minha própria formatura! Meu medo ia muito além do frufru que eu colocaria no cabelo. Eu tinha medo de não conseguir emprego, de não saber escrever direito uma matéria, de tremer ao entrevistar o cantor tal. A minha expectativa do fim era sim pior do que o fim.

Mas dei o exemplo da caixa de bombons e da minha faculdade somente para ilustrar. Na verdade nosso temor com o que acaba vai muito, mas muito mais além.

Amando como amo a meu marido e já tendo amado outras vezes na vida, tenho medo de que o amor acabe. Sei como é um amor que acaba então temo que aconteça novamente. Sei como é dolorido ter que me forçar a viver sem quem quero a meu lado, então tenho medo de que o amor acabe. Sei o quanto foi ruim ter ouvido que não era mais amada, então tenho medo de que o amor acabe.

Indo ainda mais distante nas minhas lembranças de senso de final, recordo do dia em que a minha primeira professora, a dona Benetida, ensinou-me o conceito de finito e infinito. Ela mostrou alguns exemplos e depois perguntou à sala repleta de seres que mal haviam acabado de aprender como era a vida, o que era o final. Eis que dali iniciaram meus primeiros medos do fim. Ela falava: “vamos pessoal, me digam o que é infinito!”. Como se fosse ontem, lembro que levantei as mãos e pedi permissão para falar: “Pai e mãe são infinitos, professora!”. Ela na mesma hora respondeu: “Silvinha (Silvia era vocativo para minha mãe, dona de mesmo nome), pai e mãe morrem, portanto não são infinitos. Infinitas são as estrelas”. Fiquei quietinha, atônita e a partir daquele dia passei a temer o dia da “finitez” dos meus pais. Pensei algo como: quem quer saber do universo? Eu quero é que meu pai e minha mãe nunca morram”. E sabe do que mais? Vinte anos se passaram e ainda tenho medo de quando este dia chegar.

Ninguém aprende a não temer o fim. Quem é que consegue imaginar com serenidade o dia em que vai morrer? Quem é que pensa: “Hum, vou ao shopping, almoço na praça de alimentação e depois vou ali, morrer rapidinho.” – quem?? Só se for maluco!

A espera pelo fim é quase pior do que o fim. O fim de um filme bom: que trilha, que beijo, que azul! O fim de um livro: era enfim o assassino que eu não esperava! O fim de Sex And The City! E não é que ela ficou com o Mr. Big? Até um simples final de semana quando chega, já torcemos o nariz e maldizemos o domingo que vem só dali a dois dias. O fim do amor… O fim da vida… O fim do texto…

Fim!



14 de setembro de 2004



Estes, os que atravancam meu caminho… Eles passarão, eu passarinho!”
(Mário Quintana).


13 de setembro de 2004



Então… Aí eu estava bem tranqüila em casa quando abro minha caixa de e-mail e vejo algo esquisito chegando. Um e-mail de alguém que não sei quem é, mas até aí tudo bem, já havia dito que assessor de imprensa é que nem puta, mal conhece e já vai se dando, eu sou assessora então eu sei. Mas então o e-mail chegou e eu fiquei olhando e lendo, e lendo e olhando. Me deu uma coisa e que eu quis responder aquilo. E sabe que responder e-mail é comigo mesmo viu, então respondi:”vacatarcoquinhonadescidaevesemorre”. Sim, foi isso que eu falei. Não me mandaram outro e-mail. Acho que pensam que eu escrevi em russo. Gente burra é coisa que não tolero sabe? Burra, ignorante e feia. Feia de espírito! Feiúra de espírito me fere a alma. Uma coisa que antes me deixava puta da vida era ser mal interpretada. A vida inteira me taxaram de petulante e metida e isso me deixava louca. Agora? Quer saber? Me deixa feliz que me achem qualquer coisa. Achem! Sou mesmo qualquer coisa. Qualquer coisa que jamais os pobres de espírito saberão o que é. Ai que preguiça que certas pessoas me dão.


9 de setembro de 2004

A espera


O telefone toca. Grita! Quase que chama pelo meu nome. O ignoro, faço cara feia, olho pelo canto do olho para ver se ele desiste. Não quero atendê-lo. Tenho certeza de quem quer que seja do outro lado da linha é qualquer pessoa que não a única que eu gostaria que fosse.
Ponto para o telefone. Corri até ele no último berro que o infame bradava ecoado em minha sala e o atendi. Alô. Não, não tem nenhum Juan aqui. Não, esse telefone é residencial. Já sim, contribuo para três instituições de caridade e não tenho dinheiro para mais uma.
Todas as invenções da humanidade até hoje, pelo menos desde que eu tenha me dado conta, tornam nossas vidas um mar de espera e ansiedade. Antes do celular eu era mais feliz. Agora o maldito fica mudo quando eu quero ouvir a voz de uma pessoa e as mensagens de texto que recebo são de alguma promoção da operadora. Se eu não tivesse e-mail não ficaria em uma expectativa danada por palavras que não chegam nunca. Pelo menos com o correio sempre havia o consolo de que a carta poderia ter sido extraviada.
Só hoje, uns cincos operadores de telemarketing ligaram. Tentei enlouquecidamente que eles entendessem logo nos dois primeiros minutos de conversa de que não precisava de uma assinatura de jornal, que eu não gostaria de fechar mais um pacote da TV a cabo, que eu não quero outro cartão de crédito. Tanta baboseira e eu ainda pulo da cadeira quando o maldito telefone berra de novo. E de novo é qualquer pessoa, menos a única que deveria ser.
Fui tomar banho. Eis o único momento do dia inteiro que não pode ser você caso o telefone toque. Me demoro a ponto de que minhas mãos fiquem murchas, quase sem vida. Da janela do banheiro ouço o vizinho do andar de baixo chorar ouvindo uma música que não consigo distinguir qual seja. Tantos sofrem.
Me perco em pensamentos e o vizinho ainda chora. Me pego pensando sobre o que pode ter lhe acontecido. Se alguém tivesse morrido ele não choraria daquela forma. Aquele choro acusava um outro tipo de perda. Era um pranto de amor. De desamor melhor dizendo – sei bem, já passei por isso. As malditas lágrimas saíam contra a minha vontade, sentia como se uma parede de concreto pesando toneladas estivesse sobre meu peito, tamanho aperto que eu sentia, tamanha era a dor, a angustia, o desespero. Desespero, definitivamente é a palavra que melhor traduz a dor do desamor. Corrói a alma como o ácido à carne. Não cicatriza mais, deixa marcas eternas.
Estou escutando o telefone tocar… Será no vizinho? Não! É na minha sala! É você? Não, deve ser de outro telemarketing. Vou me enxugar com calma, vou esquecer o vizinho e sua tristeza por ora sem antídoto, e desligar o maldito do telefone da tomada.
Tem recado na secretária eletrônica. “Oi, pensei em te ligar o dia todo, mas só agora tive tempo. Uma pena que não estivesse em casa, amanhã tento de novo, beijos“.
Murphy, eu odeio você!


8 de setembro de 2004

A Vila


Depois de ter assistido ao novo filme de M. Night Shyamalan entendi porque a propaganda do novo suspense do diretor clama ao público para que não conte a ninguém o final da história. A verdade é, se alguém soubesse do final antes de escolher o filme na bilheteria do cinema não iria ver justamente esse.

Então, em retaliação a droga de filme e ao precioso tempo que gastei na frente da tela do cinema assistindo aquilo vou contar o final.

É uma droga!! Não existem os tais seres da floresta. É tudo invenção das pessoas mais velhas do lugar que não querem que ninguém saia da vila. Acham que colocando medo na galera ninguém vai querer sair de lá já que a única maneira é passando pelos “monstros”. A história é uma porcaria e a maioria das pessoas que estava assistindo, dormiu e saiu da sala reclamando.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


Procure aqui


Uma campanha Casa da Tuka contra o plágio
Divulgue em seu Blog:



Observados

Casa no Orkut


My Unkymood Punkymood (Unkymoods)


Ouvidos




website hit counter

tracker

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape

Get your own free Blogoversary button!
. . .

Design By:
Lin Diniz
Powered By:
Fernando Boniotti