Arquivo de julho de 2004



22 de julho de 2004



Layout novo! O antigo, este que está aí ao lado foi feito pela querida Ju. O novo foi obra minha e do meu marido. Marido aliás, possuidor de vários talentos, o “fazedor de layouts” entra em ação sempre que eu encho o saco pq quero algo novo na casa.

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Assisti “Pi” ontem. É o filme de estréia de Darren Aronofski, de 1998 – o mesmo diretor do maravilhoso “Réquiem Para um Sonho”. Bem, “Pi” não tem nada a ver com “Réquiem”, absolutamente nada. Se trata de um filme noir, tenso e cansativo. Paciência é a palavra chave para conseguir chegar até o final, e mesmo assim não é fácil. O filme conta a história de um matémático paranóico que pode ter descoberto um número cifrado que revela o verdadeiro nome de Deus. Com um enredo cheio de números, história em preto e branco, um personagem esquisito e problemático, se não fosse de Aronofski eu nem teria perdido tempo…

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Tem filmes que eu não canso de assistir de novo. “Réquiem” que citei acima é um deles, os outros são “Corra Lola Corra”, “A Vida é Bela”, “O Casamento de Muriel” e “Magnólia”. Magnólia é divino! Estou baixando e pretendo assistir mais umas zilhões de vezes. Se a história do filme não fosse ótima, cheia de personagens com enredos paralelos que se encontram e desencontram, a trilha de Aimee Mann já bastaria.

Acontece que Paul Thomas Anderson (o mesmo de Boggie Nigths – 1997) não apenas escreveu uma história perfeita como também se inspirou nas músicas da amiga para escrevê-la. Daí seguem os acontecimentos da vida de nove pessoas durante um período de 24 horas. Amor, falta de amor, culpa, sofrimento, mentiras, morte… Magnólia traduz um pouco de cada um de nós.

Infelizmente, muitos dos que assistiram ao filme simplesmente o condenaram por seus últimos minutos de projeção. Concordo que uma chuva de sapos não é nada convencional, mas há uma explicação bastante lógica. Claro que eu só soube dela depois. Com a ajuda de Pablo Villaça, eis a explicação: “Depois de assistir Magnólia mais duas vezes, compreendo que a interpretação da chuva é muito mais complexa, interessante e simbólica. Na verdade, a pista inicial que me levou a esta análise partiu da observação de um curioso cartaz na cena em que o programa de Jimmy Gator está prestes a começar. Carregado por um membro da platéia do show, o cartaz traz a inscrição ‘Êxodo 8:2′. Uma rápida consulta à Bíblia revela o seguinte versículo: ‘Mas se recusares a deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos’”. De uma maneira simples, o crítico nos faz compreender várias coisas que passam desapercebidas no filme, vale a pena dar uma olhada aqui para conferir.

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Final de semana já está batendo na porta novamente. Tenho que ir ali matar a saudade de duas pessoas que não vejo há tempos e que me fazem uma falta tremenda. Já volto.



21 de julho de 2004

Vida real


A vida não é lá essas coisas. Na tela do cinema ou na televisão as coisas são bem mais fáceis e mais bonitas do que em real life. Não tem uma trilha sonora bonita que toca quando beijo o meu marido. Não vou dormir com um pijama lindo, rosa de bolinhas, impecávelmente passado – uso mesmo uma roupinha velha que peguei no varal. Esqueço a toalha toda vez que entro no chuveiro e tenho que gritar para o San pegá-la – sorte quando ele está em casa. Meu cabelo parece uma réplica do Bozo todos os dias quando acordo. Não tem uma mesa repleta de iguarias no meu café da manhã – dou graças a Deus se der tempo de abrir a geladeira e tomar um suco de caixinha antes do trabalho. Meu almoço a maioria das vezes é uma sopa light ou um miojo de galinha. Uma espinha sempre inventa de brotar em meu rosto quando tenho uma festa que espero há semanas. Meu olho incha e permanece assim sempre quando tenho que estar linda. O ônibus vai embora quando eu consigo alcançá-lo, mas vai sem mim, claro. Chego 15 minutos atrasada para o filme que eu queria ver. O CD risca na única música “escutável” do CD. Uma calçada imensa e eu tive que passar com meu sapato novo justamente no cocô do maldito cachorro da maldita patricinha. Uma blusa branca e o molho do macarrão vai enfeitá-la – detalhe: terei que passar o dia todo assim. Última lente de contato das descartáveis e eu consigo fazer um talho na belezinha – não sei onde estão meus óculos. Vou fazer a fotografia perfeita e alguém se enfia na frente bem na hora. O maior clima em casa com o maridão e o telefone toca. Espero o sinal abrir e não reparo na poça d’agua, um carro passa e me dá um banho. Uma super promoção em uma loja do shopping e não tem meu número para a calça que está com a metade do preço…

Dizem que Murphy confabula contra todos nós. Eu pelo menos sou um exemplo vivo de que se ele gosta mesmo de se divertir com a cara de alguém, devo ter sido a eleita. Mas se encararmos todos os fatos que acontecem em nossas vidinhas como algo que devemos achar graça, aí sim tudo fica simples. Exatamente como na TV e no cinema. E se for pensar bem e divagar pra longe, quando beijo meu marido toca sim uma musiquinha. E meu cabelo quando acordo não é exatamente como o do Bozo. É tudo uma questão de ponto de vista e de deixar fluir. Deixar a vida nos levar de vez em quando é bom…



20 de julho de 2004

Momento fotolog ou ego descontrol


Como uma imagem vale mais do que mil palavras, eis a minha cara de quem está vivendo o melhor momento da vida. Incrível como amar faz bem a pele!

Agradecimentos mais do que especiais ao principal responsável por minha vida ter mais graça. Obrigada, San…

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São Paulo está um gelo. Eu que achava que este inverno iria ser uma piada, afinal até bem pouco tempo atrás estava um calor terrível…

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Só agora assisti “Sobre Meninos e Lobos” – só o que tenho a dizer: uau! Minha vida de cinéfila anda bem agitada até. Semana passada, depois de séculos fui ao cinema e assisti “Matadores de Velhinhas” – não é uma Brastemp, mas dá pra aguentar o final do filme. Bom mesmo seria eu não ter gasto o dinheiro da entrada e visto de graça, como tenho feito sempre. Nada melhor do que estar em dia com os lançamentos sem gastar um tostão. Cinema no Brasil é um absurdo de caro. Por isso que a cultura neste país é algo inacessível para a maioria. E o preço de um livro? Roubo… Só compro pq não sei viver sem eles, vício mesmo…

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Dia da amizade hoje né? Hum… Ei vocês três aí longe: beijo grande…

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Saudade anda apertando…



15 de julho de 2004

Estou com medo de vocês!


Nos últimos dias alguns seres (muito esquisitos por sinal) entraram na casa procurando por:

- “Casa do sexo” – que diabos Casa da Tuka tem a ver com isso?
- “Fotos Le Cheval tênis” – pq uma pessoa normal iria querer uma foto daquele tênis horroroso?
- “Fotos das atrizes da globo nuas” – se eu tivesse vendia.
- “Mensagem subliminar” – tá pensando que aqui é o que, fio?
- “Micro saias” – gosto delas.
- “Sexo com a vizinha” – como assim?
- “Keka Perez fotos” – quem é essa? Irmã da outra do Tcham?
- “Casa das Panquecas de Curitiba” – eu hein…
- “Fotos do Cléber Bambam de sunga” – alguém gosta daquele anencéfalo?
- “Câmera escondida” – aqui não é o Big Brother, honey.
- “Fotos grátis dos pés da Kelly Key” – essa ganhou de todas!

Como tem gente maluca na Internet, credo! Vão ler um livro!



12 de julho de 2004



O final de semana foi prolongado devido ao feriado aqui em São Paulo. Então, eu e o San aproveitamos o frio e o fato de sermos um casal apaixonado e ficamos em casa fazendo o que todo casal apaixonado faz nessas circunstâncias… Parte do cenário estiveram um edredon bem pesado, filmes, comidinhas preparadas pelo marido e nossos dois gatos pulantes…

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O fato de estar casada antes de realmente estar, era uma coisa que me assustava… Eu achava que dentro de poucos meses tudo se tornaria uma grande droga. Isso pq um namoro que tive, que mais parecia um casamento, se tornou algo tão chato que era tudo o que eu não queria pra mim para o resto da vida. Mas me sentia tão conformada que era difícil lutar contra. Por isso eu digo: benditas sejam as pistoleiras colegas de trabalho dos ex namorados e a falta de caráter dos ditos cujos… Me livrei de boa. E o casamento? Não existe nada melhor quando é a pessoa certa.

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Ando fuçando o fotoxópi (eu sei que não é assim que se escreve, ok?). Lição 1: Dinheiro compra beleza. Lição 2: Photoshop também e por um preço bem mais razoável. Fotos aqui: www.fotolog.net/lilalilo – photoshop só em pequeno detalhes. Deus me foi bondoso – rs…

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Qualquer hora volto. Beijos aos que aparecem…



5 de julho de 2004

Todos os inícios


Lembro do meu primeiro dia no colégio. Meu pai foi me levar e eu segurava forte a sua mão – estava morrendo de medo de ficar lá sozinha. Ele sabia disso e ficou comigo até que eu fosse para a sala de aula. Quando a professora mandou que entrássemos, de longe ainda virei pra trás para ver se ele ainda estava lá. Claro que estava. Me deu um sorriso grande, um aceno e só aí eu entrei. Anos e anos depois, já na faculdade, me lembro de enquanto eu tentava achar a minha sala, ter pensado naquele dia do colégio. Eu estava tão insegura quanto mas já tinha aprendido os artifícios de como parecer a pessoa mais desencanada do mundo. Afinal eu tinha um livro para ler no intervalo e um celular – sem crédito.

A primeira vez que fiz amor (as pessoas ainda usam este termo?) foi horrível. Me perguntei diversas vezes como as pessoas gostavam de fazer aquilo e lembro de ter me perguntado outras tantas se eu iria querer de novo. Ontem, quando fiz amor com meu marido, esqueci que tinha algo além de mim e dele no mundo e aquele outro dia fica cada dia mais nublado em minha mente.
O diário que escrevi estes anos todos falam de pessoas que já não sei quem são. Hoje anotei um novo número de telefone em minha agenda – por quanto tempo esta pessoa estará em minha vida?

O grande amor que tive um dia me dizia que amor de verdade não acaba nunca. Faz tempo que acabou e pensei que nunca fosse encontrar alguém que valesse a pena novamente. O grande amor que eu tenho agora me olha como se fosse eterno – eu acredito. Se acabar vou saber que foi eterno enquanto durou.
De segunda à sexta-feira eu passo os dias esperando o sábado. No domingo eu quero que a semana passe logo e o sábado chegue novamente.

Todos os inícios de nossas vidas chegam ao fim. Todos os finais ficam para trás para que possamos começar de novo. A vida é simples demais, a gente tem mania de complicar tudo.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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