Arquivo de junho de 2004



30 de junho de 2004



Odeio quando a Globo pega as minhas músicas preferidas, aquelas que ouço e amo desde a mais tenra idade, e as coloca nas trilhas de suas novelas. Quase que instantaneamente a canção começa a tocar de cinco em cinco minutos em todas as rádio bregas. O cantor vai todo dia em programas de TV. Todo mundo acompanha o refrão…

Apesar de ser jornalista, às vezes odeio essa coisa de mass media do inferno onde tudo é pré definido. E as pessoas acham que são espontâneas e que decidem o que gostam. Há! Não, você só faz o que a mídia quer que você faça. É eleito o sucesso da vez e as pessoas vão amá-lo. O bonitão do ano é aquele que vai virar alvo de todas as medíocres revistinhas de fofocas. A gostosuda do dia vai dar entrevista em programinhas chinfrins falando pq usa aquele tom de loiro nos cabelos. As roupas que você vai usar são aquelas que as esquálidas modelos desfilaram no São Paulo Fashion “FREAK”. O próximo cantor que vai vender cem mil cópias já foi decidido muito antes de que você soubesse que músicas o infeliz canta.

Agora corram para comprar o CD da Maria Chata pq ela quer ganhar o disco de ouro. “Encontros e Despedidas” é pelo menos cem mil vezes melhor na versão de Simone, mas você não sabe disso, ela não está na moda.



28 de junho de 2004



Passei uns dez minutos olhando pela janela da minha sala de onde o computador fica próximo. Tive o que chamo de “momento autista” – em que me permito ficar pensando amenidades quietinha no meu canto e não compartilho tais idéias com ninguém, só com Deus.

Só Ele sabe o quão tola pode ser uma moça de seus vinte e poucos anos. Só ela sabe o quanto se pune por ainda ser ainda.

Sabem o significado do “ainda”? A desculpa para não ter feito, não ter aprendido, não ter resolvido, não ter decidido, não ter tomado nenhuma atitude. O “ainda” ameniza o resto da frase – vejam só: “ainda não fiz…” – significa que fará? Óbvio que não. Mas significa que sua resposta te dá uma chance a mais de enganar a si mesmo.

Ainda… Catzo… Tolices essas bengalas, não as de linguagem, com estas lido bem as ignorando. As bengalas as quais detesto são a de comportamento mesmo.

Mas “ainda” as excluo de minha vida de uma vez por todas…



22 de junho de 2004



Meu lado esquerdo do corpo está praticamente paralizado… Tenho um tratamento de canal do lado esquerdo da boca que só termina na segunda-feira. Uma íngua no lado esquerdo do queixo por causa do tratamento de canal, e só vai sarar depois de segunda-feira. Duas aftas do lado esquerdo da língua por causa do tratamento, e só vão cicatrizar depois de segunda-feira. Uma puta dor de cabeça do lado esquerdo por causa do tratamento, e só vai passar depois de segunda feira.

Pra ajudar a piorar estou menstruada e chata muito chata, com cólicas… Só volto depois de segunda-feira.

Vou parar de reclamar, ok? Visitem meu flog que por hora está melhor que isso aqui: www.fotolog.net/lilalilo.



15 de junho de 2004



O tempo às vezes passa sem sentido algum. Quando você menos espera já passaram dois anos que uma história acabou, já faz 1 ano e meio que começou outra, 3 anos desde que concluiu a faculdade, 6 anos que seu sobrinho nasceu, 26 anos de sua estréia neste mundo, dois minutos que começou a novela…

Mais de cinco minutos se passaram desde que comecei a escrever este texto besta. Nem notei…



11 de junho de 2004

João amava Maria que amava João…


Não quero entrar em contradição com nomes mais do que consagrados da literatura brasileira. Até mesmo porque seria uma grande burrice eu tentar bater de frente com Drumonnd. Essa não é a minha intenção. Só quero aproveitar o gancho da famosa “Quadrilha” do poeta e, humildemente, escrever algumas linhas que podem ser contundentes a respeito de um pensamento que me ocorreu.

O comum, ou pelo menos o que acontece na maioria dos casos de romances findos, amores platônicos, relacionamentos sem perspectivas, ou algo do gênero, é que sempre alguém gosta de uma pessoa que é apaixonada por outra. Drumonnd melhor do que ninguém descreveu isso com poucas frases em uma de suas mais populares poesias. Só que há um outro caso em tudo isso, ou melhor, em um amor.

Vamos às explicações. Um dia João conhece Maria e se apaixona, ela também por ele. Ficam juntos por anos e anos e fazem planos para o futuro, sonham juntos, sorriem um para o outro e… E tudo o que todo mundo sabe bem… Mas um dia acaba. Mas como, se João e Maria se gostavam simultaneamente? Simples, porque não era o momento certo, só por isso. Se João e Maria tivessem se conhecido depois de cinco anos, já tivessem terminado a faculdade, feito projetos que deveriam ter sido conquistados sozinhos, o romance seria, quem sabe, eterno, mas este não foi o caso – este é o caso do amor que chegou antes. E João e Maria estão destinados a encontrarem outros amores. Amores, claro, que estejam preparados para a história que cada um acumulou até o momento.

Em contrapartida, existem os amores que chegam depois, aqueles atrasados, que ninguém sabe porque demorou tanto. Colocando em palavras. Um dia Maria achou José, se apaixonou e ele por ela. Os projetos que os dois deveriam ter feito antes de se conhecerem já estavam prontos. Eles já estavam preparados para viver com uma pessoa que estivesse disposta a ter sonhos em comum. A vida dos dois vai bem, aliás muito bem. Eles pensam em filhos, em apartamento (dois ou três quartos), em um carro melhor e coisas assim.

Um belo dia aparece Pedro. Exatamente aquele Pedro que nem estava na história, aparece do nada na vida de Maria. De repente, ao mesmo tempo os dois têm certeza que têm um potencial imenso juntos. O coração bateu mais forte, as idéias combinam, os planos têm harmonia, o zodíaco diz que os signos são almas gêmeas (tá, mas pra isso eles não ligam, não acreditam em zodíaco), enfim, as coisas poderiam ser perfeitas entre os dois. Só que… óbvio, sempre tem um “só que”… enfim, só que Pedro chegou tarde demais e Maria não vai trocar José por ele e nem por ninguém. Ela ama José. Pedro não estava nos planos, nem na história, chegou atrasado e o máximo que podem ter em comum é a certeza que tudo poderia ter sido uma grande história de amor. Só.

Cedo demais e tarde demais. Odeio estas constatações…



1 de junho de 2004

Palmas para Lars Von Trier…


Só ontem assisti Dogville. O filme conta simplesmente a história de qualquer ser humano. Mostra que qualquer pessoa que mesmo com uma aparência doce e atitudes livres de qualquer suspeita, guarda uma maldade que fica bem encubada se não há oportunidade.

No filme a oportunidade existe e a população medíocre de um povoado mais medíocre ainda, mostra as garrinhas aos poucos.

O filme não é convencional, o cenário é praticamente como o de uma peça de teatro, com casas sem delimitação de paredes e com marcações no chão identificando onde fica cada coisa. Aliás o enredo todo segue como uma peça de teatro. É dividido em capítulos e um narrador conta a história. Algo singelo demais se não fosse o roteiro.

Grace, interpretada por Nicole Kidman, chega a Dogville fugida de um grupo de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), Grace é escondida na pequena cidade e, em troca, trabalhará para todos.

O pequeno grupo de pessoas aceita que ela fique por um período de duas semanas. Passados os dias tomarão a decisão se ela é uma pessoa que merece confiança de permanecer em sua companhia ou não.

Após este “período de testes” Grace é aprovada por unanimidade – 15 votos. Mas quando a procura por ela se intensifica com visitas do xerife, FBI e dos próprios gângsters, os moradores exigem algo a mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que na cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes.

No entanto Grace carrega um segredo que as pessoas nem desconfiam. Ela não é tão frágil quanto demonstra e decide o destino de todos no filme.

Dogville é uma fábula. Entediante no início devido ao cenário estático, escuridão constante e roteiro sem grandes movimentações. A surpresa toda fica guardada para o final e vale esperar para ver a personagem principal ter a atitude que todos nós gostaríamos de poder tomar diante de tantos absurdos cometidos por aí.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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