Arquivo de maio de 2004



31 de maio de 2004

O tempo me fez diferente…


Aprendi a aceitar as coisas, aprendi a fazer com que a pessoa que amo esteja sempre segura em relação ao que sinto, aprendi a não deixar a menor sombra de dúvida interferir em meu relacionamento, aprendi que ciúme demais não é prova de amor, aprendi que certas amizades podem entristecer a quem mais importa em minha vida, aprendi a esquecer, aprendi a deixar pra lá, a ceder, a fazer panquecas…

O tempo me fez enxergar que se ele passar e não mudarmos em nada é porque ainda vamos dar muita cabeçada na vida, me fez perceber que só adianta nos importarmos com quem se importa com a gente, me fez aprender a mandar a merda tudo e todos que só estão me enchendo o saco e não têm utilidade nenhuma pra mim.

Dia 11 de junho completa 1 ano de tempo passado. 1 ano que cheguei e não fui mais embora, 1 ano que divido o mesmo teto com a pessoa que me fez querer ficar pra sempre…

Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda eu sei…



28 de maio de 2004



com.pre.en.são sf (lat comprehensione)
1 Ato de compreender ou incluir. 2 Faculdade de compreender; percepção. 3 Lóg Conjunto dos caracteres, propriedades ou qualidades constituintes de um conceito, de que esse conceito é o sujeito. Ex: A ave é um animal bípede plumígero. Antôn (acepção 2): incompreensão.

in.ter.pre.ta.ção sf (lat interpretatione)
1 Ato ou efeito de interpretar. 2 Modo de interpretar. 3 Tradução, versão. 4 Explicação. 5 Modo como atores desempenham os seus papéis numa composição dramática.

de.tur.par vtd (lat deturpare)
1 Desfigurar. 2 Estragar. 3 Corromper, viciar. 4 Tornar feio.

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Ai que preguiça que certas coisas me dão…

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Viram fotos novas ali no ladinho esquerdo?

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Frio terrível em São Paulo

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Tiro férias daqui dois meses. Rota de viagem: Bahia e Curitiba… Europa ainda não dá…

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Hoje é sexta… Enfim sexta. Vou renovar minha cota de filmes assistidos. Os últimos que vi e gostei muito: Kill Bill Volume 2 (sim a continuação – vi dois dias depois da estréia nos EUA), Invasões Bárbaras, Elephant, Ken Park e Irreversível.

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Raios. Tenho dentista hoje ainda…



27 de maio de 2004

Não, não e não…


Meu pai costumava dizer a mim quando eu lhe pedia uma coisa que ele não permitia: “Tuka, veja se entende a minha resposta – êne-á-ó-tiu – NÃO”. Desse jeito, eu teimosa que sempre fui, ainda tentava argumentar, mas sabia que não teria o menor êxito. Maldita mania que os adultos têm de se acharem os donos do mundo, eu pensava. E confabulava na minha cabecinha de criança que quando eu crescesse e não precisasse mais pedir autorização de nada a ninguém, eu não seria uma pessoa tão autoritária a quem estivesse esperando por uma decisão minha.

Hum… Que contraditória eu fui com meus princípios de infante. A Tukinha de 20 anos atrás, se me viesse pedir certas coisas provavelmente ouviria as mesmas respostas do senhor Ari e quão decepcionada ficaria com a pessoa que se tornou. Coisas da vida. Eu diria: “Desculpe-me Tukinha, mas quando você crescer vai entender, mas até lá minha resposta é não – e não me encha mais o saco com seus argumentos que não vai adiantar, sei de todos, lembra que foram inventados por mim mesma?”.

Não… Para quem ouve é tão difícil como para quem diz. O sim é simples. Veja as diferenças: você sonha com algo e deseja muito este algo. Este mesmo algo precisa de outra pessoa para que seja efetivado. Daí vem esta pessoa e pensa a respeito de seu pedido, reflete sobre os prós e contras e sem pestanejar te diz um sonoro e ecoante NÃO. Foram-se suas expectativas. Agora vejamos o sim. você sonha com algo e deseja muito este algo. Este mesmo algo precisa de outra pessoa para que seja efetivado. Daí vem esta pessoa e pensa a respeito de seu pedido, reflete sobre os prós e contras e te fala SIM. Sim, ela disse sim. Fácil né? Tsc tsc… Fácil nada. Se durante sua vida inteira as respostas que tivesse ouvido fossem apenas sim em que você teria se tornado? Qual seria sua reação diante de um não que deveria ter sido dado há pelo menos uma década?

O meu autoritário pai me disse inúmeros “nãos”. “Não saia”, “não deixo”, “não dou”, “não faça”, “não namore este idiota”. E eu? Eu queria que ele virasse pó diante de meus olhos a cada não que ele me dizia. Só que os “nãos” que saíram da boca de meu pai, foram apenas os primeiros que ouvi durante as duas décadas e pouco em que me conheço por Tuka Pereira (ou algo que o valha como sendo meu nome). Os dele foram apenas o preparo. Ele sabia que estava fazendo a coisa certa. Eu não, apenas queria que ele me dissesse o que eu desejava ouvir, e no momento em que eu desejava ouvir. Incrível como basta a compreensão de que nem sempre um não significa o fim de seus projetos. Muito pelo contrário, significa na maioria das vezes que você não deve desistir perante a primeira negativa daquilo que você quer mais do que tudo. O senhor Ari Pereira sabia das coisas. Tudo bem, às vezes ele era apenas um velho chato (porém o chato mais amável do mundo), mas queria o melhor para a filhinha caçula dele.

Aprendi, viu pai? E nem demorou tanto assim…



26 de maio de 2004



Em “homenagem” ao show com atraso de duas horas na segunda-feira no Via Funchal, a melhor música de todas do Massive Attack:

Teardrop

Love, love is a verb
Love is a doing word
Fearless on my breath
Gentle impulsion
Shakes me makes me lighter
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

Nine night of matter
Black flowers blossom
Fearless on my breath
Black flowers blossom
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

Water is my eye
Most faithful mirror
Fearless on my breath
Teardrop on the fire of a confession
Fearless on my breath
Most faithful mirror
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

You’re struggling in the dark
You’re struggling in the dark

*Nunca ouviu esta música? Soulseek e kazaa agora que você já perdeu tempo demais!



24 de maio de 2004



Quem faz a primeira tatuagem ganha um vício – é quase impossível não fazer mais nenhuma… Ontem fiz a sexta! Meu marido fez uma igualzinha – mas nada de tatoos estilo Kelly Key, Johnny Deep ou Angelina Jolie. Apenas a mesma tatoo, nenhum nome, nenhuma foto, nenhum juramento… Agora preciso urgentemente de outra porque tatuagem em número par dá azar… rs…


21 de maio de 2004



ar.re.pen.der vpr (a1 +lat repoenitere)
1 Ter mágoa ou pesar dos erros ou faltas cometidas. 2 Mudar de opinião, parecer ou propósito. (Muito excepcionalmente é este verbo empregado como intransitivo.)

Odeio esta palavra, odeio ouví-la, odeio pensar nela, odeio verbalizá-la… Arrependimento é algo que não deveria existir. Na verdade ninguém deveria fazer absolutamente nada que pudesse refletir depois como algo que não deveria ter feito. Os atos deveriam todos serem pensados e refletidos antes. Depois é tarde demais e arrependimento pode ser eterno. O tempo não volta depois de passado, as palavras não voltam depois de ditas… Arrepender-se é a coisa mais inútil do mundo…



18 de maio de 2004



Brasileiro não tem mesmo memória muito longa. Os escândalos que a imprensa noticia causam o maior fuá, o assunto é comentado por semanas e depois: PUF! Ninguém mais lembra. Vejam exemplos práticos abaixo:

* O motoboy Francisco de Assis Pereira agiu em São Paulo entre 1997 e 1998. Ele atraía jovens com a promessa de torná-las modelos, e as levava para o Parque do Estado – por isso passou a ser chamado de Maníaco do Parque. No meio do mato, estuprava e torturava sua vítima antes de estrangulá-la. Rapaz comum, nada em sua aparência indicava as atrocidades que cometeu. Apenas seu passado: ele sofreu maus-tratos na infância. Pereira confessou ter matado 11 mulheres e foi condenado a 271 anos de prisão.

* Em 7 de maio de 1999 a prisão do auxiliar de enfermagem, Edson Izidoro Guimarães, chocou o país. Ele foi acusado de ter matado mais de cem pacientes do Hospital salgado Filho no Rio de Janeiro nas noites em fazia plantão. Tudo porque recebia comissões das funerárias que fossem contratadas pelas famílias dos mortos. Edson chegava a receber até mil reais, caso a funerária conseguisse o serviço. “Eu ganharia cem reais por cada corpo, mas se tivesse seguro, poderia ganhar até mil reais”, revelou o assassino. As vítimas do enfermeiro tinham sempre o mesmo perfil: vítimas de acidente de trânsito em estado grave. Ele confirmou que aplicava uma injeção letal nas suas vítimas, contendo potássio em dose elevadíssima. Em outras ocasiões, ele retirava as máscaras de oxigênio dos internados.

* Em uma tarde de novembro de 1999, o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, entrou em uma sala de cinema do Shopping Morumbi em São Paulo e atirou a esmo com uma metralhadora. Foi responsável pela morte de três pessoas e por ferir gravemente outras cinco.

* Tim Lopes, repórter da Globo, foi morto no dia 2 de junho de 2002 na favela da Grota (zona norte do Rio de Janeiro), depois de ser capturado por traficantes da vizinha favela Vila Cruzeiro, quando fazia reportagem sobre um baile funk. De acordo com a polícia, Lopes foi torturado, ‘julgado’ e morto. Seu corpo foi esquartejado e queimado pelos criminosos comandados pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco.

* Em 31 de outubro de 2002 o engenheiro Manfred Albert von Richthofen, 49 anos, diretor da Dersa, sobrinho-neto do lendário Barão Vermelho, e sua mulher, a psiquiatra Marísia von Richthofen, 50, foram mortos em casa, no Campo Belo, bairro nobre de São Paulo, com requintes de perversidade. Os assassinos? Suzane Louise von Richthofen, 19 anos, filha do casal, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, 21 anos, namorado da menina e o irmão dele, Christian, 26.

* Desaparecidos desde 31 de novembro de 2003, a estudante Liana Friedenbach, 16 anos e o namorado Felipe Silva Caffé, 19 anos, foram encontrados mortos em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo. Liana foi violentada e torturada, morta a facadas, Felipe morto com um tiro na nuca. Os responsáveis foram o vulgo Champinha de 16 anos, Paulo César da Silva Marques, 32, o Pernambuco, Antonio Matias de Barros, 48, Antônio Caetano Silva, 50, e Aguinaldo Pires, 41.

* Gil Rugai acusado de matar o pai e a madrasta no dia 28 de março deste ano. Ele diz que é inocente embora todos os indícios digam o contrário.

Quê mais? Não lembro… Você lembra?


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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