Arquivo de outubro de 2003



31 de outubro de 2003



Tenho feito muita coisa, talvez até mais do que eu possa fazer. Como é que mesmo assim ainda tanta coisa está em segundo plano? Será que alguém tem a receita da medida exata do que se deve fazer para conciliar tudo o que temos e o que queremos realizar? Até saber a resposta estarei trabalhando na produção de uma festa de Halloween hoje e amanhã no Picasso. Programa na TV? Não ainda.
Daqui a pouco vai para o ar a entrevista que fiz com o Leo Jaime para o site, vale a pena conferir: além do cara ser uma figura, ele fala de Cazuza, censura, letras de música e mais várias coisas.


27 de outubro de 2003



Esta noite eu estarei na tevê – olha só que chique…
Quem quiser me ver pagar mais este mico assista ao canal 12 da TVA (pelo menos desta vez não é mais na Rede TV) às 20h00 ou pela internet clicando aqui.


22 de outubro de 2003



Texto originalmente escrito para este site.

Agendas, cadernos de perguntas e papéis de carta

Se você é mulher e viveu a infância nos anos 80 e 90 lembra-se perfeitamente de uma mania que assolava 9 entre 10 meninas na época: a mania das agendas.
Nas tais agendas entravam de tudo: embalagens de brinquedos, bilhetinhos, papéis de carta, figurinhas com a cara dos New Kids On The Block e da Barbie. Entravam também as coisas mais absurdas como papéis de bala, chicletes e de chocolates – tudo isso por que a pessoa que havia dado o doce era o menino por quem a garotinha nutria uma paixão platônica. Conheci uma vez uma menina que guardava os guardanapos da coxinha que o menino que ela gostava comia no recreio.
O engraçado é que havia uma certa competição entre as meninas: a melhor agenda era sempre a mais grossa e com conteúdo mais “interessante” (leia-se aqui, mais papéis de doces dados pelos objetos de desejo). As mocinhas que tinham agendinhas escolares eram desprezadas. Afinal, quem disse que agendas existiam para fazer anotações sobre provas e trabalhos?
Na mesma categoria, a escolar, ou quase isso, estavam os cadernos de perguntas. A grande maioria das meninas carregava o seu embaixo do braço. As perguntas eram sempre “clássicas”: “Qual é o seu nome completo? O que você quer ser quando crescer? Qual sua cor preferida?”. Claro, todo este questionamento tinha o único propósito, o de se fazer fofocas. Meninas colegiais que viveram a infância nos anos 80 gostavam de futrica como em qualquer época. Veja se entende: O caderno tinha umas cem perguntas. Entre as cem sempre existiam as tais perguntas “x” que implicavam em algo a mais. Era algo do gênero: “Tem alguém que você odeie? Diga quem.” Claro, quase ninguém respondia. Mas quando respondia, o tal caderninho rolava de mão em mão até chegar ao desafeto. Coisa séria, veja bem – era aí que entrava em cena a famosa frase: “te pego lá fora”. E era aquela confusão. Diretoria, suspensão e bilhete para os pais na certa.
Entre uma intriga e outra, uma outra grande função do caderno era desvendar os amores dos estudantes. Aliás, esta era a principal das perguntas: “de quem você gosta?”. Os mais corajosos respondiam e corriam o risco de serem achincalhados por todos. Era comum a menina tímida e feiosa sempre ser apaixonada pelo menino mais lindo e popular do colégio – aquele que jogava no time de handebol, por exemplo. Mas havia alguns sortudos que começaram um namorinho bobo (era o máximo permitido na época) e tudo devido a ter respondido ao questionamento do caderno.
Ainda dentro dos muros da escola havia as colecionadoras de papéis de carta. Era uma febre! A meninas tinham pastas e pastas de papéis com desenhos fofinhos e delicados: Hello Kitty, Betty Boop, Turma da Mônica, a interminável coleção da Fofura e por aí ia…
Para ser considerada uma colecionadora com quem realmente valesse a pena trocar de papéis, era preciso ter no mínimo algumas coleções completas e muito bem cuidadas dos papéis mais requisitados. Era uma espécie de ritual muito respeitado por todas as meninas: ninguém queria papel amassado, papéis pequenos valiam menos, coleções de papéis com envelopes valiam muito mais, papéis com envelopes e ainda com mais algum “badulaquezinho” extra, valiam mais ainda. A hora do recreio era o momento em que todas as meninas corriam com quilos de papéis de carta organizados em pastas para trocar com as colegas. Sempre havia a menina que era a mais disputada de todas. Aquela que a mãe comprava “bloquinhos” novos todas as semanas. Todas morriam de inveja dela.
A moda do papel de carta deve ter passado. Pelo menos nunca mais vi nada a respeito. Também nada mais sei sobre as agendas arrebatadas de coisas e dos cadernos de perguntas. Os anos oitenta parecem mesmo terem sido mágicos em vários aspectos. Você também tem saudades?



12 de outubro de 2003



E ele me olha e tenta entender o que penso. Na verdade o olhar que me dedica, muitas vezes é capaz de compreender até o que eu mesma não sei. E então me pergunta por onde andam meus pensamentos que não estão ali naquele momento – tem vezes que não sei o que responder. Retribuo o olhar e não digo nada – ele apenas me aconchega em seu peito. Passa as mãos pelos meus cabelos. Me beija a testa. De novo me olha…
Ele sabe ler pensamentos. Já fez isso milhares de vezes… Ele sabe conversar sem palavras. Já fez isso outras milhares de vezes. Ele escuta o silêncio comigo – eu apenas respeito o que ouço. Ele sabe que nada mais será como antes. Que agora, cada minuto que seguimos juntos, queremos que venham os próximos, para seguirmos juntos também…
Ele me conta a história de como tudo começou a mudar sua vida. Me diz que foi naquele certo dia em que me viu de longe e que não sabia explicar o que começou a acontecer dentro dele. Me fala que nada mais foi igual. E eu deixei que ele viesse, deixei que ele ficasse, agora só o que quero é que permaneça, porque já nada é mais possível se ele não estiver por perto…


9 de outubro de 2003



Sem inspirações para um post que possa significar algo…

Só listando:

* Daniela, minha amiga desde o berço, reapareceu e foi muito bom vê-la de novo;
* Preciso ir ao dentista urgente;
* Marido que faz o jantar todas as noites é algo maravilhoso e raro;
* Não há nada melhor do que o lar…



1 de outubro de 2003



Este texto escrevi para um site de anos 80 – mas já que o texto é meu, nada mais justo que estar aqui na Casa também…

MODA É TRASH!!

Moda é uma coisa instável, mutante. O que é bonito hoje não demora muito e fica absurdamente feio a ponto de olharmos esquisito para quem se atreve a vestir o que é considerado “demodê”. Tem coisa mais trash que isso? Claro que não. Um dia foi moda usar a sandalinha da Xuxa, hoje existe a da Sandy, da Eliana – Xuxa é coisa ultrapassada… Um dia foi legal sair por aí com adesivo colorido colado no tênis. Uma época foi “cool” usar tules no cabelo imitando a Madonna. A calça boca de sino já foi ressuscitada uma porção de vezes e agora é brega de novo. A “Alpargata” já foi mania, assim como o batom “Boka-Loka” e o gel “New Wave” com purpurinas coloridas. Enfim, veja aí abaixo se você se identifica com as coisas que já foram moda um dia:

Saia balonê – Era legal e bacana que as mocinhas “antenadas” no mundo fashion andassem por aí desfilando sainhas que mais pareciam aquelas bolas gigantes que antes vendiam nos parques. Ridículo, porém fazia a felicidade de quem era considerada “tábua” – ajudava a disfarçar e bastante…

Mangas bufantes – Não existia baile de formatura ou catequese em que não aparecessem dezenas de meninas exibindo ombros gigantes. O vestido não estava completo enquanto a costureira não aumentasse o máximo possível a manga do vestido da formanda. Quanto mais bufante melhor, este era o lema!

Calça bag ou semi-bag – Era feia mas estava na moda. Isso bastava para que todo mundo usasse. O interessante é que havia todo um ritual do diálogo que rolava entre as pessoas em relação à tal calça bag: “Calça bag ou semi-bag esta sua?” Daí a pessoa respondia… Como a semi- bag veio depois e era novidade, ninguém respondia que a calça que estava usando era simplesmente a “bag”, a resposta sempre era semi-bag, claro…

Vestido Trapézio – É gente, existiu um dia em que foi chique andar por aí parecendo uma capa de botijão de gás. As mocinhas adoravam usar seus vestidos trapézios floridinhos e ostentá-los a quem não os tinha…

Roupa de cores fluorescentes – Atire a primeira pedra quem um dia não ousou sair de casa vestido com algo verde-limão, por exemplo. Sim teve um dia que isso foi legal. Eu mesma tinha uma blusinha frente única desta cor que quando eu vestia me achava a “última bolacha do pacote”…

Tênis Le Cheval – Houve um tempo em que quem não tinha um tênis Lê Cheval era considerado “nada”. Sim, isso mesmo: um nada. O legal e na moda era as meninas terem Lê Cheval cor de rosa (não importava se de cano alto ou baixo) e os meninos terem o azul.

Relógio de 7 pulseiras – Quem é que não lembra dos famosos relógios da Champion que nos permitiam combiná-los com todas as roupas que tínhamos no guarda-roupa? Eu ganhei um de natal mas fiquei frustrada quando percebi que não tinha nada fluorescente. Com que cor de pulseira eu poderia usar a minha blusinha verde-limão afinal?

Saias de lambada – Na época em que a lambada virou febre em nosso país, não demorou muito para que as roupas que os dançarinos usavam virassem mania. Eis que surge a “saia de lambada”. Somente as mocinhas mais corajosas entraram nesta moda. Se a saia não fosse rodada o suficiente para que a bunda aparecesse quando elas dançassem, seria automaticamente abandonada no fundo do armário.

Ki-chute – Não existia menino que não tivesse o famoso e popularesco Ki-chute. Jogar bola era com ele, brincar na rua também. Aliás as mães já falavam antes dos moleques saírem de casa: “ô menino, não vai com este sapato aí não porque é de sair, calça o Ki-chute mesmo!” – e o menino obedecia…

Aguardem que logo logo aquela roupinha que você adora vai ser motivo de risada e usada como exemplo de algum texto chato sobre coisas bregas.
Beijos


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
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