Arquivo de março de 2003



29 de março de 2003



Olá pessoas… Quase estou de volta. Como disse o inquilino, estou me divertindo no Festival de Teatro de Curitiba. Quem conhece sabe que este é um dos maiores acontecimentos culturais do país. O Brasil inteiro participa com várias peças – este ano são mais de 160 espetáculos e aproximadamente 600 apresentações. Tudo isso em apenas uma semana. É humanamente impossível assistir à todas as peças – eu só consegui ver 15 espetáculos e gostei da maioria – mas o melhor é este aqui – que é realizado por atores do grupo Tusp. Para quem mora em São Paulo a boa notícia é que eles estarão em cartaz logo no começo do mês de abril – vale à pena conferir – terapia em 110 minutos.
Hoje tem mais…


21 de março de 2003

Bruxas soltas


Tem dias em que tenho medo que minha vida vire uma reprise – pq tem dias em que pareço estar andando em círculos. Quando sinto isso paro para pensar e as lembranças que imediatemente vêm à minha mente são coisas que há tempos não deveriam mais estar comigo. Um amigo, me disse que eu preciso saber enterrar as minhas bruxas… Respondi a ele que elas voam em suas vassouras e fogem antes que eu possa ao menos tentar enterrá-las… Ele tem razão, vivo dizendo a ele que eu sei que o que me diz é verdade – mas a Tuka é uma moça estranha… E hoje ela vai ao encontro de uma das “bruxas” que aprendeu a deixar voar a seu lado. Esta já não a incomoda mais, ou não tanto…
Lá vai a Tuka de novo…
Até dia desses pessoal…
Beijos!


20 de março de 2003



HEIL BUSH O CACETE!
Este blog aqui é de um jovem iraquiano. E pensar que a guerra já é uma droga aqui de longe…


18 de março de 2003

Guerra…


A Casa Branca anunciou que Saddam cometeu seu último erro ao ignorar o ultimato que o mandava deixar o Iraque. O prazo acaba amanhã às 22h (hora Brasília). Leia mais aqui.

*** *** ***
Eles pensam que são os donos do mundo… Como isso me irrita!



14 de março de 2003

Voltei…


O problema do computador foi solucionado graças a eficiência do meu amigo Daniel e a paz voltou a reinar aqui na casa da Tuka. Thank’s Dan! Você impediu que fãs desesperados cometessem suicídio por se privarem de ler os meus textos… “Ah tá! Sonha Tuka, estava tudo melhor aqui sem você!”… Que seja… Ah! Gostaria que me deixassem seus e-mails caso não tenham blog – né dona Mari? Então beijos!

Coisas de casais: As contradições do amor, ou “ai como essa sua mania enche o saco”

A diz: Por que você me ama?
B diz: Eu te amo por milhares de coisas.
A diz: Que tipo de coisas?
B diz: Ah! Um monte!
A diz: Me fala uma…
B diz: Tá bom… Uma das coisas que me faz te amar é que você fala olhando nos olhos. Eu adoro, acho lindo, significa sinceridade…
A diz: É mesmo? E o que mais?
B diz: Hum… Gosto da sua personalidade. Você não desiste fácil quando quer alguma coisa, é persistente…
A diz: Sou é? E o que você não gosta em mim?
B diz: Ah meu amor… Eu gosto de tudo em você!
A diz: Gosta nada! Tem que haver uma coisa que você não goste. Fala!
B diz: Nada mesmo amor, é sério…
A diz: Você não quer dizer pq acha que vou ficar triste… Pode falar, eu não vou me chatear… Diz!
B diz: Não tem nada mesmo, estou falando a verdade…
A diz: Mentira! Duvido, duvido, duvido!!
B diz: Argh! Se você tivesse noção de como eu odeio essa sua mania de me olhar desse jeito e ficar insistindo!! Que coisa…



11 de março de 2003

Hoje não…


Hoje eu não estou preocupada com a paz no mundo. Pouco me importa se Bush vai ou não invadir o Iraque – hoje eu não me importo… Hoje nem sei, e nem quero saber se Fernandinho Beira Mar vai aterrorizar o Rio – hoje não, eu não ligo. E não me importo se você vai me achar egoísta, hoje também não me importo com você nem com ninguém – hoje não quero. Hoje eu vou sumir. E não vou ligar pra ninguém nem pra você. Hoje eu não quero falar nem ouvir e não irei. Não vou sair de onde estou agora e nem abrirei a janela. Hoje eu não quero ver se tem sol ou chuva lá fora – hoje não importa. E não vou pensar nas coisas que passaram nem naquelas que virão – que apenas sejam. Hoje eu não vou mandar e-mail nem ler os que me mandarem. Hoje eu não quero saber o que você tem a me dizer – hoje não… E não vou atender ao telefone, não adianta ligar que não vou falar com você. Hoje eu não vou ouvir músicas que falem de amor, aliás, não vou pensar em amor. Não vou ler livros tolos e nem vou ler nada. Não vou olhar no espelho e não vou enxergar minha espinha nova. Não quero saber se você está perto ou longe – hoje não faz diferença. Hoje não vou me emocionar com nada nem com minhas lembranças, pq hoje não terei lembranças. Hoje você não me faz falta e não significa nada pra mim, só hoje. Hoje se eu gritar não será para que ninguém ouça. Se eu calar meu silêncio vai falar mais alto que minha voz… Hoje não pensarei em quem sou e em quem serei um dia. Não me assustarei com o que eu não compreendo. Não cantarei canção alguma. Hoje não desejo que você seja feliz nem triste, pq hoje eu não me importo com nada disso. Hoje eu não me importo com nada… Só hoje, amanhã volto ao normal…


10 de março de 2003

Lembranças desta vida


Eu sempre acreditei que somos as lembranças de coisas que fomos e das coisas que vivemos um dia… Até Oswaldo Montenegro já disse isso em Metade: “Porque metade de mim é a lembrança do que eu fui, e a outra metade eu não sei…” As lembranças são as únicas coisas realmente nossas na vida, são as únicas coisas que ninguém pode nos tirar jamais…
Eu tenho várias… Confesso que boa parte delas gostaria que fosse exterminada de mim… Ainda me machuca pensar em coisas que aconteceram há tempos… Me dói lembrar de pessoas que passaram por mim um dia e que agora não tenho mais notícias… Me fere demais ter apenas a lembrança de coisas e de pessoas que ainda queria que fizessem parte do meu presente e do meu futuro, mas que não farão…
A maioria das pessoas, (e me incluo aqui como a primeira da lista nesta categoria) tem a mania tola de pensar em como teria sido a vida se algo que aconteceu de um jeito tivesse acontecido de outro. Eu estaria mais feliz se o namorado que eu tanto amei estivesse comigo até hoje? Como teria sido se eu tivesse tido coragem de ter ido embora para ser voluntária no Senegal? E se naquele dia eu tivesse beijado o meu melhor amigo em frente a faculdade? Perguntas para coisas que jamais terão respostas… Acho que é por isso que dizem ser melhor o arrependimento por algo que fizemos do que por algo que deixamos de fazer. Mas a questão aqui não são arrependimentos – até pq eu não os tenho em grande número – a questão são memórias. Memórias até mesmo de coisas que nunca aconteceram.
É fato: quando algo de ruim acontece e ficamos tristes, achamos que nunca mais ficaremos bem… Quando o tempo passa a lembrança que temos do que houve chega até a ser um alívio. Nos sentimos bem por termos sobrevivido a algo que achávamos que nunca iríamos superar. Quando criança você achou que não havia dor maior do que ver que seu brinquedo preferido se quebrou. Depois você se lembra de um tombo terrível que teve, agora você sabe que nem foi tão grave assim – você não sente mais nada. Quando você cresceu mais um pouquinho perdeu sua avó que já estava doente há tempos – você ainda lembra que ela fazia doces deliciosos e que achou que nunca fosse superar sua morte – passou a dor, a saudade permanece mas já não maltrata. Teve aquele dia em que você perdeu a pessoa que mais amou na vida, ele te trocou por outra… Doeu, você emagreceu, ficou triste como jamais achou que pudesse, e agora, para sua surpresa, está amando de novo e lembra do ex como uma história que te deu estruturas para o que está vivendo hoje… Tudo passa, as lembranças ficam… E estranhamente as lembranças do que foi ruim são o que nos mantém firmes para continuarmos, viram alívio… Alívio porque já passou, por que foi superado e porque agora vc já sabe que pode sobreviver apesar de tanta coisa que acontece todo dia…
Eu lembro do gosto de uma fruta que comia quando criança e sinto saudade do sorriso que eu dava quando meu pai trazia pra mim… Eu ainda lembro do dia em que caí no lago da praça com a minha bicicleta nova e de como riram de mim… Eu não esqueço o dia do meu primeiro beijo e do medo que eu senti… Eu lembro do dia em que faleceu uma pessoa muito amada e de como chorei sozinha sentada na escadaria do cursinho… Eu lembro de como machucou me decepcionar com a pessoa em quem mais confiei no mundo e de como achei que nunca mais poderia amar de novo… Eu recordo a dor de ouvir “eu não te amo mais” e continuar amando quem disse isso… Eu lembro do dia em que recebi flores pela primeira vez e de como fiquei feliz… Eu não esqueço o dia em que fiquei dançando na sala do meu apartamento com o meu amigo Du, e lembro também que aquele dia foi o mais feliz depois de muita coisa triste… Por isso somos o que lembramos… Somos resultado do que nos aconteceu… Eu às vezes me surpreendo rindo sozinha quando recordo de algo bom que vivi. Da mesma forma, existem momentos em que sinto meu coração apertar quando lembro de fatos tristes.
E assim passam os dias – o que acontecer hoje vai virar lembrança amanhã, e mais um dia fará parte do que seremos depois…


8 de março de 2003

Parem o tempo que eu quero descer!!


Eu pisquei e me dei conta de que muito tempo passou e eu ainda não fiz as minhas aulas de canto como eu sempre quis ter feito… Passou e eu percebi que não sei dançar tango e nunca ouvi um disco de Gardel. Não fiz trabalho voluntário para ser uma pessoa com vaga garantida no céu. Nunca beijei 4 numa noitada, e nem 3, nem 2 – nem nunca fui beijar em uma noitada. Não pulei de pára-quedas. Nunca aprendi a nadar. Não tive um cachorro chamado liqüidificador por que minha mãe não deixou. Ainda não li tantos livros como gostaria de ter lido. Não fui à nenhuma parada gay. Não tive coragem de beijar meu vizinho gostoso do Trianon pq namorava – devia ter beijado. O tempo correu e eu não fui miss nada. Nunca disse a um dos meus 3 ex namorados que eu sempre o achei meio gay. Ainda não tive coragem de rasgar fotos e cartas que não precisam mais estar comigo. Nunca participei de um sarau nem de uma suruba. Nunca confessei a uma grande amiga que me sentia atraída pelo seu namorado. O tempo passando e eu ainda não conheço nem Minas Gerais. Nunca assisti cinema mudo. Não sei esperanto nem código morse (ah, vai saber quando vou precisar né?). Não sei tocar instrumento nenhum (triângulo e caixa de fósforo não contam né?). Nunca tive coragem de ligar para o Marcelo e pedir para ele ter me dado mais uma chance. Ainda sinto medo de ver uma pessoa que magoei muito e ainda sinto vontade que sejamos amigos. O tempo correndo e eu ainda não tenho o filho que vai se chamar Yan nem a filha que vai se chamar Julia. Nunca ganhei rifa de urso, ovo de páscoa ou bicicleta. Não conheço nenhum dos meus ídolos pessoalmente. Nunca tive paciência para ler Marx, Angels, Platão nem a biografia do Sílvio Santos. Nunca comi uma caixa de bombons sozinha. Não comprei um vestido vermelho curtíssimo. Não procurei notícias de um amigo que nunca mais vi. Não esqueci totalmente um amor que tive. Não sei andar em um salto 15. Nunca assisti Os pássaros de Hitchcock nem Poltergeist. Nunca fui a um baile funk nem a uma festa de vanerão. Nunca transei com quem eu não amasse. Não beijei um descendente de japoneses. Não mandei uma carta bomba ou com com antraz para a Xuxa. Não disse para uma idiota que eu conheci que ela é fútil, velha e feia. Não mandei nenhum chefe para a putaqueopariu. Não andei de patins no gelo. Nunca peguei sarampo nem rubéola. Nunca pulei em uma cama elástica. Nunca transei dentro do carro e nunca tinha escrito coisa mais estúpida que isso antes… That’s all…


6 de março de 2003



Depois de um período de abandono de lar a Tuka voltou. A casa está uma bagunça, tenho que varrer as folhas do quintal e tirar o pó dos móveis, mas as portas estão abertas para o cafezinho de sempre. Neste post vou compartilhar com os caros leitores minhas constatações da viagem falando sobre…

… coisas que você não precisa saber sobre a Bahia mas que eu vou contar assim mesmo:

Essa história de que “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu” é baléla… Caetano é suspeito pq ele é da terra, e também por que ele nunca vai atrás e sim em cima, assim é fácil e então não conta. Eu fui atrás do trio elétrico e teve uma hora que encheu o saco. De verdade, eu não aguentei por muito tempo aquele povo todo cantando a “Dança do boneco louco” (ou algo parecido) e a terrível “Eguinha pocotó” que chegou na Bahia também… Tá bom, confesso que dancei a “Dança da manivela”, “Ragatanga”, “Já sei namorar” e até o “Cachorrinho”… Lamentável? Que nada… Me diverti e de quebra arrumei assunto para um post.

Baiano é mesmo baiano… Sem preconceitos hein!! Se você quer usar a sua blusa de florzinhas nova que você acha que não combina com absolutamente nada, na Bahia você pode desencanar! Corra até a sua mala e pegue a sua sainha xadrez básica ou a sua calça de bolinhas e vista com a tal blusa. Ninguém vai achar esquisito e você ainda corre o risco de fazer um sucesso “lascado”… Uma pena que eu não tinha levado a meu short de listrinhas para usar com minha blusinha de carinhas risonhas verde limão… Fica para a próxima…

Chicken the little bird??? Sim caros leitores, a Bahia é um lugar repleto de turistas das mais diversas nacionalidades, isso vocês já sabiam… O que vocês não sabiam é que no cardápio da Bahia, frango à passarinho é traduzido como “chicken the little bird”. Pois é – eu fiquei pelo menos meia hora lendo o menu e me deliciando com as traduções dos petiscos e pratos do boteco do tio Belarmino… Eu tinha que ter roubado e trazido como lembrança…

Se o mundo acabar em barranco o baiano quer sim é morrer encostado. E eu que achava que esse papo de baiano ser preguiçoso (ops! Retificando: sossegado – preguiçoso não!) era lenda… Lenda nada! Baiano é tranquilo mesmo, é se você quer que um deles seja seu amigo, só o convide para fazer alguma coisa depois que o sol se pôr. Antes disso é lascado de quente e não vai dar pra prosear e muito menos pra pegar no pesado – ôxe…

Baiano não nasce, baiano estréia!! Isso é verdade! Êta povinho que sabe dançar sô! Eu me encantei com criancinhas que mal sabiam andar e já estavam dançando as coreografias das musicas – muito fofas!! Quase encarnei a dona Vilma raptora do Pedrinho e voltei pra casa mãe de um neguinho daqueles. Pena que não consegui bolar nenhuma história convincente para uma gestação de quinze dias.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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