Arquivo de novembro de 2002



27 de novembro de 2002

Momentos inesquecíveis


* A vez que caí com minha bicicleta nova dentro do lago da pracinha;
* O dia em que o menino que gostava de mim no primário, me empurrou da escada e eu desmaiei;
* Quando eu tinha uns 2 anos e meu pai me deixou pendurada no balanço e me pedia para ter coragem de pular;
* O dia em que eu e minha amiga Renata quase enforcamos um moleque chato;
* As madrugadas que passava cantando e tocando no violão as músicas da Legião Urbana com meus amigos;
* Quando torci o joelho jogando vôlei e fui carregada no colo por um menino por quem eu era apaixonada;
* Quando saí rolando uma ladeira de patins e quase morri (quanta desgraça!)
* O meu primeiro beijo – (já contei esta história aqui) no estacionamento do shopping com aquele menino besta;
* O certo beijo na frente do cursinho por causa daquele anel;
* O dia em que o Brasil perdeu a Copa da França (eu até tinha comprado camisetas pra mim e para o meu namorado para comemorar… Acho que deu azar);
* O dia em que eu fiquei presa na porta do ônibus e todos os passageiros fizeram um escândalo para o motorista abrir a porta, enquanto quase me amputavam o braço para me levar para dentro;
* Quando ganhei minha primeira Barbie – hah! Eis de onde surge minha reputação!
* Aquele beijo no banco do shopping em São Paulo;
* O dia da minha inscrição na faculdade – a fila estava interessantíssima!
* A primeira vez que passaram a mão na minha bunda… Achei o cúmulo!! A proeza foi feita pelo meu primeiro namorado;
* O dia em que meu professor de química se declarou pra mim… Um safado casado. Ele foi responsável por vários cabelos brancos do ex;
* O dia em que eu corria para pegar o ônibus com o Fabrício para ir prestar vestibular – eu caí e minha saia foi parar na cabeça (esta menina é uma pateta…);
* Como ele me ganhou naquele dia em que eu precisava fazer a inscrição do vestiba e só iria ter o dinheiro no outro dia – nem pensou duas vezes e me emprestou a grana na mesma hora;
* O dia da apresentação da minha monografia no ano passado;
* Aquele desenho que passava na Globo: “A turma da pesada” e aquele do SBT: “Jen”;
* Aquele show dos Titãs;
* Aquele show do Rappa em que quase saí no tapa com uma mocréia que me empurrou na grade – fiquei roxa por um mês;
* Quando fiz um simulado no cursinho ao lado do Jean e fiquei em último lugar, não por ser burra nem nada, mas porque eu estava apaixonada pelo mocinho e não consegui nem olhar para a prova;
* O dia em que o Marcelo me pediu para terminar meu namoro e ficar com ele;
* O tempo em que morei no apartamento da Av. Silva Jardim e de como era bom estar perto;
* Aquela viagem à praia de Guaratuba;
* Quando eu disse a um amigo: “eu sei que você é gay, pode ir falando” – e ele falou;
* Quando ganhei o Nico e o Tony;
* A primeira vez que fui à São Caetano do Sul;
* O dia em que tive que pular o portão de uma praça em Curitiba e me enrosquei na grade. Raios! As praças fecham nesta cidade!
* Quando um amigo meu disse que estava com Aids;
* Quando o André nasceu;
* O dia em que eu e a Mana brigamos feio;
* Do dia em que acabou tudo;
* Quando tirei as fitas adesivas de todos os absorventes da minha mãe pensando estar ajudando (eu devia ter uns 5 anos);
* Do dia em que saí para afogar as mágoas e dancei a noite inteira com um tal de Fernando (que eu nunca mais vi na vida) numa boate gay.
* De quando eu pulei de bungee Jump;

RECORDAR É VIVER!!!



26 de novembro de 2002

Para todas as coisas: dicionário


Este post é inspirado no blog da querida Kath e as palavras a seguir resumem a seqüência dos infelizes fatos do final de semana:

* re.ver – tornar a ver(se);
* bur.ri.ce – falta de experiência, asneira;
* re.ca.ir – sofrer recaída, reincidir, pesar sobre;
* ma.go.ar – machucar(se), contundir(se), comover(se);
* ar.re.pen.der-se – sofrer pelo mal feito, mudar de opinião – arrependido;
* de.cep.cão – desapontamento, desilusão;
* es.tra.gar – pôr ou ficar em mau estado, danificar(se), prejudicar;
* per.der – deixar de ter ou sentir
* cho.rar – verter lágrimas, lamentar, deplorar;
* conversar – trocar palavras, discorrer, palestrar;
* con.ser.tar – neste caso, ainda estou tentando fazer o significado se tornar real…



26 de novembro de 2002

Apagando velinhas


Hoje é aniversário do moço. Vocês sabem que ele é muito importante na minha vida e estou lamentando não estar com ele para comemorarmos juntos. Mas de qualquer forma: Djubinho, quero que você seja muito, muito feliz – FELIZ ANIVERSÁRIO!! E agora, como ele diz: “fechem os olhos que este é um recado particular”:

I love you baby
And if it’s quite all right
I need you baby
To warm my lonely night I love you baby
Trust in me when I say
Oh, pretty baby
Don’t bring me down I pray oh, pretty baby
Now that I found you, stay and let me love you
Baby let me love you…


23 de novembro de 2002

Enfim, sábado


Final de semana para rever os amigos e aproveitar para cair na “gandaia”, que eu também sou filha de Deus! Meu querido Dri hoje vai festar com os amigos para comemorar o aniversário que será dia 26. Infelizmente não poderei estar junto – então comemoro de longe mesmo, vale né?
Estou saindo para assistir “Fale com Ela“, enfim! Agora me vou… Até mais!
***
Um recadinho:

“De todos aqueles que atravancam o meu caminho: eles passarão – eu passarinho!” Mário Quintana sabia das coisas…



22 de novembro de 2002

Esquecendo de esquecer…


Esquecer não é algo fácil. Bem, não é fácil ao menos quando é isso o que desejamos de verdade. Eu sou dessas pessoas que não consegue esquecer somente o que é para ser eximido da memória. Não esqueço quem me esqueceu há séculos, não esqueço a música que fazia meu coração pular, porque era minha e da pessoa que não tinha que ter me esquecido, não esqueço datas, não esqueço alegrias que não voltam e não esqueço que seria melhor se eu simplesmente esquecesse e conseguisse recomeçar do zero.
Difícil, ao menos pra mim é muito difícil. Já me chamaram de burra, já me chamaram de maluca, de insensível, já me acusaram de não me esforçar o bastante. E eu? Eu não consigo fazer nada para apagar tudo o que já vivi e que hoje só me machuca. Uma amiga minha disse-me uma vez, quando tentava me fazer compreender, que o tempo faz com que lembremos mais da dor de um dedo preso na porta do que de um amor que acabou. Ela me disse também que existem coisas que nos fazem mais felizes ao lembrar, do que algo que parece ter sido importante só para uma pessoa: uma brincadeira da época de criança, um amigo de quem nunca mais tivemos notícias, de alguém que se foi pra sempre e não por escolha própria. Ela tem razão, eu sei que tem.
Às vezes eu tenho a sensação de que o tempo parou em momentos que nunca mais irão voltar. Penso no tempo que se foi e no que ficou para trás – aqui está a Tuka burra incorporada mais uma vez. A Tuka que se emociona ao lembrar de um domingo de sol em que se comemorou o sol (porque já era suficiente), de uma pizza com alguém que nunca mais vai ver, de uma música que agora toca no momento mais inoportuno e que um dia a fez tão feliz, de estar simplesmente em silêncio com quem confiava mais do que tudo – sinto não esquecer até mesmo o que eu nunca vivi, o que eu nunca tive pra mim, o que eu não sei nem como poderia ter sido.
Dizem que o tempo a tudo cura, que tudo transforma em lembrança distante: morte, dor, saudade, tristeza – qualquer coisa. Dizem que o tempo cicatriza, que o tempo cria sábios, transforma crianças em adultos experientes, faz com que um desamor vire incentivo para o próximo amor, faz com que valorizemos quem nos ama de verdade, faz com que não desejemos esquecer apenas quem se lembra de nós. Dizem. É o que dizem…
Um poeta disse uma vez que o esquecer é algo que não se consegue apenas porque tentamos demais. Faz sentido. Eu vivo esquecendo de tomar remédio, de números de telefone, de mandar a carta do amigo que está longe – estas coisas não estão em nossa mente o tempo todo. Ninguém se esforça demais para não esquecer um número de telefone não é? Se pensar assim talvez eu menos etranha. Talvez eu consiga fazer com que minhas lembranças sejam menos importantes do que a vontade de fazer tudo de novo com alguém que me queira de verdade. Talves eu deixe de lado enfim todos os arrependimentos e desejos de que tudo volte a ser como antes. Talvez eu pare de pensar e aquilo que eu não entendo seja deixado pra lá, porque não vale a pena tentar saber do que não nos faz feliz, de quem não nos quer por perto.
Às vezes temos que simplesmente saber aceitar o que nos fugiu do controle em algum determinado momento de nossa vidas – minha mãe vive dizendo que o que não aconteceu não era para ter sido. Temos que saber sorrir até quando o que mais se deseja é chorar. E é fundamental que sejamos capazes de fazer coisas, para que um dia não sejamos alvo de nós mesmos, com nossos porquês sem respostas e nossos arrependimentos inúteis que não nos levarão a lugar algum. Eu ainda não sei como fazer isso e ao contrário do que pensam: eu quero saber, eu quero esquecer ou apenas saber fazer com que as lembranças não me machuquem mais. Nunca mais. Eu quero poder “aprender que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo”. Quero “aprender que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte”. Quero “aprender que o tempo não é algo que possa voltar para trás”.
Estou esperando que o tempo, o mesmo tempo que cura, que não pára e que não volta nunca, me transforme em alguém melhor para as pessoas que me amam de verdade, porque eu quero ser melhor do que fui ontem e melhor do que sou hoje, e que esse mesmo tempo faça com que minhas lembranças não me aterrorizem e sim, que me sirvam para os próximos passos.


21 de novembro de 2002

Pro dia nascer feliz


Eu tinha que postar isso aqui… Esse foi um e-mail mandado pela mesma “pessoa especial” do post abaixo… Não é preciso dizer mais nada né?

As dez coisas que eu odeio em você

*odeio quando você é mandona
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe
*odeio quando você está longe

As dez coisas que eu amo em você

*amo sua carinha de sapeca, de menina peralta
*amo quando você me chama de apelidinhos
*amo quando é você do outro lado do telefone
*amo quando é você do outro lado da porta
*amo quando é você parada na minha frente
*amo quando você me abraça
*amo quando você senta no meu colo e coloca sua cabeça em meu ombro
*amo quando você faz manha e eu posso te abraçar e te apertar e te beijar
aliás,
*amo o seu beijo e como ele se encaixa perfeitamente no meu
*amo o fato de você, ironicamente, ter olhos grandes e viver no meio de uma “colônia” de japoneses, isso só prova o quanto é especial para mim por eu te amar – o quanto se destaca num local onde, teoricamente, eu olharia para todos os lados
*amo o fato de você fazer todo o resto da população feminina mundial tornar-se “o resto da população feminina mundial” – como todas perdem a importância
*amo quando me deito e você está ali, do lado
*amo o fato de se enroscar toda em mim, por sentí-la tão perto de mim
*amo o fato de estar cheirosa quando sai do banho
*amo o cheiro do creme na sua pele depois do banho
*amo o cheiro da sua pele o tempo todo
*amo quando está de olhos fechados, ainda acordando e me puxa para a cama com você
*amo o barulho que você faz perto do meu ouvido, que me faz morrer de rir
*amo quando rimos juntos
*amo o fato de você me completar
*amo o fato de eu te completar
*amo o fato de ter encontrado alguém para mim
*amo quando conta tudo que fez no dia e ouve o que eu fiz também
*amo tanta coisa em você que nem sei por onde começar
*amo tanta coisa em você que nem sei quantas são
*amo tanto você…
*amo você.



20 de novembro de 2002

Quase 100 coisas que eu odeio em você


Eu odeio estar longe de você por tanto tempo
Eu odeio brigar com você por querer estar perto
Eu odeio olhar pro lado e não ver você
Eu odeio quando você sente ciúmes demais
Eu odeio quando você sente ciúmes de menos
Eu odeio tanta atenção que dá para pessoas que não merecem
Eu odeio quando o telefone toca e não é você
Eu odeio olhar pro céu e você não estar comigo
Eu odeio não saber pensar em outra coisa sem ser você
Eu odeio só falar em você
Eu odeio chorar por você
Eu odeio não saber como você está
Eu odeio não saber onde você está
Eu odeio inventar coisas pra fazer pra não ter que pensar em você
Eu odeio usar o telefone com medo que você ligue e dê ocupado
Eu odeio quando não te abraço
Eu odeio ser você a primeira pessoa com quem quero falar a respeito de tudo
Eu odeio quando sua pele não toca a minha
Eu odeio sentir vontade de te beijar e não poder
Eu odeio ouvir nossa música
Eu odeio quando você fala comigo como se nada tivesse acontecido
Eu odeio quando você faz drama
Eu odeio quando você me trata como se tivesse me visto há 5 minutos atrás
Eu odeio quando você se diverte e não é comigo por perto
Eu odeio minhas noites solitárias
Eu odeio minha cama vazia
Eu odeio quando me diz que sinto medo demais e não é sua culpa
Eu odeio quando quer que as coisas se resolvam num toque de mágica
Eu odeio saber que não vou te ver
Eu odeio não sermos mais namorados
E às vezes eu me odeio por te amar tanto, mas te amo assim mesmo…

Este post é para uma pessoa muito importante pra mim. As pessoas que lêem esta Casa sabem exatamente para quem é, mas não me importo que saibam. Não me importo nem ao menos que a pessoa a quem se destina este texto não goste de uma única palavra do que escrevi aqui. O que quero é ele tente compreender o que tentei dizer.


17 de novembro de 2002

Cineminha e blablablá


Só hoje assisti Cidade de Deus, acreditam? Um espetáculo de filme! Enredo, imagens, personagens (elenco: Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Alexandre Rodrigues e Leandro Firmino da Hora) – adorei tudo. Fernando Meirelles reafirmou o valor do cinema brasileiro escancarando a realidade. Maravilhoso. Você ainda não viu? Não sabe o que está perdendo.

E para acabar bem o domingo, o Palmeiras foi rebaixado para a segunda divisão! Melhor que isso só se o Inter também tivesse caído.



16 de novembro de 2002

Se só me restasse um dia de vida…


… eu não ouviria músicas, eu escutaria o silêncio;
… eu não escreveria post algum, escreveria uma poesia;
… se tivesse chuva brincaria descalça e me molharia como quando era criança;
… se tivesse sol olharia o céu sentada na grama;
… tentaria pensar como Veronika em Villete;
… não lamentaria os amores que não me amaram e agradeceria o que eu soube sentir;
… comeria pão de queijo, tomaria sorvete de menta e chocolate e sopa eslava (e provavelmente teria uma dor de barriga enorme! rs…);
… não pensaria em mágoas;
… brincaria de Power Rangers com o André;
… plantaria uma árvore;
… não pagaria minhas dívidas;
… iria ao cinema assistir Tão longe tão perto ou O carteiro e o poeta ou Cinema Paradiso;
… gritaria a primeira coisa que me viesse à cabeça;
… iria querer sentir o vento me dando consciência de vida pela última vez;
… pensaria em meus amigos mas não me despediria deles;
… lamentaria não ter tido um filho;
… faria amor com a pessoa que amo tanto, olhando em seus olhos;
… teria certeza de que eu era feliz e nem sabia;
… sentiria pena de pessoas que perderam tempo demais buscando o impossível;
… abriria todas as portas e janelas para deixar a luz entrar;
… brincaria com o Tony, o Nico e a Kika;
… daria meus CDs de presente à alguém que valoriza música verdadeira;
… pensaria que faltava pouco tempo para verificar se Nietzsche estava certo;
… telefonaria para uma pessoa apenas para ouvir um último “alô”;
… declamaria a música metade de Oswaldo Montenegro;
… leria mais uma vez O último discurso de Chaplin;
… imaginaria desenhos em nuvens;
… vestiria uma roupa ridícula;
… desejaria ficar invisível por alguns instantes;
… imaginaria minha vida num vídeo clipe – a música poderia ser O avesso dos ponteiros ou Coisas da vida ou ainda um techno bem maluco;
… chamaria aquele meu vizinho de gostoso;
… contaria uma história;
… beijaria a boca de alguém especial;
… lembraria das letras de músicas que foram importantes em minha vida;
… diria “euteamo”;
… olharia meu pai e minha mãe com admiração;
… diria à minha irmã que eu sempre quis ser como ela;
… diria à meu irmão que ainda dá tempo para que ele repense as besteiras que fez e faz;
… contaria estrelas;
… olharia a lua e lembraria das noites que passei vendo ela me seguir;
… diria mais uma vez a uma pessoa que a felicidade está nas coisas mais simples;
… fotografaria um sorriso,
… não conseguiria fazer nem metade de tudo que eu gostaria de fazer e
… não escreveria uma lista estúpida de coisas que eu faria se só me restasse um dia.


15 de novembro de 2002

Amor perfeito nada!


Por que temos mania de achar que para que o amor exista ele precisa ser arrebatador? Daquele amor que “sem o qual se quer morrer”? Por que pensamos que um amor só é amor se ficamos sem dormir pensando na pessoa? Se ficamos sem comer até que a pessoa ligue? Por que achamos que o amor só é válido se ouvimos fogos de artifícios quando acontece o beijo? Por que pensamos que com este sentimento apenas fazemos amor e não transamos? Por que o amor não pode ser amor mesmo sendo um pouco capenga às vezes? Por que não pode ser amor mesmo quando às vezes olhamos para a cara da pessoa e pensamos: “ai, eu quero dormir até amanhã”? Por que para provar o amor é preciso estar cego a todos os corpos e rostos bonitos que vemos pelos caminhos?
O amor também fica de saco cheio, amor também quer mandar a pessoa para putaqueopariu de vez em quando. Quem nunca sentiu vontade de sumir e de poder sentir um pouco de saudade? Amor sabe esperar, sabiam? Sabe sim, mesmo parecendo que não. Amor sabe morrer e nascer de novo. Amor de verdade recomeça do nada, recomeça do não. Amor não envolve somente beijos, abraços e noites de sexo alucinante. Amor é aquele que permanece quando a grana falta, quando não se está a fim de fazer caras e bocas somente para agradar. O amor supera a cara feia, o “hoje estou de chico”, o “tem pizza de ontem na geladeira”, o “lava que eu enxugo”, o “vou jogar futebol com os amigos”, o “ser você mesmo”, o acordar com a cara amassada – o amor supera.
Amor não acaba por dúvidas bobas, nem pela interferência de uma terceira pessoa – e se acabou é porque pode ter sido qualquer outra coisa, menos amor. Mesmo assim, o amor está sujeito a se confundir no meio do caminho. Quem é que não se confunde nesta vida? O amor às vezes parece não ser o suficiente para continuar, e aí é que ele pode provar que vale a pena, é aí que ele pode tomar embalo e recomeçar de novo – mais forte e maior ainda do que jamais foi.
O amor não é apenas passear ao sol – não. Amar é correr na tempestade, sentir medo e ainda assim querer proteger o outro. Amar é poder ficar em silêncio – o silêncio é a maior das intimidades – o silêncio fala. E o amor entende e ouve o silêncio.

O amor, mesmo não sendo como lemos nas belas poesias de Neruda ou Drummond, ainda pode ser simples e ser puro. Pode ser amigo e pode ser eterno. O amor não precisa ser perfeito, e nem existe o amor perfeito. Já disseram que “amar não é que ter sempre certeza”. Verdade: o amor titubeia, sofre, chega quase no fim e revigora.

Mas o amor não deve ser “quase”. Não deve quase dar certo, não deve ser lamento. O amor tem que ser recíproco e tem que ser forte para que permaneça sem que na primeira dificuldade se pense que nada mais vale à pena. O amor deve ser pleno, mas uma vez ou outra tem que se permitir estar só, pois tudo o que é demais não faz bem.

O amor deve ser mais do que rimas de frases bonitas, deve deixar à vontade até mesmo para dizer: “hoje estou sem saco pra você” – por que afinal, sabemos que nem isso vai fazer com que ele acabe. O amor deve saber acatar a distância e ser seguro mesmo não estando perto.

Realmente, o amor não é perfeito, não desejemos então um amor que tente sê-lo. Desejemos um amor que não só escute, mas que fale, que não só fale, mas que também pense, que não só diga que ama, mas que prove. Desejemos um amor que, se um dia estiver prestes a acabar, tenha entusiasmo para recomeçar. Desejemos um amor que recomece mesmo quando não acaba – que se renove fazendo com que amanhã seja ainda maior do que foi hoje.

Enfim, que desejemos um amor sem sonhar com o impossível, com o inatingível. Que tenhamos o direito de sentir medo e saibamos reconsiderar quando o amor quiser fugir. Que aprendamos a amar e a conhecer a mesma pessoa quantas vezes forem necessárias para que dure pra sempre – ou para que seja eterno enquanto possível. Que respeitemos um amor que é real e que não tem pretensões de contos de fadas ou filmes hollywoodianos: que tem mau hálito de manhã, dor de cabeça, mau humor, olha a bunda da gostosa ou gostoso de rabo de olho sem que isso signifique desrespeito, tem dúvidas e às vezes acha que não é tanto. Um amor que quer atenção, chora, sofre, faz dramas, tem ciúme. Que o queiramos assim mesmo, aceitando tudo o que ele tem de ruim, contando até dez de vez em quando para não deixar a paciência esvair e sorrindo ao constatar que tudo isso é infinitamente menor do que aquilo que ele possui de bom.


Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


Procure aqui


Uma campanha Casa da Tuka contra o plágio
Divulgue em seu Blog:



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